domingo, setembro 21, 2008
Esquerdismo: Doença Infantil do Comunismo III e IV
Prenúncio de grande tempestade em toda parte, fermentação e preparativos em todas as classes. No estrangeiro, a imprensa dos emigrados expõe teoricamente todas as questões essenciais da revolução. Com uma luta encarniçada de concepções programáticas e táticas, os representantes das três classes fundamentais, das três correntes políticas principais - a liberal-burguesa, a democrático-pequeno-burguesa (encoberta pelos rótulos de social-democrática" e "social-revolucionária") é a proletária revolucionária - prenunciam e preparam a futura luta aberta de classes. Todas as questões que motivaram a luta armada das massas em 1905/1907 e em 1917/1920 podem (e devem) ser encontradas, em forma embrionária, na imprensa daquela época. Naturalmente, entre essas três tendências principais existem todas as formações intermediárias, transitórias, híbridas que se queira. Em termos mais exatos: na luta entre os órgãos da imprensa, os partidos, as frações e os grupos vão se cristalizando as tendências ideológicas e políticas com caráter realmente de classe; cada uma das classes forja para si uma arma ideológica e política para as batalhas futuras.
Anos de revolução (1905/1907).
Todas as classes agem abertamente. Todas as concepções, programáticas e táticas são comprovadas através da ação das massas. Luta grevista sem precedentes no mundo inteiro por sua amplitude e dureza. Transformação da greve econômica em greve política e da greve política em insurreição. Comprovação prática das relações existentes entre o proletariado dirigente e os camponeses dirigidos, vacilantes e instáveis. Nascimento, no processo espontâneo da luta, da forma soviética de organização. As discussões de então sobre o papel dos Soviets são uma antecipação da grande luta de 1917/1920. A sucessão das formas de luta parlamentares e não parlamentares, da tática de boicote do parlamento e de participação no mesmo, e das formas legais e ilegais de luta, assim como suas relações recíprocas e as ligações existentes entre elas, distinguem-se por uma assombrosa riqueza de conteúdo. Do ponto de vista do aprendizado dos fundamentos da ciência política pelas massas e os chefes, pelas massas e os partidos - cada mês desse período equivale a um ano de desenvolvimento "pacifico" e "constitucional". Sem o "ensaio geral" de 1905, a vitória da Revolução de Outubro de 1917 teria sido impossível.
Anos de reação (1907/1910).
0 czarismo triunfou. Foram esmagados todos os partidos revolucionários e de posição. Desânimo, desmoralização, cisões, dispersão, deserções, pornografia em vez de política. Fortalecimento da tendência para o idealismo filosófico, misticismo como disfarce de um estado de espírito contra-revolucionário. Todavia, ao mesmo tempo, justamente essa grande derrota dá aos partidos revolucionários e à classe revolucionária uma verdadeira lição extremamente proveitosa, uma lição de dialética histórica, de compreensão, de destreza e arte na direção da luta política. Os amigos se manifestam na desgraça. Os exércitos derrotados passam por uma boa escola.
O czarismo vitorioso vê-se obrigado a destruir apressadamente os remanescentes do regime pré-burgues e patriarcal na Rússia. O desenvolvimento burguês do país progride com notável rapidez. As ilusões à margem e acima das classes, as ilusões sobre a possibilidade de evitar o capitalismo se dissipam. A luta de classes manifesta-se de modo absolutamente novo e com maior relevo.
Os partidos revolucionários têm de completar sua instrução. Aprenderam a desencadear a ofensiva. Agora têm que compreender que essa ciência deve ser completada pela de saber recuar ordenadamente. É preciso compreender - e a classe revolucionária aprende a compreendé-la através de sua própria e amarga experiência - que não se pode triunfar sem saber atacar e empreender a retirada com ordem. De todos os partidos revolucionários e de oposição derrotados, foram os bolcheviques que recuaram com maior ordem, com menores perdas para seu "exército", conservando melhor seu núcleo central, com cisões menos profundas e irreparáveis, menos desmoralização e com maior capacidade para reiniciar a ação de modo mais amplo, justo e vigoroso. E se os bolcheviques conseguiram tal resultado foi exclusivamente porque desmascararam impiedosamente e expulsaram os revolucionários de boca, obstinados em não compreender que é necessário recuar, que é preciso saber recuar, que é obrigatório aprender a atuar legalmente nos mais reacionários parlamentos e nas organizações sindicais, cooperativas, nas organizações de socorros mútuos e outras semelhantes, por mais reacionárias que sejam.
Anos de ascenso (1910/1914).
A principio, o ascenso foi de uma lentidão incrível; em seguida, depois dos acontecimentos do Lena(2). em 1912, verificou-se com rapidez um pouco maior. Vencendo dificuldade(3) inauditas, os bolcheviques eliminaram os mencheviques, cujo papel como agentes da burguesia no movimento operário foi admiravelmente compreendido depois de 1905 por toda a burguesia e aos quais, por isso mesmo, ela apoiava de mil maneiras contra os bolcheviques. Estes nunca teriam conseguido eliminar os mencheviques, caso não houvessem aplicado uma tática justa, combinando o trabalho ilegal com a utilização obrigatória das "possibilidades legais". Na mais reacionária das Dumas, os bolcheviques conquistaram toda a bancada operária.
Primeira guerra imperialista mundial (1914/1917).
O parlamentarismo legal, com um "parlamento" ultra-reacionário, presta os mais úteis serviços ao partido do proletariado revolucionário, aos bolcheviques. Os deputados bolcheviques são deportados para a Sibéria. Na imprensa dos emigrados encontram entre nós sua mais plena expressão todos os matizes das concepções do social-imperialismo, do social-chauvinismo, do social-patriotismo, do internacionalismo inconseqüente e do conseqüente, do pacifismo e, da negação revolucionária das ilusões pacifistas. Os imbecis sabichões e as velhas comadres da II Internacional, que franziam o cenho com desdém e arrogância ante a abundância de "fracções" no socialismo russo e ante a luta encarniçada que havia entre elas, foram incapazes, quando a guerra suprimiu em todos os países adiantados a tão alardeada "legalidade" de organizar, ainda que apenas aproximadamente, um intercâmbio livre (ilegal) de idéias e uma elaboração livre (ilegal) de concepções justas, como os revolucionários russos organizaram na Suíça e em outros países. Precisamente por isso, tanto os social-patriotas declarados como os "kautskistas" de todos os países revelaram-se os piores traidores do proletariado. E se o bolchevismo foi capaz de triunfar em 1917/1920, uma das causas fundamentais dessa vitória consiste em que desmascarou impiedosamente, já desde fins de 1914, a vileza, a infâmia e a abjeção do social-chovinismo e do "kautskismo" (ao qual correspondem o longuetismo3 na França, as idéias dos chefes do Partido Trabalhista Independente(4) e dos fabianos(5) na Inglaterra, de Turati na, Itália, etc.) e em que as massas foram se convencendo cada vez mais, por experiência própria, de que as concepções dos bolcheviques eram justas.
Segunda revolução russa (fevereiro-outubro de 1917).
O incrível grau de decrepitude e caducidade do czarismo criou contra ele (com ajuda dos reveses e sofrimentos de uma guerra infinitamente penosa) uma tremenda força destruidora. Em poucos dias, a Rússia converteu-se numa república burguesa democrática mais livre (nas condições da guerra) que qualquer outro país. Os chefes dos partidos de oposição e revolucionários começaram a formar o governo, como nas repúblicas do mais "puro parlamentarismo", pois o título de chefe de partido de oposição no parlamento, mesmo no mais reacionário jamais havido, sempre facilitou o papel ulterior desse chefe na revolução.
Em poucas semanas, os mencheviques e os "social-revolucionários" assimilaram com perfeição todos os maneirismos, e posições, argumentos o sofismas dos heróis europeus da II Internacional, dos ministerialistas e de toda a corja oportunista Tudo que hoje lemos sobre os Scheidemann e os Noske, Kautsky e Hilferding, Renner e Austerlitz, Otto Bauer e Fritz Adler, Turati e Longuet, sobre os fabianos e os chefes do Partido Trabalhista Independente da Inglaterra nos parece (e é, na realidade) uma repetição monótona de um assunto antigo e conhecido. A História os ludibriou, obrigando os oportunistas de um país atrasado a se manifestarem antes dos oportunistas de uma série de países adiantados.
Se todos os heróis da II Internacional fracassaram e se cobriram de opróbrio na questão do papel e da importância dos Soviets e do Poder Soviético; se eles se cobriram de ignominia com singular "brilhantismo" e se os chefes dos três grandes partidos que se separaram agora da II Internacional (Partido Social-Democrata Independente da Alemanha(6), Partido Longuetista da França e Partido Trabalhista Indepedente da Inglaterra) se confundiram nossa questão; se todos eles se tornaram escravos dos preconceitos da democracia pequeno-burguesa (exatamente da mesma maneira que os pequeno-burgueses de 1848, que se chamavam "social-democratas"), também é verdade que já vimos tudo isso no exemplo dos mencheviques. A História fez esse gracejo: os Soviets surgiram na Rússia em 1905, foram falsificados em fevereiro-outubro de 1917 pelos mencheviques - que fracassaram por não haver compreendido o papel e a importância dos Soviets --- e hoje surgiu no mundo inteiro a idéia do Poder Soviético, idéia que se difunde com inusitada rapidez entre o proletariado de todos os países. Enquanto isso, os antigos heróis da II Internacional fracassam em toda parte, por não terem sabido compreender, do mesmo modo que os nossos mencheviques, o papel e a importância dos Soviets. A experiência demonstrou que, em algumas questões essenciais da revolução proletária, todos os países passarão, inevitavelmente, por onde a Rússia passou.
Contrariamente às opiniões que não raro se expendem agora na Europa e na América, os bolcheviques começaram com muita prudência e não prepararam de modo algum com facilidade a sua vitoriosa luta contra a república burguesa parlamentar (de fato) e contra os mencheviques. No início do período citado, não conclamamos à derrubada do governo, e sim explicamos a impossibilidade de fazê-lo sem modificar previamente a composição e o estado de espírito dos Soviets. Não declaramos o boicote ao parlamento burguês, mas, pelo contrário, dissemos - e a partir da Conferência de nosso Partido, celebrada em abril de 1917, passamos a dizê-lo oficialmente em nome do Partido - que uma república burguesa com uma Constituinte era preferível à mesma república sem Constituinte, mas que a república "operária-camponesa" soviética é melhor que qualquer república democrático-burguesa, parlamentar. Sem essa preparação prudente, minuciosa, sensata e prolongada não teríamos podido alcançar nem manter a vitória; de Outubro de 1917.
IV - Quais foram os inimigos que o bolchevismo enfrentou, dentro do movimento operário, para poder crescer, fortalecer-se e temperar-se?
Em primeiro lugar, e acima de tudo, na luta contra o oportunismo que, em 1914, transformou-se definitivamente em social -chovinismo e se bandeou, de uma vez por todas, para o lado da burguesia, contra o proletariado. Esse era, naturalmente, o principal inimigo do bolchevismo dentro do movimento operário, e continua sendo, em escala mundial. O bolchevismo prestou e presta a esse inimigo a maior atenção. Esse aspecto da atividade dos bolcheviques já é muito bem conhecido no estrangeiro.
Quanto a outro inimigo do bolchevismo no movimento operário, a coisa já é bem diferente. Pouco se sabe, no estrangeiro, que o bolchevismo cresceu, formou-se e temperou-se, durante muitos anos, na luta contra o revolucionarismo pequeno-burguês, parecido com o anarquismo, ou que adquiriu dele alguma coisa, afastando-se, em tudo que é essencial, das condições e exigências de uma conseqüente luta de classes do proletariado. Para os marxistas está plenamente provado do ponto de vista teórico - e a experiência de todas as revoluções e movimentos revolucionários da Europa confirmam-no totalmente - que o pequeno proprietário, o pequeno patrão (tipo social muito difundido em vários países europeus e que tem caráter de massas), que, muitas vezes sofre sob o capitalismo uma pressão contínua e, amiúde, uma agravação terrivelmente brusca e rápida de suas precárias condições de vida, não sendo difícil arruinar-se, passa-se facilmente para uma posição ultra-revolucionária, mas é incapaz de manifestar serenidade, espírito de organização, disciplina e firmeza. O pequeno-burguês "enfurecido" pelos horrores do capitalismo é, como o anarquismo, um fenômeno social comum a todos os países capitalistas. São por demais conhecidas a inconstância e a esterilidade dessas veleidades revolucionárias, assim como a facilidade com que se transformam rapidamente em submissão, apatia, fantasias, e mesmo num entusiasmo "furioso" por essa ou aquela tendência burguesa "em moda". Contudo, o reconhecimento teórico, abstrato, de tais verdades não é suficiente, de modo algum, para proteger um partido revolucionário dos antigos erros, que sempre acontecem por motivos inesperados, com ligeira variação de forma, com aparência ou contorno nunca vistos, anteriormente, numa situação original (mais ou menos original).
O anarquismo foi, muitas vezes, uma espécie de expiação dos pecados oportunistas do movimento operário. Essas duas anomalias completavam-se reciprocamente. Se o anarquismo exerceu na Rússia uma influência relativamente insignificante nas duas revoluções (1905 e 1917) e durante sua preparação, não obstante a população pequeno-burguesa ser aqui mais numerosa que nos países europeus, isso se deve, em parte, sem dúvida, ao bolchevismo, que sempre lutou impiedosa e inconciliavelmente contra o oportunismo. Digo "em parte" porque o que mais contribuiu para debilitar o anarquismo na Rússia foi a possibilidade que teve no passado (década de 70 do século XIX) de alcançar um desenvolvimento extraordinário e revelar profundamente seu caráter falso e sua incapacidade de servir como teoria dirigente da classe revolucionária.
Ao surgir em 1903, o bolchevismo herdou a tradição de luta implacável contra o revolucionarismo pequeno-burguês, semi-anarquista (ou capaz de "namoricar" o anarquismo), tradição que sempre existira na social-democracia revolucionária e que se consolidou particularmente em nosso país em 1900/1903, quando foram assentadas as bases do partido de massas do proletariado revolucionário da Rússia. O bolchevismo fez sua e continuou a luta contra o partido que mais fielmente representava as tendências do revolucionarismo pequeno-burguês (isto é, o partido dos "socialistas revolucionários") em três pontos principais. Em primeiro lugar, esse partido, que repudiava o marxismo, obstinava-se em não querer compreender (talvez fosse mais justo dizer que não podia. compreender) a necessidade de levar em conta, com estrita objetividade, as forças de classe e suas relações mútuas antes de empreender qualquer ação política. Em segundo lugar, esse partido via um sinal particular de seu "revolucionarismo" ou de seu "esquerdismo" no reconhecimento do terror individual, dos atentados, que nós, marxistas, rejeitávamos categoricamente. É claro que condenávamos o terror individual exclusivamente por conveniência; as pessoas capazes de condenar "por princípio" o terror da grande revolução francesa ou, de modo geral, o terror de um partido revolucionário vitorioso, assediado pela burguesia do mundo inteiro, já foram fustigadas e ridicularizadas por Plekhanov em 1900/1903, quando este era marxista e revolucionário. Em terceiro lugar, ser "esquerdista" consistia, para os social-revolucionários, em rir dos pecados oportunistas, relativamente leves, da social-democracia alemã, ao mesmo tempo que imitavam os ultra-oportunistas desse mesmo partido, em questões como a agrária ou a da ditadura do proletariado.
A História, diga-se de passagem, confirmou hoje, em grande escala, em escala histórico-mundial, a opinião que sempre defendemos, isto é: que a social-democracia revolucionária alemã (devemos levar em conta que, já em 1900/1903, Plekhanov reclamava a expulsão de Bernstein do partido e que os bolcheviques, mantendo sempre essa tradição, desmascaravam em 1913 toda a vilania, a baixeza e a traição de Legien) estava mais próxima que ninguém do partido de que o proletariado revolucionário necessitava para triunfar. Agora, em 1920, depois de todos os rompimentos e crises ignominiosos da época da guerra e dos primeiros anos que a sucederam, vê-se com clareza que, de todos os partidos ocidentais, a social-democracia revolucionária alemã é, exatamente, a que deu os melhores chefes e que mais rapidamente se recuperou, corrigiu e fortaleceu. Isso também se verifica no partido dos espartaquistas(7) e na ala esquerda, proletária, do "Partido Social-Democrata Independente da Alemanha", que mantém uma luta firme contra o oportunismo e a falta de caráter dos Kautsky, Hilferding, Ledebour e Crispien. Se dermos agora uma olhada num período histórico completamente encerrado, que vai da Comuna de Paris à primeira República Socialista Soviética, veremos delinear-se com relevo absolutamente definido e indiscutível a posição do marxismo diante do anarquismo. Afinal de contas, o marxismo demonstrou ter razão. E se os anarquistas assinalavam com justeza o caráter oportunista das concepções sobre o Estado que imperavam na maioria dos partidos socialistas, é preciso observar, em primeiro lugar, que esse caráter oportunista provinha de uma deformação e até mesmo de uma ocultação consciente das idéias de Marx a respeito do Estado (em meu livro 0 Estado e a Revolução registrei que manteve no fundo de uma gaveta durante 36 anos, de 1875 a 1911, a carta em que Engels denunciava com singular realce, vigor, franqueza e clareza o oportunismo das concepções social-democratas em voga sobre o Estado); e, em segundo lugar, que a retificação dessas idéias oportunistas e o reconhecimento do Poder Soviético e de sua superioridade sobre a democracia parlamentar burguesa partiram com maior amplitude e rapidez precisamente das tendências mais marxistas existentes no seio dos partidos socialistas da Europa e da América.
Houve dois momentos em que luta do bolchevismo contra os desvios "esquerdistas" de seu próprio partido adquiriu dimensões particularmente consideráveis: em 1908, em torno da participação num "parlamento" ultra-reacionário e nas associações operárias legais, regidas pelas leis mais reacionárias, e em 1918 (paz de Brest), em torno da admissibilidade desse ou daquele "compromisso".
Em 1908, os bolcheviques "de esquerda" foram expulsos de nosso partido, em virtude de seu empenho em não querer compreender a necessidade de participar num "parlamento" ultra-reacionário. Os "esquerdistas", entre os quais havia muitos excelentes revolucionários que depois foram (e continuam sendo) honrosamente membros do Partido Comunista, apoiavam-se, principalmente, na feliz experiência do boicote de 1905. Quando o czar anunciou, em agosto de 1905, a convocação de um "parlamento" consultivo, os bolcheviques, contra todos os partidos da oposição e contra os mencheviques, declararam o boicote a esse parlamento, que foi liqüidado, com efeito, pela revolução de outubro de 1905. Naquela ocasião, o boicote foi justo, não porque seja certo abster-se, de modo geral, de participar nos parlamentos reacionários, mas porque foi levada em conta, acertadamente, a situação objetiva, que levava à rápida transformação das greves de massas em greve política e, sucessivamente, em greve revolucionária e em insurreição. Além disso, o motivo da luta era, nessa época, saber se se devia deixar nas mãos do czar a convocação da primeira instituição representativa, ou se se devia tentar arrancá-la das mãos das antigas autoridades. Como não havia, nem podia haver, a plena certeza de que a situação objetiva era semelhante e que seu desenvolvimento havia de realizar-se no mesmo sentido e com igual rapidez, o boicote deixava de ser justo.
O boicote dos bolcheviques ao "parlamento" em 1905, enriqueceu o proletariado revolucionário com uma experiência política extraordinariamente preciosa, mostrando que, na combinação das formas de luta legais e ilegais, parlamentares e extraparlamentares, é, às vezes, conveniente e até obrigatório saber renunciar às formas parlamentares. Mas transportar cegamente, por simples imitação, sem espírito critico, essa experiência a outras condições, a outra situação, é o maior dos erros. O que já constituíra um erro, embora pequeno e facilmente corrigível (8), foi o boicote dos bolcheviques à "Duma" em 1906. Os boicotes de 1907, 1908 e dos anos seguintes foram erros muito mais sérios e dificilmente reparáveis, pois, de um lado, não era acertado esperar que a onda revolucionária se reerguesse com muita rapidez e se transformasse em insurreição e, por outro lado, o conjunto da situação histórica originada pela renovação da monarquia burguesa impunha a necessidade de combinar-se o trabalho legal com o ilegal. Hoje, quando se considera retrospectivamente esse período histórico já encerrado por completo, cuja ligação com os períodos posteriores já se manifestou plenamente, compreende-se com extrema clareza que os bolcheviques não teriam podido conservar (já não digo consolidar, desenvolver e fortalecer) o núcleo sólido do partido revolucionário do proletariado durante os anos 1908/1914, se não houvessem defendido, na mais árdua luta, a combinação obrigatória das formas legais com as ilegais, a participação obrigatória num parlamento ultra-reacionário e numa série de instituições regidas por leis reacionárias (associações de mútuo socorro, etc.).
Em 1918, as coisas não chegaram à cisão. Os comunistas "de esquerda" só constituíram, na ocasião, um grupo especial, ou "fração", dentro de nosso Partido, e por pouco tempo. No mesmo ano, os mais destacados representantes do "comunismo de esquerda", Rádek e Bukharin, por exemplo, reconheceram abertamente seu erro. Achavam que a paz de Brest era um compromisso com os imperialistas, inaceitáveis por princípio e funesto para o partido do proletariado revolucionário. Tratava-se, realmente, de um compromisso com os imperialistas; mas era precisamente um compromisso dessa espécie que era obrigatório naquelas circunstâncias.
Hoje, quando ouço, por exemplo, os "social-revolucionários" atacarem nossa tática ao assinar a paz de Brest, ou uma observação como a que me foi feita pelo camarada Landsbury durante uma conversa: "Os chefes de nossas trade-unions inglesas dizem que também se podem permitir um compromisso, uma vez que os bolcheviques se permitiram", respondo habitualmente, antes de tudo, com uma comparação simples e "popular":
Imagine que o carro em que você está viajando é detido por bandidos armados. Você lhes dá o dinheiro, a carteira de identidade, o revólver e o automóvel; mas, em troca disso, escapa da agradável companhia dos bandidos. Trata-se, evidentemente, de um compromisso. Do ut des ("dou" meu dinheiro, minhas armas e meu automóvel, "para que me dês" a possibilidade de seguir em paz). Dificilmente, porém, se encontraria um homem sensato capaz de declarar que esse compromisso é "inadmissível do ponto de vista dos princípios", ou de denunciar quem o assumiu como cúmplice dos bandidos (ainda que esses, possuindo o automóvel, e as armas, possam utilizá-los para novas pilhagens). Nosso compromisso com os bandidos do imperialismo alemão foi semelhante a esse.
Mas quando, em 1914/1918 e em 1918/1920, os mencheviques e os social-revolucionários na Rússia, os partidários de Scheidemann (e, em grande parte, os kautskistas) na Alemanha, Otto Bauer e Friedrich Adler (sem falar dos Srs. Renner e outros) na Áustria, os Renaudel, Longuet & Cia. na França, os fabianos, os "independentes" e os "trabalhistas"(9) na Inglaterra assumiram, com os bandidos de sua própria burguesia e, às vezes, da burguesia "aliada", compromissos dirigidos contra o proletariado revolucionário de seu próprio país, esses senhores agiram como cúmplices dos bandidos. A conclusão é clara: rejeitar os compromissos "por principio", negar a legitimidade de qualquer compromisso, em geral, constitui uma infantilidade que é inclusive difícil de se levar a sério. O político que queira ser útil ao proletariado revolucionário deve saber distinguir os casos concretos de compromissos que são mesmo inadmissíveis, que são uma expressão de oportunismo e de traição, e dirigir contra esses compromissos concretos toda a força da critica, todo esforço de um desmascaramento implacável e de uma guerra sem quartel, não permitindo aos socialistas, com sua grande experiência de "manobristas", e aos jesuítas parlamentares que se livrem da responsabilidade através de preleções sobre os compromissos em geral". Os senhores "chefes" das trade-unions inglesas, assim como os da Sociedade Fabiana e os do Partido Trabalhista "Indepedente", pretendem, exatamente desse modo, eximir-se da responsabilidade da traição que cometeram, por haver assumido semelhante compromisso que, na realidade, nada mais é que oportunismo, defecção e traição da pior, espécie. Há compromissos e compromissos. É preciso saber analisar a situação e as circunstâncias concretas de cada compromisso, ou de cada variedade de compromisso. É preciso aprender a distinguir o homem que entregou aos bandidos sua bolsa e suas armas para diminuir o mal causado, por eles e facilitar sua captura e execução, daquele que dá aos bandidos sua bolsa e suas armas para participar da divisão do saque. Em política, isso está muito longe de ser sempre assim tão difícil como nesse pequeno exemplo de simplicidade infantil. Seria, porém, um simples charlatão quem pretendesse inventar para os operários uma fórmula que, antecipadamente, apresentasse soluções adequadas para todas as circunstâncias da vida, ou aquele que prometesse que na política do proletariado nunca surgirão dificuldades nem situações complicadas. A fim de não deixar margem a interpretações falsas, tentarei esboçar, ainda que em poucas palavras, algumas teses fundamentais para a análise dos casos concretos de compromisso. O partido que acertou com o imperialismo alemão o compromisso de firmar a paz de Brest vinha elaborando na prática o seu internacionalismo desde fins de 1914. Esse partido não receou proclamar a derrota da monarquia czarista e estigmatizar a "defesa da pátria", na guerra entre duas aves de rapina imperialistas. Os deputados desse partido no parlamento foram deportados para a Sibéria, em vez de seguir o caminho que leva às pastas ministeriais num governo burguês. A revolução, ao derrubar o czarismo e proclamar a república democrática, submeteu esse partido a uma nova e importante prova: não ajustou nenhum acordo com os imperialistas de "seu" país, e sim preparou sua derrubada e os derrubou. Esse mesmo partido, uma vez dono do Poder político, não deixou pedra sobre pedra nem da propriedade agrária nem da propriedade capitalista. Depois de publicar e inutilizar os tratados secretos dos imperialistas, esse partido propôs a paz a todos os povos e só cedeu ante a violência dos bandidos de Brest quando os imperialistas anglo-franceses frustaram a paz e depois de os bolcheviques terem feito tudo que, era humanamente possível para acelerar a revolução na Alemanha e em. outros países. A total justeza de semelhante compromisso, assumido por tal partido nessas circunstâncias, torna-se dia a dia mais clara e evidente para todos. Os mencheviques e social-revolucionários da Rússia (do mesmo modo que todos os chefes da II Internacional no mundo inteiro, em 1914/1920) começaram pela traição, justificando direta ou indiretamente a "defesa da pátria", isto é, a defesa de sua burguesia espoliadora, e persistiram na traição coligando-se com a burguesia de seu país e lutando a seu lado contra o proletariado revolucionário de seu próprio país. Sua união na Rússia com Kerenski e os democratas constitucionalistas e, depois, com KoIchak e Denikin, assim como a aliança de seus correligionários estrangeiros com a burguesia de seus respectivos países, foi uma deserção para o campo da burguesia, contra o proletariado. Seu compromisso com os bandidos do imperialismo consistiu, do principio ao fim, em tornar-se cúmplices do banditismo imperialista.
sábado, setembro 20, 2008
Esquerdismo: Doença Infantil do Comunismo II
Uma das condições fundamentais do êxito dos Bolcheviques
Hoje, sem dúvida, quase todo mundo já compreende que os bolcheviques; não se teriam mantido no poder, não digo dois anos e meio, mas nem sequer dois meses e meio, não fosse a disciplina rigorosíssima, verdadeiramente férrea, de nosso Partido, não fosse o total e incondicional apoio da massa da classe operária, isto é, tudo que ela tem de consciente, honrado, abnegado, influente e capaz de conduzir ou trazer consigo as camadas atrasadas.
A ditadura do proletariado é a guerra mais severa e implacável da nova classe contra um inimigo mais poderoso, a burguesia, cuja resistência está decuplicada, em virtude de sua derrota (mesmo que em apenas um país), e cuja potência consiste não só na força do capital internacional, na força e na solidez das relações internacionais da burguesia, como também na força do costume, na força da pequena produção. Porque, infelizmente, continua a haver no mundo a pequena produção em grande escala, e ela cria capitalismo e burguesia constantemente, todo dia, a toda hora, através de um processo espontâneo e em massa. Por tudo isso, a ditadura do proletariado é necessária, e a vitória sobre a burguesia torna-se impossível sem uma guerra prolongada, tenaz, desesperada, mortal; uma guerra que exige serenidade, disciplina, firmeza, inflexibilidade e uma vontade única.
A experiência da ditadura proletária triunfante na Rússia, repito, demonstrou, de modo palpável, a quem não sabe pensar ou a quem não teve oportunidade de refletir sobre esse problema, que a centralização incondicional e a disciplina mais severa do proletariado constituem uma das condições fundamentais da vitória sobre a burguesia.
Fala-se disso com freqüência. Mas não se medita suficientemente sobre o que isso significa e sobre as condições em que isso se torna possível. Não conviria que as saudações entusiásticas ao Poder dos Sovietes e aos bolcheviques fossem acompanhadas, mais amiúde, pela mais séria análise das causas que permitiram aos bolcheviques forjar a disciplina de que necessita o proletariado revolucionário?
O bolchevismo existe como corrente do pensamento político e como partido político desde 1903. Somente a história do bolchevismo em todo o período de sua existência é capaz de explicar satisfatoriamente as razões pelas quais ele pôde forjar e manter, nas mais difíceis condições, a disciplina férrea, necessária à vitória do proletariado.
A primeira pergunta que surge é a seguinte: como se mantém a disciplina do partido revolucionário do proletariado? Como é ela comprovada? Como é fortalecida? Em primeiro lugar, pela consciência da vanguarda proletária e por sua fidelidade à revolução, por sua firmeza, seu espírito de sacrifício, seu heroísmo. Segundo, por sua capacidade de ligar-se, aproximar-se e, até certo ponto, se quiserem, de fundir-se com as mais amplas massas trabalhadoras, antes de tudo com as massas proletárias, mas também com as massas trabalhadoras não proletárias. Finalmente, pela justeza da linha política seguida por essa vanguarda, pela justeza de sua estratégia, e de sua tática políticas, com a condição de que as mais amplas massas se convençam disso por experiência própria. Sem essas condições é impossível haver disciplina num partido revolucionário realmente capaz de ser o partido da classe avançada, fadada a derrubar a burguesia e a transformar toda a sociedade. Sem essas condições, os propósitos de implantar uma disciplina convertem-se, inevitavelmente, em ficção, em frases sem significado, em gestos grotescos. Mas, por outro lado, essas condições não podem surgir de repente. Vão se formando somente através de um trabalho prolongado, de uma dura experiência; sua formação é facilitada por uma acertada teoria revolucionária que, por sua vez, não é um dogma e só se forma de modo definitivo em estreita ligação com a experiência prática de um movimento verdadeiramente de massas e verdadeiramente revolucionário.
Se o bolchevismo pode elaborar e levar à prática com êxito, nos anos de 1917/1920, em condições de inaudita gravidade, a mais rigorosa centralização e uma disciplina férrea, deve-se simplesmente a uma série de particularidades históricas da Rússia.
De um lado, o bolchevismo surgiu em 1903 fundamentado na mais sólida base da teoria do marxismo. E a justeza dessa teoria revolucionária - e de nenhuma outra - foi demonstrada tanto pela experiência internacional de todo o século XIX como, em particular, pela experiência dos desvios, vacilações, erros e desilusões do pensamento revolucionário na Rússia. No decurso de quase meio século, aproximadamente de 1840 a 1890, o pensamento de vanguarda na Rússia, sob o jugo do terrível despotismo do czarismo selvagem e reacionário, procurava avidamente uma teoria revolucionária justa, acompanhando com zelo e atenção admiráveis cada "última palavra" da Europa e da América nesse terreno. A Rússia tornou sua a única teoria revolucionária justa, o marxismo, em meio século de torturas e sacrifícios extraordinários, de heroísmo revolucionário nunca visto, de incrível energia e abnegada pesquisa, de estudo, de experimentação na prática, de desilusões, de comprovação, de comparação com a experiência da Europa. Graças à emigração provocada pelo czarismo, a Rússia revolucionária da segunda metade do século XIX contava, mais que qualquer outro país, com enorme riqueza de relações internacionais e excelente conhecimento de todas as formas e teorias do movimento revolucionário mundial.
Por outro lado, o bolchevismo, surgido sobre essa granítica base teórica, teve uma história prática de quinze anos (1903/1917) sem paralelo no mundo, em virtude de sua riqueza de experiências. Nenhum país, no decurso desses quinze anos, passou, nem ao menos aproximadamente, por uma experiência revolucionária tão rica, uma rapidez e um variedade semelhantes na sucessão das diversas formas do movimento, legal e ilegal, pacífico e tumultuoso, clandestino e declarado, de propaganda nos círculos e entre as massas, parlamentar e terrorista. Em nenhum país esteve concentrada, em tão curto espaço de tempo, semelhante variedade de formas, de matizes, de métodos de luta, de todas as clames da sociedade contemporânea, luta que, além disso, em conseqüência do atraso do país e da opressão do jugo czarista, amadurecia com singular rapidez e assimilava com particular: sofreguidão e eficiência a "última palavra" da experiência política americana e europeia.
sexta-feira, setembro 19, 2008
Esquerdismo: Doença Infantil do Comunismo I
Devido à necessidade de esclarecer alguns aspectos relativos à minha aposta e defesa do Marxismo-Leninismo, fazendo um intervalo no tema "Dialéctica", considero importante referenciar uma obra de Lénine que facilita o estructurar de qualquer iniciativa revolucionária:
Esquerdismo: Doença Infantil do Comunismo
Vladimir Ilitch Lénine
1920
Vladimir Ilitch Lénine
1920
I - Em Que Sentido Podemos Falar do Significado Internacional da Revolução Russa.
Nos primeiros meses que se seguiram à conquista do Poder político pelo proletariado na Rússia (25 de Outubro [7 de Novembro] de 1917) poder-se-ia acreditar que, em virtude das enormes diferenças existentes entre a Rússia atrasada e os países adiantados da Europa Ocidental, a revolução proletária nesses países seria muito pouco parecida com a nossa. Actualmente já possuímos uma experiência internacional bastante considerável, experiência que demonstra, com absoluta clareza, que alguns dos aspectos fundamentais da nossa revolução não têm apenas significado local, particularmente nacional, russo, mas revestem-se, também, de significação internacional, E não me refiro à significação internacional no sentido amplo da palavra: não são apenas alguns, mas sim todos os aspectos fundamentais - e muitos secundários - da nossa revolução que têm significado internacional quanto à influência que exercem sobre todos os países. Refiro-me ao sentido mais estrito da palavra, isto é, entendendo por significado internacional a sua transcendência mundial ou a inevitabilidade histórica de que se repita em escala universal o que aconteceu no nosso país, significado que deve ser reconhecido em alguns dos aspectos fundamentais da nossa revolução.
Naturalmente, seria o maior dos erros exagerar o alcance dessa verdade, aplicando-a a outros aspectos da nossa revolução além de alguns dos fundamentais. Também seria errado não ter em conta que depois da vitória da revolução proletária, mesmo que seja em apenas um dos países adiantados, se produzirá, com toda certeza, uma radical transformação: a Rússia, logo depois disso, transformar-se-á não em país modelo, e sim, de novo, em pais atrasado (do ponto de vista "soviético" e socialista).
No momento histórico actual, porém, trata-se exatamente de que o exemplo russo ensina algo a todos os países, algo muito substancial, a respeito de seu futuro próximo e inevitável. Os operários evoluídos de todos os países já compreenderam isso há muito tempo e, mais que compreender, já perceberam, sentiram com seu instinto de classe revolucionária. Daí a "significação" internacional (no sentido estrito da palavra) do Poder Soviético e dos fundamentos da teoria e da tática bolcheviques. Esse fato não foi compreendido pelos chefes "revolucionários" da II Internacional, como Kautsky na Alemanha e Otto Bauer e Friedrich Adler na Áustria, que, por isso, se converteram em reacionários, em defensores do pior dos oportunismo e da social-traição. Assinalemos, de passagem, que o folheto anônimo A Revolução Mundial (Weltre-revolution), publicado em 1919 em Viena (Sozialistische Bücherei, Heft II; Ignaz Brand), apresenta com particular clareza todo o processo de desenvolvimento do pensamento e todo o conjunto de raciocínios, ou melhor, todo esse abismo de incompreensões, pedantismo, vilania e traição aos interesses da classe operária, tudo isso mascarado sob a "defesa" da idéia da "revolução mundial". Mas teremos de deixar para outra ocasião o exame mais pormenorizado desse folheto. Consignemos aqui apenas o seguinte: na época, já bem distante, em que Kautsky era um marxista e não um renegado, previa, ao abordar a questão como historiador, a possibilidade do surgimento de uma situação em que o revolucionarismo do proletariado russo se converteria em modelo para a Europa Ocidental. Isso foi em 1902, quando Kautsky publicou na Iskra revolucionária o artigo Os eslavos e a revolução, no qual dizia:
"Atualmente [ao contrário de 1848] pode-se acreditar que os eslavos não só se incorporaram às fileiras dos povos revolucionários, como, também, que o centro de gravidade das idéias e da obra revolucionárias se desloca, dia a dia, para os eslavos. O centro revolucionário está se transferindo do Ocidente para o Oriente. Na primeira metade do século XIX encontrava-se na França e, em alguns momentos, na Inglaterra. Em 1848, a Alemanha também se incorporou às fileiras das nações revolucionárias... O novo século inicia-se com acontecimentos que sugerem a idéia de que caminhamos para um novo deslocamento do centro revolucionário: concretamente, de sua transferência para a Rússia... É possível que a Rússia, que assimilou tanta iniciativa revolucionária do Ocidente, esteja hoje, ela própria, pronta para servir-lhe de fonte de energia revolucionária. O crescente movimento revolucionário russo será, talvez, o meio mais poderoso para eliminar esse espírito de filisteísmo flácido e de politicagem de praticismo mesquinho que começa a difundir-se em nossas fileiras e ressuscitará a chama viva do anseio de luta e a fidelidade apaixonada aos nossos grandes ideais. Há muito tempo que a Rússia deixou de ser para a Europa Ocidental um simples reduto da reação e do absolutismo. O que acontece atualmente é, talvez, exatamente o contrário. A Europa Ocidental torna-se o reduto da reação e do absolutismo russos... É possível que os revolucionários russos já tivessem derrubado o czar há muito tempo se não fossem obrigados a lutar, ao mesmo tempo, contra o aliado deste, o capital europeu. Esperamos que dessa vez consigam derrotar ambos os inimigos e que a nova "santa aliança" desmorone, mais rapidamente que suas predecessoras. Contudo, seja qual for o resultado da luta atual na Rússia, o sangue e o sofrimento dos mártires que essa luta cria, infelizmente em demasia, não serão inúteis e sim, pelo contrário, fecundarão os germes da revolução social em todo o mundo civilizado, fazendo-os crescer com maior esplendor e rapidez. Em 1848, os eslavos eram uma terrível geada que calcinava as flores da primavera popular. É bem possível que agora venham a representar o papel da tormenta que romperá o gelo da reação e trará consigo irresistivelmente, uma nova e feliz primavera para os povos". (Karl Kautsky, Os eslavos e a revolução, artigo publicado na Iskra, jornal revolucionário da social-democracia, russa, n.º 18, 10 de março de 1902)."
Como Karl Kautsky escrevia bem, há dezoito anos!
Nos primeiros meses que se seguiram à conquista do Poder político pelo proletariado na Rússia (25 de Outubro [7 de Novembro] de 1917) poder-se-ia acreditar que, em virtude das enormes diferenças existentes entre a Rússia atrasada e os países adiantados da Europa Ocidental, a revolução proletária nesses países seria muito pouco parecida com a nossa. Actualmente já possuímos uma experiência internacional bastante considerável, experiência que demonstra, com absoluta clareza, que alguns dos aspectos fundamentais da nossa revolução não têm apenas significado local, particularmente nacional, russo, mas revestem-se, também, de significação internacional, E não me refiro à significação internacional no sentido amplo da palavra: não são apenas alguns, mas sim todos os aspectos fundamentais - e muitos secundários - da nossa revolução que têm significado internacional quanto à influência que exercem sobre todos os países. Refiro-me ao sentido mais estrito da palavra, isto é, entendendo por significado internacional a sua transcendência mundial ou a inevitabilidade histórica de que se repita em escala universal o que aconteceu no nosso país, significado que deve ser reconhecido em alguns dos aspectos fundamentais da nossa revolução.
Naturalmente, seria o maior dos erros exagerar o alcance dessa verdade, aplicando-a a outros aspectos da nossa revolução além de alguns dos fundamentais. Também seria errado não ter em conta que depois da vitória da revolução proletária, mesmo que seja em apenas um dos países adiantados, se produzirá, com toda certeza, uma radical transformação: a Rússia, logo depois disso, transformar-se-á não em país modelo, e sim, de novo, em pais atrasado (do ponto de vista "soviético" e socialista).
No momento histórico actual, porém, trata-se exatamente de que o exemplo russo ensina algo a todos os países, algo muito substancial, a respeito de seu futuro próximo e inevitável. Os operários evoluídos de todos os países já compreenderam isso há muito tempo e, mais que compreender, já perceberam, sentiram com seu instinto de classe revolucionária. Daí a "significação" internacional (no sentido estrito da palavra) do Poder Soviético e dos fundamentos da teoria e da tática bolcheviques. Esse fato não foi compreendido pelos chefes "revolucionários" da II Internacional, como Kautsky na Alemanha e Otto Bauer e Friedrich Adler na Áustria, que, por isso, se converteram em reacionários, em defensores do pior dos oportunismo e da social-traição. Assinalemos, de passagem, que o folheto anônimo A Revolução Mundial (Weltre-revolution), publicado em 1919 em Viena (Sozialistische Bücherei, Heft II; Ignaz Brand), apresenta com particular clareza todo o processo de desenvolvimento do pensamento e todo o conjunto de raciocínios, ou melhor, todo esse abismo de incompreensões, pedantismo, vilania e traição aos interesses da classe operária, tudo isso mascarado sob a "defesa" da idéia da "revolução mundial". Mas teremos de deixar para outra ocasião o exame mais pormenorizado desse folheto. Consignemos aqui apenas o seguinte: na época, já bem distante, em que Kautsky era um marxista e não um renegado, previa, ao abordar a questão como historiador, a possibilidade do surgimento de uma situação em que o revolucionarismo do proletariado russo se converteria em modelo para a Europa Ocidental. Isso foi em 1902, quando Kautsky publicou na Iskra revolucionária o artigo Os eslavos e a revolução, no qual dizia:
"Atualmente [ao contrário de 1848] pode-se acreditar que os eslavos não só se incorporaram às fileiras dos povos revolucionários, como, também, que o centro de gravidade das idéias e da obra revolucionárias se desloca, dia a dia, para os eslavos. O centro revolucionário está se transferindo do Ocidente para o Oriente. Na primeira metade do século XIX encontrava-se na França e, em alguns momentos, na Inglaterra. Em 1848, a Alemanha também se incorporou às fileiras das nações revolucionárias... O novo século inicia-se com acontecimentos que sugerem a idéia de que caminhamos para um novo deslocamento do centro revolucionário: concretamente, de sua transferência para a Rússia... É possível que a Rússia, que assimilou tanta iniciativa revolucionária do Ocidente, esteja hoje, ela própria, pronta para servir-lhe de fonte de energia revolucionária. O crescente movimento revolucionário russo será, talvez, o meio mais poderoso para eliminar esse espírito de filisteísmo flácido e de politicagem de praticismo mesquinho que começa a difundir-se em nossas fileiras e ressuscitará a chama viva do anseio de luta e a fidelidade apaixonada aos nossos grandes ideais. Há muito tempo que a Rússia deixou de ser para a Europa Ocidental um simples reduto da reação e do absolutismo. O que acontece atualmente é, talvez, exatamente o contrário. A Europa Ocidental torna-se o reduto da reação e do absolutismo russos... É possível que os revolucionários russos já tivessem derrubado o czar há muito tempo se não fossem obrigados a lutar, ao mesmo tempo, contra o aliado deste, o capital europeu. Esperamos que dessa vez consigam derrotar ambos os inimigos e que a nova "santa aliança" desmorone, mais rapidamente que suas predecessoras. Contudo, seja qual for o resultado da luta atual na Rússia, o sangue e o sofrimento dos mártires que essa luta cria, infelizmente em demasia, não serão inúteis e sim, pelo contrário, fecundarão os germes da revolução social em todo o mundo civilizado, fazendo-os crescer com maior esplendor e rapidez. Em 1848, os eslavos eram uma terrível geada que calcinava as flores da primavera popular. É bem possível que agora venham a representar o papel da tormenta que romperá o gelo da reação e trará consigo irresistivelmente, uma nova e feliz primavera para os povos". (Karl Kautsky, Os eslavos e a revolução, artigo publicado na Iskra, jornal revolucionário da social-democracia, russa, n.º 18, 10 de março de 1902)."
Como Karl Kautsky escrevia bem, há dezoito anos!
quinta-feira, setembro 18, 2008
Dialéctica II

Zenão de Eléia (cerca de 495 a.C. - 430 a.C.) nasceu em Eléia, hoje Vélia, Itália. Discípulo de Parmênides de Eléia, defendeu de modo apaixonado a filosofia do mestre. Seu método consistia na elaboração de paradoxos. Deste modo, não pretendia refutar directamente as teses que combatia mas sim mostrar os absurdos daquelas teses (e, portanto, sua falsidade). Acredita-se que Zenão tenha criado cerca de quarenta destes paradoxos, todos contra a multiplicidade, a divisibilidade e o movimento (que nada mais são que ilusões, segundo a escola eleática). Ao contrário de Heráclito de Éfeso, Zenão exerceu atividade política. Consta que teria participado de uma conspiração contra o tirano local, sendo preso e torturado.
Aristóteles o considera o criador da dialética. Eu não!
Seguindo o pensamento de seu mestre Parmênides, que afirmava a unidade do Ser, Zenão concebeu contra a pluralidade os seguintes argumentos ou paradoxos:
1. ”Se a pluralidade existe, as coisas serão ao mesmo tempo limitadas e infinitas em número.” – De fato, se há mais de uma coisa, vemos que entre a primeira e a segunda existe, então, uma terceira. Assim, entre a primeira e a terceira, existirá uma quarta; e assim, ao infinito.
2. ”Se a pluralidade existe, as coisas, ao mesmo tempo, serão infinitas em tamanho e não terão tamanho algum.” – Igualmente aqui, se duas coisas possuem cada qual sua espessura, e entre essas duas espessura há uma terceira espessura, há que se concluir que entre a primeira espessura e essa terceira espessura, haverá também uma quarta espessura; e assim, ao infinito.
Filho de Teleutágoras, Zenão foi adoptado por Parmênides na Escola de Eléia. Tornou-se um professor muito respeitado em sua cidade, e devido a isso, envolveu-se bastante com a política local. Juntamente com outros companheiros e conspiradores, Zenão tentou derrubar o tirano que governava a cidade. Foi preso e torturado até a morte. A partir de sua morte, tornou-se um herói, deixando uma marca na lembrança de seus compatriotas contemporâneos. Muitas lendas surgiram sobre as circunstâncias em que verdadeiramente tudo aconteceu.
Uma dessas versões nos conta que, Zenão ao ser torturado impiedosamente pelo tirano, em praça pública, e querendo este arrancar-lhe a todo custo a confissão dos nomes de seus companheiros conspiradores, Zenão primeiro delatou todos os amigos do tirano como sendo participantes ativos da rebelião e posteriormente, insultou o próprio tirano, frente a frente, como sendo a peste do Estado.
Diz-se que Zenão, já todo ensangüentado, postou-se como se quisesse dizer ainda alguma coisa aos ouvidos do tirano, mordendo-lhe, no entanto, a orelha e cerrando tão firmemente os dentes, que para soltar teve que ser trucidado pelos soldados, que o mataram ali naquele instante.
Tal história de bravura e coragem, espalhou-se posteriormente entre os cidadãos de Eléia, que por fim reagindo contra a tirania, ergueram-se contra seu governante, e ganharam a liberdade.
Outros narram que, ao invés da orelha, Zenão teria ferrado seus dentes contra o nariz do tirano. E outros dizem ainda que, após enormes torturas, Zenão cortou sua própria língua com os dentes e a cuspiu no rosto do tirano, para lhe mostrar que jamais delataria nenhum de seus companheiros.
Exemplo de paradoxos:
É contado sob a forma de uma corrida entre Aquiles e uma tartaruga.Aquiles, o herói grego, e a tartaruga decidem apostar uma corrida de 100m. Como a velocidade de Aquiles é 10 vezes a da tartaruga, esta recebe a vantagem de começar a corrida 80m na frente da linha de largada.No intervalo de tempo em que Aquiles percorre os 80m que o separam da tartaruga, esta percorre 8m e continua na frente de Aquiles. No intervalo de tempo em que ele percorre mais 8m, a tartaruga já anda mais 0,8m; ele anda esses 0,8m, e a tartaruga terá andando mais 0,08 metros. Esse raciocínio segue assim sucessivamente, levando á conclusão de que Aquiles jamais poderá ultrapassar a tartaruga, uma vez que sempre que ele se aproximar dela, ela já terá andado mais um pouco. Em termos matemáticos, seria dizer que o limite, com o espaço entre a tartaruga e Aquiles tendendo a 0, do espaço de Aquiles, é a tartaruga. Ou seja, ele virtualmente alcança a tartaruga, mas nessa linha de raciocínio, não importa quanto tempo se passe, Aquiles nunca alcançará a tartaruga nem, portanto, poderá ultrapassá-la.Esse paradoxo vale-se fortemente do conceito de referencial. Dada uma corrida somente de Aquiles, sem estar contra ninguém, seu movimento é ilimitado. Ao se colocar, porém, a tartaruga, cria-se um referencial para o movimento de Aquiles, que é o que causa o paradoxo. De fato, o movimento dele é independente do movimento da tartaruga; se adoptamos a tartaruga como um padrão para determinar o movimento dele, criamos uma situação artificial em que Aquiles é regido pelo espaço da tartaruga. É uma visão do problema que pode remeter à mecânica quântica e ao Princípio da Incerteza formulado por Werner Heisenberg em 1927. Esse princípio rege que quão maior a certeza da localização de uma partícula, menor a certeza de seu momento, e isso é implicado pela existência de um observador no sistema físico. Analogamente, o paradoxo de Aquiles e da tartaruga tem sua interpretação mudada conforme a existência ou não da última.
A solução clássica para esse paradoxo envolve a utilização do conceito de limite e convergência de séries numéricas. O paradoxo surge ao supor intuitivamente que a soma de infinitos intervalos de tempo é infinita, de tal forma que seria necessário passar um tempo infinito para Aquiles alcançar a tartaruga. No entanto, os infinitos intervalos de tempo descritos no paradoxo formam uma progressão geométrica e sua soma converge para um valor finito, em que Aquiles encontra a tartaruga.
Obtido em parte em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Paradoxos_de_Zeno"
quarta-feira, setembro 17, 2008
Dialéctica I

Dialética (do grego διαλεκτική) era, na Grécia Antiga, a arte do diálogo, da contraposição e contradição de idéias que leva a outras idéias.
"Aos poucos, passou a ser a arte de, no diálogo, demonstrar uma tese por meio de uma argumentação capaz de definir e distinguir claramente os conceitos envolvidos na discussão." "Aristóteles considerava Zênon de Eléa (aprox. 490-430 a.C.) o fundador da dialética. Outros consideraram Sócrates (469-399 A.C.)
No relativo à paternidade, penso que não e segundo a wiki não sou o único:
Heráclito de Éfeso (datas aproximadas: 540 a.C. - 470 a.C. em Éfeso, na Jônia) foi um filósofo pré-socrático, recebeu o cognome de "pai da dialética".
Problematiza a questão do devir (mudança). Recebeu a alcunha de "Obscuro", pois desprezava a plebe, recusou-se a participar da política (que era essencial aos gregos), e tinha também desprezo pelos poetas, filósofos e pela religião. Sua alcunha derivou-se principalmente devido ao livro (Sobre a Natureza) que escreveu com um estilo obscuro, próximo a sentenças oraculares.
Os filósofos milesianos (Tales, Anaximandro, etc) haviam percebido o dinamismo das mudanças que ocorrem na physis, como o nascimento, o crescimento e o perecimento, mas não chegaram a problematizar a questão. Heráclito, inserido dentro do contexto pré-socrático, parte do princípio de que tudo é movimento, e que nada pode permanecer estático. "Panta rhei", sua "máxima", significa "tudo flui", "tudo se move", exceto o próprio movimento. Ele exemplifica, dizendo que não podemos entrar duas vezes no mesmo rio, porque, ao entrarmos pela segunda vez, não serão as mesmas águas que estarão lá, e a pessoa mesma já será diferente (de fato, a Biologia veio a descobrir muito mais tarde que nossas células estão em constante renovação, e isso é uma mudança).
Mas tal questão é apenas um pressuposto de uma doutrina que vai mais além. O devir, a mudança que acontece em todas as coisas é sempre uma alternância entre contrários: coisas quentes esfriam, coisas frias esquentam, coisas úmidas secam, coisas secas umedecem, etc. A realidade acontece, então, não em uma das alternativas, que são apenas parte da realidade, e sim da mudança ou, como ele chama, na guerra entre os opostos. Esta guerra é a realidade, aquilo que podemos dizer que é. Mas essa guerra da qual fala Heráclito não tem essa conotação de violência ou algo semelhante. Tal guerra é que permite a harmonia e mesmo a paz, já que assim é possível que os contrários possam existir: "A doença faz da saúde algo agradável e bom", ou seja, se não houvesse a doença, não haveria porque valorizar-se a saúde, por exemplo. Ele ainda considera que, nessa harmonia, os opostos coincidem da mesma forma que o princípio e o fim, em um círculo, ou a descida e a subida, em um caminho (pois o mesmo caminho é de descida e de subida); o quente é o mesmo que o frio, pois o frio é o quente quando muda (ou, dito de outra forma: o quente é o frio depois de mudar, e o frio, o quente depois de mudar, como se ambos, quente e frio, fossem "versões" diferentes da mesma coisa).
Inserido no contexto pré-socrático, Heráclito definiu, partindo de seus pressupostos (o "panta rhei" e a guerra entre os contrários) uma arché, um princípio de todas as coisas: o fogo. Para ele, "todas as coisas são uma troca do fogo, e o fogo, uma troca de todas as coisas, assim como o ouro é uma troca de todas as mercadorias e todas as mercadorias são uma troca do ouro", ou seja, todas as coisas transformam-se em fogo, e o fogo transforma-se em todas as coisas. De seus escritos restaram poucos fragmentos, (encontrados em obras posteriores), os quais geraram grande número de obras explicativas.
Dentro do pensamento de Heráclito, Deus não tinha a aparência de um homem nem de outro animal qualquer. Deus não era nem criador, nem onipotente. Heráclito limitava-se a identificá-lo com os opostos, os quais persistem apesar de suas mudanças e assim são capazes de compreender sua própria unidade.
“O Deus é dia-noite, inverno-verão, guerra-paz, saciedade-fome; mas se alterna como o fogo, quando se mistura a incensos, e se denomina segundo o gosto de cada um.”
Nesse argumento, podemos ver que Heráclito considerava as diversas divindades da mitologia grega, que eram adoradas pelos homens de seu tempo, como sendo apenas fogo misturado a diferentes tipos de incensos.
E a alma consiste apenas de mais uma rarefação do fogo e sofre as mesmas mudanças que todas as outras coisas também experimentam; e a morte traz a completa extinção da alma.
terça-feira, setembro 16, 2008
Cimeira U.E./Africa, Evo Morales, desemprego, baixos salários, eliminação do tecido productivo, manipulação, baixa exigência académica e guerra!

"O maior grupo segurador do mundo, a AIG, pode estar à beira do colapso, 24 horas depois do anúncio da falência do banco de investimento norte-americano Lehman Brothers. A AIG perdeu num só dia 60 por cento do seu valor em bolsa.
Na primeira metade do ano a AIG (American International Group Inc.) registou uma perda de nove milhões de euros. Agora a maior seguradora americana e a terceira maior do mundo precisa de 28 mil milhões para se reequilibrar, avança a «TSF».
Mas a tarefa promete ser difícil, já que os bancos não estão a facilitar o crédito devido à crise económica.
O jornal espanhol «El Mundo» diz que se a AIG falir as consequências serão ainda piores do que as provocadas pela falência da Lehman Brothers.
Haverá, diz o diário, um novo tsunami financeiro.
O «Washington Post» diz ser a pior crise desde o 11 de Setembro e acrescenta que o assunto já mereceu o empenho do governo que está a tentar travar o problema salvando a AIG.
Os jornais norte-americanos adiantam que a Reserva Federal já fez um pedido ao gigante da banca de investimento Goldman Sachs e também à JP Morgan Chase de uma linha de crédito de quase 50 mil milhões de euros.
O próprio Estado de Nova Iorque interveio autorizando que a AIG emprestasse a si própria 14 milhões.
O «The New York Times» escreve ainda que a Reserva Federal vai reunir-se, esta terça-feira, para voltar a estudar soluções que travem a crise.
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O pior está para vir na crise financeira, estimou segunda-feira o presidente da Câmara de Nova Iorque, Michael Bloomberg, depois da declaração de falência do banco Lehman Brothers, considerando, contudo, que Wall Street vai recompor-se.
«A semana que se inicia vai ser provavelmente difícil para Wall Street«, declarou Bloomberg.«Outras sociedades estão confrontadas com questões graves sobre o seu futuro e a incerteza dos mercados significa que não atingimos o fundo do ciclo», observou perante jornalistas, avança a «Lusa».
O mundo financeiro foi abalado segunda-feira pela queda de dois bancos de investimentos de Wall Street: Lehman Brothers, que declarou falência, e Merrill Lynch, comprado pela Banco da America.
A Bolsa de Nova Iorque, que caiu a pique 4,42 por cento, interrogava-se sobre a capacidade de resistência de outros dois grandes bancos, Goldman Sachs e Morgan Stanley, e da seguradora AIG, também a braços com a crise do crédito que dura desde o Verão de 2007.
Por mais duras que sejam as notícias económicas, a cidade está melhor colocada que nunca para enfrentar a tempestade em Wall Street», assegurou o presidente da Câmara. «Os nova-iorquinos já atravessaram maus momentos em Wall Street no passado e sobreviveremos também a este», disse.
Numa declaração, o governador do Estado de Nova Iorque, David Paterson, manifestou-se inquieto com as consequências da crise bancária nas finanças do Estado, alimentadas em 20 por cento pelas actividades de Wall Street.
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O Banco Central Europeu (BCE) disponibilizou um novo volume de liquidez no sistema financeiro. O organismo está a oferecer liquidez extra de 70 mil milhões de euros, pelo segundo dia consecutivo, com vista a limitar o impacto negativo da crise que se está a sentir em Wall Street.
Ainda esta segunda-feira, o organismo presidido por Jean-Claude Trichet tinha disponibilizado 30 mil milhões de euros, com uma taxa de juro mínima de 4,30 por cento e com um prazo de um dia, depois do anúncio de falência do quarto maior banco de investimento dos EUA, o Lehman Brothers.
Estas acções não são isoladas. Também a Reserva Federal Americana (FED) tinha injectado ontem 70 mil milhões de euros.
Já o banco do Japão injectou 24 mil milhões de dólares (cerca de 17 mil milhões de euros) e o Banco da Austrália adicionou 1,5 mil milhões de dólares no sistema financeiro."

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Enquanto se continuam a propagar pelo sistema financeiro e bancário mundial as ondas de choque da crise financeira de Agosto 2007, tendo como epicentro a «bolha» especulativa nos activos imobiliários nos EUA, a imprensa internacional e os seus principais comentadores burgueses continuam a tecer comparações da actual crise com crises financeiras do passado.
«Nas crises irrompe uma epidemia social (...) – a epidemia da sobreprodução. (...) E como triunfa a burguesia nas crises? (...) pela aniquilação forçada de uma massa de forças produtivas (...) [e] pela conquista de novos mercados e pela exploração mais profunda de antigos mercados. De que modo, então? Preparando crises mais omnilaterais e mais poderosas, e diminuindo os meios de prevenir as crises.»
K. Marx/F. Engels
Entre o esvaziamento da «bolha» especulativa de activos mobiliários de Março de 2000 e a actual transferência da «bolha» especulativa dos activos imobiliários para os bens alimentares, as matérias-primas e (sobretudo) o petróleo, o sistema capitalista mundial vai ficando com falta de «balões de oxigénio» para responder ao avolumar da(s) crise(s), numa explosão sem paralelo do crédito e do capital fictício. Dois exemplos para ilustração. O valor da dívida internacional titularizada ascendia a quase 18 milhões de milhões de dólares em 2006, ou seja, mais de 1/3 do produto mundial e o dobro do valor de 2002. Só o valor nocional dos contratos estabelecidos pelos instrumentos no mercado de derivados ascendia a cerca de 415 milhões de milhões de dólares, ou seja a quase 9 vezes o produto mundial, tendo como base contratos que não chegavam a 10 milhões de milhões de dólares.
As crises financeiras recorrentes do sistema, com diferentes graus de severidade e com cada vez maior contágio internacional, são a consequência da progressiva financeirização do sistema capitalista mundial e do crescente predomínio do capital financeiro, que se acentuou desde o início da década de 80. Estima-se que a capitalização bolsista, a dívida titularizada e os activos financeiros em posse dos bancos comerciais representem quase quatro vezes o produto mundial. Esta tem sido a principal resposta do capitalismo para a crise estrutural - a autonomização dos fluxos financeiros, onde o circuito do capital fica reduzido à transformação de capital-dinheiro em mais capital-dinheiro. A não obtenção das taxas médias de lucro esperadas na esfera produtiva, com a estagnação do crescimento do produto material, o aumento da concorrência intercapitalista, a sobreprodução e o aumento da composição orgânica do capital, leva à transferência das mais valias geradas para a esfera (da especulação) financeira e sua centralização em cada vez menos «mãos». E esta é uma questão central, as taxas de lucro e sua queda tendencial, que o aumento das taxas de exploração e as derrotas do bloco socialista no começo da década de 90 não conseguiram inverter, como demonstra a evolução das taxas de lucro médias na principal potência imperialista.
Por outra parte, impregna-se a super-estrutura ideológica e usam-se as instituições nacionais (como os bancos centrais) e internacionais (como o FMI), com o suporte do aparelho do Estado (orçamento), para se criar, quer as condições necessárias ao fomento e sustentação da própria financeirização, quer um quadro potenciador de uma maior intensificação da exploração do trabalho, num contexto de subutilização da capacidade industrial instalada e de crescimento do exército de reserva de desempregados e subempregados, com os cerca de 190 milhões de desempregados e os mais de 1,3 mil milhões de «trabalhadores pobres» existentes no âmbito mundial em 2007. Na última década e referenciando apenas as estatísticas oficiais, acrescentaram-se mais 35 milhões de desempregados ao exército de reserva «mundial», num quadro de proletarização crescente de quase todas as camadas sociais.
Causas da crise
As crises financeiras são um sintoma da crise estrutural que o sistema capitalista atravessa, que não nos pode fazer distrair das causas profundas subjacentes à actual crise – as contradições e limites do modo de produção capitalista. Esta crise estrutural, com epicentro na potência hegemónica do centro capitalista – os EUA, resulta da sobreprodução crescente de amplos segmentos industriais do sistema capitalista mundial e da sobreacumulação de meios de produção existentes, face às dificuldades crescentes de obtenção por parte dos capitalistas das taxas de lucro médias esperadas e de realização das mais-valias geradas na esfera produtiva, sem as quais o processo de acumulação capitalista é interrompido. Sem a obtenção das taxas médias de lucro esperadas, os capitalistas não investem. Com o aumento da taxa de exploração e a desvalorização dos salários dos trabalhadores, o consumo não se efectua, sendo o crédito um substituto imperfeito e temporário.
O capital constitui em si mesmo uma barreira à sua própria expansão, face à contradição existente entre acumulação de capital e a descida tendencial das taxas de lucro, face à contradição entre o desenvolvimento das forças produtivas e as condições limitadas em que se processa o crescimento do consumo. A ofensiva imperialista procura aumentar, por todos os meios, a taxa de exploração do trabalho – pela intensificação dos ritmos de trabalho, pela redução dos salários reais e pelo aumento do horário de trabalho, procurando extrair mais mais-valias, relativas e absolutas, com a vista a contrariar a tendência para a redução das taxas médias de lucro. Nas últimas quatro décadas têm se verificado a redução progressiva do peso dos salários no produto/rendimento nacionais, sobretudo nos países do centro capitalista (mas não só), ou seja, tem se verificado um aumento da parte do produto/rendimento que vai para o capital, o que dá uma indicação sobre o progressivo aumento da taxa de exploração.
O sistema capitalista mundial continua assim mergulhado num longo ciclo de estagnação, que se pode depreender da contínua desaceleração de década para década das taxas médias de crescimento do produto mundial, assim como das taxas de crescimento do produto das potências capitalistas mais desenvolvidas (G7), com crises recorrentes globais e localizadas, que a progressiva integração na economia mundial de potências, como a China, a Índia e a Rússia, não conseguiu inverter. Se a integração destas economias potenciou a exploração de novos mercados e contribuiu para o aumento da taxa de exploração, nomeadamente com a deslocalização da produção dos segmentos de mão-de-obra intensiva do centro capitalista e o «embaratecimento» dos meios de reprodução da força de trabalho, aumentou também o grau de sobreprodução e o excesso de capacidade industrial instalada existente, aumentando as dificuldades de manutenção das taxas médias de lucro. As últimas previsões do FMI, apontam que a desaceleração do crescimento mundial irá continuar em 2008 e 2009.
Recursos e recolonização
Mas na fase actual, o sistema capitalista confronta-se com outro problema estrutural – a escassez da matérias-primas no seu centro e a crescente dependência da periferia capitalista, fruto das consequências do grau atingido de delapidação dos recursos naturais finitos (nomeadamente dos hidrocarbonetos – petróleo e gás), que põem em causa a normal «alimentação» do processo de acumulação de capital, que conjuntamente com a nova «bolha» especulativa, fez disparar os preços dos bens alimentares, das matérias-primas e do petróleo. Desde 2006, o preço médio das matérias-primas não energéticas aumentou 52% e o preço médio do petróleo 95%, tendo superado em Junho de 2008 a fasquia dos 140 dólares por barril.
A luta pelo domínio dos recursos naturais finitos e das principais fontes de matérias-primas, nomeadamente dos hidrocarbonetos, que são o «motor» energético do sistema, leva à militarização das relações internacionais e à guerra, ao aumento das rivalidades interimperialistas na divisão do mapa-mundo e no reforço da sua presença militar na periferia, a par da concertação estratégica contra outras potências emergentes, como a China. Assiste-se a uma progressiva recolonização pela tríade (sobretudo EUA e UE) da periferia do sistema capitalista mundial, na ânsia de obtenção de mercados e de controlo de recursos naturais e energéticos estratégicos ao desenvolvimento e reprodução das relações de produção capitalistas. Assim se explicam as «agressões e ocupações» no Médio Oriente, pelo domínio das maiores reservas mundiais de hidrocarbonetos, e o «despertar» do interesse das grandes potências imperialistas por África. Estima-se que se encontrem no continente africano 30% das reservas mundiais de minerais e metais (ainda não exploradas), mais de 10% das reservas de petróleo e cerca de 8% das reservas de gás.
Neste contexto, avolumam-se as contradições entre o centro do sistema capitalista, que concentra cada vez mais o consumo de bens, matérias-primas e recursos energéticos mundiais e sua periferia, numa lógica de desenvolvimento desigual, nomeadamente os novos países emergentes com necessidades de matérias-primas e recursos energéticos para o seu desenvolvimento, como a China, a Índia, os novos países industrializados do Sudeste Asiático e os países da Europa de Leste. Contradição em que se destaca os EUA que com 5% da população mundial, consome 25% dos recursos energéticos e é responsável por 22% das emissões de CO2 ao nível mundial.
A disputa pelos recursos naturais finitos, sobretudo os energéticos, num contexto em que estes se revelam progressivamente mais escassos, é particular motivo de fricção e uma das principais causas de actuais e futura(s) guerra(s).
Esgotamento das respostas
As «respostas» que o sistema encontrou foram apenas saídas «temporárias» para o estado de crise permanente e a tendência inerente para a estagnação. Na medida em que o sistema esgota as suas respostas inflacionária (keynesiana) e deflacionária («neoliberal»), num contexto em que os limites naturais se impõem e as contradições internas do sistema se agudizam, onde o sistema sofre cada vez mais de um problema de sobre-extensão, impondo limites à contínua expansão geográfica dos mercados, para além dos limites humanos físicos relativos às possibilidades de aumento da taxa de exploração, mais se acentua o perigo para toda a humanidade de uma saída violenta do sistema – a guerra. Tanto mais quando brechas se abrem na hegemonia (nomeadamente económica) dos EUA e surgem novas potências emergentes na periferia do capitalismo.
A fragilidade financeira dos EUA mostra, não só a fragilidade do sistema financeiro (e monetário) internacional, como põe em causa a posição privilegiada dos EUA como principal centro financeiro mundial e emissor de moeda «mundial» – o dólar. A forte desvalorização do dólar e dos activos financeiros denominados em dólares, potencia o risco subjacente do excessivo endividamento norte-americano, que tem sido uma peça fundamental, embora precária e artificial, de sustentação do sistema capitalista mundial nas últimas décadas, e que permitiu o crescimento do triplo défice (público, privado e externo) dos EUA, financiados pelas transferências dos seus «rivais» da tríade (Alemanha e Japão) e de outras potências emergentes, como a China. É de sublinhar que, o défice público atingiu os 345 mil milhões de dólares em 2007 (2,5% do PIB, duplicando face a 2000) e o défice da balança de transacções correntes atingiu os 739 mil milhões de dólares (5,3% do PIB, duplicando face a 2000).
Assim impõe-se a questão, qual o grau de destruição que seria necessário dos meios de produção existentes para repor a valorização do capital «desejada» e encetar um novo ciclo longo de acumulação de capital? A grande depressão, a última crise estrutural do sistema capitalista, apesar da já então resposta keynesiana, só foi «resolvida» com ampla destruição dos meios de produção, principalmente na Europa, na sequência da segunda guerra mundial. Os «trinta anos de ouro do capitalismo» ocorreram num contexto de reconstrução, de escoamento da produção dos EUA (por via do plano Marshall para Europa e do Plano Dodge para o Japão) e de crescimento do complexo industrial-militar, sobretudo dos EUA, em ligação com a «guerra-fria». Mas dissipados os efeitos do pós-guerra, a crise voltou no final da década de 60. Em 1971 ruía o sistema monetário internacional do pós-guerra, em 1973 a crise de sobreprodução ressurgia, com a roupagem da «estagflação» e no começo da crise energética, com o atingir do pico de produção petrolífera nos EUA e a guerra de Yom Kippur. Hoje, 35 anos depois, retorna a «estagflação» – estagnação económica com o aumento simultâneo da inflação e do desemprego, no pico da crise energética. Neste contexto, ou o sistema consegue revolucionar (novamente) os meios e instrumentos de produção, o que implica uma mudança do seu actual paradigma tecnológico, energético e agrícola, ou a guerra se torna cada vez mais provável se as forças da paz e do progresso social não reunirem forças suficientes para a impedir.

Vamos continuar a viver uma realidade contruida por alguns, que a nossa essência continue submersa, a votar nos capatazes do império, com medo de aceitar o resultado das decisões da nossa consciência?
Somos humanos, todos!
Money!

"O Banco Central Europeu (BCE) injectou esta segunda-feira no mercado 30 mil milhões de euros com uma taxa de juro mínima de 4,30 por cento e com um prazo de um dia, depois do anúncio de falência do quarto maior banco de investimento dos EUA, o Lehman Brothers.
De acordo com o BCE, no leilão participaram 51 bancos comerciais da Zona Euro, que pediram 90,27 mil milhões e deverão devolver em efectivo amanhã.
A instituição monetária adiantou ainda que está a «observar de muito perto as condições no mercado monetário do euro» e que está preparado para contribuir para o seu funcionamento adequado depois da falência do Lehman e a aquisição do Merril Lynch pelo Bank of America (a entidade que me convenceu a olhar o mundo da forma como o faço hoje, ainda que pretendesse que os manager publicitassem o Six-Sigma como método de evaluação justo, algo que só valia para enganar os trabalhadores).
O banco de negócios norte-americano Lehman Brothers anunciou esta segunda-feira que se iria declarar em falência para proteger os seus activos e maximizar o seu valor.
«Os clientes do Lehman Brothers, incluindo os clientes da sua filial Neuberger Berman Holdings, poderão continuar a negociar os seus títulos e a tomar as decisões que acharem por bem relativamente às suas contas», afirma-se na nota.
O banco perdeu cerca de 3,9 mil milhões de dólares (2,7 mil milhões de euros) no terceiro trimestre do ano, depois de ter sido obrigado a importantes depreciações nos seus activos devido à crise no mercado imobiliário.
A declaração de falência segue-se às tentativas falhadas do Lehman Brothers de encontrar um comprador, depois do Barclays, o último banco interessado, se ter retirado da corrida no domingo.
O banco britânico considerou que seria impossível adquirir o Lehman Brothers sem uma ajuda federal norte-americana semelhante à concedida em Março ao JPMorgan Chase, quando este adquiriu outro banco em dificuldades, o Bear Sterns, de acordo com o New York Times e o Wall Street Journal.
O Governo dos EUA, liderado por George W. Bush, anunciou no passado domingo que vai injectar 200 mil milhões dólares nos dois gigantes do crédito hipotecário, Freddie Mac e Fannie Mae, com 100 mil milhões para cada um deles, com o objectivo confesso de os salvar da falência. Freddie Mac e Fannie Mae são duas instituições privadas com estatuto de serviço público, que garantem cerca de metade das hipotecas dos EUA (para compra de habitação própria) e são, por isso e para já, as duas maiores «vítimas» da famosa «crise do subprime» que começou recentemente nos EUA e já alastrou para a Europa. Assinale-se que o Governo dos EUA, após entregar o interesse público do crédito hipotecário à tradicional gula e voragem da «iniciativa privada», decide agora, e literalmente, «nacionalizar» os gigantescos prejuízos que a gestão privada destes interesses públicos provocou, pondo os contribuintes norte-americanos a pagar os desmandos dos grandes banqueiros norte-americanos."
No nosso país, a banca , que ganhou "rios de dinheiro" nos últimos anos, paga, em média, 13,5 por cento de IRC, enquanto um pequeno empresário do sector textil, por ejemplo no distrito de Braga, paga 24 ou 25 por cento. Assim, em sintonia com a lógica do grande capital, adoptando politicas que contemplam o cidadão só como um factor de rentabilidade, os governos, que os Portugueses têm apoiado, só legislam para proteger o bolso daqueles que já não o usam, daqueles que, ao contrário de investir em sectores que garantam um desenvolvimento sustentado, producção, exportação, investem em formas de promover a dependência dos interesses capitalistas transnacionais, consolidando a escravidão como modo de vida e alienação como condicionante comportamental, facilitando a manipulação das massas pelos média, que vendem, de uma forma que cada vez se constata mais organizada, os motivos de inquietação ou alegria de quem tem o azar de se limitar a trabalhar para vivêr, ou, neste caso, para sobrevivêr!
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Como nota importante neste dia, alguém que assumía os posicionados em todos os cuadrantes do tal 6-Sigma :
O músico e teclista Richard Wright, 65 anos, um dos fundadores dos Pink Floyd, morreu esta segunda-feira vítima de cancro, confirma o porta-voz da banda.
«A família, fundador do Pink Floyd, anuncia com grande tristeza que Richard morreu hoje, depois de uma rápida batalha contra o cancro», disse seu porta-voz em comunicado.
Wright conheceu Roger Waters e Nick Mason, colegas de banda, enquanto estudava na faculdade. Começaram por formar uma banda, os Sigma 6, que viria posteriormente a chamar-se o Pink Floyd.
Foi Richard Wrigh quem compôs alguns dos principais êxitos da banda, como «The great gig in the sky», «Us and them» ou «The dark side of the moon».
Uma parte incontornável da sua obra é esta:
A revolução é hoje, está na tua mão mudar de rumo!
sábado, setembro 13, 2008
Viagem no tempo, ficção ou realidade?
Imaginam que depois de pagar 15€ por obrigação, custo de instalação do chip que o governo nos quer obrigar a montar no nosso automóvel, todos os nossos movmentos fossem monitorizados?
Não é dificil, basta colocar leitores, um mega-processador, uns quantos servidores e uma aplicação tipo scoring e já temos a clivagem automática, as oportunidades ou o emprego outorgados segundo a classificação segundo as variáveis que o governo de turno queira impôr, seremos cobaias de um sistema brutal de controle de massas, acabou-se a pouca liberdade, começa a era do big brother às claras, e o povo parece que gosta, ou não?
Não é dificil, basta colocar leitores, um mega-processador, uns quantos servidores e uma aplicação tipo scoring e já temos a clivagem automática, as oportunidades ou o emprego outorgados segundo a classificação segundo as variáveis que o governo de turno queira impôr, seremos cobaias de um sistema brutal de controle de massas, acabou-se a pouca liberdade, começa a era do big brother às claras, e o povo parece que gosta, ou não?
--------------------------------------------------------------------Exmo Senhor Presidente da República Portuguesa
Exmo Senhor Presidente da Assembleia da República Portuguesa
Exmo Senhor Primeiro-Ministro de Portugal
Foi recentemente anunciada a intenção do governo de criar o Sistema de Identificação Electrónica de Veículos (SIEV), que torna obrigatória a colocação de chips electrónicos nas matrículas de todos os veículos automóveis.
Estes chips, designados de Dispositivos Electrónicos de Matrícula, emitem um sinal (RFID), que é lido e identificado por leitores de vigilância presentes ao longo da estrada; permitindo a identificação de cada veículo que passa nas suas imediações.
Esta tecnologia dá duas capacidades aos serviços, estatais e privados, comissionados para operar o SIEV:
- controlar a circulação de automóveis nas vias sob monitorização, pela identificação de cada veículo;
- após detecção, fazer cobranças automáticas aos proprietários dos veículos pela circulação nessas vias.
As intenções do governo foram reforçadas a 18/06/2008, quando os votos solitários da maioria absoluta socialista no Parlamento fizeram aprovar o Decreto nº240/X, dando ao governo autorização para legislar sobre este assunto.
Como se procurará expor nos pontos abaixo, as premissas deste projecto são ambíguas e questionáveis:
- o SIEV parece ser inútil, até prejudicial, do ponto de vista da facilitação da vida do utente;
- o governo, e os seus parceiros privados neste projecto, passam a deter um poder excessivo e injustificado para controlar, e eventualmente taxar, os veículos;
- o direito à privacidade dos automobilistas é posto em causa;
- e, uma vez mais, pretende-se que os contribuintes portugueses sejam chamados a pagar um projecto governamental megalómano, dispensável, e potencialmente prejudicial para as suas liberdades e direitos elementares.
Analisemos mais detalhadamente o SIEV. As seguintes questões são fulcrais, e é essencial que sejam colocadas pelo público:
1) O SIEV não vai implicar apenas a colocação, intrusiva, de chips nas matrículas. Vai também forçar os contribuintes portugueses a verem o dinheiro dos seus impostos a ser gasto em todo um aparato infra-estrutural. E, como é de bom senso, o dinheiro público não pode ser gasto de um modo excêntrico e irresponsável pelos governantes. Assim, qual a necessidade real que justifica o dispêndio do dinheiro dos contribuintes neste sistema? Existe sequer uma necessidade real?
2) As necessidades alegadas pelo governo são listadas no Decreto nº240/X; e todas são frágeis e questionáveis:
2.1) “Fiscalização do cumprimento do Código da Estrada e demais legislação rodoviária”
Os sistemas de fiscalização existentes já cumprem estas funções eficazmente; como, aliás, é reconhecido internacionalmente. Senão, recorramos ao principal critério de eficácia neste campo – o da redução da sinistralidade rodoviária. Entre 2001 e 2007, Portugal reduziu a sua taxa de sinistralidade em 42% sendo, a par de França e Luxemburgo, considerado país-modelo pelo Conselho Europeu de Segurança Rodoviária.
Os sistemas actuais obtêm resultados inegavelmente bons e eficazes. Logo, não é razoável alegar que, para as mesmas funções, seja necessário adoptar toda uma infra-estrutura acessória que, além de dispendiosa, exercerá uma influência intrusiva e controladora sobre os indivíduos.
2.2) “Identificação de veículos para efeitos de reconhecimento de veículos acidentados, abandonados ou desaparecidos”
Os meios actuais já dão resposta a estas situações. Mas, e independentemente disso, seria irracional e absurdo alegar que, para precaver excepções, é legítimo controlar intrusivamente todos os veículos.
2.3) “Cobrança electrónica de portagens em conformidade com o Serviço Electrónico Europeu de Portagem bem como outras taxas rodoviárias e similares”
Repare-se que em Portugal já existe um sistema de cobrança electrónica de portagens – chama-se Via Verde. Como é natural e legítimo, a subscrição desse serviço foi sempre opcional. As pessoas que o vêm como vantajoso, subscrevem-no; e vice-versa. Não é nem o papel nem o direito do governo, o de procurar impor um sistema similar à Via Verde a todos aqueles que, por opção própria e legítima, optaram por não subscrever esse tipo de serviço.
Mas o ponto de maior interesse nesta alínea, é o modo como admite que o SIEV servirá para taxar o público – através da cobrança de portagens, mas também de «outras taxas rodoviárias e similares». Esta é, naturalmente, uma premissa perigosa. Como é demasiado evidente, dá ao governo – seja ao presente, seja a qualquer governo posterior – o espaço legal para aumentar taxas já existentes, ou mesmo para criar novas taxas; e para, depois, impor o pagamento destas taxas, com o SIEV.
Logo, nenhum destes motivos parece legitimar a implementação de um projecto dispendioso e intrusivo como o SIEV.
Mas as reservas em relação a este projecto não ficam por aqui, como os pontos seguintes procuram demonstrar.
3) Sendo um sistema de controlo/vigilância, o SIEV é, por definição, intrusivo na privacidade individual. Os dados recolhidos serão registados em bases de dados estatais e/ou privadas e submetidos a cruzamentos de informação, como é admitido pelo Decreto nº240/X; que estabelece que estas bases de dados serão partilhadas entre órgãos estatais, e cruzadas com outras bases, públicas ou privadas.
Mesmo assumindo que a primeira legislação aprovada pelo governo possa procurar salvaguardar a privacidade dos indivíduos – o que não é um dado adquirido –, o facto é que é criada toda uma infra-estrutura de controlo efectivo que, como tal, está sujeita a:
- Falhas potencialmente graves (p.ex., partilha ilegal de dados);
- Possíveis reenquadramentos legais no futuro, que o possam converter num sistema de controlo mais intrusivo do que aquele que já é pretendido.
O SIEV tem, claramente, um potencial de controlo demasiado elevado para que entidades estatais ou privadas, dele devam fazer uso. Não bastaria exigir que fosse bem utilizado por estas instâncias; é necessário antes que estas instâncias não possam sequer ter a possibilidade de usufruir desta caixa de Pandora.
4) O SIEV transformaria as estradas em gigantescas alfândegas de inspecção e vigilância indiscriminadas; fazendo dos automobilistas suspeitos até prova em contrário. E não é assim que funciona um Estado que se pretende livre e de direito.
Pelos motivos apresentados, o SIEV não parece ser apenas acessório e dispensável; mas também mais um encargo inútil para os contribuintes. E é um evidente tiro no escuro, que pode apresentar sérias implicações para as liberdades dos indivíduos. Não deve, portanto, ser levado a cabo.
Assim, enquanto cidadãos livres, consideramos que o governo tem de colocar um ponto final nas suas intenções, e parar este projecto de imediato. Não passá-lo intransigentemente; não perder mais o seu próprio tempo, e o do público, em campanhas de desinformação e de propaganda; e claro, não procurar passar o projecto de modo dissimulado, através de uma versão atenuada do mesmo.
http://www.ipetitions.com/petition/siev/index.html
Simplesmente, colocar um ponto final definitivo no SIEV.
Comício da Campanha Nacional «É tempo de lutar, é tempo de mudar – Mais força ao PCP» Quinta, 18-09-2008 21:00 - 23:00Comício da Campanha Nacional «É tempo de lutar, é tempo de mudar – Mais força ao PCP», em Alhandra, na Praça 7 de Março. Com a participação de Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP.
quarta-feira, setembro 10, 2008
A festa!
Depois de chegar à Soeiro e ter começado a dar-me conta de que não só é possivel como, realmente, existe outro mundo, no qual todos os seres humanos se saúdam, sejam estes quem forem, apanhei o comboio da Fertagus - aquele que cobra 1/2€ pelo papel do bilhete - e lá cheguei ao terreno da Festa do Avante. Depois de localizar o parque no qual tinha o meu lugar, abri a tenda, troquei de roupa e mãos à obra, levantar o pavilhão da emigração
À noite, depois de um dia que foi como minimo gratificante, como companhia, ao jantar, vieram uns camaradas cantar, a festa foi até às quatro e meia e com visita incluida a todos os "stand", terminando no Alentejo a cantar com adufes, gaitas de foles e guitarras.
Dias depois, abriu a festa para o povo, o espirito era tal que, no pavilhão dos refugiados Portugueses, aqueles que pelas razões mais diversas tiveram que abandonar o seu país, o pavilhão da Emigração, juntaram-se camaradas com muitas estórias para contar, experiências com mais de oitenta anos, pessoas que pretendem continuar a fazer parte da história do nosso país, contribuindo dentro das suas possibilidades para que a festa continue, para que Abril continue a existir, passando aos mais jovens a essência da revolução, como neste caso nos conta o "Quim":
Depois veio a solidariedade, a nova brigada (que não do lápiz azul), alguns já conhecidos e outros que nos trouxeram o prazer imenso de os encontrar, quem dando à tecla diariamente, denunciando a corja e seus estratagemas, se mostrou gente igual e se atirou para o meio de outros que se reuniam para consolidar a vontade de mudar este país e unir as vozes para acordar a malta, materializando esse desafio no novo blog "Cheira-me a Revolução" com link na barra lateral.
Assim, a festa foi correndo da melhor maneira - tendo sido uma das que maior afluência verificou nos últimos anos, em boa parte pela publicidade feita pelo governo, com a sua lei de financiamento - e revitalizando a necessidade de votar para que a festa saia fora da Atalaia e passe a ser o dia-a-dia do nosso povo, aquela realidade que procuram os jovens que corriam ao lado de reformados e de pais com bebés nos ombros, para se juntarem à despedida que mais não é que um intervalo.
Quanto a mim, lá fiquei, até à hora do comboio, em santa Apolónia, onde me levaram camaradas que residem na margem sul, colaborando com quem, uma vez mais, só falava da festa do ano que vem, desejando-se saúde e prosperidade mutuamente, cantando e compartindo o ultimo almoço deste ano, sem deixar de propôr o menu do ano que vem mas confiantes no reencontro que acontecerá na próxima manifestação, já na próxima quinta-feira, no congresso de finais de Novembro e sobretudo na luta que vai supôr um periodo com tantas eleições.
Agora depende de todos nós, alguns, quem queira, ajudando à contrucção da festa na Atalaia mas todos fazendo valer a sua vontade votando.
À noite, depois de um dia que foi como minimo gratificante, como companhia, ao jantar, vieram uns camaradas cantar, a festa foi até às quatro e meia e com visita incluida a todos os "stand", terminando no Alentejo a cantar com adufes, gaitas de foles e guitarras.
Dias depois, abriu a festa para o povo, o espirito era tal que, no pavilhão dos refugiados Portugueses, aqueles que pelas razões mais diversas tiveram que abandonar o seu país, o pavilhão da Emigração, juntaram-se camaradas com muitas estórias para contar, experiências com mais de oitenta anos, pessoas que pretendem continuar a fazer parte da história do nosso país, contribuindo dentro das suas possibilidades para que a festa continue, para que Abril continue a existir, passando aos mais jovens a essência da revolução, como neste caso nos conta o "Quim":
Depois veio a solidariedade, a nova brigada (que não do lápiz azul), alguns já conhecidos e outros que nos trouxeram o prazer imenso de os encontrar, quem dando à tecla diariamente, denunciando a corja e seus estratagemas, se mostrou gente igual e se atirou para o meio de outros que se reuniam para consolidar a vontade de mudar este país e unir as vozes para acordar a malta, materializando esse desafio no novo blog "Cheira-me a Revolução" com link na barra lateral.
Assim, a festa foi correndo da melhor maneira - tendo sido uma das que maior afluência verificou nos últimos anos, em boa parte pela publicidade feita pelo governo, com a sua lei de financiamento - e revitalizando a necessidade de votar para que a festa saia fora da Atalaia e passe a ser o dia-a-dia do nosso povo, aquela realidade que procuram os jovens que corriam ao lado de reformados e de pais com bebés nos ombros, para se juntarem à despedida que mais não é que um intervalo.
Quanto a mim, lá fiquei, até à hora do comboio, em santa Apolónia, onde me levaram camaradas que residem na margem sul, colaborando com quem, uma vez mais, só falava da festa do ano que vem, desejando-se saúde e prosperidade mutuamente, cantando e compartindo o ultimo almoço deste ano, sem deixar de propôr o menu do ano que vem mas confiantes no reencontro que acontecerá na próxima manifestação, já na próxima quinta-feira, no congresso de finais de Novembro e sobretudo na luta que vai supôr um periodo com tantas eleições.
Agora depende de todos nós, alguns, quem queira, ajudando à contrucção da festa na Atalaia mas todos fazendo valer a sua vontade votando.
terça-feira, setembro 09, 2008
Diversidade e pluralidade na Festa do Avante.

Regressado à emigração, constato ser impossivel publicar qualquer artigo minimamente estructurado, estou deslumbrado com a vastidão de carácteres que podem e devem preconizar a materialização de um ideal comum a todos eles, com as estórias que ouvi, com as caras que vi ou com a capacidade, necessidade e arrojo de quem, como um polvo (que nada tem a ver com a máfia), mostrou, sem pejo o seu interior.
Certezas? As mesmas que há uma ou duas semanas, a Revolução é hoje!
sexta-feira, agosto 29, 2008
Eu vou de longe!
Lutando para que a festa continue, nada que não tenham feito milhões de Portugueses e muitos de uma forma bastante mais implicada, aqui vou eu, colaborar com aqueles que levantam a festa cada ano.
Depois de uma referência a um dos grandes Humanistas do nosso país, no video abaixo poderão ver um grande Comunista e o que para este significa a festa do Avante:
O que experimento quando começo uma viagem com este objectivo.. Será mais fácil cantando:
Sábado, 06, no pavilhão do Alentejo, lá estaremos, um jantar em liberdade!
Depois de uma referência a um dos grandes Humanistas do nosso país, no video abaixo poderão ver um grande Comunista e o que para este significa a festa do Avante:
O que experimento quando começo uma viagem com este objectivo.. Será mais fácil cantando:
Sábado, 06, no pavilhão do Alentejo, lá estaremos, um jantar em liberdade!
quinta-feira, agosto 28, 2008
Um futuro sem medo?
(Exemplos em videos de muita curta duração. Anúncio da morte de Allende pelo próprio)
Começando o povo a erguer a voz e reclamando o que lhe pertence sem medo a lutar por isso.
Levando a cabo uma revolução para quem a necessitava, sem a prepotência bacôca de pseudo-politicos como a corja que nos vem roubando, conseguiu unir mentalidades da mais dispares, olhando sempre para o povo como eixo central das modificações que implementou no governo dos trabalhadores para os trabalhadores e desapareceu legando a liberdade e os direitos inerêntes à condição humana. Contudo, deixou também a certeza de que o mundo pode e deve ser melhor, bastando para tal tomar como base as conclusões de quem materializou os ideais da revolução.
Depois, de uma forma mais ou menos coerênte, muitos tentaram seguir-lhe o exemplo, acreditar que isto realmente não tem que ser assim, que estamos aquí para viver em paz connosco e com os nossos semelhantes, mas, e mesmo sendo o primero marxista eleito por sufrágio, provavelmente demasiado tarde, alguns, como neste caso, deram-se conta que nem tudo o que parece humano o é, existem vampiros com aparência humana, lobos com pele de Carneiro ou minotauros que de homem só do tornozelo para Baixo.
Mas, a luta continuou, a opressão derivou na identificação dos revolucionários com a victoria já alcançada, permitindo que alguns corajosos - desses que não têm medo do imperialismo estrangulador - se unissem e derrubassem os tiranos, isto aconteceu em Cuba.
África.
E, dentro das possibilidades, outros que, com mais ou menos clarividência, eram inquietados por uma luz que consideravam excessiva, vendo que ao seu lado o povo continuava a viver na mais absoluta escuridão.
No nosso país, desde há mais de oitenta e cinco anos, o Partido Comunista lutou e luta, apoiado por trabalhadores de todas as areas - como há já setenta anos o provou a Armada Portuguesa, onde se sabe quem foi Bento Gonçalves e da qual eu mesmo fui aluno - para conseguir que Portugal fosse um país minimamente justo, exemplo do Socialismo, e, que conseguiu, depois de muitos sacrificios próprios, assassinados pelo fascismo, presos, torturados e desaparecidos, através da preconização da revolução que foi o 25 de Abril e ainda que alvo dos mais baixos ataques, durante o PREC e com Vasco Gonçalves, establecer as condições estructurais para alcançar esse objectivo mas..
Ouvindo as criticas do verme, dizendo que o partido Comunista o que queria era subir os ordenados, e, logo de seguida, que o PCP o que queria era o socialismo dos pobres, penso que fica clara a intenção manipuladora do filho do Carlucci.
Por outra parte, quem sim afirmava não querer que voltassem os latifundiários, tipo Champalimaud ou Mello - basta ver o artigo relativo à saúde, publicado à três dias, e poderemos ver quem estava certo - era Alvaro Cunhal, encontramos assim, com facilidade, quem enganou o povo do nosso país, quem era o agente perverso e que nos trouxe a este paupérrimo estado de vida, onde os direitos, as garantias sociais, a educação ou a saúde, nos foram, e continuam a ser, paulatinamente retirados.
Fomos comidos com azeite Italiano e pão de milho transgénico mas a solução não está longe:
Basta eleger, votando!
Começando o povo a erguer a voz e reclamando o que lhe pertence sem medo a lutar por isso.
Levando a cabo uma revolução para quem a necessitava, sem a prepotência bacôca de pseudo-politicos como a corja que nos vem roubando, conseguiu unir mentalidades da mais dispares, olhando sempre para o povo como eixo central das modificações que implementou no governo dos trabalhadores para os trabalhadores e desapareceu legando a liberdade e os direitos inerêntes à condição humana. Contudo, deixou também a certeza de que o mundo pode e deve ser melhor, bastando para tal tomar como base as conclusões de quem materializou os ideais da revolução.
Depois, de uma forma mais ou menos coerênte, muitos tentaram seguir-lhe o exemplo, acreditar que isto realmente não tem que ser assim, que estamos aquí para viver em paz connosco e com os nossos semelhantes, mas, e mesmo sendo o primero marxista eleito por sufrágio, provavelmente demasiado tarde, alguns, como neste caso, deram-se conta que nem tudo o que parece humano o é, existem vampiros com aparência humana, lobos com pele de Carneiro ou minotauros que de homem só do tornozelo para Baixo.
Mas, a luta continuou, a opressão derivou na identificação dos revolucionários com a victoria já alcançada, permitindo que alguns corajosos - desses que não têm medo do imperialismo estrangulador - se unissem e derrubassem os tiranos, isto aconteceu em Cuba.
África.
E, dentro das possibilidades, outros que, com mais ou menos clarividência, eram inquietados por uma luz que consideravam excessiva, vendo que ao seu lado o povo continuava a viver na mais absoluta escuridão.
No nosso país, desde há mais de oitenta e cinco anos, o Partido Comunista lutou e luta, apoiado por trabalhadores de todas as areas - como há já setenta anos o provou a Armada Portuguesa, onde se sabe quem foi Bento Gonçalves e da qual eu mesmo fui aluno - para conseguir que Portugal fosse um país minimamente justo, exemplo do Socialismo, e, que conseguiu, depois de muitos sacrificios próprios, assassinados pelo fascismo, presos, torturados e desaparecidos, através da preconização da revolução que foi o 25 de Abril e ainda que alvo dos mais baixos ataques, durante o PREC e com Vasco Gonçalves, establecer as condições estructurais para alcançar esse objectivo mas..
Ouvindo as criticas do verme, dizendo que o partido Comunista o que queria era subir os ordenados, e, logo de seguida, que o PCP o que queria era o socialismo dos pobres, penso que fica clara a intenção manipuladora do filho do Carlucci.
Por outra parte, quem sim afirmava não querer que voltassem os latifundiários, tipo Champalimaud ou Mello - basta ver o artigo relativo à saúde, publicado à três dias, e poderemos ver quem estava certo - era Alvaro Cunhal, encontramos assim, com facilidade, quem enganou o povo do nosso país, quem era o agente perverso e que nos trouxe a este paupérrimo estado de vida, onde os direitos, as garantias sociais, a educação ou a saúde, nos foram, e continuam a ser, paulatinamente retirados.
Fomos comidos com azeite Italiano e pão de milho transgénico mas a solução não está longe:
Basta eleger, votando!
Objectivo? Repressão!
Portugal Diário - Ruben de Carvalho, do comité central do PCP, acredita que a lei do financiamento dos partidos «é uma tentativa de estrangulamento» da Festa do Avante, informa a Lusa.
«Esta é uma daquelas leis feitas já com um destino», afirmou, a propósito do limite imposto pela nova lei no que respeita à angariação de fundos, durante a conferência de imprensa de apresentação do programa. «[A lei] é uma tentativa de estrangulamento da realização da festa, porque não há mais nenhuma iniciativa deste género», justificou.
No texto de introdução ao programa da Festa do Avante lê-se que «a lei dos partidos e do seu financiamento» está «cirurgicamente apontada ao PCP» e «visa pura e simplesmente a liquidação» do Avante.
PCP garante cumprir a lei
A 32ª edição da Festa do Avante! decorre entre 5 e 7 de Setembro, na Quinta da Atalaia, Seixal.
O povo, livre prefere isto*
DN - Tribunal Constitucional. A existência de leis que o PCP considera terem sido feitas para atingir directamente o partido, nomeadamente a do financiamento, leva os comunistas a recorrer ao Palácio Ratton para evitar uma interpretação legal que aparenta ir contra o bom senso da Soeiro Pereira Gomes
O Tribunal Constitucional "vai dirimir" as divergências de interpretação na lei do financiamento dos partidos políticos que penalizam o PCP, afirmou ontem um dos responsáveis comunistas pela Festa do Avante!.
"Os partidos não devem ter limitações" em matéria de recolha de fundos nos eventos que organizam - e de que a Festa do Avante!, assente no voluntariado dos militantes comunistas, constitui o maior exemplo em Portugal, sublinhou Alexandre Araújo, co-apresentador, com Rúben de Carvalho, do programa do evento com que o PCP marca a rentrée política nos dias 5 a 7 de Setembro (na Quinta da Atalaia, Seixal).
Em causa está a interpretação do que são receitas financeiras dos partidos: apenas o que se recebe ou, como sustenta o PCP, o resultado da diferença entre receitas e despesas. Rúben de Carvalho recorreu a um exemplo comum: "Se vier à festa e comprar uma cerveja paga 'x'. Nós defendemos que a receita é o 'x' menos o 'y' que nós pagamos à marca que vende a cerveja". Como "há outra versão que diz que a nossa receita é apenas o 'x'", Alexandre Araújoconcluiu que "o Tribunal Constitucional vai dirimir" essa diferença de interpretações.
"No resultado líquido nós cumprimos a lei", garantiram os responsáveis do PCP, pois a sua contabilidade coloca-os abaixo do limite de 1500 salários mínimos mensais - cerca de 600 mil euros - definidos pela lei do financiamento dos partidos (aprovada em 2005).
No editorial que acompanha o programa da Festa, entregue aos jornalistas, o PCP explica que a Festa do Avante! continua a ser um alvo a abater por parte dos inimigos políticos - já não à bomba, como há três décadas, mas com instrumentos legais como as leis dos partidos e do seu financiamento. "Trata-se, nos dois casos, de leis que só existem... porque existe o PCP e existe a Festa do Avante!", com a segunda a "visar pura e simplesmente a liquidação" da festa.
FARC
Temas como o Código do Trabalho, o desemprego, a paralisação da economia nacional e os riscos de uma "recessão real", a falta de saídas que o Governo revela para lidar com o esse problema ou "a subserviência à preocupação doentia com o défice" devem dominar o discurso com que o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, vai encerrar a Festa do Avante!, admitiu Rúben de Carvalho, também membro da direcção do partido.
O que não pode nem deve marcar esse evento, como sucedeu no passado, é a presença dos representantes do PC colombiano - considerado por alguns sectores como o braço político das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) -, enfatizaram os dirigentes comunistas. Isso "não é verdade", declarou Rúben de Carvalho. "O PC da Colômbia é um partido legal, com deputados eleitos, com senadores eleitos", enquanto as FARC "são uma força de guerrilha" e clandestina, cuja qualificação (pelos EUA e pela UE) como organização terrorista "não é subscrita" pelo PCP. Mais, segundo assinalou uma outra fonte ao DN, até o Governo francês decidiu há dias condecorar o dirigente comunista colombiano Carlos Lozano como Cavaleiro da Legião de Honra (a mais alta condecoração da República Francesa).
Sobre a vertente cultural - música, teatro, exposições, livros, desporto, - de uma festa dirigida a "vários tipos de público", Rúben de Carvalho destacou a primeira gala de ópera que se realiza logo no primeiro dia e que recupera as "grandes tradições de gosto popular" pela música erudita em Portugal. Com bilhetes cujo preço varia entre os 18,50 (compra antecipada) e os 27 euros (nos dias do evento), a Festa oferece ainda o espectáculo de um grupo de gospel, formado inteiramente por imigrantes lusófonos radicados em Portugal, ou o de um jovem de 15 anos que já é considerado como a revelação do blues britânico.
O sonho dos vampiros, é isto*
(Video do Xatoo, link na barra lateral)
«Esta é uma daquelas leis feitas já com um destino», afirmou, a propósito do limite imposto pela nova lei no que respeita à angariação de fundos, durante a conferência de imprensa de apresentação do programa. «[A lei] é uma tentativa de estrangulamento da realização da festa, porque não há mais nenhuma iniciativa deste género», justificou.
No texto de introdução ao programa da Festa do Avante lê-se que «a lei dos partidos e do seu financiamento» está «cirurgicamente apontada ao PCP» e «visa pura e simplesmente a liquidação» do Avante.
PCP garante cumprir a lei
A 32ª edição da Festa do Avante! decorre entre 5 e 7 de Setembro, na Quinta da Atalaia, Seixal.
O povo, livre prefere isto*
DN - Tribunal Constitucional. A existência de leis que o PCP considera terem sido feitas para atingir directamente o partido, nomeadamente a do financiamento, leva os comunistas a recorrer ao Palácio Ratton para evitar uma interpretação legal que aparenta ir contra o bom senso da Soeiro Pereira Gomes
O Tribunal Constitucional "vai dirimir" as divergências de interpretação na lei do financiamento dos partidos políticos que penalizam o PCP, afirmou ontem um dos responsáveis comunistas pela Festa do Avante!.
"Os partidos não devem ter limitações" em matéria de recolha de fundos nos eventos que organizam - e de que a Festa do Avante!, assente no voluntariado dos militantes comunistas, constitui o maior exemplo em Portugal, sublinhou Alexandre Araújo, co-apresentador, com Rúben de Carvalho, do programa do evento com que o PCP marca a rentrée política nos dias 5 a 7 de Setembro (na Quinta da Atalaia, Seixal).
Em causa está a interpretação do que são receitas financeiras dos partidos: apenas o que se recebe ou, como sustenta o PCP, o resultado da diferença entre receitas e despesas. Rúben de Carvalho recorreu a um exemplo comum: "Se vier à festa e comprar uma cerveja paga 'x'. Nós defendemos que a receita é o 'x' menos o 'y' que nós pagamos à marca que vende a cerveja". Como "há outra versão que diz que a nossa receita é apenas o 'x'", Alexandre Araújoconcluiu que "o Tribunal Constitucional vai dirimir" essa diferença de interpretações.
"No resultado líquido nós cumprimos a lei", garantiram os responsáveis do PCP, pois a sua contabilidade coloca-os abaixo do limite de 1500 salários mínimos mensais - cerca de 600 mil euros - definidos pela lei do financiamento dos partidos (aprovada em 2005).
No editorial que acompanha o programa da Festa, entregue aos jornalistas, o PCP explica que a Festa do Avante! continua a ser um alvo a abater por parte dos inimigos políticos - já não à bomba, como há três décadas, mas com instrumentos legais como as leis dos partidos e do seu financiamento. "Trata-se, nos dois casos, de leis que só existem... porque existe o PCP e existe a Festa do Avante!", com a segunda a "visar pura e simplesmente a liquidação" da festa.
FARC
Temas como o Código do Trabalho, o desemprego, a paralisação da economia nacional e os riscos de uma "recessão real", a falta de saídas que o Governo revela para lidar com o esse problema ou "a subserviência à preocupação doentia com o défice" devem dominar o discurso com que o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, vai encerrar a Festa do Avante!, admitiu Rúben de Carvalho, também membro da direcção do partido.
O que não pode nem deve marcar esse evento, como sucedeu no passado, é a presença dos representantes do PC colombiano - considerado por alguns sectores como o braço político das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) -, enfatizaram os dirigentes comunistas. Isso "não é verdade", declarou Rúben de Carvalho. "O PC da Colômbia é um partido legal, com deputados eleitos, com senadores eleitos", enquanto as FARC "são uma força de guerrilha" e clandestina, cuja qualificação (pelos EUA e pela UE) como organização terrorista "não é subscrita" pelo PCP. Mais, segundo assinalou uma outra fonte ao DN, até o Governo francês decidiu há dias condecorar o dirigente comunista colombiano Carlos Lozano como Cavaleiro da Legião de Honra (a mais alta condecoração da República Francesa).
Sobre a vertente cultural - música, teatro, exposições, livros, desporto, - de uma festa dirigida a "vários tipos de público", Rúben de Carvalho destacou a primeira gala de ópera que se realiza logo no primeiro dia e que recupera as "grandes tradições de gosto popular" pela música erudita em Portugal. Com bilhetes cujo preço varia entre os 18,50 (compra antecipada) e os 27 euros (nos dias do evento), a Festa oferece ainda o espectáculo de um grupo de gospel, formado inteiramente por imigrantes lusófonos radicados em Portugal, ou o de um jovem de 15 anos que já é considerado como a revelação do blues britânico.
O sonho dos vampiros, é isto*
(Video do Xatoo, link na barra lateral)
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