quinta-feira, março 11, 2010

Costa Martins: 25 de Novembro e outras mentiras


“Não sou democrata de 26 de Abril, fui sempre democrata, no antigamente sofri as consequências e curiosamente vim a sofrer consequências ainda mais dolorosas depois do 25 de Abril, mais particularmente a partir do 25 de Novembro.

Até ao 25 de Novembro não tive razões de queixa, viveram-se momentos importantes de liberdade, houve vários excessos com alguns símbolos negativos com os quais eu não estava de acordo, e parece-me que foram alguns desses excessos que ajudaram a desembocar no 25 de Novembro, onde, estou convencido, que a esmagadora maioria dos próprios intervenientes de Novembro e ganhadores a seguir, entraram nele sem terem consciência daquilo em que estavam a participar. Foram enganados, muitos deles têm lamentado junto de mim, e infelizmente o país foi conduzido à situação em que nos encontramos."

"Estamos numa situação muito difícil, complicada e de difícil saída… não acredito nessas recuperações maravilhosas da economia do país, anunciadas por alguns… nós cá estaremos para ver”.


- O que deu origem ao 25 de Novembro de 75 e o que se passou com o anunciado desaparecimento da verba do dia de trabalho oferecido pelos trabalhadores ao país, já que nessa altura o senhor era ministro do Trabalho?

Costa Martins – A primeira questão é a mais complexa pela sua dimensão; o que teria originado o 25 de Novembro, e o que foi o 25 de Novembro. O 25 de Novembro acabou por ser um golpe de Estado, mas não foi feito não por aqueles que têm sido acusados de o terem praticado.

Conheço bem as causas do 25 de Novembro porque tive a oportunidades de as viver por dentro. A essência das causas do 25 de Novembro esteve no 25 de Abril, como passo a explicar: No dia 25 de Abril eu tinha tomado a responsabilidade da neutralização da Força Aérea (FA), porque o grupo que dizia representar a FA votou contra o golpe de Estado do 25 de Abril, numa reunião que tivemos em Cascais, em Março desse ano. Ali fiquei isolado e assumi responsabilidade da neutralização da FA. Poderia assumir essa missão a partir do Estado-maior da FA, onde trabalhava, ou a partir do Aeroporto que era melhor devido aos sistemas de controlo e radar, até porque nesse dia estava no aeroporto, por volta da hora de almoço.

Do Regimento de Paraquedistas, que nunca se tinha definido bem durante a preparação do 25 de Abril, com certos problemas com o Kaúlza de Arriaga, vieram três tenentes-coronéis meus amigos, pois eram os indivíduos que tinham a força operacional dos paraquedistas na mão. Vieram ao aeroporto colocar-se à minha disposição – assumindo eu o comando do Regimento de Paraquedistas, através deles. A segurança do Aeroporto seria reforçada pelos operacionais paraquedistas, sete companhias bem armadas, reforçando a segurança que na altura estava entregue à Escola Prática de Infantaria.

Quando os “páras” se preparavam e armavam para sair de Tancos com destino a Lisboa, recebi uma comunicação do major Vítor Alves, emanada do general Spínola (presidente da Junta de Salvação Nacional, na altura), onde se manifestava muito preocupado pelo facto dos paraquedistas virem para o aeroporto, já que poderiam alinhar com o Kaúlza depois de estarem em Lisboa. Não concordei mas para não arranjar ali algum problema, lá mandei um recado aos “páras” para não saírem de Tancos, embora já viessem a caminho. Entretanto Spínola manda nova mensagem, dizendo que era preferível para o reforço do aeroporto os Comandos, e lá foi o Jaime Neves com os comandos para o aeroporto.

Mais tarde os paraquedistas tiveram conhecimento da recusa do presidente Spínola por falta de confiança politica e militar nos “páras” - esta foi uma das causas remotas do 25 de Novembro.

Passados uns tempo, isto já na altura do VI Governo Provisório, com o almirante Pinheiro de Azevedo em primeiro-ministro, tinha havido a ocupação da Rádio Renascença, esse processo passou-me pelas mãos, porque o Patriarcado entendia que se tratava de um problema laboral, eu entendi que não, que eram dois indivíduos que se tinham apoderado indevidamente da RR e iam devolvê-la ao Patriarcado. Portanto se a PSP não tinha força, o COPCON através do Otelo deveria mandar prender os indivíduos e devolver a estação à Igreja, foi essa a minha posição.

O que se passou na RR foi uma autêntica fraude histórica, como também foi uma fraude histórica o que se passou no jornal A República, que por acaso também me passou pelas mãos, porque entenderam que era um processo laboral e eu como ministro do Trabalho, lá me foi parar o processo às mãos. Eu tenho a fotocópia do cheque de apoio à Comissão dos Trabalhadores, um cheque de mil contos na altura.
Mas estou a derivar um bocadinho, e não queria perder o fio à miada, como se costuma dizer, falando das causas do 25 de Novembro. Se bem se lembram, na altura, em vez de terem desalojado os indivíduos de lá pela força se fosse necessário – foi essa a minha posição - resolveram mandar dinamitar os emissores da RR na Buraca. Os chefes militares da altura, nem sequer tiveram a dignidade de tirar de lá os indivíduos, ou se queriam isolar os emissores mandavam para lá uma força militar ocupar aquilo.

O primeiro-ministro era almirante, no activo, tinha um regimento de tropas especiais, os Fuzileiros, pois foi convencer o Chefe do Estado-maior da FA para mandar uma força de “páras” dinamitar os emissores da RR.
Ora vejamos, os paraquedistas ficaram nos “cornos do touro”, agora pela segunda vez! Quando chega Novembro, a determinada altura, eles foram usados, o Chefe do Estado-maior da FA, Morais da Silva, começou a fazer uma série de provocações entre os paraquedistas, utilizando a alimentação e o salário, entre outras. Enfim, uma série de medidas tendentes de levar até à extinção do Regimento, como viria a suceder a seguir. Os paraquedistas ai reagiram e a população daquela zona de Tancos começou a levar alimentos e apoio aos “páras”.

A certa altura o Morais da Silva mandou, ou pelos menos deu a cobertura, que 150 oficiais dos paraquedistas fossem para a Base da Nato da Cortegaça, em Ovar. O Regimento de Paraquedistas quis demonstrar, contrariamente ao que diziam, que era uma tropa disciplinada, operacional, combativa, capaz de operar onde fosse necessário, então resolveram no dia 24 à noite, preparar uma demonstração de operacionalidade, foram uns para o Monsanto, outros ocupar o Estado-maior da FA e outros foram ocupar as várias bases operacionais. Porque em principio eles estavam para vir para Lisboa – o Regimento completo!. Eu por acaso assisti a isso e opus-me a que o RP viesse para Lisboa, porquê? Porque provavelmente teríamos guerra civil!

Isto foi aproveitado a seguir para uma contra reacção que estava toda preparada noutro sitio… e mais, houve provocadores nos “páras” muito bem pagos para fomentar todo aquele estado de agitação. O 25 de Novembro foi isto! Não foi monolítico, não foi uniforme porque houve várias forças e organizações a querem aproveitar-se, cada uma da sua maneira do 25 de Novembro.

Alguns indivíduos que participaram no 25 de Novembro, ou ainda alguns do Grupo dos Nove, fizeram-no enganados, porque posteriormente vieram reconhecer que estavam contra ao que se estava a passar, não queriam aquilo mas também de maneira nenhuma queriam aquilo que veio depois do 25 de Novembro!
Foram atropelos tremendos aos mais elementares princípios de justiça – eu estou à vontade de falar porque fui o indivíduo mais perseguido no 25 de Novembro, e como nunca me dobrei acabei por ganhar essas guerras judiciais e não só, durante 16 anos. Durante o 25 de Novembro tive de passar à clandestinidade, porque tinha vivido tudo por dentro no concreto, não foram essas balelas que esses indivíduos apregoam ai no país todos os dias, não me deixam ir à televisão, se escrever algo sobre o 25 de Novembro nos jornais nacionais é complicado.


- Está a afirmar que a censura regressou aos órgãos de Comunicação Social?

- Convidaram-me para uma entrevista na TV, para o aniversário dos 25 anos do 25 de Novembro, eu recusei, insistiram 2 ou 3 vezes, mais tarde disseram-me que seria um programa especial de carácter histórico depois de terem ouvido outras figuras tais como: Mário Soares, Ramalho Eanes, Otelo, Melo Antunes, e queriam ouvir-me a mim acerca do 25 de Novembro.

Decidi aceitar e dei uma entrevista em diferido, com a jornalista Márcia Rodrigues, mas como o tema da entrevista era muito longo decidiu-se fazê-la em duas partes (uma no mesmo dia e a outra no dia seguinte). Fiquei nesse dia à espera que me telefonassem – nada, ninguém me telefonou, como tinha de me deslocar ao Algarve, liguei novamente para a TV mas não consegui falar com ninguém do assunto em causa. No dia seguinte lá consegui falar com alguém que me disse que depois me contactariam. Passados vários dias telefona-me a senhora que me tinha contactado e fazia parte do grupo de trabalho que me convidou para a entrevista e começou por me pedir desculpa, porque também (ela) tinha sido enganada e que não só me iriam acabar a entrevista como haveriam ordens superiores para cancelar todo o programa! Todos sabem que todos os anos há debates sobre o 25 de Abril, já me viram lá!!??

Fui o principal perseguido do 25 de Novembro, todos os anos existem debates sobre isso, era lógico que lá estivesse, não me deixam lá ir!! Quando quiserem eu vou sozinho – levo a minha pasta… podem pôr do outro lado o número de entrevistadores que quiserem…


- Sentiram que o Povo estava ao lado do 25 de Novembro?

- A esmagadora maioria da população não estava de acordo, a realidade tem de ser dita, o 25 de Novembro, que é vendido e apresentado, é uma fraude histórica, muito grave. E com base nesta fraude histórica é que foram destruídos os valores essenciais da sociedade em que se chegou ao ponto de que se chegou, e toda a gente clama que não há justiça, mas se não há valores morais como pode haver justiça? Se não há a possibilidade de conhecer a verdade como se pode fazer a justiça? A verdade é a base essencial para a feitura da justiça, aliás as nossas leis até prevêem que no foro criminal, o arguido pode mentir à vontade.


Histórias do 25 de Novembro não lhe faltam, mas como começou a questão das verbas que alegadamente terão desaparecido respeitantes ao dia do trabalhador?

- No dia 25 de Novembro fui chamado a Belém, pelo PR Costa Gomes - que é o individuo a quem este país muito deve nas últimas décadas - conhecia-o muito bem, grande amigo pessoal, e chamou-me porque alguém lhe terá dito que eu era que estaria à frente do 25 de Novembro. Quando cheguei a Belém, naquela sala grande de reunião do Conselho de Estado, estava o Vasco Lourenço que tinha sido graduado em general – um dos que estiveram na montagem da cabala do dia do salário - pode escrever à vontade, publicar na integra – ele foi um dos principais responsáveis do dia do salário… o Sr. Vasco Lourenço tinha sido graduado – como herói do não sei quantos… Eu tinha lido “A República”, dois dias antes do 25 de Novembro, onde tinha sido publicada uma entrevista dele sobre o Ministério do Trabalho, sobre o ex-ministro do Trabalho, que era eu, dizendo que era preciso saber-se do que foi feito dos 300 mil contos da conta dos trabalhadores, para além de outras insinuações.… deixe-lhe um safanão e ele ficou no sofá, fui falar com o PR com a porta entreaberta, que me perguntou se eu estava à frente do 25 de Novembro, deu-me um abraço e disse - ainda bem que é você que está à frente disto. Vamos lá resolver isto. Estava eu com o comandante Pinheiro de Azevedo,. Eu respondi ao PR Costa Gomes - não estou metido nem tenho nada a ver com isto - e ele ficou altamente preocupado, perguntando-me quem é que realmente estava metido na situação pedindo: - então ajude-me com a sua influência na Força Aérea (FA) e com os paraquedistas, ajude-me a resolver esta situação para evitarmos a guerra civil. Então o general Costa Gomes pediu-me para ir a Monsanto falar com os Paraquedistas, e lá levei o recado e a forma de se resolver aquilo.


- Como foi?

- Em Monsanto estavam oficiais da FA presos pelo paraquedistas, lá providenciei para que eles fossem soltos – ao contrário do relatório/processo de 25 de Novembro, onde sou acusado de prender os oficiais de Monsanto… fui eu que os mandei soltar, não há nenhum desses tipo que diga à minha frente o contrário.
Mais tarde fui falar com o general Costa Gomes contando-lhe o que se tinha passado em Monsanto, onde fui informado que quem “mandava” era a Comissão de Luta. Da segunda reunião que tive com o general, já ao fim-da-tarde em Belém, o general Costa Gomes chamou a ele o comando de todas as tropas do país, assim quem comandou militar e politicamente o 25 de Novembro – foi o general Costa Gomes! Eu assisti, foi na minha presença. Há relativamente pouco tempo o antigo comandante da Região Militar do Norte, Pires Veloso, veio dizer precisamente isso. A Região Militar do Sul colocou-se sob o comando dele, a Armada foi colocada sob o comando dele directamente - foi o almirante Rosa Coutinho que lhe entregou o comando da Armada- Nas unidades de Lisboa, o general chamou a ele unidade por unidade, e foi passando o comando por delegação para o Vasco Lourenço que tinha sido nomeado Governador Militar de Lisboa, na véspera. Mas as unidades de Lisboa, algumas das mais fortes nunca aceitaram o comando de Vasco Lourenço, mesmo delegado do PR, assisti a isso, o sr. Vasco Lourenço na minha frente não desmente!

Novamente o general Costa Gomes pediu-me para ir a Monsanto tentar convencer os Paraquedistas – e que se despachassem …rápidos -, quando não mandava avançar os Comandos para Monsanto. Quando avancei para Monsanto passei primeiro pela COPCON, que era onde estava a bagunçada maior. Quando de lá sai, sozinho e já de noite, embora fosse bem armado, fui perseguido por dois carros de indivíduos trajando civilmente e armados até aos dentes, consegui fugir-lhes, já não cheguei a Monsanto. Passei à clandestinidade, naquela altura em que os despistei e fui para Benfica, para casa de uns amigos meus. Em casa desses amigos vejo na TV um comunicado do Chefe do Estado-maior da Força Aérea, Morais da Silva, que andou fugido durante o dia todo, e só apareceu à noite quando as coisas já estavam a virar, depois de ter abandonado completamente a FA. Nesse comunicado aparecia a minha fotografia acompanhada de uns termos que já não me recordo… mas algum assim - onde o virem agarrem-no vivo ou morto, porque este é que é o responsável.

Eu não me contive, peguei no telefone e liguei para o gen. Costa Gomes, para lhe dizer que não tinha conseguido chegar a Monsanto perseguido por aqueles gandulos, e insurgi-me contra aquele famigerado comunicado. O Costa Gomes perguntou-me onde estava, eu disse-lhe que estava em casa - não sendo a verdade, estava em casa de amigos e o meu telefone estaria com certeza sob escuta - disse-me ainda que estava prestes a começar uma reunião de emergência do Conselho da Revolução, devido a uma informação de que EU estaria na Lisnave a fazer o levantamento dos trabalhadores da Cintura Industrial de Lisboa, para marchar sobre Lisboa. O homem acreditou em mim que não estava na Lisnave.


- Então quem elaborou o comunicado?

Mais tarde vim a saber que esse comunicado/informação foi transmitido para a Presidência da República pelo Conselho da Revolução, a partir do posto do comando que estava na Amadora.
Em paralelo começo a ser informado que estavam a ser afixados cartazes e distribuídos panfletos, a dizer que eu tinha fugido com 13.000 contos roubados das contas dos trabalhadores! Ali, comecei a montar o puzzle, que não era muito difícil chegar a esta conclusão – os tipos puseram aqueles fulanos a perseguir-me quando ia para Monsanto, não seria para me matar mas sim para me agarrar.

Por tudo isto eu deduzi e até hoje não me desmentiram que me queriam levar para Monsanto, punham lá uma mala com notas e chamavam os trabalhadores para verem o “ladrão” fugir com um monte de dinheiro e eram os trabalhadores que me lixavam e eles ficavam como Pôncio Pilatos.

Passei à clandestinidade e sai do país em Janeiro do ano seguinte, tendo assistido a essas porca vergonhas todas com vontade de pegar numa pistola-metralhadora e ir onde estavam a afixar os cartazes…
Está aqui a história do dia do salário, que em Janeiro o jornal “O DIA” publica, mas que já não eram 13 mil mas tinha era posto 80 mil contos das contas dos trabalhadores numa conta pessoal minha.


- Foi complicado provar a sua inocência...?

- A história da cabala do dia do salário, ao fim e ao cabo, para mim acaba por ser um louvor autêntico, porque os tipos chafurdaram na minha vida toda, particular, familiar, profissional e politica de governação. Se tiveram que recorrer a uma coisa de uma baixeza tão porca como isso, é porque não encontraram a menor coisa em que me pudessem agarrar, senão tinham-me esfolado! Ah! demitiram-me por duas vezes da FA sem qualquer reintegração pelo meio, depois só faziam asneiras a meu respeito, tal era o nervosismo, quando viam qualquer documento meu só faziam asneira nos despachos. Lembro-me de um documento para o Lemos Ferreira, na altura Chefe do Estado-maior, em que solicitava a reposição da verdade e na minha situação normal – foi indeferido por falta de cabimento ao solicitado no documento…

Ao fim dos 16 anos da guerra sempre a nível do Supremo Tribunal Administrativo, em que alguns dos mais altos responsáveis político-militares do país não se coibiram de mentir ao tribunal, oficialmente, em ofícios de alguns generais e de elevados postos da vida militar politica do país, foi-me feita justiça.

Nunca desapareceu um tostão, aliás eu fiz questão, devido a não haver inquérito nem averiguações, não havia nada porque eles sabiam que nunca tinha havido falta de qualquer verba, obriguei-os a fazerem um inquérito depois de muitos requerimentos e de muitas insistências ao longo de muito tempo, foram obrigados a fazerem-no, porque eu requeri certidão do inquérito tenho uma certidão passada pelo Ministério do Trabalho, sempre ao nível do gabinete do ministro, cujo título é este - certidão provisória - não sei se alguém tem memória de uma certidão provisória. Depois da minha insistência, passam-me nova certidão, definitiva, com conclusões provisórias… dá vontade de rir, não dá?

Voltando ao inquérito, quando ficou concluído – ninguém tinha roubado nada, não tinha desaparecido nada, e é um autêntico louvor para mim e para os serviços desenvolvidos, mas não publicaram nada disto no Diário da República. Seguidamente faço um requerimento para pedir as conclusões públicas do inquérito, vem a resposta do chefe do gabinete com umas aldrabices, porquanto não podiam certificar porque o inquérito não estava ainda concluído por falta de homologação do ministro, e andámos nisto três anos, entretanto a minha paciência ia-se esgotando… entrei em contacto com o coronel Costa Brás - que era a maior autoridade contra a corrupção- estávamos em Janeiro de 1984) – ameacei ir ao gabinete do ministro puxa-lo pelos colarinhos e dar-lhe um par de murros. Ele disse-me que não era um questão de ministro e passados quinze dias estava dado o despacho depois de anos à espera.


- O que pensa hoje da nossa Democracia?

- Aquilo que eu penso é que se se um cidadão burlar outro arrisca-se a ir para a prisão, se burlar 10 milhões arrisca-se a ir para o poder e agir impunemente!



- E das manifestações militares?

- Sou contra esse género de actuação, acho que é um bocado desprestigiante para os militares, o militar deve ter uma postura diferente da postura de um simples passeio, terá de ter ou tomar uma posição frontal
Portanto se uma manifestação de militares não é feita em termos de postura militar, não pode ter nada de concreto nem de substrato.


- Hoje é possível a realização de outro golpe de Estado como em 25 de Abril de 74?

- Seria absolutamente impossível perante o contexto internacional existente.


- Que futuro para as Forças Armadas?

-No 25 de Abril havia um grupo que infelizmente não era muito grande, cujo elemento principal era o general Costa Gomes, e que entendíamos que Portugal não precisa de Forças Armadas. Portugal precisava de uma Guarda Republicana capaz, eficiente, com gente preparada e bem paga, também com uma Polícia bem preparada e com um bom nível de instrução para saber lidar directamente com os problemas e com a população. Precisávamos de umas lanchas rápidas para patrulhamento da zona económica exclusiva, de uns aviões bem equipados para patrulhar essa zona económica exclusiva, mais aviões de combate a incêndios e evacuação de feridos e doentes, e não precisávamos de mais nada!

Temos cento e tal oficiais generais e se calhar… não temos cento e tal soldados bem preparados… Por mexer com muitos interesses na altura não conseguimos porque há três vectores importantes da vida económica e financeira do Mundo, que são o petróleo, a droga os armamentos, e há quem não queira abdicar. Portugal comprou aviões F-16, Portugal não precisa de aviões de caça para nada! Eu sou piloto, piloto de caça, é das coisas que mais gozo me dá é o bom avião de caça, mas isso custo os olhos da cara ao país. Se a Espanha quisesse invadir Portugal, a FAP nem que tivesse os aviões mais ultra-modernos do mundo e os pilotos mais bem preparados, não havia qualquer possibilidade de reacção a um ataque espanhol. Os aviões de caça portugueses não servem para nada, servem sim para uns indivíduos comprarem os aviões, comprarem sobressalentes… etc., etc..


- Chegou a temer pela sua vida?

- Não tenho a menor dúvida que se pudessem ter-me eliminado fisicamente, sem rastos para poderem ser responsabilizados a seguir, e se não tivesse passado à clandestinidade não estaria aqui hoje a falar.



- Como se define enquanto ministro do Trabalho?

- Sempre pautei, na vida militar e civil, a minha postura por regras de boa conduta e amor à minha Pátria, no País ou no estrangeiro. Quando falei com outros governos, mesmo os considerdos mais importantes, sempre falei como representante do meu País em pé de igualdade.

O dia do salário foi um marco importantíssimo que eles espoliaram, em termos de diversão dos valores morais da sociedade, caluniando na forma peculiar, onde o Estado português é altamente responsável durante vários anos, constituindo-se num dos marcos que serviu de base à inversão dos valores pela dimensão e projecção que lhe deram, no enquadramento ao mais alto nível político-militar do país.


- Que pensa da Associação 25 de Abril?

- O Vasco Lourenço, presidente da Associação, sabe bem que conspirámos juntos, eu arrisquei a minha liberdade para o acompanhar e depois o reconhecimento foi a participação directa na preparação da cabala no dia do salário contra mim.

Aliás, o Vasco Lourenço não participou no 25 de Abril, na feitura do 25 de Abril, conspirou connosco foi mandado para os Açores antes desse dia, e o 25 de Abril foi tropeçar com ele nos Açores.
Em Fevereiro de 74 eu fui o primeiro oficial (do três ramos das forças armadas) a ser alvo/objecto de uma medida repressiva do anterior regime por causa do Movimento dos Capitães.

Em Março seguiram-se medidas repressivas em relação ao Vasco Lourenço, ao Melo Antunes e outro oficial que foram colocados nos Açores. Entretanto o Vasco Lourenço pediu-nos para simular o rapto dele, e tivemos o Vasco Lourenço connosco durante três dias, ao fim desse tempo, depois dessa exploração politica decidimos que ele se fosse apresentar no Governo Militar de Lisboa, acabando depois por ir para os Açores.
Estive exilado em Angola três anos e meio a seguir ao 25 de Novembro, quando regressei a Portugal estava a ser constituída a Associação 25 de Abril, com uma comissão instaladora liderada por Vasco Lourenço. Eu fui convidado, assinei uma ficha condicional porque me pediram muito para assinar, mas não coloco lá os pés enquanto Vasco lourenço estiver à frente da Associação.


- O PCP teve alguma intervenção no 25 de Novembro?

- Sobre a intervenção do PCP, vou narrar o que se passou comigo, no dia 24 já ao fim da tarde, eu tinha sido colocado no COPCON por malandrice, pelo Morais da Silva, e encontrei o Jaime Serra, dirigente do PCP, que me cumprimentou e disse “epá é a segunda vez que venho aqui dizer ao Otelo para não mandar assim tropas para a rua, para não se meter em aventuras”. – Isto é um facto histórico, passou-se comigo! Sei também, por informação, que o dia 25 de Novembro foi desencadeado pela saída dos paraquedistas – não que os “páras” tenham saído para algum golpe de Estado, isso é uma pulhice! -, eles sim vieram fazer uma manifestação de operacionalidade, o PCP mobilizou-se para o que desse e viesse – segundo me constou porque não vi nem participei. E depois desmobilizou quando o Costa Gomes chamou Álvaro Cunhal, para se desmobilizar e não haver uma guerra civil, que esteve por um fio.


- Qual a participação do General Ramalho Eanes?

-Todos os movimentos de tropas foram feitos com autorização e cobertura institucional do Costa Gomes. Há mensagens escritas do posto de Comando da Amadora, sempre com autorização de Costa Gomes.
Para terminar e sobre essa grande manifestação do tempo do Pinheiro de Azevedo (o almirante sem medo), quando começou a ser convocada a manifestação para a Praça de Londres, o Tomás Rosa em vez de se manter no gabinete do Trabalho, como lhe competia, foi ter com Pinheiro de Azevedo, que estava em S. Bento. A manifestação teve conhecimento e foi atrás dele, foi assim que a manifestação foi parara a S. Bento. Já naquela multidão à volta da Assembleia da República, começou a exploração politica, deixavam sair uns, não deixavam sair outros… e aquilo começou a complicar-se um bocado.

Eu estava em casa e telefonaram-me do Conselho da Revolução pedindo-me se eu não me importava de ir resolver a situação, ao que respondi: “eu já não estou no Governo já não estou no poder”, mas sendo um problema Nacional nunca fugia a situações difíceis, portanto se quiserem eu vou lá tentar resolver. O Conselho da Revolução faz um comunicado ao país dizendo que me pediu para ir resolver a situação, passada meia hora telefonam-me outra vez, agora os sindicatos, era a Intersindical dizendo que estavam numa situação complicada, perigosa, então pediram-me se eu não me importava em ir ajudar a situação. Eu fui. Cheguei ao Palácio de S. Bento e encontrei o primeiro-ministro com a barba por fazer na parte habitacional do mesmo, que tinha dormido na noite anterior na casota da PIDE que estava no Jardim do Palácio, e logo que me viu deu-me um grande abraço e disse-me: “epá tire-me daqui. Trouxe a tropa?” Não, respondi-lhe, entrei pela porta principal, ninguém me fez mal.

Mais tarde houve desmobilização geral e o Pinheiro de Azevedo foi à varanda de S. Bento prometer coisas que depois não cumpriu


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A revolução é hoje!


Original aqui

quarta-feira, março 10, 2010

Carta de despedida de Che a Fidel - 1965

"Outras serras do mundo requerem meus modestos esforços. Eu posso fazer aquilo que lhe é vedado devido à sua responsabilidade à frente de Cuba, e chegou a hora de nos separarmos.

Quero que se saiba que o faço com uma mescla de alegria e pena. Deixo aqui minhas mais puras esperanças de construtor e os meus entes mais queridos. E deixo um povo que me recebeu como filho. Isso fere uma parte do meu espírito. Carrego para novas frentes de batalha a fé que você me ensinou, o espírito revolucionário do meu povo, a sensação de estar cumprindo com o mais sagrado dos deveres: lutar contra o imperialismo onde quer que seja. Isso me consola e mais do que cura as feridas mais profundas."

terça-feira, março 09, 2010

O hitlerzinho de valladolid



Mais uma história do clã O'bush: Acusar a Venezuela; Chávez, de apoiar a Eta no seu relacionamento com as Farc, promovendo o "terrorismo" na Colômbia e assim no feudo do manso de franco.

De novo, a velha estratégia de preparação da opinião pública para acometer contra um país livre, a Venezuela, uma era de repressão já conhecida pelo mundo fora, sobretudo em Cuba. Sob o pretexto de que "Chávez é o Bin Laden da América do Sul", sem que de tal sustentem a mais mínima prova (e mesmo que ninguém saiba ainda - digo eu - o papel e o fundamento que tal figura, membro da familia que detém grande parte da economia yanquee, se reserva), polarizando neste a razão de qualquer movimento discordante com o pensamento único que o imperialismo pretende impor, os porcos mafiosos do governo norte americano preparam-se a assim para reprimir uma vez mais a liberdade de muitos milhões de seres humanos.

Torna-se cada vez mais difícil entender como um punhado de cães consegue manter no cercado tanta liberdade.



P.D.- Curiosamente, cada vez que menciono o conquistador de "Perejil", recordo o atentado de Atocha...

domingo, março 07, 2010

Desemprego

Esse Desemprego
Meus senhores, é mesmo um problema
Esse desemprego!
Com satisfação acolhemos
Toda oportunidade
De discutir a questão.
Quando queiram os senhores! A todo momento!
Pois o desemprego é para o povo
Um enfraquecimento.
Para nós é inexplicável
Tanto desemprego.
Algo realmente lamentável
Que só traz desassossego.
Mas não se deve na verdade
Dizer que é inexplicável
Pois pode ser fatal
Dificilmente nos pode trazer
A confiança das massas
Para nós imprescindível.
É preciso que nos deixem valer
Pois seria mais que temível
Permitir ao caos vencer
Num tempo tão pouco esclarecido!
Algo assim não se pode conceber
Com esse desemprego!
Ou qual a sua opinião?
Só nos pode convir
Esta opinião: o problema
Assim como veio, deve sumir.

Mas a questão é: nosso desemprego
Não será solucionado
Enquanto os senhores não
Ficarem desempregados!

Bertold Brecht

Confiança

O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura...
E que a doçura
Que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova...

Miguel Torga

sexta-feira, março 05, 2010

quinta-feira, março 04, 2010



Como podemos observar, este test é um desenvolvimento do condicionamento skineriano.
Se apenas atendermos ao autocontrolo, verificamos como alguns dos estudados já apresentam sérias desestabilizações, descompensações, e, da mesma forma que um dependente de qualquer substância aditiva, preferem a estabilização homeostática hedónica do soma (valha a aparente redundância) à valorização do reforço, à determinação em alcançar uma meta mesmo com um incentivo bastante interessante. Aqui já existe ansiedade, inestabilidade, relação parental inadequada, exposição cognitiva descontrolada, gestações e partos traumáticos, e, de forma pouco relevante, morfologia em evolução (porque devemos situar-nos longe do determinismo). Porém, existe, sem dúvida, capitalismo.

oncluindo, desde que nascemos nos encontramos num processo de aprendizagem, aprendendo, apreendendo, crescendo, e, cada vez que interactuamos, transformando(-nos), algo que resulta fundamental.
A questão será mesmo essa: Aprender, aprender sempre!

quarta-feira, março 03, 2010

Escutas?


A audição ou acção de ouvir, podemos considerá-la desde um foco psicofisiológico, como o resultado de uma excitação produzida por ondas sonoras sobre as terminações do nervo auditivo, que se transmite ao centro auditivo do cérebro e, dá lugar a uma sensação aural (ou auditiva).
Hoje, confirma-se que o ouvido é o mais qualificado dos
estímulos sensoriais cerebrais. Desses:
20% correspondem à visão
30% correspondem ao paladar, olfacto e tacto
50% correspondem ao ouvido, que desperta e impulsa o cérebro, àparte de protegê-lo contra o deterioro.

segunda-feira, março 01, 2010

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Manipulação

Tens a certeza de que não te manipulam??



A revolução é hoje!

domingo, fevereiro 14, 2010

sábado, fevereiro 13, 2010

Con tu puedo y con mi quiero
vamos juntos compañero

compañero te desvela
la misma suerte que a mí
prometiste y prometí
encender esta candela

con tu puedo y con mi quiero
vamos juntos compañero

la muerte mata y escucha
la vida viene después
la unidad que sirve es
la que nos une en la lucha

con tu puedo y con mi quiero
vamos juntos compañero

la historia tañe sonora
su lección como campana
para gozar el mañana
hay que pelear el ahora

con tu puedo y con mi quiero
vamos juntos compañero

ya no somos inocentes
ni en la mala ni en la buena
cada cual en su faena
porque en esto no hay suplentes

Con tu puedo y con mi quiero
vamos juntos compañero

algunos cantan victoria
porque el pueblo paga vidas
pero esas muertes queridas
van escribiendo la historia

con tu puedo y con mi quiero
vamos juntos compañero.


Mario Benedetti




A revolução é hoje!

terça-feira, fevereiro 09, 2010

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

O desgraçado

Verme
Desgosto
Teu
Poluição
Vazio de conteúdo
Num continente vazio

Colonizador frustrado
Usurpador de vontades
Nado-morto
De vampiros

Queres mais e mais
Do que tens
Nada

Sobejo de felicidade
De outros
No chão
Bolor fantasma

Acento circunflexo da mentira
Respiro analfabeto
Da lirica da existencia dos homens
Ilusionista cego

Ah cão!
Nem mentira terias
Tivessemos nós o pão

Nem o ar que respiras
Nem o sol que te engana
Aí, nas trevas
Descansa verme, descansa
Descansa com quem te ama

domingo, fevereiro 07, 2010

sábado, fevereiro 06, 2010

Isto é tudo deles!

"O Hotel Gat Rossio, do grupo BPN, está aberto há seis meses mas esteve até meados de Dezembro sem autorização de utilização e exploração. A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) fez uma inspecção ao hotel, no Rossio, em Lisboa, e concluiu, que não tinha "livro de reclamações nem título válido de abertura".

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Comummente é assim... (Até quando?)

Rodchenko

Cada um ao nascer
traz sua dose de amor,
mas os empregos,
o dinheiro,
tudo isso,
nos resseca o solo do coração.
Sobre o coração levamos o corpo,
sobre o corpo a camisa,
mas isto é pouco.
Alguém
imbecilmente
inventou os punhos
e sobre os peitos
fez correr o amido de engomar. Quando velhos se arrependem.
A mulher se pinta.
O homem faz ginástica
pelo sistema Muller.
Mas é tarde.
A pele enche-se de rugas.
O amor floresce,
floresce,
e depois desfolha.


Maiakovski

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Défice inusitado???

«As previsões falharam redondamente em todo o lado» reconheceu o ministro, que ainda assim não acredita que «houvesse o intuito de enganar fosse quem fosse».

Pois... Não deixa de ser normal esse teu sorriso. Estás a rir-te de quem?

terça-feira, janeiro 26, 2010

Toca a afanar!

"O Provedor de Justiça fez suas as palavras do presidente do Conselho de Prevenção da Corrupção, Guilherme d'Oliveira Martins, e também se manifestou contra a criação do crime de enriquecimento ilícito.

«Faço minhas as suas palavras. Temos uma posição muito semelhante. Em princípio, discordo de mais um tipo legal de crime que em vez de facilitar pode complicar», disse, durante a audição na comissão eventual para o acompanhamento político do fenómeno da corrupção e para a análise integrada de soluções com vista ao seu combate.

Na opinião de Alfredo José de Sousa, seria melhor «sancionar através de agravamento fiscal ou da pena dos crimes subjacentes», em vez de criar um novo tipo legal de crime. «Defendo o agravar das penas, em sede de julgamento, dos crimes/infracções subjacentes e o constituir de circunstância agravante todas as situações de enriquecimento ilícito», afirmou."

E pronto, se casualmente forem agarrados num esbanjamento exacerbado pagam uns impostos acrescidos (se entretanto não tiverem aplicações para compensar) e fica a coisa esquecida. Que gente tão good practices.

segunda-feira, janeiro 25, 2010

domingo, janeiro 24, 2010

Passamos pelas coisas sem as ver

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

Eugénio de Andrade

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Contrato a termo incerto

Tomei hoje conhecimento de uma modalidade contractual que dificilmente (nem sendo o trabalhador um doente terminal) se pode separar de um tipo de vinculação ilegal.
Por outra parte, este tipo de articulação, uma vez mais, denuncía claramente a consideração que os governos PS/D/CDS têm sobre o povo do nosso país e a influência cada vez maior que os interesses económicos privados representam na governação, algo que só por si já não sería aceitável mas, menos ainda com os contornos nacional-corporativistas que cada dia mais adopta a dinâmica política Portuguesa.
Refiro-me ao "contrato a termo incerto", uma designação que nos pode suscitar a vontade de acordar estando despertos. Dito contrato promove no trabalhador a sensação de estabilidade necessária para motivar o compromisso que requere o desempenho das funções, mas, fundamentalmente, mantém sob pressão quem espera passar a efectivo depois de 6 anos, 6 anos, podendo o patrão, depois desse período, prescindir do esforço e de 6 anos da vida dos trabalhadores, bastando para tal dar termo ao contrato. Os direitos consignados num contrato efectivo são assim usurpados a quem a eles tem direito, a deslocalização torna-se uma opção acessível, a contenção salarial encontra o seu paradigma ideal, a natalidade continuará assim a diminuir, a liberdade necessária para a criação de um núcleo sindicalista desaparece.

Como conclusão, esta aberração traduz claramente o abjecto estado no qual se encontram as relações laborais no nosso país, um país com a idade suficiente para não poder considerar um amanhã emergente, um amanhã que retire a população duma realidade que nos obriga a assumir-nos como um país de terceiro mundo.

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Os incoerentes

"Obama perdeu a maioria." E então?

Já não haverá reforma sanitária para os americanos, nem penalizações para a máfia de Wall Street. Haverá sim, porque a industria armamentista tem agora, ainda mais reforçada que com o provável "Jimmy Carter afro-americano", a maioria no congresso (sobretudo sabendo de onde vem Brown, quem governa desde há dias o estado Massachussets).

Depois de mais uma invasão, aproveitando a desgraça do povo do Haiti, das recomendações dos organismos de carácter imperialista para a redução salarial, incremento da jornada de trabalho e aumento de impostos para os países do eixo, aspectos que nos indicam que isto vai piorar, enquanto Portugueses somos confrontados com mais uma decisão do governo Português, que, através do instituto Camões, revela a sua aposta por acabar com o ensino da nossa lingua nas comunidades lusófonas na diáspora.

Ao mesmo tempo, no "Avante!", podemos encontrar a pertinente homenagem a um lutador pela liberdade, pela justiça e, fundamentalmente, pela vida, o nosso Camarada José Moreira.

Assim, assumindo a vergonhosa realidade que atravessa a nossa sociedade e conhecendo o exemplo que nos deixou esse Herói Comunista, surge uma questão para a qual experimento certa dificuldade em encontrar resposta: Afirmam os Portugueses, inconformados, que consideram arriscado potenciar, reforçar ou enaltecer o papel do PCP, da CDU, em qualquer momento da sua actividade diária, nas conversas de café, no trabalho, nos transportes, etc. Porquê?

domingo, janeiro 17, 2010

A ponta do iceberg das privatizações

"O Grupo Mello Saúde substituiu o medicamento Octagam por Flebogamma no Serviço de Neurologia do Hospital de S. Marcos, em Braga, por ser mais barato. Os doentes, no entanto, dizem que o novo tem efeitos secundários «insuportáveis», noticia o JN.

Os doentes neurológicos foram obrigados a assinar um «consentimento informado», onde autorizaram a nova terapêutica e as suas consequências, e estão a ser tratados com o novo medicamento há duas semanas.

«Tomei uma vez o novo medicamento e senti-me tão mal que acabei na urgência do hospital», contou a paciente Sílvia Rodrigues.

Nos «consentimentos informados» também consta a assinatura do médico que acompanha o tratamento e alguns escreveram mesmo que a substituição do medicamento foi «imposta pelo Conselho de Administração».

Em comunicado enviado ao JN, a administração do J. Mello Saúde confirma a alteração de medicamento: «O hospital, agora inserido num grupo de saúde que faz periodicamente os seus concursos para a aquisição destes produtos, tem disponível o medicamento em causa (Flebogamma), a imunoglobulina humana, aprovada pelo INFARMED e considerada como bioequivalente à outra marca comercial em uso no país.»

«Assumida a qualidade do produto, o preço é um factor tido em conta para a escolha em concurso», conclui a nota do Grupo Mello Saúde."

quinta-feira, janeiro 14, 2010

quinta-feira, janeiro 07, 2010


5º Aniversário "Ai Portugal, Portugal!"
Pela anti-decadência do interneurónio!


A revolução é hoje!

segunda-feira, janeiro 04, 2010

domingo, janeiro 03, 2010


Branco de neve
branco de leite
branco de cal
branco de lua

Contra branco outro branco
Um outro branco ainda sobre um novo branco
de espuma
com areia quase branca

Toda a ternura a fadiga a mágoa imensa
do branco contra branco sobre branco
na brancura mergulha branca flui

Branco entre limos
Branco entre mastros

Por túneis brancos ruas brancas sombras brancas
maciamente o branco longamente inventa branco
na crua branca amargura dos anos cegos Brancos


Mário Dionísio

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Isto anda tudo ligado

Nesta noticia do público podemos observar como a direita (entenda-se PS e parceiros) manipula a linha que separa a barbárie do paradigma que por todos se considera o ideal para a sociedade mas pelo qual se furta de lutar a egoista burguesia.

Sabemos que uma revolução se torna mais tangível no horizonte de quem o não tem, quando, motivada pela contradição fundamental do capitalismo, a burguesia, essa socialista e que nessa suposição adoptaría tal decisão devido à preocupação única pela manutenção dos seus interesses de classe, se incorpora à luta dos trabalhadores.
Assim sendo, e em linha com a doctrina de Bernstein, o social democrata partido socialista considerou pertinente salvaguardar os interesses do BPN, utilizando recursos que por demais carece qualquer âmbito público que se fundamente na prestação de serviços primários à população - estes especialmente e não querendo transmitir a ideia de que existe alguma área sem déficit - e, maiormente gravosa tal política se nos situamos no actual contexto sócio-económico nacional.
Sem esquecer que, simultâneamente, foi triplicando a nossa dependência alimentar do exterior numa relação directamente proporcional à erosão do tecido productivo neste campo e num desempenho inversamente ajustado ao investimento público, elementos essenciais para a defesa da soberania, a qual, com a entrada em vigor do tratado de Lisboa, com a entrega do direito de decisão aos 6 países que efectivamente detêm 70% desse privilégio numa europa de 6 grandes potencias e de 21 empresas externalizadas, vai determinando o futuro daqueles que seguramente incrementariam a dissonância contra esta aberração, o cada vez maior número de emigrantes que se encontram (apelando a Soeiro) como "rodas paradas de uma engrenagem caduca", vazios de objectivos e de pão para a boca, nesta marisma Portuguesa.

Por outra parte, prescindiu de "salvar" o BPP, consciente do perfil específico da sua carteira e assumindo que, devido à sua dimensão; ao nível de esclarecimento e consciencialização daqueles que a integram, não constituiria reforço suficiente às aspirações, lutas, mas, sobretudo, à voz do explorados que pugnam pela mudança.

Assim, mesmo que para tal não se admitam os argumentos anteriores, não se torna contudo complicado ratificar esta observação dos factos se atender-mos a questões paralelas que não deixarão, certamente, de pesar significativamente no motivo de tal pendor:

1º- Existe algum vínculo entre a SLN e o BPN?
2º- Existe algum vínculo entre cavaco e a SLN?
3º- Existe algum vínculo entre soares e carlucci?
4º- Existe algum vínculo entre carlucci e a Carlyle?
5º- Existe algum vínculo entre a Carlyle e a sede da SLN?

Por quanto tempo?

Não acredito que alguém tenha dados suficientes para responder a tal questão. Não obstante - e sem pretender recorrer a qualquer tipo de futurologia, durante 2010 poderemos observar; padecer, o efeito global da aposta daqueles aos quais prestam vassalagem os governantes Portugueses. A previsível queda da banca, desde este sustentado mas fictício patamar de estagnação económica (que aparentemente e devido ao típico medo de assumir a realidade se interpreta como um "down-sizing" e não passa de um "squeeze-out"), que a partir do início do 2º semestre (Q3), trará importantes repercussões no aumento da dívida das famílias e da insolvência das mesmas; no esgotamento da capacidade de alavancamento das PMME's; no desemprego; na usurpação de mais garantias outrora conquistadas pelo Povo; na concentração do capital e finalmente, curiosamente de forma extraordinária nos chamados países centrais e a finais do desse mesmo período, na polarização de massas coesas em torno a iniciativas que visem a inadiável mudança, mudança vital, mudança que reclamará, sem dúvida, o compromisso de todos e cada um de nós.

Bom Ano Novo!

A revolução é hoje!

terça-feira, dezembro 29, 2009

E no entanto Move-se

O profundo silêncio das flores
é um lugar de ausência. Vazia moldura
para o vôo das aves, linha oscilante
de ligeira névoa
que nada revela do que talvez esconda.

Egito Gonçalves

É INACEITÁVEL E IMORAL PAGAR PARTE DO SMN COM DINHEIRO DA SEGURANÇA SOCIAL

Para que a mensagem contida no vídeo ao se faz referencia no post de dia 18/12 quede clara, esta é a posição consensuada da CGTP, com a qual estou inteiramente de acordo:

"O Governo ao propor para 2010 a redução de 1% da taxa social única na parte a cargo das entidades patronais que tiveram trabalhadores ao seu serviço a receber o salário mínimo nacional em 2009, reduz as receitas do sistema previdencial da Segurança Social em 30 milhões de euros, não estando contabilizado os efeitos da Administração Pública.

A CGTP-IN considera de todo inaceitável e imoral que o Governo tenha que pagar parte do salário mínimo nacional às entidades patronais com as contribuições do sistema previdencial.

Uma vez mais recorre-se à Segurança Social para financiar as empresas.

Ainda recentemente as entidades patronais foram financiadas em dezenas de milhões de euros do regime contributivo, com a utilização da lay-off, escudando-se em muitos dos casos na crise, para não terem de pagar os salários devidos aos trabalhadores.

Entretanto as dívidas do patronato ao regime previdencial da Segurança Social têm vindo a aumentar no período de 2005 a 2008; cresceram em 2 mil e 691 milhões de euros, o que demonstra a ineficiência do Governo no combate às dívidas patronais para com a Segurança Social. Tendo estas dívidas impactos muito significativas sobre a sua sustentabilidade.

E no código contributivo, conforme a CGTP-IN já tinha referido, a oferta que está prevista para o patronato só num ano era de mais 380 milhões de euros, pelo efeito da redução de 1%, na parte contributiva a cargo das entidades patronais que tivessem trabalhadores efectivos.

É bom lembrar que as contribuições para a Segurança Social têm uma finalidade concreta que é o de substituir os rendimentos dos trabalhadores quando estes se reformarem ou são atingidos por riscos sociais, como o desemprego.

Por isso é de todo imoral que se delapide este património. Nem o Governo, nem as entidades patronais têm o direito de usar o dinheiro que é pertença dos trabalhadores.

Para com os trabalhadores, o Governo já não tem a mesma atitude; quanto à protecção aos desempregados as medidas têm sido a conta gotas, e é depois de muito serem reclamadas, mas continuam a ser insuficientes, dado que há muitos beneficiários sem protecção.

A CGTP-IN reafirma que não é aceitável que as empresas sejam financiadas pelo regime previdencial da Segurança Social, e está a por em risco o principal instrumento de solidariedade dos trabalhadores.

DIF/CGTP

Lisboa, 15.12.2009"

Em suma, outras questões serão certamente alvo de discussão no seio da organização. Assim mesmo, enumerar as diversas questões que segundo a experiência de cada um possa suscitar determinado discurso, sem dúvida, será sempre a melhor forma de as diluir posteriormente. A mensagem, como todos sabemos, fácilmente se tergiversa quando para tal existe disposição, afinal existirão sempre distintas formas de a interpretar, sendo essa a verdadeira ameaça. Outra coisa seria constituir-nos senhores da realidade de todos. Lutar é também expôr-se, sem escolher a quem, mas sabendo porquê "mojarse", como por aqui se diz.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

A lenta evolução de Chavez.

Noticia num jornal do qual não vale a pena referir o nome:

"A «ilusão Obama» terminou com o «intervencionismo descarado» dos Estados Unidos na América Latina, afirmou neste domingo o presidente venezuelano, Hugo Chávez, em referência às «ameaças« à Venezuela a partir da Colômbia e à «ditadura made in USA» de Honduras.

«Não se deve ter enganos, acabou-se a ilusão Obama», afirmou. «Vejam a ameaça imperial contra a Venezuela a partir da Colômbia: a Colômbia irmã transformou-se em Israel da América do Sul», afirma Chávez, ao comentar o acordo militar que permitirá que tropas americanas operem de maneira controlada em pelo menos sete bases colombianas.

Na sua coluna semanal na imprensa «Las líneas de Chávez», o presidente venezuelano afirma que «2010 não será um ano fácil: os agentes da reacção internacional preparam o roteiro para reverter o processo emancipador que vive nossa América». «A reacção, nos nossos países, conta agora com um modelo de golpe de Estado para o século XXI: golpes com fachada legal que levam o selo made in USA», acrescentou."

Chavez, como se proclama, é "Socialista, revolucionário". Atendendo à sua condição revolucionária, permito-me corrigir a sua consideração sobre o papel da Colômbia, não aceitando a mesma como o "Israel da américa latina", mas, antes a Palestina ocupada da américa latina.
Assim assumida, Chavez poderia encontrar nas gentes de dito país uma força que combate a hegemonia do império e, ajudando o povo que a constitui, evitar os golpes que os yanques lhe propinam. A solução seria apoiar as FARC!

A revolução é hoje!

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Natal

Nem Marcos, no primeiro evangelho, se referia à infância de Cristo!

Nem mais.
Porque razão começa o ano no dia 1 de Janeiro, quando, supostamente, o "senhor" nasceu no dia 25 de Dezembro?
Não era esta a data atribuída pelos romanos para o solstício de inverno, para o "renascer" do Sol?
Não é verdade que no antigo oriente não se recordavam as datas de nascimento?
Não defendem os evangelistas que a gruta na qual nasceu o "senhor" era um templo de Adónis, posteriormente anexado pela igreja católica?
Não é verdade que existe um "Da pasha computus" de 243, no qual se determina o dia 28 de Março como data do nascimento?
Não é verdade que depois de "Origens" (245), no qual se renunciava a festejar dito acontecimento como se de um rei se tratasse, e aceitando que o catolicismo "tinha pernas para andar", os discipulos de Basílides decidiram fixar a data de 6 de Janeiro como correcta?
Não era esta a data da epifânia (aparição) de Osíris, ou de Dionísio, seu correspondente para os Gregos, sendo objectivo da seita gnóstica semi-cristã de ditos discípulos perpetuar a devoção aos seus deuses, assumindo que o cristianismo crescia e que, não podendo com esta melhor seria ir à montanha?
No era Dionísio que, ao renascer, fazia manar vinho da ilha de Andros, ou Osíris, que ao aparecer no Nilo transformava as suas aguas em Vinho?
Não era esta a data na qual o sol abandonava a constelação de Virgo?
Não era esta a data na qual, na Alexandria, a Virgem dava à luz o seu filho Aião, eterno homólogo de Osíris e Dionísio?
Não era nesta data, também na Alexandria, que os fiéis terminavam as suas preces e desciam à cripta para retirar uma estátua de uma criança que tinha como marcas na testa, nas mãos e nos joelhos, uma cruz e uma estrela de ouro?
Não consagrou Alexandre Magno, em 331, Alexandria a Aião, em ordem a preservar a eternidade da cidade?
Já em 170, não foi Melitão de Sardes que comparou Cristo com Hélios?
Não se defendia anteriormente que o Sol, criador de toda a vida, que havia subido ao céu, se banhava com as estrelas e a lua, nas aguas do oceano?
Não é verdade que no século IV, em todo o oriente cristão, se celebrava já o dia 6 de Janeiro?
Não é verdade que o papa Siricio, desde a cadeira de Pedro e depois de decidir oficialmente que as festas cristãs eram a páscoa e a epifânia, decide também, em 387, que o dia 6 passava a significar a "Natividade"?
Não denominam os Antropólogos como "Sincretismo" um fenómeno deste tipo?

Mas como se passou essa celebração a dia 25?
Não era "Mitra" o deus do sol na cultura Persa?
Não era "Mitra", também, o deus do Sol na cultura Indiana?
Ainda que o "Mitraismo" remonte aos séculos VII e VI, não é verdade que conheceu um importante impulso durante o século II pelos mesmos romanos que mantinham legiões na India?
Não compartiam, o Mitraismo e o Cristianismo, elementos comuns como a "redenção", a "salvação das almas" e que, ambas religiões, pugnaram no século II por se constituirem como religiões dominantes num império que deixava de ser politeísta?
Não era depois das saturnálias romanas que os "Mitraistas" celebravam o renascimento de "Mitra", 25 de Dezembro?
Não continuavam os Povos bárbaros (não romanizados) a celebrar o solstício no dia 25 de Dezembro?
Não era Malaquías que escrevia na biblia que o Messias era o "Sol da justiça"?
Não era a 25 de Dezembro que os romanos festejavam o "Sol invicto", dirigindo-se a um santuário para sacar à luz a figura de uma criança recêm-nascida?
Não é verdade que o solstício dura 12 noites, de 25 de Dezembro a 6 de Janeiro?
Não é durante este período que os "reinos" dos mortos e dos vivos se comunicam, segundo as culturas céltica, germana, índica ou romana?
Não era este período, também, segundo as mesmas culturas, período no qual se celebrava o renascimento do sol por este não haver perecido ao frio inverno?
Não é verdade que o rito de celebração desse acontecimento se identifica bastante com o actual rito cristão, velas, etc?
Não foi gregório I que ordenou a agostinho de cantorbery e a melitus, destruir as figuras dos templos pagãos e paradoxalmente, proteger ditos templos, ou consagrar a agua que os pagãos traziam, promovendo a mentira do quão bom era cristo e quão equivocado estava o Povo?
Não era essa uma forma de evitar sacrificar os "prazeres exteriores" e facilitar simultâneamente a "assimilação de outros gozos espirituais"?
Não foi entre 395 e 423, com Honório, no ocidente, que se começou por celebrar a 25 de Dezembro, e oficialmente, o natal como festa religiosa, reservando a epifânia (até 440) à chegada dos reis magos?
Não foi o papa leão magno que começou a revisão da doctrina anterior, celebrando o dia dos "Magos" a 6 de Janeiro, comemorando ao mesmo tempo, em Milão, ambrósio, no mesmo dia, o baptizado de cristo?
Não foi no século V que a epifânia passou a considerar-se a festa dos 3 milagres: O baptismo do Jordão; a adoração dos "Magos" e a transformação da agua em vinho?
Não é verdade que com o "Concílio de Agde", em 506, se decidiu finalmente a sua imposição, levada a cabo por justiniano em 529?
Não tinha referido mateu, na biblia, um número indeterminado de sábios que se aproximavam a Belém guiados por uma misteriosa estrela (que não a que brilhava na estátua anteriormente mencionada)?
Não é verdade que "Magi" é uma palavra indoeuropeia que permite uma alusão aos sacerdotes persas que mantinham o culto em Jerusalém e gozavam de enorme influência na zona?
Não é verdade que, da mesma forma que em lucas, Mitra, "nascido" a 25 de Dezembro, tinha sido alvo de adoração de pastores e que estes também lhe haviam realizado oferendas?
Não é verdade que hoje se celebra o nascimento físico de jesús a 25 de Dezembro e o espiritual a 6 de Janeiro, mediando 12 apóstoles... Dias, entre ambas datas?


Feliz Natal e não se esqueçam de tomar abrigo, ao contrário daqueles pastores que em Dezembro pastavam os seus rebanhos dormindo ao relento!

A revolução é hoje!

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Em solidariedade

"CAMARADAS E AMIGOS


HOJE DIA 21 DE DEZEMBRO DE 2009 A PJ ENTROU NA MINHA CASA COM UM MANDATO PARA REVISTAR TODA A MINHA CASA E APREENDER TODOS OS MEUS COMPUTADORES, COMO SE EU FOSSE UM CRIMINOSO PEDÓFILO OU LADRÃO DE BENS PÚBLICOS COMO OS QUE ME ACUSAM O SÃO OU PELO MENOS ESTÃO DE CONLUIO COM ESSES.


ESTOU A SER VÍTIMA DE DELITO DE OPINIÃO SOB CAPA DE TER CHAMADO NAZI À EX-GOVERNADORA DE SETÚBAL


O PS COMPROVA DESTA FORMA SER UM PARTIDO DE ÍNDOLE PERSECUTÓRIA QUE PERSEGUE QUEM O CRITICA E USA OS INSTRUMENTOS DO ESTADO COMO O MINISTÉRIO PÚBLICO À LAIA DE VINGANÇA, VIA QUEM QUER QUE SEJA, NESTE CASO A EX-GOVERNADORA DE SETÚBAL, PARA CALAR QUEM DISCORDE DA SUA POLITICA E POLÍTICOS.


ESTOU CONSTITUÍDO ARGUIDO PARA TODOS OS EFEITOS DE DELITO DE OPINIÃO.


AINDA FUI INFORMADO DE QUE TENHO O MEU TELEFONE SOB ESCUTA COM AUTORIZAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO.


EM BREVE SEGURAMENTE SEREI UM PRESO POLÍTICO COM CAPA DE QUALQUER COISA.


SALAZAR AO PÉS DESTES SENHORES ERA UM MENINO.


AGRADEÇO QUE ESPALHEM E EXPONHAM AO MÁXIMO ESTA SITUAÇÃO


DENUNCIEM-NA, ELA FAZ PROVA DE QUE O PS É UM PARTIDO FASCISTA E REPRESSOR


ABRAÇO
--
Luís Lopes"

sexta-feira, dezembro 18, 2009

Aumento??

Segundo entendo no vídeo que se publica na página da CGTP-IN, aqui, a questão relativa ao aumento do ordenado mínimo parece ter sido aceite de bom grado, mas, ao mesmo tempo, parece legitimar a retirada de direitos aos trabalhadores, enquanto mostra uma excessiva preocupação com o impacto contabilistico que a redução contributiva a cargo do empresário pode supôr.

Nesse sentido, e assumindo que essa precupação advém do conhecimento das prácticas habituais dos governos pós-1975, transmite contudo certa resignação ao instituido e assim promovendo o imobilismo no qual se arrastam os Portugueses à demasiado tempo.

Outro aspecto essencial é o relacionado com o premiar da aposta pelos baixos salários pagos tradicionalmente pelos empresários e a reiteração aos mesmos da correcção dos seus critérios em sintonia com a política de direita que cada vez mais atira os trabalhadores para a uma posição similar à pretérita condição de escravos, sem aferir a base das suas imposições, ou seja, uma economia caduca.

Analizando ambas matérias, sabendo o quão se relacionam, penso que: Em primeiro lugar, se o governo pretende custear a dinamização do consumo interno com o incremento do espólio dos parcos e cada vez menores beneficios sociais alcançados pelos trabalhadores, é uma questão que não pode sequer ser apontada como passivel de aceitar. Como tal, num universo de possiveis repercussões, esta deve ser colocada no esfera da futurologia, mostrando-nos seguros da nossa capacidade de no futuro impedir tais manobras e, não assumindo como bom um aumento de 25€ num momento no qual se mostra imprescindivel aumentar realmente a capacidade de consumo interno da população.

Sindicalizado, sou porém, e fundamentalmente, um trabalhador, e, encontro certamente um factor de inflexão a defesa da amplitude do critério de diminuição da tributação por parte do empresário para salários mais elevados. Sendo que, no caso dos ordenados superiores a 1500€, estimo vital conservar um crescimento paralelo ao IPC, eliminando a possibilidade da empresa de usufruir de qualquer desconto tributário. Medida que assim mesmo compensaria o patronato pelo aumento minimo da tributação sobre um aumento bastante mais substancial do salário minimo, facilitando o ansiado aumento do consumo, se levarmos em atenção que é nessa linha retributiva que se sitúa a grande maioria do Povo Português.

Não obstante, não quero deixar de salientar que, se o objectivo é chegar 2013 com um ordenado minimo de 600€, já por sí nivelado por baixo se atendermos à obrigada convergência com o quadro sócio económico Europeu, para não mencionarmos o impacto que esta limitação pode supôr na eterna opção de emigrar dos nossos conterrâneos e em tudo o que essa necessidade significa para a sua qualidade de vida, assim como na competência e modernização do tecido productivo nacional e o fraco estimulo gerado no que respeita às exigencias de adequação a uma realidade global e que por tal mais competitiva, a obrigatoriedade de em 2011 mostrar argumentos e capacidade para aplicar um aumento de 50€ (11,1%), sobre 450€, torna-se pouco crível. Menos viável será, quando em 2012 se deve repetir um aumento tão inusitado no nosso país, (10,%), para que, em 2013 se volte a verificar outro aumento de 9%.

Plenamente de acordo com a necessidade de aumento salarial, não propriamente por hedonismo senão por necessidade, por aqueles que empobrecem trabalhando; que passam fome vendendo a vida, e sem sequer propôr como meta um ordenado que deveria situarse em 900€ nessa data, acredito que é na depressão, na estagnação, que se devem desenvolver todos os esforços para aproveitamento das sinergias resultantes das várias alterações para ultrapassar dificuldades concretas do momento, e que, essas sim, no futuro, derivarão na melhoria das condições de vida de Portugal e dos Portugueses, sugerindo assim que o aumento básico para 2010 seja de 60€.

Concluindo, não se trata de uma solução a crédito, estilo Kautsky ou Bernstein, trata-se de uma solução concreta para um problema concreto, visando tornar mais robusta a imprescindível capacidade de introspecção dos trabalhadores, da juventude, do papel do nosso país no panorama mundial e, como intenção primeira, resgatar a soberania nos mais diversos aspectos.
Não pretendo no entanto deixar de recordar o continuo esforço da CGTP-IN em defender, desde a criação do salário minimo em 1974, durante o desconhecido período do tergiversado pelos meios do capital mas não por tal menos emancipador de todos que aqueles que diariamente permutam a sua força pelo pão, PREC, o aumento do valor de dita garantia com ajuste aos valores do IPC, luta que significaria hoje, que, a esses 425€ e de forma justa, se lhe somassem 87€ mais.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Adriano

Quem poderá domar os cavalos do vento
Quem poderá domar este tropel
Do pensamento à flor da pele?

Quem poderá calar a voz do sino triste
Que diz por dentro do que não se diz
A fúria em riste do meu país?

Quem poderá proibir estas letras de chuva
Que gota a gota escrevem nas vidraças
Pátria viúva a dor que passas?
Pátria viúva a dor que passas?

Quem poderá prender os dedos farpas
Que dentro da canção fazem das brisas
As armas harpas que são precisas?
As armas harpas que são precisas?

segunda-feira, dezembro 14, 2009

O baile do mês



E cá no burgo, não seria importante caracterizar os fachos para acompanhar o mafioso Italiano nesta coreografia?


A revolução é hoje!

sábado, dezembro 12, 2009

Descanso

Cirurgião plástico da terra, paisagem
-Internacional é chique! a crédito...
Soberania, e coragem?
Transnacional o mérito, e o rédito!
La récolte, deserta pastagem.

Domador de medos, Doctor em história pelo suão
Transporta para terra segredos, dança com redes de arrastão
Piratas, corsários, violadores: -Peixe fresco, nacional!
Arribam ao porto actores, voltam de Portugal!

Nem das vacas tens já tetas,
nem nos campos oliveiras
Poder vazio de ascetas.
Lusos, de pastores
Freiras!

Mendigo de tradição
Dorido, combalido, sem estridencias, sem gemido
Perdido, nepote sem mão.
Sem procurar olhar de frente,
Escutar, lutar, ombro a ombro,
Irmão!


A revolução é hoje!

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Ensaio

Tenho a impressão de não ser real,
se calhar nem sequer cá existo
Ao ver quão volátil,
É o valor de tudo isto.

Não passa de uma massa animada,
que se levanta com o sol e se deita sozinha
Que nasce livre e acompanhada, que morre triste, cansada,
Sem história para uma linha.

A quantidade de vidas entregues a qualquer postor,
sem o mais minimo atisbo de rancor
Com medo de sonhar, destruidos pela tv,
sem esperança de mudar, quem tem fome não lê.

Filhos de pais, filhos da mãe,
também os há filhos da puta,
mas contra estes nada feito,
nasçam homens para a luta!

-Não vales uma pá de areia!
-Areia há muita, pá!

E segue, continua a negação
Um caminho sem volta
Um resultado indiferente
Sem objectivo marcado
Sem direito à afirmação
Será chuva, será gente?

Golos, atentados
Alegria, tristeza
Pão encima,
debaixo da mesa
Uma vida incerta
Imposta certeza?


A revolução é hoje!

Ai Portugal, Portugal!



Uma escalada fascista. Essa, mesmo distante da concepção que nos ensinaram sobre a barbárie, é a realidade que experimenta a nossa civilização.
A multiplicidade de exemplos reais desse crescimento podem identificar-se facilmente no âmbito global, ainda que alguns povos demonstrem, como no passado noutras paragens, que é possivel desmembrar os tentáculos da base do imperalismo que cada vez mais promove a clivagem entre povos e entre vizinhos.
Justamente focalizando a proximidade de dito paradigma, dediquemo-nos a Portugal, este, no qual sobrevivem milhões à ganância de umas centenas.
Depois de uma temporada na diáspora, quando voltamos ao nosso país percebemos a actualidade, aquela que não podemos experimentar sentados lendo um jornal ou quando procuramos manter-nos informados através deste veículo manipulado que é a internet (à excepção de 3 ou 4 páginas), com alguma surpresa. Registamos rápidamente a involução à qual foi submetida a sociedade Portuguesa, que o futebol é de novo o astro rei – concluimos, quem sabe, que nunca o deixou de ser -, que as manobras do actual enterrador do nosso povo (herdeiro legitimo, e a prova é a sua vinculação com os interesses da SLN, de Mário Soares), o presidente cavaco, propagandeando a sua assistência a uma outra encomenda aceite pelo populista “la féria” que foi o ”jesus cristo superstar”, em conjunto com a visita papal, promove de novo fátima como elemento essencial na estratégia de conduzir o comportamento de um Povo dos mais amedrontados da Europa. Encontrando finalmente a afirmação do resultado das políticas de todos os governos depois do PREC no ressurgir daquela que é a bandeira do abandono aos caprichos de tudo, de todos, menos nossos, o Fado. O estilo mais vendido nas listas de vendas, as quais, definindo as classificações através de golpes de cheque, tem no Fado o mais solvente investidor.
Em Suma, cá estão de novo os 4 "F".
Mas existem outros aspectos comuns ao período de educação pela repressão do, bem comido pelos bichos, salazar.
Existem histórias de cidadãos oriundos do estrangeiro, que, hoje com 30 ou 35 anos, residindo no nosso seu Portugal desde os 1, 2, 3, 4 anos de idade, continuam a ver negada a sua nacionalidade por não serem jugadores de futebol brasileiros que depois de uns meses se tornam Portugueses apenas pelo interesse económico.

Existem indícios de corrupção bastante consistentes que deveriam haver sido suficientes como para, mais que demitir, mandar para a prisão 40% do elenco governativo desde há 33 anos.
A reforma da mãe do 1º ministro, mais de 1000€ para quem nunca trabalhou.
Os casos de compra de votos pelos candidatos do PSD.
A eleição sem motivos aparentes para adoptar decisões distintas da salvação de determinadas entidades financeiras em detrimento de outras.
A requalificação dos terrenos nos quais se construiu o Freeport.
A acumulação de responsabilidades em diferentes orgãos.
A assunção de cargos no privado por ministros que geriam a pasta na qual se incluia essa empresa.
A eliminação de provas antes do culminar de qualquer fase de instrução.
O apagamento de processos aos olhos da opinião pública e o seu posterior arquivo.
As inconstitucionais medidas adoptadas pelo governo, como a obrigatoriedade dos micro-chip ou o próprio código da escravatura.
O fecho de serviços médicos que derivaram em mortes por falta de assistência. Etc. Etc. Etc.

Mais grave, a venda do nosso País sem qualquer tipo de consulta à população, do futuro dos trabalhadores que numa das mais precárias condições transformam a vida em pão nesta Europa, aos desígnios dos share-holder globais, daqueles pelos quais se inventou um jogo chamado bolsa, onde se joga o valor que entregamos com a vida para que ditos porcos continuem a acumular, a fortalecer a sua capacidade para nos obrigarem a continuar entregando-nos.

Quando é que abrimos os olhos? Vamos esperar que ilegalizem a simbologia comunista, como na Polónia, para lutar na clandestinidade num conto vermelho de Soeiro?
Será dificil exigir que se considere o património de um governante, ou membro do aparelho de Estado, antes de assumir qualquer cargo e depois de o abandonar? Proibir a acumulação de reformas? Impedir o trabalho de qualquer elemento do governo em companhias privadas?

Ary dos Santos, acompanhados, vivos todos, éramos muitos, somos muitos, mas, só nós poderemos multiplicar a nossa força, de outra forma entregá-la-emos. Porque é que continuamos a entregar a vida? Necessitamos de outro "pai tirano" que nos conduza ao lado dos ratos até à revolução? Porque será que negamos a existência, a vontade, agarrar o futuro nas mãos?

A transformação da sociedade, segundo os objectivos do ideal fascista, já neste blogue foi por diversas vezes denunciada. A demagogia com a qual operam os esbirros do capital, foi, e será, sempre, uma preocupação. Os aspectos que hoje se identificam comuns aos vivídos em 1929, estão aí, à vista! Os perigos também!



A revolução é hoje!

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Na apresentação do Livro II de O Capital-Um manancial de aspectos a reter

O presente texto é um extracto (cujo aparato crítico foi simplificado e que será publicado na íntegra juntamente com textos de outros autores) da intervenção do autor num debate na Festa do «Avante!»
(em que participaram também os camaradas Sérgio Ribeiro e Francisco Melo) subordinado ao tema «O Capital revisitado», a propósito do lançamento pelas Edições «Avante!» da tradução portuguesa do Livro II de O Capital, Karl Marx.


Não me cabe, nesta apresentação, ensaiar sequer um resumo do Livro segundo de O Capital.
Desde logo, porque a sabença económica requerida para o efeito me falece, e, ademais, porque não se trata, em caso algum, de substituir a leitura e o estudo da obra (que importa incentivar) por um tosco e mal amanhado digesto, isto é, por um sucedâneo apressadamente digerido, em perigoso movimento acelerado para a contrafacção.
A chamada «alta divulgação» – sem dúvida, necessária e útil – é, na realidade, outra coisa, e reclama predicados e competências que de boa mente reconheço não reunir. É por isso que a divisão do trabalho – nestas, como em outras matérias – representa uma dimensão incontornável de um labor colectivo que importa empreender, e organizar.
Engels, na sequência aliás de receios que o próprio Marx não deixara de partilhar(1) , temia – como, não raro, avisadamente – que «o volume segundo [de O Capital] vai suscitar grande desilusão, por ser tão puramente científico e não conter muito de agitatório.»(2) .
Em termos de desassombrado balanço comparativo – designadamente, se os livros primeiro e terceiro representarem a baliza de referência utilizada –, este ajuizamento de Engels é justificado, e podemos afirmar sem exagero que está, em larga medida, correcto.
Com efeito, os processos à matéria pertinentes são minuciosamente desconstruídos e dissecados nos seus elementos, na sua envolvência, no seu movimento; as teorias da economia política burguesa (os fisiocratas, Adam Smith, David Ricardo, notórios representantes vários do «economismo vulgar», etc.) que os procuram «explicar» são aturadamente expostas, discutidas, reveladas nas abscônditas contradições de que se alimentam e nos reais desígnios (nem sempre confessados) que se propõem consolidar; recorre-se, amiúde, a fórmulas abstractas e a expressões matematizadas para ilustração exemplificativa dos casos e das dinâmicas em apreço.
Não obstante, este Livro segundo – que, como já referi, tem por objecto o processo de circulação do capital –, a par do seu núcleo central e estruturante, encontra-se igualmente recheado de observações, e de toda uma inflexão na maneira de dirigir o olhar, que certamente contribuem para uma frutuosa «agitação» dos espíritos que pretendam compreender as realidades e empreender praticamente a sua transformação.
Ainda que telegraficamente, e de modo desgarrado, limito-me – por amostragem quase-aleatória, se é que não por inabilidade em melhor organizar o discurso – a chamar a atenção para uma meia dúzia de aspectos que vão conhecendo aclaramento à margem, ou ao longo, deste escrito.
Deve tomar-se, portanto, este abreviado elenco apenas ao jeito de um aperitivo (seco) para a curiosidade...
Assim, do ponto de vista metodológico – pensado sempre em termos materialistas e dialécticos –, Marx continua a seguir, tal como no conjunto dos seus trabalhos, a boa lição de Hegel(3) , segundo a qual um resultado não pode ser considerado, na sua concreção, «sem a mediação do processo de que ele é resultado»(4) .
Significa isto – particularmente, quando aquilo que está a ser objecto de exame é, como no caso vertente, a esfera da circulação do capital — que – num círculo constantemente em rotação, cada ponto é, simultaneamente, ponto de partida e ponto do regresso.»(5) .
Pelo que, uma vez mais, o ponto de vista reitor da economia política burguesa – que, em geral, se limita a encarar na sua imediatez «aquilo que aparece»(6) , sem atender à dinâmica material concreta que sustenta os próprios fenómenos na sua determinação e transitividade – acaba também por revelar, e por ver criticamente expostas, ao correr da pena, as suas debilidades intrínsecas e estruturantes.
No que diz respeito ao conteúdo operacional de muitas das categorias utilizadas na análise dos processos do capital, deparamos igualmente neste Livro segundo com aclaramentos e precisões do maior alcance.
Para além da distinção entre «reprodução simples» e «reprodução alargada», a que no início desta intervenção já aludi, poderíamos, por exemplo, ter em conta a noção de «taxa real da mais-valia» – indicador que expressa o «grau de exploração do trabalho»(7) –, e, sobremaneira, a necessidade de não confundir, nem conceptual nem funcionalmente, as categorias de «capital fixo» e de «capital circulante» com as categorias, só numa aparência enganosa equivalentes, de «capital constante» e de «capital variável»(8) .
Com efeito, o «capital fixo» (instalações, máquinas, ferramentas) transfere fraccionadamente o seu valor para o produto ao longo de diferentes períodos de produção, enquanto o «capital circulante» (matérias primas, semi-fabricados, combustíveis, força de trabalho) é inteiramente despendido em cada período de produção.
Por sua vez – e consideradas as relações sob um outro ângulo –, o «capital constante» corresponde aos meios de produção envolvidos na actividade produtiva, enquanto o «capital variável» representa aquele que é empregue na aquisição da força de trabalho.
Se é certo que, em rigor, o «capital fixo» não compreende senão «capital constante», a esperada analogia simétrica não colhe, todavia, num quadro de aplicação ao «capital circulante», uma vez que este último, além da força de trabalho (que o «capital variável» compra), inclui também elementos de «capital constante».
Não estamos, na verdade, nem perante meros floreados conceptuais de adorno ocasional do discurso, nem perante subtilidades escolásticas reaquecidas próprias de mentes sinuosas em demanda de um halo de «profundidade» e de sofisticação para as suas cogitações – destinados, em qualquer caso, todos, tão-só, a complicar rebuscadamente aquilo que afinal seria simples.
Estamos a lidar, sim, e muito pelo contrário, com categorias que – reflectindo adequadamente na consciência (em registo abstracto) processos que em concreto na realidade se dão(9) – nos habilitam a penetrar em toda uma teia complexa de relações que a aparente simplicidade, de uma forma nem sempre inocente, esconde ou mascara.
Este ponto – que, em regra, a economia política burguesa tende a negligenciar ou a obscurecer – revela-se, portanto, e deste modo, como crucial para se poder perceber, designadamente, o processo real de criação da mais-valia.
Por outro lado, este Livro segundo fornece-nos ainda amplos e fecundos materiais para uma apoiada reflexão sobre alguns outros aspectos que – visto constituírem traços decorrentes da própria «lógica» que rege a instauração e o desdobramento do próprio modo de produção capitalista – continuam hoje em dia, modificadamente (este ponto é crucial em qualquer exame), a manifestar-se com exuberância na nossa contemporaneidade.
Recordemos, em jeito de ilustração rápida (porventura, apenas impressionista), alguns tópicos em torno, por exemplo, da «mundialização», da «mercadorização», e da «financeirização».
O importante tema da mundialização tendencial da economia capitalista(10) – que se articula, de modo decisivo, com os acelerados progressos das tecnologias de transporte e de comunicação(11) , jà à época em curso (e de cujo alcance sistémico e implicações Marx, em antecipação, se apercebe) – é recorrente.
Não faltam, inclusivamente, argutas observações quanto às alterações introduzidas por novos mecanismos de segmentação no fabrico dos próprios produtos, como a de que, no quadro produtivo transformado e em regime de mercado mundial, «o artigo é importado, aos pedaços, de diversos países e em prazos de tempo diversos.»(12) .
Por outro lado, e em termos de genérica matriz reitora, a mercadorização crescente da economia – isto é, o esforço concertado para, num movimento combinado de extensão (geográfica e qualitativa) dos mercados, converter em «mercadoria» qualquer produto social(13) , com o consequente alargamento (quantitativo e intensivo) da base potencial de extracção da mais-valia sob a forma de lucro, e a correlativa transformação tendencial de todo o trabalho em trabalho assalariado(14) – surge-nos igualmente posta em evidência.
Com efeito, no âmbito desta formação económica e social – elevando-se do seu cerne, e desenhando-lhe um dos seus cunhos –, «a produção de mercadorias» acaba (e começa) por assomar como «a forma universal da produção capitalista»(15) .
Por sua vez, a financeirização da economia – a par, e para além, das dimensões específicas que derivam do desenvolvimento dos sistemas de crédito(16) (historicamente relevante, que mais não seja, pelas variadas alavancagens que permite) – é também objecto de penetrante chamada de atenção, onde, desde logo, se não esquece o sublinhado de algumas das suas correlativas implicações sistémicas.
Se o objectivo genérico, e «o motivo impulsionador», da actividade capitalista – no fundo, a sua teleologia propriamente dita – é, sem rodeios metafísicos mais sofisticados, «o fazer dinheiro», não pode causar particular admiração que este afã principial, «competentemente» prosseguido, acabe por conduzir a uma subalternização relativa dos sectores realmente produtivos, e a uma soltura cíclica da espiral especulativa (acompanhada e «corrigida» pelas suas conhecidas «crises», de extensão e profundidade variadas).
Enquadrado por estas luminosas perspectivas (cuja latência permanece intocada), e encarado pelo ângulo do móbil que anima aqueles que delas se encarregam de extrair o melhor provento (leia-se: proveito), «o processo de produção aparece apenas», então, «como inevitável elo intermédio, como mal necessário para efeitos do fazer dinheiro. Todas as nações do modo capitalista de produção são, portanto, periodicamente atingidas por uma vertigem [Schwindel, que pode significar também em alemão (e na realidade de qualquer idioma): embuste, logro, aldrabice] em que querem consumar o fazer dinheiro sem a mediação do processo de produção.»(17) ...
E podíamos prosseguir ainda, sem nos afastarmos minimamente do texto, com o alinhamento nutrido de muitas outras observações interessantes e esclarecedoras.
Por exemplo, sobre o negócio bolsista das sociedades por acções – em que «cada um sabe o que lá põe, mas não o que de lá retira»(18) –, ou sobre a especulação imobiliária urbana, em contextos mormente em que o «ganho principal» advém, não da exploração da actividade construtiva propriamente dita, mas antes da manipulação «hábil» do preço dos terrenos e da política dos solos(19) .
É curioso referir ademais um outro tópico.
Trata-se de um ponto que a propaganda burguesa (algo amachucada agora, é certo, à vista de estrondosos acontecimentos mais recentes pelas paragens da alta finança) em torno do criterioso «rigor» capitalista – contra o apregoado regabofe das contas públicas no satânico socialismo da planificação «colectivista» (e, portanto, sem apelo, liminarmente decretado «irresponsável») – com usitada frequência esquece, desfigura, e oculta, para efeitos que me abstenho, por higiene mental, de qualificar.
Com efeito, muito boa (e selecta) gente ignora (ou faz por ignorar) que o próprio Marx – reconhecendo não obstante a evidência palmar de que a «contabilidade», por ela mesma apenas, «não altera naturalmente nada à conexão real das coisas que contabiliza»(20) – insiste todavia, e por diversas vezes, no papel crítico indispensável de que uma apropriada auditação constitutivamente tem que se revestir, desde logo, em termos de, e com vista a, um adequado assenhoreamento social (no limite: comunitário, e comunista) do andamento e da gestão da economia.
Como expressamente se refere, de resto, no texto que vimos apresentando:
«A contabilidade, como controlo e compêndio ideial do processo [produtivo], devém tanto mais necessária quanto mais o processo decorre a escala social e perde o carácter meramente individual; portanto, [torna-se] mais necessária na produção capitalista do que na exploração dispersa do artesanato e dos camponeses, mais necessária na produção comunitária do que na [produção] capitalista.»(21) .
A terminar esta secção, assinalemos ainda um outro aspecto – que, em rigor, só se torna ridículo na exacta medida daquela deslumbrada pompa «teorética», de verdadeiro achado perolífero, com que surge debitada e nos costuma ser servida.
Trata-se agora da impiedosa desmontagem a que Marx procede no que diz respeito à peregrina e mistificatória tese – popular entre certa apologética capitalista mais reverente e despachada –, segundo a qual, no fundo, o operário também tem que ser considerado um capitalista, na medida em que também ele vai ao «mercado» vender a sua «mercadoria», a sua força de trabalho, isto é, na realidade, vai ao mercado vender-se «ele próprio» para com o «rendimento» que dessa transacção aufere poder adquirir meios de vida que lhe permitam a subsistência (e a reprodução de força de trabalho a ser de novo vendida, comprada, e explorada)(22) ...
Quando a cavalaria impante toma o freio nos dentes e carrega à desfilada por esta encosta presumida e convenientemente «argumentativa» – que, no limite, até acaba por ir desembocar no pântano da fascinante e embevecida conclusão de que também o escravo é afinal um capitalista (como o próprio Marx, nesta passagem, não deixa de pôr em relevo(23) ) –, prescinde-se de algumas cautelas (não apenas teóricas, mas emergentes da própria imposição das realidades) que facilmente aceleram e precipitam derrapagens e desastres vários.
Com efeito, encarando os processos na sua dinâmica e concreção, é impossível não esquecer que, num marco de relações burguesas de produção, o capital variável só desempenha funções de capital na mão do capitalista que o emprega no exercício dessa sua qualidade; na mão do «assalariado», o dinheiro que lhe corresponde é apenas rédito ou «rendimento», o «equivalente» recebido «por força de trabalho vendida». Na posse de um e na posse de outro, o mesmo dinheiro assume, por conseguinte, uma aplicação útil ou uma «utilização» totalmente diferente.
Há, de facto, «confusões» – como esta entre «força de trabalho» (a «fortuna» do operário, que ele renovadamente é obrigado a vender) e «capital» (que a compra para dela extrair mais-valia) – de que sinuosamente alguns espíritos «espertos» (repetindo, nos seus panegíricos, a recitação coreografada de cartilhas afinal bem gastas) persistem em querer tirar proveito ideológico. Já no que diz respeito, porém, ao «abichamento»(24) dos lucros resultantes da exploração do trabalho alheio, em contrapartida, e para geral aconchego das suas bolsas e consciências, eles revelam-se, em geral, bem mais vigilantes e cuidadosos, menos propensos a «enganar-se» ...
Nesta oportunidade, vale a pena recordar em desabafo – porque é flagrante a sua pertinência de contexto – uma exclamação que Marx não se inibe de soltar, ainda que a propósito de mais um outro destempero dos «economistas vulgares»:
«Voilà le crétinisme bourgeois dans toute sa béatitude!»(25) – «Eis o cretinismo burguês em toda a sua beatitude!».

Notas

(1) Com efeito, no entender do próprio Marx, o Livro segundo de O Capital, pelo rumo que a sua redacção estava a tomar, apresentava-se, em virtude da própria natureza das matérias tratadas e dos meandros que importava esclarecer, como «em grande parte demasiado teorético». Cf. MARX, Brief an Engels, 14. November 1868; MEW, vol. 32, p. 204.
(2) ENGELS, Brief an Friedrich Adolph Sorge, 3. Juni 1885; MEW, vol. 36, p. 324.
(3) Não é o momento aqui de aprofundar este tema. No entanto, é conveniente nunca perder de vista uma conhecida observação – talvez, para alguns, perturbadora – que Lénine, no decorrer da sua leitura da Ciência da Lógica de Hegel, anota num dos seus aforismos dos Cadernos Filosóficos:
«Não é possível compreender plenamente o “Capital” de Marx e particularmente o seu I capítulo sem ter estudado a fundo e sem ter compreendido toda a Lógica de Hegel. Por conseguinte, meio século depois nenhum marxista compreendeu Marx !!», Vladimir Ilitch LÉNINE, Conspecto do livro de Hegel “Ciência da Lógica” (1914); Obras Escolhidas em Seis Tomos, ed. José Barata-Moura, Francisco Melo, e José Oliveira (doravante: OE6), Lisboa - Moscovo, Edições «Avante!» - Edições Progresso, 1989, vol. 6, p. 164.
(4) MARX, Das Kapital II, I, 1, III; MEGA2, vol. II/13, p. 46.
Também, designadamente, na Ciência da Lógica, Hegel havia observado que «no resultado está essencialmente contido aquilo de que ele resulta» , Georg Wilhelm Friedrich HEGEL, Wissenschaft der Logik (1812), Einleitung, Allgemeiner Begriff der Logik; Theorie Werkausgabe, red. Eva Moldenhauer e Karl Markus Michel, Frankfurt am Main, Suhrkamp Verlag, 1969, vol. 5, p. 49.
(5) MARX, Das Kapital II, I, 4; MEGA2, vol. II/13, p. 93.
(6) Cf. MARX, Das Kapital II, I, 5; MEGA2, vol. II/13, p. 116.
(7) Cf. MARX, Das Kapital II, II, 16, I; MEGA2, vol. II/13, p. 281.
(8) Marx considera que esta «confusão» de categorias corresponde a um «erro fundamental» em que a generalidade dos economistas burgueses com frequência incorre. Cf. MARX, Das Kapital II, II, 8, I; MEGA2, vol. II/13, p. 148.
(9) Sobre a necessidade de estabelecer e de desenvolver, com correcção, tanto de um ponto de vista epistemológico como de um ponto de vista ontológico, a dialéctica do «abstracto» e do «concreto», veja-se, por exemplo: MARX, Ökonomische Manuskripte 1857/58, Einleitung zu den “Grundrissen der Kritik der politischen Ökonomie”, I, 3; MEGA2, vol. II/1.1, p. 36.
(10) A ideia, nos seus traços genéricos, encontra-se esboçada já, pelo menos, desde 1848, quando se assinala que, ao forçar todas as nações do globo a adoptar, sob pena de naufrágio económico, o modo de produção capitalista (e os padrões civilizacionais que lhe correspondem), a burguesia «cria-se um mundo à sua própria imagem» – MARX–ENGELS, Manifest der Kommunistischen Partei, I; MEW, vol. 4, p. 466.
Para Marx, com efeito, e de acordo com uma carta de 1858, «a tarefa propriamente dita da sociedade burguesa é a fabricação do mercado mundial (pelo menos, nos seus contornos) e de uma produção repousando na base dele.»
Porventura, mais importante ainda – por tudo aquilo que revela quanto à abordagem intrinsecamente dialéctica dos problemas – é a percepção, nesta mesma carta igualmente evidenciada, de que esta mundialização dos mercados pode afectar, em relação ao continente europeu, o ritmo previsível (se perspectivado, em exclusivo, no seu âmbito) da precipitação dos processos revolucionários:
«Não será ela [a revolução] neste pequeno canto [a Europa] necessariamente esmagada, uma vez que num terreno muito mais largo [a cena mundial dos mercados] o movimento da sociedade burguesa é ainda ascendente?» Cf. MARX, Brief an Engels, 8. Oktober 1858; MEW, vol. 29, p. 360.
(11) Cf. MARX, Das Kapital II, II, 14; MEGA2, vol. II/13, p. 233.
(12) MARX, Das Kapital II, I, 6, II, 1; MEGA2, vol. II/13, p. 132.
(13) Cf. MARX, Das Kapital II, III, 21, I, 1; MEGA2, vol. II/13, p. 460.
(14) Marx revela uma nítida consciência do vínculo estrutural e funcional que subsiste, num marco de «mundialização» crescente, entre estas dimensões da «mercadorização» e do assalariamento, pondo por isso em evidência a sua articulação.
A «produção capitalista desenvolvida» pressupõe a «dominação» de um regime assente no trabalho assalariado – que, inclusivamente, vai alastrando para esferas que, de entrada ou tradicionalmente, pareciam escapar-lhe (como, por exemplo, o campo das denominadas «profissões liberais» ou «independentes») –, o que acarreta, por outro lado (e com fundas implicações sistémicas), todo um incremento do «papel principal» que advém ao «capital-dinheiro».
Deste modo, e por conseguinte, «na medida em que o sistema de trabalho assalariado se desenvolve, todo o produto se transforma em mercadoria», MARX, Das Kapital II, III, 20, XII; MEGA2, vol. II/13, p. 444.
(15) Cf. MARX, Das Kapital II, III, 21, I, 1; MEGA2, vol. II/13, p. 460.
(16) Como Marx não deixa de assinalar, a economia assente no crédito corresponde ela própria à forma mais desenvolvida da economia baseada no dinheiro, que acaba por ser comum (num quadro todavia de especificidades que importa não perder de vista) às diferentes figuras da produção de mercadorias. Veja-se, por exemplo, quanto a este ponto: MARX, Das Kapital II, I, 4; MEGA2, vol. II/13, pp. 107-108.
(17) MARX, Das Kapital II, I, 1, IV; MEGA2, vol. II/13, p. 54.
(18) MARX, Das Kapital II, III, 20, VIII; MEGA2, vol. II/13, p. 403.
(19) Veja-se, por exemplo, aquilo que nos é documentadamente contado acerca das edificantes lições a retirar dos processos utilizados no negócio da edificação em Londres no século XIX. Cf. MARX, Das Kapital II, II, 12; MEGA2, vol. II/13, pp. 216-217.
(20) MARX, Das Kapital II, II, 8; MEGA2, vol. II/13, p. 163.
(21) MARX, Das Kapital II, I, 6, I, 2; MEGA2, vol. II/13, p. 124.
Sobre algumas das implicações da necessária atenção a estas matérias num modo comunista de organização da sociedade, veja-se, por exemplo: MARX, Das Kapital II, II, 16, III; MEGA2, vol II/13, pp. 291-292.
(22) Cf. MARX, Das Kapital II, III, 20, X; MEGA2, vol. II/13, p. 409.
(23) «Neste sentido,» – isto é, à luz da resplandecente concepção de que todo aquele que vende mercadoria (mesmo quando ela seja, afinal, e involuntariamente, ele próprio) é capitalista – «também o escravo devém capitalista, apesar de ele ser vendido como mercadoria de uma vez por todas por uma terceira pessoa; pois, a natureza desta mercadoria, [a natureza] do escravo de trabalho, implica que o seu comprador, não só a faz trabalhar [a essa mercadoria/escravo] cada dia de novo, como lhe dá também os meios de vida por intermédio dos quais ela pode sempre de novo voltar a trabalhar.» MARX, Das Kapital II, III, 20, X; MEGA2, vol. II/13, p. 409.
(24) Cf. MARX, Das Kapital II, III, 21, II; MEGA2, vol. II/13, p. 467.
(25) MARX, Das Kapital II, III, 20, XIII; MEGA2, vol. II/13, p. 454.

Escrito por José Barata-Moura
01-Nov-2009


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