quarta-feira, abril 28, 2010

As Seis Características Fundamentais de um Partido Comunista

3ª - Ser um partido com uma vida democrática interna e uma única direcção central.

A democracia interna é particularmente rica em virtualidades nomeadamente: trabalho colectivo, direcção colectiva, congressos, assembleias, debates em todo o partido de questões fundamentais da orientação e acção política, descentralização de responsabilidades e eleição dos órgãos de direcção central e de todas as organizações.

A aplicação destes princípios tem de corresponder à situação política e histórica em que o partido actua.

Nas condições de ilegalidade e repressão, a democracia é limitada por imperativo de defesa. Numa democracia burguesa, as apontadas virtualidades podem conhecer, e é desejável que conheçam, uma muito vasta e profunda aplicação.

4ª - Ser um partido simultaneamente internacionalista e defensor dos interesses do país respectivo.

Ao contrário do que em certa época foi defendido no movimento comunista, não existe contradição entre estes dois elementos da orientação e acção dos partidos comunistas.

Cada partido é solidário com os partidos, os trabalhadores e os povos de outros países. Mas é um defensor convicto dos interesses e direitos do seu próprio povo e país. A expressão “partido patriótico e internacionalista” tem plena actualidade neste findar do século XX. Pode, na atitude internacionalista, incluir-se, como valor, a luta no próprio país e, como valor para a luta no próprio país, a relação de solidariedade para com os trabalhadores e os povos de outros países.

5ª - Ser um partido que define, como seu objectivo, a construção de uma sociedade sem explorados nem exploradores, uma sociedade socialista.

Este objectivo tem também plena actualidade. Mas as experiências positivas e negativas da construção do socialismo numa série de países e as profundas mudanças na situação mundial, obrigam a uma análise crítica do passado e a uma redefinição da sociedade socialista como objectivo dos partidos comunistas.

6ª - Ser um partido portador de uma teoria revolucionária, o marxismo-leninismo, que não só torna possível explicar o mundo, como indica o caminho para transformá-lo.


Álvaro Cunhal
15 de Setembro de 2001

terça-feira, abril 27, 2010

sábado, abril 24, 2010

Duplicam os casos de trabalhadores Portugueses escravizados em Espanha

Constatado que está que a igualdade entre os estados membros da UE não passou de mera propaganda, em Espanha continuamos a verificar como os trabalhadores Portugueses, na sua maioria itinerantes, precários, constituem cada vez mais a mão-de-obra barata que necessita este País para atenuar as devastadoras consequências da conivência com os desígnios do imperialismo.
Fomentado o retorno de muitos emigrantes oriundos de países geográfica e culturalmente mais distantes que o nosso, recorrendo em alguns casos à mentira, mas, fundamentalmente, destinando medidas e verbas para incentivar economicamente esse regresso, ao mesmo tempo que tergiversavam através da mais demagógica manipulação informativa a realidade desses que serviram a estratégia da direita, que, quando no governo, apostou fortemente nos emigrantes como factor de contenção salarial, o actual ministro do trabalho e imigração do governo “Socialista” espanhol, Celestino Corbacho, veio há dias reforçar o discurso xenófobo no qual apostam os partidos nacionalistas, particularmente depois do aprofundar das dificuldades económicas que padece Espanha, proferindo em meios de comunicação como “Rádio Punto” afirmações como: “-Todos os emigrantes que queiram vir trabalhar a Espanha, que eliminem essa questão da sua agenda imediatamente.”
Assim, partidos como Convergencia i unió, que governou durante muitos anos a Catalunya, criticam agora os emigrantes portugueses que semanalmente viajam a Barcelona para trabalhar na construção do hospital de Reus, subcontratados para o “Ayuntamiento”, ou Município dessa localidade (como informa a agência EFE), aproveitando-se este da situação para a qual atiraram o país os sucessivos governos lusos da pseudo-alternância. Nessa linha, não sendo este um caso excepcional, também na Galiza, e por motivos diversos, a “CIG”, confederação intersindical galega, aponta o dedo às Câmaras, acusando-as de não contemplar outro aspecto que não a margem de benefício das empresas empreiteiras, enquanto estas integram nos seus quadros mais de 90% de mão-de-obra vinda de Portugal, tirando vantagem do baixo nível de exigência desses trabalhadores.
Em suma, mais que indícios que apontem no sentido da clivagem socioeconómica entre os 7 países europeus com poder decisão e os restantes que gradualmente parecem assumir a imposição da sua dependência, no caso específico de Portugal deparamo-nos de novo com situações que nos transportam ao obscurantismo de outros momentos da vida nacional, reflectindo o cariz neoliberal do governo de Sócrates e de outros, como o PSD ou o CDS, que, desaproveitados que foram os fundos de coesão para reestruturação da nossa infra-estrutura, sobretudo durante a governação de Cavaco Silva, permitem que nos encontremos, hoje, com noticias que provam a dimensão da tragédia pela qual atravessa actualmente o Povo português e que o obriga a abandonar o seu país. Como exemplo poderemos ler no “Noticias de Burgos”:
“Exploravam portugueses por 20€ ao mês e mantinham-nos enclausurados.
Seis cidadãos portugueses foram detidos na sequência de uma operação da “Guardia Civil”, nas comarcas de “Ribera del Duero” e “Esgueva”, contra a contratação de mão-de-obra irregular estrangeira para tarefas agrícolas. Em dois quartos de duas residências diferentes, propriedades desta banda, as autoridades concluíram que dormiam dezoito trabalhadores aos quais se lhes pagava com alimentação, vestuário, cama e, 20€ mensais, encontrando-se os mesmos desprovidos de documentação devido ao facto desta lhes ter sido retirada pelos agora detidos.”

Não sendo a única noticia que podemos ler sobre a dimensão das perversas políticas adoptadas em Portugal, ainda em Novembro também o DN publicava:
Rede de sequestradores foi identificada pela PJ, mas estão todos em Espanha e ainda ninguém foi detido.
Nove portugueses foram vítimas:
Aliciados por salários atractivos, são levados para Espanha para trabalharem nos campos agrícolas. Do lado de lá da fronteira começa o tormento. Os angariadores ficam com o dinheiro pago pelos empregadores, prendem as vítimas, retiram-lhes a documentação e impedem-nos de fugir. Uma destas redes acabou desmantelada pela PJ da Guarda, mas nenhum dos sete sequestrados será, a breve prazo, presente à justiça portuguesa. O líder da rede está preso em Espanha, à ordem de outro processo, e os outros elementos da rede estão apenas identificados. “No conjunto são nove vítimas que foram aliciadas a trabalhar em Espanha. Quando começaram a trabalhar, em jornadas de mais de 15 horas, ficaram sem documentos, dinheiro e no final do dia eram fechados e alguns acorrentados”, disse a fonte da PJ.

Um destes trabalhadores conseguiu fugir das “agressões permanentes e contou o sucedido, que deu origem à investigação”. Este homem queixou-se de ter sido transportado por outro português para Espanha, onde “era obrigado a fazer trabalhos agrícolas numa quinta da região de Castilla y Leon”, adiantou a PJ em comunicado. Em Espanha, o homem “trabalhou de sol a sol, em condições degradantes, sem qualquer remuneração e chegou a estar acorrentado”. Do relato deste trabalhador constam ainda agressões de que terão sido vítimas “nove trabalhadores, todos de origem portuguesa e angariados para trabalhar em Espanha”.

Concluindo, a juntar a estas aberrações do capitalismo, o desinvestimento na área consular, a desresponsabilização, o abandono e, a privatização dos serviços de apoio aos emigrantes que este governo tem exibido, não só permitem a falta de acompanhamento de situações deste tipo como potenciam a percepção de desamparo daqueles que são vítimas de tais situações.


Mário Pinto
Madrid

(Publicado no Jornal «Em Movimento» nº7 de Abril de 2010)

quinta-feira, abril 15, 2010

Privatizações

De acordo com a totalidade de mais uma denúncia do PCP, àparte dos aspectos negativos mencionados nesta ocasião, outros são, assim mesmo, de importancia fundamental para o nosso país.
Assim, a juntar a outras contradições a promulgar por este governo com a inestimável colaboração do PSD/CDS, se atendermos à imperiosa necessidade de definir um plano estratégico de desenvolvimento para Portugal, estas empresas, que hoje poderiam constituir um pólo de investigação contribuindo dessa forma para a reestructuração do tecido productivo nacional, mesmo rentáveis, serão entregues aos mesmos dos quais a vida dos trabalhadores dependerá cada dia mais.

Por outra parte, sem contudo abandonarmos a área da criação, não devemos esquecer que as verbas para o I+D, ainda que mínimas, serão assim entregues ao privado, o mesmo que obterá benefícios enquanto usufrui dos nossos impostos.

Foi com a tecnologia que Portugal experimentou um maior relevância no contexto global, foi com a investigação que demos mundos ao mundo,e, ainda provada a desgraça de uma política colonizadora, no que à soberania e independência concerne deve ser esse o campo a estimular, só pode ser esse o âmbito no qual investir públicamente. A privatização é um espólio que deve ser travado.

As Seis Características Fundamentais de um Partido Comunista

2ª - Ser um partido da classe operária, dos trabalhadores em geral, dos explorados e oprimidos.

Segundo a estrutura social da sociedade em cada país, a composição social dos membros do partido e da sua base de apoio pode ser muito diversificada. Em qualquer caso, é essencial que o partido não esteja fechado em si, não esteja voltado para dentro, mas, sim voltado para fora, para a sociedade, o que significa, não só mas antes de mais, que esteja estreitamente ligado à classe operária e às massas trabalhadoras.

Não tendo isto em conta, a perda da natureza de classe do partido tem levado à queda vertical da força de alguns e, em certos casos, à sua autodestruição e desaparecimento.

A substituição da natureza de classe do partido pela concepção de um “partido dos cidadãos” significa ocultar que há cidadãos exploradores e cidadãos explorados e conduzir o partido a uma posição neutral na luta de classes – o que na prática desarma o partido e as classes exploradas e faz do partido um instrumento apendicular da política das classes exploradoras dominantes.


Álvaro Cunhal
15 de Setembro de 2001

sexta-feira, abril 09, 2010

As Seis Características Fundamentais de um Partido Comunista

1ª - Ser um partido completamente independente dos interesses, da ideologia, das pressões e ameaças das forças do capital.

Trata-se de uma independência do partido e da classe, elemento constitutivo da identidade de um partido comunista. Afirma-se na própria acção, nos próprios objectivos, na própria ideologia.

A ruptura com essas características essenciais em nenhum caso é uma manifestação de independência mas, pelo contrário, é, em si mesma, a renúncia a ela.

Álvaro Cunhal
15 de Setembro de 2001

terça-feira, abril 06, 2010

Oi!

Gostava de possuir a capacidade dos poetas que sintetizam num verso um compêndio de elementos suficientes para denunciar a mentira à qual muitos chamam vida e que não passa de uma mentira aceite devido ao medo de nos conhecermos.
A mentira à qual me refiro é essa que advém da frustração de vegetar num cercado alugado pelo preço da existência, nossa e de quem espelha os nossos passos, de quem deslegitima o medo daqueles que não se negam.
Somos, ao afirmar-mo-nos impúberes perenes, irascíveis no pátio desta corporação que decide se caminharemos solitários, amados, encarcerados, dobrados? “Cada um sabe de si e deus sabe de todos”? “Aproveitemos o que pudermos que a vida são dois dias”? “Somos um número”?
Estás aí?

sábado, abril 03, 2010

A reforma da Saúde nos EUA

Obama cede às seguradoras contra o povo

Dez milhões de pessoas nos EUA esperavam libertar-se das garras dos implacáveis exploradores que controlam o sistema de saúde. Mas aconteceu justamente o contrário.

A recente chamada reforma da saúde, promulgada pelo presidente Barack Obama a 23 de Março, consolidou e legalizou a posição dos especuladores dos cuidados de saúde como força central do sistema de assistência médica, sob um mínimo de supervisão e regulação do Estado capitalista.
Para além disso, esta reforma passou à custa dos direitos reprodutivos das mulheres – tornando impossível o recurso ao aborto com dinheiros públicos – e dos direitos dos imigrantes. O resultado é a destruição da solidariedade enquanto se vira as costas a milhões de mulheres e imigrantes mais pobres.
Os que lutavam corajosamente por um sistema universal de cuidados de saúde foram afastados pela direcção do Partido Democrático e pela administração Obama. Planos de contribuintes individuais, como o Medicare para todos, saíram da agenda. Na verdade, a administração Obama cedo chegou a acordo com a indústria da saúde para garantir que não haveria um seguro governamental directo, ainda que todos tenham de ter um seguro ou serão multados.
Deste modo os cuidados de saúde foram subrepticiamente vendidos como uma mercadoria no mercado capitalista do lucro, em vez de serem, como deviam, consagrados como um direito. Isto contrasta profundamente com o sistema socializado de saúde vigente em Cuba, por exemplo, onde apesar do bloqueio norte-americano que há décadas empobrece o país, o sistema de saúde é livre e acessível a todos.
A actual reforma reflecte o facto de o movimento da classe operária, incluindo o movimento das pessoas afro-americanas e de origem latina reprimidas, ter estado na defensiva durante muito tempo e não ter ainda começado a contra-atacar. Consequentemente, o resultado da reforma do sistema de saúde acabou por ser o fruto da luta entre as diferentes facções existentes no seio da classe dirigente e dos seus dois partidos políticos sem qualquer intervenção significativa das massas populares.
Eis alguns dos principais aspectos da reforma finalmente anunciada após meses de secretismo:
- Para começar, mesmo as estimativas mais optimistas reconhecem que 23 milhões de pessoas vão continuar sem seguro de saúde em 2014.
- É obrigatório ter um seguro. Isto assegura biliões de lucros no futuro graças ao aumento dos segurados nas companhias, que se ressentiram com a crise económica quando milhões de pessoas perderam os seus empregos e os seus seguros.
- Em 2014, os trabalhadores e a classe média estarão a ser pressionados por uma das 50 corridas eleitorais. Isto implementará a divisão da classe operária deixando a cada um o fardo de encontrar na Internet um seguro «à medida» das suas possibilidades.
- O seguro estatal conhecido como Medicaid Advantage, pagamento da assistência domiciliária e hospitalização, vai sofrer um corte de 200 mil milhões de dólares. Esta medida representa uma ameaça para os idosos e inválidos, apesar do pagamento dos seguros que ninguém reduzirá. Adultos com problemas especiais vão ter de esperar até 2014, quando já não lhes podem negar o direito à cobertura. Famílias pobres, num total de 16 milhões de pessoas, vão ter de esperar cinco anos para terem direito à Medicaid. Entretanto, terão morrido 45 000 pessoas por ano com doenças curáveis devido ao período de carência e metade das falências individuais terão sido provocadas pelos custos da assistência médica.

A luta continua

A reforma tem alguns aspectos positivos que cobrem as práticas das companhias de seguros mais ofensivas e odiadas por todos. Qualquer aspecto positivo deve ser analisado cuidadosamente pelos trabalhadores para que possam tirar pleno proveito dele. Muitas das práticas a ser eliminadas foram denunciadas pelo realizador Michael Moore no seu popular filme «Sicko». Em breve, as companhias de seguros deixarão de poder recusar cobertura a quem estiver doente. Deixarão de poder impor um limite de idade para a cobertura do seguro de assistência médica. E não poderão recusar o seguro a crianças com problemas. Os jovens maiores de 26 anos poderão ficar nos seguros de saúde dos pais desde que estes paguem um prémio adicional.
Mas milhões de trabalhadores, se ficarem desempregados, continuarão a perder o seu sistema de saúde. Nesta era do lay-off, dos despedimentos em massa e do subemprego, é uma verdadeira epidemia a quantidade de pessoas que perdem a cobertura proporcionada pelo empregador ou que não têm condições para garantir a sua contribuição individual para ficarem a coberto do seguro de saúde. E o mais importante é que serão as próprias companhias de seguros a conduzir o processo para implementar a reforma.
A luta para garantir o acesso universal aos cuidados de saúde continua. Juntamente com a luta pelo direito ao trabalho, contra os cortes orçamentais e execuções de hipotecas, e pela defesa da educação pública.

Fred Goldstein

Avante!

quinta-feira, abril 01, 2010

The health care bill: What it means for workers

By Fred Goldstein
Mar 24, 2010


Tens of millions of people in this country were hoping to be delivered from the clutches of the ruthless profiteers who control the health care system and were hoping for universal health care. But the very opposite has happened.

The latest so-called health care reform bill, signed into law by President Barack Obama on March 23, has consolidated and legalized the position of the health care profiteers as the central force in the system of health care — under minimal supervision and regulation by the capitalist state.

Furthermore, this bill has been passed by bargaining away women’s reproductive rights and the rights of undocumented and documented immigrants. Its effect is to destroy solidarity while it turns its back on millions of mostly poor women and immigrants.

A statement by Terry O’Neill, president of the National Organization for Women, explained that one of the bill’s effects is to make public funding of abortion impossible and private funding almost impossible. She wrote that the bill “imposes a bizarre requirement on insurance plan enrollees who buy coverage through the health insurance exchanges to write two monthly checks (one for an abortion care rider and one for all other health care). Even employers will have to write two separate checks for each of their employees requesting the abortion rider.”

O’Neill also wrote that the “bill imposes harsh restrictions on the ability of immigrants to access health care, imposing a five-year waiting period on permanent, legal residents before they are eligible for assistance such as Medicaid, and prohibiting undocumented workers even to use their own money to purchase health insurance through an exchange. These provisions ... are there because of ugly anti-immigrant sentiment, and must be eliminated.”

Those who stubbornly and valiantly fought for some form of universal national health care were shunted aside by the Democratic Party leadership and the Obama administration. Single payer was pushed off the agenda and substituted with the miniscule provision for a “public option.” This was mainly a sop in order to change the subject. The Obama administration had early on negotiated with the health care industry and agreed that there would not be a public option.

Thus health care is still to be sold as a commodity on the capitalist market for profit, instead of being the right that it should be. It is in stark contrast to the socialized health care in Cuba, for example, where despite a U.S. blockade that has impoverished the country for decades, health care is free and accessible to everyone. This is because Cuba’s socialist system means people’s needs are a priority, not profits like under capitalism.

One of the features of this bill is that the masses have been kept in the dark about the process and the bill itself from the beginning to the end. Only the politicians and the lobbyists from the various health care industries and medical professions were able to follow the inner course of the negotiations. Now that it is over, various bourgeois experts have surfaced to “explain” the bill.

Workers to wait until 2014 while 45,000 a year die

The details that are buried in the bill will only come out over time, if ever. Here are some of the major features of the bill that have come out.

To begin with, even the most optimistic estimates project that 23 million people will still be uninsured in 2014.

The bill imposes onerous conditions on millions of uninsured who, starting in 2014, would be forced to buy health insurance from an insurance company or face a fine. This is the bill’s version of giving wider coverage. It was the result of a deal cut with the insurance companies to widen their diminishing customer base, which has suffered during the economic crisis as millions lost their jobs and their insurance, and to ensure future billions in profit.

In 2014 workers and the middle class are to be thrust into one of 50 state-run exchanges. This further atomizes the working class by leaving the burden on the individual to find “affordable” insurance on the Internet. Even when insurance premiums are affordable, the co-payments and deductibles can be in the thousands of dollars and make it unaffordable to actually use the insurance.

Medicare Advantage, home care and hospital payments are to be cut by $200 billion. This is a threat to seniors and the disabled, despite assurances that nothing will be cut. Cuts will be made in the reimbursement to the private insurance companies that work through Medicare Advantage; they will surely reduce services.

Adults with pre-existing conditions will have to wait until 2014, when they can no longer be denied coverage. Poor families of four earning less than $29,327 — 16 million people — will have to wait five years to be covered by Medicaid. Meanwhile 45,000 preventable deaths take place every year because of lack of insurance, according to Harvard Medical School. Half of all bankruptcies are due to medical costs.

The bill, of course, has some positive elements that cover the most outrageous and universally hated practices of the insurance companies. Any positive elements should be closely studied by the workers and taken full advantage of. Many of the practices to be eliminated were exposed in Michael Moore’s popular and widely viewed film, “Sicko.”

In the short run, the insurance companies will no longer be able to deny coverage if you are sick. They will not be able to put a lifetime cap on coverage. And they cannot deny children access because of a pre-existing condition. Youth up to 26 years old can stay on their parents’ insurance plan, although there may be an additional premium.

But millions of workers will still have to rely on their bosses to get their health care. If you lose your job, you still lose your health care. In this era of layoffs, mass unemployment and underemployment, there is an epidemic of people losing their employer-based coverage. And if you are allowed to keep your health care after you are laid off, few can afford to pay a group rate, let alone an individual rate.

Most important is that the insurance companies will be in charge of the immediate review process. The Department of Health and Human Services will eventually have a higher level of review. But the companies are expert at lying, manipulating and, in the long run, suffering fines in order to avoid giving coverage that is more expensive than the fines. It is a case of the fox retaining the right to guard the chicken coop.

Social Security and Medicare

The conventional wisdom being touted by the Democratic Party leadership is that this health care bill is in the tradition of the establishment of Social Security and Medicare.

In fact, the opposite is true. Marxists must try to understand the difference, not just in terms of personalities or parties, but in seeing the objective circumstances in which these different pieces of legislation were passed and what the class differences are. The most important factor is to view the relationship of class forces that existed then and that exist now.

The Social Security bill was passed in 1935 as part of the Franklin Roosevelt “New Deal.” But it was passed only after a period of mass struggle against unemployment, the famous veterans’ Bonus March in Washington, D.C., and the break up of the veterans’ encampment by federal troops in a pitched battle. It followed the general strikes in San Francisco, Minneapolis, Minn., and Toledo, Ohio, in 1934.

Even at that, it was a compromise in which the bosses wound up having to pay only half of Social Security, with workers paying the other half. But it became a working-class right. The money was held by the government for the workers and paid out every month by the government.

The Medicaid bill was passed in 1984 and the Medicare legislation was passed in 1965 as part of President Lyndon Johnson’s “Great Society” program. These bills were not passed because the capitalist government suddenly became socially conscious. They came after 10 years of the Civil Rights movement, massive rebellions in the streets of Harlem, N.Y., and Los Angeles, and a growing national liberation movement right here in the U.S.

Just like Social Security, Medicare and Medicaid became a legal and political right of the working class and the poor. They were not turned over to private companies and put on the capitalist market as commodities.

The present health care bill reflects the fact that the working class movement, including the movement of the oppressed, has been on the defensive for a long time and has not yet begun to fight back.

Consequently, the fate of the health care bill was really fought out by different factions within the ruling class and their two political parties without any significant intervention by the masses. Secret deals were made with the pharmaceutical and hospital lobbies as well as with elements in the health insurance industry. When these deals became known, there was no mass response. The bosses had their way, relatively unobstructed by any threat from below. The labor movement leadership restricted itself to minuscule protests and lobbying. And the communities and the political movement were unable to mobilize, despite militant attempts by various single-payer groups.

Fight racist, right-wing counterattacks

But this should lead into the next phase of the struggle. The great problem for the workers’ movement is that the health care bill, as minimal as it is, has been fought tooth-and-nail by the Republicans and the extreme right-wing Tea Party movement, which encompasses outright fascists. The Republicans and the corporations have in fact worked with the Tea Party movement to fan the flames of racism and anti-gay and anti-immigrant sentiment.

There was a fascist-like display at the Capitol building in Washington, D.C., the day the bill was passed, when a mob shouted racist epithets at African-American representative and former civil rights leader John Lewis of Georgia and spat on another Black legislator. The mob then accosted Rep. Barney Frank of Massachusetts, who is gay, and hurled anti-gay slurs at him. It is notable that this mob was allowed by the Capitol police to get right up in the faces of the lawmakers.

The right wing tried to bring down the Obama presidency over the health care bill. There is already talk among the Republicans of trying to overturn the bill and start up a new town-hall-style, ultra-rightist mobilization.

This fact does not make the bill any better. But it does mean that the workers’ movement, the progressive and revolutionary movement, must work together to assertively combat any reactionary and racist counterattack by the right while at the same time demanding real universal health care.

It is not known at this time if right-wing elements will succeed. But the progressive movement was taken aback during the town hall campaign last fall, when the first right-wing assaults were launched against the health care bill while whipping up a racist campaign against Obama.

Forewarned is forearmed. The fight for health care can be carried into the struggle against the right without having to abandon a working-class, progressive position. Fighting the racists and getting in their face while demanding universal quality health care and Medicare for all can and must be done. “Health care is a right!” should become the battle cry of the movement, along with pro-immigrant, pro-abortion rights, anti-racist slogans and so on. This is the way to resist any right-wing, racist mobilization based on opposition to the health care bill.

The Democratic Party leadership has given in all along the line. The workers, oppressed communities, students and youth all have a stake in this struggle. It can be united with the struggle for jobs, against the budget cuts and foreclosures, and to save public education. All these fronts in the class struggle form the basis to come together in People’s Assemblies or other organs of popular power to unite to launch a powerful, anti-capitalist movement.

quarta-feira, março 31, 2010

terça-feira, março 30, 2010

domingo, março 28, 2010

Nascido há 100 anos, ferido há 68

EL HERIDO

Para el muro de un hospital de sangre.


I

Por los campos luchados se extienden los heridos.
Y de aquella extensión de cuerpos luchadores
salta un trigal de chorros calientes, extendidos
en roncos surtidores.

La sangre llueve siempre boca arriba, hacia el cielo.
Y las heridas suenan, igual que caracolas,
cuando hay en las heridas celeridad de vuelo,
esencia de las olas.

La sangre huele a mar, sabe a mar y a bodega.
La bodega del mar, del vino bravo, estalla
allí donde el herido palpitante se anega,
y florece, y se halla.

Herido estoy, miradme: necesito más vidas.
La que contengo es poca para el gran cometido
de sangre que quisiera perder por las heridas.
Decid quién no fue herido.

Mi vida es una herida de juventud dichosa.
¡Ay de quien no esté herido, de quien jamás se siente
herido por la vida, ni en la vida reposa
herido alegremente!

Si hasta a los hospitales se va con alegría,
se convierten en huertos de heridas entreabiertas,
de adelfos florecidos ante la cirugía.
de ensangrentadas puertas.

II

Para la libertad sangro, lucho, pervivo.
Para la libertad, mis ojos y mis manos,
como un árbol carnal, generoso y cautivo,
doy a los cirujanos.

Para la libertad siento más corazones
que arenas en mi pecho: dan espumas mis venas,
y entro en los hospitales, y entro en los algodones
como en las azucenas.

Para la libertad me desprendo a balazos
de los que han revolcado su estatua por el lodo.
Y me desprendo a golpes de mis pies, de mis brazos,
de mi casa, de todo.

Porque donde unas cuencas vacías amanezcan,
ella pondrá dos piedras de futura mirada
y hará que nuevos brazos y nuevas piernas crezcan
en la carne talada.

Retoñarán aladas de savia sin otoño
reliquias de mi cuerpo que pierdo en cada herida.
Porque soy como el árbol talado, que retoño:
porque aún tengo la vida.



Miguel Hernández

quarta-feira, março 24, 2010



“A revolução comunista vem romper, da maneira mais radical, com o regime tradicional de propriedade; nada tem, pois, de estranho, que se veja obrigada a romper no seu desenvolvimento, da forma também mais radical, com as ideias tradicionais”

segunda-feira, março 22, 2010


"(...)A religião deve ser declarada um assunto privado — com estas palavras exprime-se habitualmente a atitude dos socialistas em relação à religião. Mas é preciso definir com precisão o significado destas palavras para que elas não possam causar nenhum mal-entendido. Exigimos que a religião seja um assunto privado em relação ao Estado, mas não podemos de modo nenhum considerar a religião um assunto privado em relação ao nosso próprio partido. O Estado não deve ter nada a ver com a religião, as sociedades religiosas não devem estar ligadas ao poder de Estado. Cada um deve ser absolutamente livre de professar qualquer religião que queira ou de não aceitar nenhuma religião, isto é, de ser ateu, coisa que todo o socialista geralmente é. São absolutamente inadmissíveis quaisquer diferenças entre os cidadãos quanto aos seus direitos de acordo com as crenças religiosas. (...)"

Lenine - 1905

quarta-feira, março 17, 2010



Enviado por "Zé Povinho"

quinta-feira, março 11, 2010

Costa Martins: 25 de Novembro e outras mentiras


“Não sou democrata de 26 de Abril, fui sempre democrata, no antigamente sofri as consequências e curiosamente vim a sofrer consequências ainda mais dolorosas depois do 25 de Abril, mais particularmente a partir do 25 de Novembro.

Até ao 25 de Novembro não tive razões de queixa, viveram-se momentos importantes de liberdade, houve vários excessos com alguns símbolos negativos com os quais eu não estava de acordo, e parece-me que foram alguns desses excessos que ajudaram a desembocar no 25 de Novembro, onde, estou convencido, que a esmagadora maioria dos próprios intervenientes de Novembro e ganhadores a seguir, entraram nele sem terem consciência daquilo em que estavam a participar. Foram enganados, muitos deles têm lamentado junto de mim, e infelizmente o país foi conduzido à situação em que nos encontramos."

"Estamos numa situação muito difícil, complicada e de difícil saída… não acredito nessas recuperações maravilhosas da economia do país, anunciadas por alguns… nós cá estaremos para ver”.


- O que deu origem ao 25 de Novembro de 75 e o que se passou com o anunciado desaparecimento da verba do dia de trabalho oferecido pelos trabalhadores ao país, já que nessa altura o senhor era ministro do Trabalho?

Costa Martins – A primeira questão é a mais complexa pela sua dimensão; o que teria originado o 25 de Novembro, e o que foi o 25 de Novembro. O 25 de Novembro acabou por ser um golpe de Estado, mas não foi feito não por aqueles que têm sido acusados de o terem praticado.

Conheço bem as causas do 25 de Novembro porque tive a oportunidades de as viver por dentro. A essência das causas do 25 de Novembro esteve no 25 de Abril, como passo a explicar: No dia 25 de Abril eu tinha tomado a responsabilidade da neutralização da Força Aérea (FA), porque o grupo que dizia representar a FA votou contra o golpe de Estado do 25 de Abril, numa reunião que tivemos em Cascais, em Março desse ano. Ali fiquei isolado e assumi responsabilidade da neutralização da FA. Poderia assumir essa missão a partir do Estado-maior da FA, onde trabalhava, ou a partir do Aeroporto que era melhor devido aos sistemas de controlo e radar, até porque nesse dia estava no aeroporto, por volta da hora de almoço.

Do Regimento de Paraquedistas, que nunca se tinha definido bem durante a preparação do 25 de Abril, com certos problemas com o Kaúlza de Arriaga, vieram três tenentes-coronéis meus amigos, pois eram os indivíduos que tinham a força operacional dos paraquedistas na mão. Vieram ao aeroporto colocar-se à minha disposição – assumindo eu o comando do Regimento de Paraquedistas, através deles. A segurança do Aeroporto seria reforçada pelos operacionais paraquedistas, sete companhias bem armadas, reforçando a segurança que na altura estava entregue à Escola Prática de Infantaria.

Quando os “páras” se preparavam e armavam para sair de Tancos com destino a Lisboa, recebi uma comunicação do major Vítor Alves, emanada do general Spínola (presidente da Junta de Salvação Nacional, na altura), onde se manifestava muito preocupado pelo facto dos paraquedistas virem para o aeroporto, já que poderiam alinhar com o Kaúlza depois de estarem em Lisboa. Não concordei mas para não arranjar ali algum problema, lá mandei um recado aos “páras” para não saírem de Tancos, embora já viessem a caminho. Entretanto Spínola manda nova mensagem, dizendo que era preferível para o reforço do aeroporto os Comandos, e lá foi o Jaime Neves com os comandos para o aeroporto.

Mais tarde os paraquedistas tiveram conhecimento da recusa do presidente Spínola por falta de confiança politica e militar nos “páras” - esta foi uma das causas remotas do 25 de Novembro.

Passados uns tempo, isto já na altura do VI Governo Provisório, com o almirante Pinheiro de Azevedo em primeiro-ministro, tinha havido a ocupação da Rádio Renascença, esse processo passou-me pelas mãos, porque o Patriarcado entendia que se tratava de um problema laboral, eu entendi que não, que eram dois indivíduos que se tinham apoderado indevidamente da RR e iam devolvê-la ao Patriarcado. Portanto se a PSP não tinha força, o COPCON através do Otelo deveria mandar prender os indivíduos e devolver a estação à Igreja, foi essa a minha posição.

O que se passou na RR foi uma autêntica fraude histórica, como também foi uma fraude histórica o que se passou no jornal A República, que por acaso também me passou pelas mãos, porque entenderam que era um processo laboral e eu como ministro do Trabalho, lá me foi parar o processo às mãos. Eu tenho a fotocópia do cheque de apoio à Comissão dos Trabalhadores, um cheque de mil contos na altura.
Mas estou a derivar um bocadinho, e não queria perder o fio à miada, como se costuma dizer, falando das causas do 25 de Novembro. Se bem se lembram, na altura, em vez de terem desalojado os indivíduos de lá pela força se fosse necessário – foi essa a minha posição - resolveram mandar dinamitar os emissores da RR na Buraca. Os chefes militares da altura, nem sequer tiveram a dignidade de tirar de lá os indivíduos, ou se queriam isolar os emissores mandavam para lá uma força militar ocupar aquilo.

O primeiro-ministro era almirante, no activo, tinha um regimento de tropas especiais, os Fuzileiros, pois foi convencer o Chefe do Estado-maior da FA para mandar uma força de “páras” dinamitar os emissores da RR.
Ora vejamos, os paraquedistas ficaram nos “cornos do touro”, agora pela segunda vez! Quando chega Novembro, a determinada altura, eles foram usados, o Chefe do Estado-maior da FA, Morais da Silva, começou a fazer uma série de provocações entre os paraquedistas, utilizando a alimentação e o salário, entre outras. Enfim, uma série de medidas tendentes de levar até à extinção do Regimento, como viria a suceder a seguir. Os paraquedistas ai reagiram e a população daquela zona de Tancos começou a levar alimentos e apoio aos “páras”.

A certa altura o Morais da Silva mandou, ou pelos menos deu a cobertura, que 150 oficiais dos paraquedistas fossem para a Base da Nato da Cortegaça, em Ovar. O Regimento de Paraquedistas quis demonstrar, contrariamente ao que diziam, que era uma tropa disciplinada, operacional, combativa, capaz de operar onde fosse necessário, então resolveram no dia 24 à noite, preparar uma demonstração de operacionalidade, foram uns para o Monsanto, outros ocupar o Estado-maior da FA e outros foram ocupar as várias bases operacionais. Porque em principio eles estavam para vir para Lisboa – o Regimento completo!. Eu por acaso assisti a isso e opus-me a que o RP viesse para Lisboa, porquê? Porque provavelmente teríamos guerra civil!

Isto foi aproveitado a seguir para uma contra reacção que estava toda preparada noutro sitio… e mais, houve provocadores nos “páras” muito bem pagos para fomentar todo aquele estado de agitação. O 25 de Novembro foi isto! Não foi monolítico, não foi uniforme porque houve várias forças e organizações a querem aproveitar-se, cada uma da sua maneira do 25 de Novembro.

Alguns indivíduos que participaram no 25 de Novembro, ou ainda alguns do Grupo dos Nove, fizeram-no enganados, porque posteriormente vieram reconhecer que estavam contra ao que se estava a passar, não queriam aquilo mas também de maneira nenhuma queriam aquilo que veio depois do 25 de Novembro!
Foram atropelos tremendos aos mais elementares princípios de justiça – eu estou à vontade de falar porque fui o indivíduo mais perseguido no 25 de Novembro, e como nunca me dobrei acabei por ganhar essas guerras judiciais e não só, durante 16 anos. Durante o 25 de Novembro tive de passar à clandestinidade, porque tinha vivido tudo por dentro no concreto, não foram essas balelas que esses indivíduos apregoam ai no país todos os dias, não me deixam ir à televisão, se escrever algo sobre o 25 de Novembro nos jornais nacionais é complicado.


- Está a afirmar que a censura regressou aos órgãos de Comunicação Social?

- Convidaram-me para uma entrevista na TV, para o aniversário dos 25 anos do 25 de Novembro, eu recusei, insistiram 2 ou 3 vezes, mais tarde disseram-me que seria um programa especial de carácter histórico depois de terem ouvido outras figuras tais como: Mário Soares, Ramalho Eanes, Otelo, Melo Antunes, e queriam ouvir-me a mim acerca do 25 de Novembro.

Decidi aceitar e dei uma entrevista em diferido, com a jornalista Márcia Rodrigues, mas como o tema da entrevista era muito longo decidiu-se fazê-la em duas partes (uma no mesmo dia e a outra no dia seguinte). Fiquei nesse dia à espera que me telefonassem – nada, ninguém me telefonou, como tinha de me deslocar ao Algarve, liguei novamente para a TV mas não consegui falar com ninguém do assunto em causa. No dia seguinte lá consegui falar com alguém que me disse que depois me contactariam. Passados vários dias telefona-me a senhora que me tinha contactado e fazia parte do grupo de trabalho que me convidou para a entrevista e começou por me pedir desculpa, porque também (ela) tinha sido enganada e que não só me iriam acabar a entrevista como haveriam ordens superiores para cancelar todo o programa! Todos sabem que todos os anos há debates sobre o 25 de Abril, já me viram lá!!??

Fui o principal perseguido do 25 de Novembro, todos os anos existem debates sobre isso, era lógico que lá estivesse, não me deixam lá ir!! Quando quiserem eu vou sozinho – levo a minha pasta… podem pôr do outro lado o número de entrevistadores que quiserem…


- Sentiram que o Povo estava ao lado do 25 de Novembro?

- A esmagadora maioria da população não estava de acordo, a realidade tem de ser dita, o 25 de Novembro, que é vendido e apresentado, é uma fraude histórica, muito grave. E com base nesta fraude histórica é que foram destruídos os valores essenciais da sociedade em que se chegou ao ponto de que se chegou, e toda a gente clama que não há justiça, mas se não há valores morais como pode haver justiça? Se não há a possibilidade de conhecer a verdade como se pode fazer a justiça? A verdade é a base essencial para a feitura da justiça, aliás as nossas leis até prevêem que no foro criminal, o arguido pode mentir à vontade.


Histórias do 25 de Novembro não lhe faltam, mas como começou a questão das verbas que alegadamente terão desaparecido respeitantes ao dia do trabalhador?

- No dia 25 de Novembro fui chamado a Belém, pelo PR Costa Gomes - que é o individuo a quem este país muito deve nas últimas décadas - conhecia-o muito bem, grande amigo pessoal, e chamou-me porque alguém lhe terá dito que eu era que estaria à frente do 25 de Novembro. Quando cheguei a Belém, naquela sala grande de reunião do Conselho de Estado, estava o Vasco Lourenço que tinha sido graduado em general – um dos que estiveram na montagem da cabala do dia do salário - pode escrever à vontade, publicar na integra – ele foi um dos principais responsáveis do dia do salário… o Sr. Vasco Lourenço tinha sido graduado – como herói do não sei quantos… Eu tinha lido “A República”, dois dias antes do 25 de Novembro, onde tinha sido publicada uma entrevista dele sobre o Ministério do Trabalho, sobre o ex-ministro do Trabalho, que era eu, dizendo que era preciso saber-se do que foi feito dos 300 mil contos da conta dos trabalhadores, para além de outras insinuações.… deixe-lhe um safanão e ele ficou no sofá, fui falar com o PR com a porta entreaberta, que me perguntou se eu estava à frente do 25 de Novembro, deu-me um abraço e disse - ainda bem que é você que está à frente disto. Vamos lá resolver isto. Estava eu com o comandante Pinheiro de Azevedo,. Eu respondi ao PR Costa Gomes - não estou metido nem tenho nada a ver com isto - e ele ficou altamente preocupado, perguntando-me quem é que realmente estava metido na situação pedindo: - então ajude-me com a sua influência na Força Aérea (FA) e com os paraquedistas, ajude-me a resolver esta situação para evitarmos a guerra civil. Então o general Costa Gomes pediu-me para ir a Monsanto falar com os Paraquedistas, e lá levei o recado e a forma de se resolver aquilo.


- Como foi?

- Em Monsanto estavam oficiais da FA presos pelo paraquedistas, lá providenciei para que eles fossem soltos – ao contrário do relatório/processo de 25 de Novembro, onde sou acusado de prender os oficiais de Monsanto… fui eu que os mandei soltar, não há nenhum desses tipo que diga à minha frente o contrário.
Mais tarde fui falar com o general Costa Gomes contando-lhe o que se tinha passado em Monsanto, onde fui informado que quem “mandava” era a Comissão de Luta. Da segunda reunião que tive com o general, já ao fim-da-tarde em Belém, o general Costa Gomes chamou a ele o comando de todas as tropas do país, assim quem comandou militar e politicamente o 25 de Novembro – foi o general Costa Gomes! Eu assisti, foi na minha presença. Há relativamente pouco tempo o antigo comandante da Região Militar do Norte, Pires Veloso, veio dizer precisamente isso. A Região Militar do Sul colocou-se sob o comando dele, a Armada foi colocada sob o comando dele directamente - foi o almirante Rosa Coutinho que lhe entregou o comando da Armada- Nas unidades de Lisboa, o general chamou a ele unidade por unidade, e foi passando o comando por delegação para o Vasco Lourenço que tinha sido nomeado Governador Militar de Lisboa, na véspera. Mas as unidades de Lisboa, algumas das mais fortes nunca aceitaram o comando de Vasco Lourenço, mesmo delegado do PR, assisti a isso, o sr. Vasco Lourenço na minha frente não desmente!

Novamente o general Costa Gomes pediu-me para ir a Monsanto tentar convencer os Paraquedistas – e que se despachassem …rápidos -, quando não mandava avançar os Comandos para Monsanto. Quando avancei para Monsanto passei primeiro pela COPCON, que era onde estava a bagunçada maior. Quando de lá sai, sozinho e já de noite, embora fosse bem armado, fui perseguido por dois carros de indivíduos trajando civilmente e armados até aos dentes, consegui fugir-lhes, já não cheguei a Monsanto. Passei à clandestinidade, naquela altura em que os despistei e fui para Benfica, para casa de uns amigos meus. Em casa desses amigos vejo na TV um comunicado do Chefe do Estado-maior da Força Aérea, Morais da Silva, que andou fugido durante o dia todo, e só apareceu à noite quando as coisas já estavam a virar, depois de ter abandonado completamente a FA. Nesse comunicado aparecia a minha fotografia acompanhada de uns termos que já não me recordo… mas algum assim - onde o virem agarrem-no vivo ou morto, porque este é que é o responsável.

Eu não me contive, peguei no telefone e liguei para o gen. Costa Gomes, para lhe dizer que não tinha conseguido chegar a Monsanto perseguido por aqueles gandulos, e insurgi-me contra aquele famigerado comunicado. O Costa Gomes perguntou-me onde estava, eu disse-lhe que estava em casa - não sendo a verdade, estava em casa de amigos e o meu telefone estaria com certeza sob escuta - disse-me ainda que estava prestes a começar uma reunião de emergência do Conselho da Revolução, devido a uma informação de que EU estaria na Lisnave a fazer o levantamento dos trabalhadores da Cintura Industrial de Lisboa, para marchar sobre Lisboa. O homem acreditou em mim que não estava na Lisnave.


- Então quem elaborou o comunicado?

Mais tarde vim a saber que esse comunicado/informação foi transmitido para a Presidência da República pelo Conselho da Revolução, a partir do posto do comando que estava na Amadora.
Em paralelo começo a ser informado que estavam a ser afixados cartazes e distribuídos panfletos, a dizer que eu tinha fugido com 13.000 contos roubados das contas dos trabalhadores! Ali, comecei a montar o puzzle, que não era muito difícil chegar a esta conclusão – os tipos puseram aqueles fulanos a perseguir-me quando ia para Monsanto, não seria para me matar mas sim para me agarrar.

Por tudo isto eu deduzi e até hoje não me desmentiram que me queriam levar para Monsanto, punham lá uma mala com notas e chamavam os trabalhadores para verem o “ladrão” fugir com um monte de dinheiro e eram os trabalhadores que me lixavam e eles ficavam como Pôncio Pilatos.

Passei à clandestinidade e sai do país em Janeiro do ano seguinte, tendo assistido a essas porca vergonhas todas com vontade de pegar numa pistola-metralhadora e ir onde estavam a afixar os cartazes…
Está aqui a história do dia do salário, que em Janeiro o jornal “O DIA” publica, mas que já não eram 13 mil mas tinha era posto 80 mil contos das contas dos trabalhadores numa conta pessoal minha.


- Foi complicado provar a sua inocência...?

- A história da cabala do dia do salário, ao fim e ao cabo, para mim acaba por ser um louvor autêntico, porque os tipos chafurdaram na minha vida toda, particular, familiar, profissional e politica de governação. Se tiveram que recorrer a uma coisa de uma baixeza tão porca como isso, é porque não encontraram a menor coisa em que me pudessem agarrar, senão tinham-me esfolado! Ah! demitiram-me por duas vezes da FA sem qualquer reintegração pelo meio, depois só faziam asneiras a meu respeito, tal era o nervosismo, quando viam qualquer documento meu só faziam asneira nos despachos. Lembro-me de um documento para o Lemos Ferreira, na altura Chefe do Estado-maior, em que solicitava a reposição da verdade e na minha situação normal – foi indeferido por falta de cabimento ao solicitado no documento…

Ao fim dos 16 anos da guerra sempre a nível do Supremo Tribunal Administrativo, em que alguns dos mais altos responsáveis político-militares do país não se coibiram de mentir ao tribunal, oficialmente, em ofícios de alguns generais e de elevados postos da vida militar politica do país, foi-me feita justiça.

Nunca desapareceu um tostão, aliás eu fiz questão, devido a não haver inquérito nem averiguações, não havia nada porque eles sabiam que nunca tinha havido falta de qualquer verba, obriguei-os a fazerem um inquérito depois de muitos requerimentos e de muitas insistências ao longo de muito tempo, foram obrigados a fazerem-no, porque eu requeri certidão do inquérito tenho uma certidão passada pelo Ministério do Trabalho, sempre ao nível do gabinete do ministro, cujo título é este - certidão provisória - não sei se alguém tem memória de uma certidão provisória. Depois da minha insistência, passam-me nova certidão, definitiva, com conclusões provisórias… dá vontade de rir, não dá?

Voltando ao inquérito, quando ficou concluído – ninguém tinha roubado nada, não tinha desaparecido nada, e é um autêntico louvor para mim e para os serviços desenvolvidos, mas não publicaram nada disto no Diário da República. Seguidamente faço um requerimento para pedir as conclusões públicas do inquérito, vem a resposta do chefe do gabinete com umas aldrabices, porquanto não podiam certificar porque o inquérito não estava ainda concluído por falta de homologação do ministro, e andámos nisto três anos, entretanto a minha paciência ia-se esgotando… entrei em contacto com o coronel Costa Brás - que era a maior autoridade contra a corrupção- estávamos em Janeiro de 1984) – ameacei ir ao gabinete do ministro puxa-lo pelos colarinhos e dar-lhe um par de murros. Ele disse-me que não era um questão de ministro e passados quinze dias estava dado o despacho depois de anos à espera.


- O que pensa hoje da nossa Democracia?

- Aquilo que eu penso é que se se um cidadão burlar outro arrisca-se a ir para a prisão, se burlar 10 milhões arrisca-se a ir para o poder e agir impunemente!



- E das manifestações militares?

- Sou contra esse género de actuação, acho que é um bocado desprestigiante para os militares, o militar deve ter uma postura diferente da postura de um simples passeio, terá de ter ou tomar uma posição frontal
Portanto se uma manifestação de militares não é feita em termos de postura militar, não pode ter nada de concreto nem de substrato.


- Hoje é possível a realização de outro golpe de Estado como em 25 de Abril de 74?

- Seria absolutamente impossível perante o contexto internacional existente.


- Que futuro para as Forças Armadas?

-No 25 de Abril havia um grupo que infelizmente não era muito grande, cujo elemento principal era o general Costa Gomes, e que entendíamos que Portugal não precisa de Forças Armadas. Portugal precisava de uma Guarda Republicana capaz, eficiente, com gente preparada e bem paga, também com uma Polícia bem preparada e com um bom nível de instrução para saber lidar directamente com os problemas e com a população. Precisávamos de umas lanchas rápidas para patrulhamento da zona económica exclusiva, de uns aviões bem equipados para patrulhar essa zona económica exclusiva, mais aviões de combate a incêndios e evacuação de feridos e doentes, e não precisávamos de mais nada!

Temos cento e tal oficiais generais e se calhar… não temos cento e tal soldados bem preparados… Por mexer com muitos interesses na altura não conseguimos porque há três vectores importantes da vida económica e financeira do Mundo, que são o petróleo, a droga os armamentos, e há quem não queira abdicar. Portugal comprou aviões F-16, Portugal não precisa de aviões de caça para nada! Eu sou piloto, piloto de caça, é das coisas que mais gozo me dá é o bom avião de caça, mas isso custo os olhos da cara ao país. Se a Espanha quisesse invadir Portugal, a FAP nem que tivesse os aviões mais ultra-modernos do mundo e os pilotos mais bem preparados, não havia qualquer possibilidade de reacção a um ataque espanhol. Os aviões de caça portugueses não servem para nada, servem sim para uns indivíduos comprarem os aviões, comprarem sobressalentes… etc., etc..


- Chegou a temer pela sua vida?

- Não tenho a menor dúvida que se pudessem ter-me eliminado fisicamente, sem rastos para poderem ser responsabilizados a seguir, e se não tivesse passado à clandestinidade não estaria aqui hoje a falar.



- Como se define enquanto ministro do Trabalho?

- Sempre pautei, na vida militar e civil, a minha postura por regras de boa conduta e amor à minha Pátria, no País ou no estrangeiro. Quando falei com outros governos, mesmo os considerdos mais importantes, sempre falei como representante do meu País em pé de igualdade.

O dia do salário foi um marco importantíssimo que eles espoliaram, em termos de diversão dos valores morais da sociedade, caluniando na forma peculiar, onde o Estado português é altamente responsável durante vários anos, constituindo-se num dos marcos que serviu de base à inversão dos valores pela dimensão e projecção que lhe deram, no enquadramento ao mais alto nível político-militar do país.


- Que pensa da Associação 25 de Abril?

- O Vasco Lourenço, presidente da Associação, sabe bem que conspirámos juntos, eu arrisquei a minha liberdade para o acompanhar e depois o reconhecimento foi a participação directa na preparação da cabala no dia do salário contra mim.

Aliás, o Vasco Lourenço não participou no 25 de Abril, na feitura do 25 de Abril, conspirou connosco foi mandado para os Açores antes desse dia, e o 25 de Abril foi tropeçar com ele nos Açores.
Em Fevereiro de 74 eu fui o primeiro oficial (do três ramos das forças armadas) a ser alvo/objecto de uma medida repressiva do anterior regime por causa do Movimento dos Capitães.

Em Março seguiram-se medidas repressivas em relação ao Vasco Lourenço, ao Melo Antunes e outro oficial que foram colocados nos Açores. Entretanto o Vasco Lourenço pediu-nos para simular o rapto dele, e tivemos o Vasco Lourenço connosco durante três dias, ao fim desse tempo, depois dessa exploração politica decidimos que ele se fosse apresentar no Governo Militar de Lisboa, acabando depois por ir para os Açores.
Estive exilado em Angola três anos e meio a seguir ao 25 de Novembro, quando regressei a Portugal estava a ser constituída a Associação 25 de Abril, com uma comissão instaladora liderada por Vasco Lourenço. Eu fui convidado, assinei uma ficha condicional porque me pediram muito para assinar, mas não coloco lá os pés enquanto Vasco lourenço estiver à frente da Associação.


- O PCP teve alguma intervenção no 25 de Novembro?

- Sobre a intervenção do PCP, vou narrar o que se passou comigo, no dia 24 já ao fim da tarde, eu tinha sido colocado no COPCON por malandrice, pelo Morais da Silva, e encontrei o Jaime Serra, dirigente do PCP, que me cumprimentou e disse “epá é a segunda vez que venho aqui dizer ao Otelo para não mandar assim tropas para a rua, para não se meter em aventuras”. – Isto é um facto histórico, passou-se comigo! Sei também, por informação, que o dia 25 de Novembro foi desencadeado pela saída dos paraquedistas – não que os “páras” tenham saído para algum golpe de Estado, isso é uma pulhice! -, eles sim vieram fazer uma manifestação de operacionalidade, o PCP mobilizou-se para o que desse e viesse – segundo me constou porque não vi nem participei. E depois desmobilizou quando o Costa Gomes chamou Álvaro Cunhal, para se desmobilizar e não haver uma guerra civil, que esteve por um fio.


- Qual a participação do General Ramalho Eanes?

-Todos os movimentos de tropas foram feitos com autorização e cobertura institucional do Costa Gomes. Há mensagens escritas do posto de Comando da Amadora, sempre com autorização de Costa Gomes.
Para terminar e sobre essa grande manifestação do tempo do Pinheiro de Azevedo (o almirante sem medo), quando começou a ser convocada a manifestação para a Praça de Londres, o Tomás Rosa em vez de se manter no gabinete do Trabalho, como lhe competia, foi ter com Pinheiro de Azevedo, que estava em S. Bento. A manifestação teve conhecimento e foi atrás dele, foi assim que a manifestação foi parara a S. Bento. Já naquela multidão à volta da Assembleia da República, começou a exploração politica, deixavam sair uns, não deixavam sair outros… e aquilo começou a complicar-se um bocado.

Eu estava em casa e telefonaram-me do Conselho da Revolução pedindo-me se eu não me importava de ir resolver a situação, ao que respondi: “eu já não estou no Governo já não estou no poder”, mas sendo um problema Nacional nunca fugia a situações difíceis, portanto se quiserem eu vou lá tentar resolver. O Conselho da Revolução faz um comunicado ao país dizendo que me pediu para ir resolver a situação, passada meia hora telefonam-me outra vez, agora os sindicatos, era a Intersindical dizendo que estavam numa situação complicada, perigosa, então pediram-me se eu não me importava em ir ajudar a situação. Eu fui. Cheguei ao Palácio de S. Bento e encontrei o primeiro-ministro com a barba por fazer na parte habitacional do mesmo, que tinha dormido na noite anterior na casota da PIDE que estava no Jardim do Palácio, e logo que me viu deu-me um grande abraço e disse-me: “epá tire-me daqui. Trouxe a tropa?” Não, respondi-lhe, entrei pela porta principal, ninguém me fez mal.

Mais tarde houve desmobilização geral e o Pinheiro de Azevedo foi à varanda de S. Bento prometer coisas que depois não cumpriu


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A revolução é hoje!


Original aqui

quarta-feira, março 10, 2010

Carta de despedida de Che a Fidel - 1965

"Outras serras do mundo requerem meus modestos esforços. Eu posso fazer aquilo que lhe é vedado devido à sua responsabilidade à frente de Cuba, e chegou a hora de nos separarmos.

Quero que se saiba que o faço com uma mescla de alegria e pena. Deixo aqui minhas mais puras esperanças de construtor e os meus entes mais queridos. E deixo um povo que me recebeu como filho. Isso fere uma parte do meu espírito. Carrego para novas frentes de batalha a fé que você me ensinou, o espírito revolucionário do meu povo, a sensação de estar cumprindo com o mais sagrado dos deveres: lutar contra o imperialismo onde quer que seja. Isso me consola e mais do que cura as feridas mais profundas."

terça-feira, março 09, 2010

O hitlerzinho de valladolid



Mais uma história do clã O'bush: Acusar a Venezuela; Chávez, de apoiar a Eta no seu relacionamento com as Farc, promovendo o "terrorismo" na Colômbia e assim no feudo do manso de franco.

De novo, a velha estratégia de preparação da opinião pública para acometer contra um país livre, a Venezuela, uma era de repressão já conhecida pelo mundo fora, sobretudo em Cuba. Sob o pretexto de que "Chávez é o Bin Laden da América do Sul", sem que de tal sustentem a mais mínima prova (e mesmo que ninguém saiba ainda - digo eu - o papel e o fundamento que tal figura, membro da familia que detém grande parte da economia yanquee, se reserva), polarizando neste a razão de qualquer movimento discordante com o pensamento único que o imperialismo pretende impor, os porcos mafiosos do governo norte americano preparam-se a assim para reprimir uma vez mais a liberdade de muitos milhões de seres humanos.

Torna-se cada vez mais difícil entender como um punhado de cães consegue manter no cercado tanta liberdade.



P.D.- Curiosamente, cada vez que menciono o conquistador de "Perejil", recordo o atentado de Atocha...

domingo, março 07, 2010

Desemprego

Esse Desemprego
Meus senhores, é mesmo um problema
Esse desemprego!
Com satisfação acolhemos
Toda oportunidade
De discutir a questão.
Quando queiram os senhores! A todo momento!
Pois o desemprego é para o povo
Um enfraquecimento.
Para nós é inexplicável
Tanto desemprego.
Algo realmente lamentável
Que só traz desassossego.
Mas não se deve na verdade
Dizer que é inexplicável
Pois pode ser fatal
Dificilmente nos pode trazer
A confiança das massas
Para nós imprescindível.
É preciso que nos deixem valer
Pois seria mais que temível
Permitir ao caos vencer
Num tempo tão pouco esclarecido!
Algo assim não se pode conceber
Com esse desemprego!
Ou qual a sua opinião?
Só nos pode convir
Esta opinião: o problema
Assim como veio, deve sumir.

Mas a questão é: nosso desemprego
Não será solucionado
Enquanto os senhores não
Ficarem desempregados!

Bertold Brecht

Confiança

O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho
Fica a cepa a sonhar outra aventura...
E que a doçura
Que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova...

Miguel Torga

sexta-feira, março 05, 2010

quinta-feira, março 04, 2010



Como podemos observar, este test é um desenvolvimento do condicionamento skineriano.
Se apenas atendermos ao autocontrolo, verificamos como alguns dos estudados já apresentam sérias desestabilizações, descompensações, e, da mesma forma que um dependente de qualquer substância aditiva, preferem a estabilização homeostática hedónica do soma (valha a aparente redundância) à valorização do reforço, à determinação em alcançar uma meta mesmo com um incentivo bastante interessante. Aqui já existe ansiedade, inestabilidade, relação parental inadequada, exposição cognitiva descontrolada, gestações e partos traumáticos, e, de forma pouco relevante, morfologia em evolução (porque devemos situar-nos longe do determinismo). Porém, existe, sem dúvida, capitalismo.

oncluindo, desde que nascemos nos encontramos num processo de aprendizagem, aprendendo, apreendendo, crescendo, e, cada vez que interactuamos, transformando(-nos), algo que resulta fundamental.
A questão será mesmo essa: Aprender, aprender sempre!

quarta-feira, março 03, 2010

Escutas?


A audição ou acção de ouvir, podemos considerá-la desde um foco psicofisiológico, como o resultado de uma excitação produzida por ondas sonoras sobre as terminações do nervo auditivo, que se transmite ao centro auditivo do cérebro e, dá lugar a uma sensação aural (ou auditiva).
Hoje, confirma-se que o ouvido é o mais qualificado dos
estímulos sensoriais cerebrais. Desses:
20% correspondem à visão
30% correspondem ao paladar, olfacto e tacto
50% correspondem ao ouvido, que desperta e impulsa o cérebro, àparte de protegê-lo contra o deterioro.

segunda-feira, março 01, 2010

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Manipulação

Tens a certeza de que não te manipulam??



A revolução é hoje!

domingo, fevereiro 14, 2010

sábado, fevereiro 13, 2010

Con tu puedo y con mi quiero
vamos juntos compañero

compañero te desvela
la misma suerte que a mí
prometiste y prometí
encender esta candela

con tu puedo y con mi quiero
vamos juntos compañero

la muerte mata y escucha
la vida viene después
la unidad que sirve es
la que nos une en la lucha

con tu puedo y con mi quiero
vamos juntos compañero

la historia tañe sonora
su lección como campana
para gozar el mañana
hay que pelear el ahora

con tu puedo y con mi quiero
vamos juntos compañero

ya no somos inocentes
ni en la mala ni en la buena
cada cual en su faena
porque en esto no hay suplentes

Con tu puedo y con mi quiero
vamos juntos compañero

algunos cantan victoria
porque el pueblo paga vidas
pero esas muertes queridas
van escribiendo la historia

con tu puedo y con mi quiero
vamos juntos compañero.


Mario Benedetti




A revolução é hoje!

terça-feira, fevereiro 09, 2010

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

O desgraçado

Verme
Desgosto
Teu
Poluição
Vazio de conteúdo
Num continente vazio

Colonizador frustrado
Usurpador de vontades
Nado-morto
De vampiros

Queres mais e mais
Do que tens
Nada

Sobejo de felicidade
De outros
No chão
Bolor fantasma

Acento circunflexo da mentira
Respiro analfabeto
Da lirica da existencia dos homens
Ilusionista cego

Ah cão!
Nem mentira terias
Tivessemos nós o pão

Nem o ar que respiras
Nem o sol que te engana
Aí, nas trevas
Descansa verme, descansa
Descansa com quem te ama

domingo, fevereiro 07, 2010

sábado, fevereiro 06, 2010

Isto é tudo deles!

"O Hotel Gat Rossio, do grupo BPN, está aberto há seis meses mas esteve até meados de Dezembro sem autorização de utilização e exploração. A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) fez uma inspecção ao hotel, no Rossio, em Lisboa, e concluiu, que não tinha "livro de reclamações nem título válido de abertura".

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Comummente é assim... (Até quando?)

Rodchenko

Cada um ao nascer
traz sua dose de amor,
mas os empregos,
o dinheiro,
tudo isso,
nos resseca o solo do coração.
Sobre o coração levamos o corpo,
sobre o corpo a camisa,
mas isto é pouco.
Alguém
imbecilmente
inventou os punhos
e sobre os peitos
fez correr o amido de engomar. Quando velhos se arrependem.
A mulher se pinta.
O homem faz ginástica
pelo sistema Muller.
Mas é tarde.
A pele enche-se de rugas.
O amor floresce,
floresce,
e depois desfolha.


Maiakovski

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Défice inusitado???

«As previsões falharam redondamente em todo o lado» reconheceu o ministro, que ainda assim não acredita que «houvesse o intuito de enganar fosse quem fosse».

Pois... Não deixa de ser normal esse teu sorriso. Estás a rir-te de quem?

terça-feira, janeiro 26, 2010

Toca a afanar!

"O Provedor de Justiça fez suas as palavras do presidente do Conselho de Prevenção da Corrupção, Guilherme d'Oliveira Martins, e também se manifestou contra a criação do crime de enriquecimento ilícito.

«Faço minhas as suas palavras. Temos uma posição muito semelhante. Em princípio, discordo de mais um tipo legal de crime que em vez de facilitar pode complicar», disse, durante a audição na comissão eventual para o acompanhamento político do fenómeno da corrupção e para a análise integrada de soluções com vista ao seu combate.

Na opinião de Alfredo José de Sousa, seria melhor «sancionar através de agravamento fiscal ou da pena dos crimes subjacentes», em vez de criar um novo tipo legal de crime. «Defendo o agravar das penas, em sede de julgamento, dos crimes/infracções subjacentes e o constituir de circunstância agravante todas as situações de enriquecimento ilícito», afirmou."

E pronto, se casualmente forem agarrados num esbanjamento exacerbado pagam uns impostos acrescidos (se entretanto não tiverem aplicações para compensar) e fica a coisa esquecida. Que gente tão good practices.

segunda-feira, janeiro 25, 2010

domingo, janeiro 24, 2010

Passamos pelas coisas sem as ver

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.

Eugénio de Andrade

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Contrato a termo incerto

Tomei hoje conhecimento de uma modalidade contractual que dificilmente (nem sendo o trabalhador um doente terminal) se pode separar de um tipo de vinculação ilegal.
Por outra parte, este tipo de articulação, uma vez mais, denuncía claramente a consideração que os governos PS/D/CDS têm sobre o povo do nosso país e a influência cada vez maior que os interesses económicos privados representam na governação, algo que só por si já não sería aceitável mas, menos ainda com os contornos nacional-corporativistas que cada dia mais adopta a dinâmica política Portuguesa.
Refiro-me ao "contrato a termo incerto", uma designação que nos pode suscitar a vontade de acordar estando despertos. Dito contrato promove no trabalhador a sensação de estabilidade necessária para motivar o compromisso que requere o desempenho das funções, mas, fundamentalmente, mantém sob pressão quem espera passar a efectivo depois de 6 anos, 6 anos, podendo o patrão, depois desse período, prescindir do esforço e de 6 anos da vida dos trabalhadores, bastando para tal dar termo ao contrato. Os direitos consignados num contrato efectivo são assim usurpados a quem a eles tem direito, a deslocalização torna-se uma opção acessível, a contenção salarial encontra o seu paradigma ideal, a natalidade continuará assim a diminuir, a liberdade necessária para a criação de um núcleo sindicalista desaparece.

Como conclusão, esta aberração traduz claramente o abjecto estado no qual se encontram as relações laborais no nosso país, um país com a idade suficiente para não poder considerar um amanhã emergente, um amanhã que retire a população duma realidade que nos obriga a assumir-nos como um país de terceiro mundo.

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Os incoerentes

"Obama perdeu a maioria." E então?

Já não haverá reforma sanitária para os americanos, nem penalizações para a máfia de Wall Street. Haverá sim, porque a industria armamentista tem agora, ainda mais reforçada que com o provável "Jimmy Carter afro-americano", a maioria no congresso (sobretudo sabendo de onde vem Brown, quem governa desde há dias o estado Massachussets).

Depois de mais uma invasão, aproveitando a desgraça do povo do Haiti, das recomendações dos organismos de carácter imperialista para a redução salarial, incremento da jornada de trabalho e aumento de impostos para os países do eixo, aspectos que nos indicam que isto vai piorar, enquanto Portugueses somos confrontados com mais uma decisão do governo Português, que, através do instituto Camões, revela a sua aposta por acabar com o ensino da nossa lingua nas comunidades lusófonas na diáspora.

Ao mesmo tempo, no "Avante!", podemos encontrar a pertinente homenagem a um lutador pela liberdade, pela justiça e, fundamentalmente, pela vida, o nosso Camarada José Moreira.

Assim, assumindo a vergonhosa realidade que atravessa a nossa sociedade e conhecendo o exemplo que nos deixou esse Herói Comunista, surge uma questão para a qual experimento certa dificuldade em encontrar resposta: Afirmam os Portugueses, inconformados, que consideram arriscado potenciar, reforçar ou enaltecer o papel do PCP, da CDU, em qualquer momento da sua actividade diária, nas conversas de café, no trabalho, nos transportes, etc. Porquê?

domingo, janeiro 17, 2010

A ponta do iceberg das privatizações

"O Grupo Mello Saúde substituiu o medicamento Octagam por Flebogamma no Serviço de Neurologia do Hospital de S. Marcos, em Braga, por ser mais barato. Os doentes, no entanto, dizem que o novo tem efeitos secundários «insuportáveis», noticia o JN.

Os doentes neurológicos foram obrigados a assinar um «consentimento informado», onde autorizaram a nova terapêutica e as suas consequências, e estão a ser tratados com o novo medicamento há duas semanas.

«Tomei uma vez o novo medicamento e senti-me tão mal que acabei na urgência do hospital», contou a paciente Sílvia Rodrigues.

Nos «consentimentos informados» também consta a assinatura do médico que acompanha o tratamento e alguns escreveram mesmo que a substituição do medicamento foi «imposta pelo Conselho de Administração».

Em comunicado enviado ao JN, a administração do J. Mello Saúde confirma a alteração de medicamento: «O hospital, agora inserido num grupo de saúde que faz periodicamente os seus concursos para a aquisição destes produtos, tem disponível o medicamento em causa (Flebogamma), a imunoglobulina humana, aprovada pelo INFARMED e considerada como bioequivalente à outra marca comercial em uso no país.»

«Assumida a qualidade do produto, o preço é um factor tido em conta para a escolha em concurso», conclui a nota do Grupo Mello Saúde."

quinta-feira, janeiro 14, 2010

quinta-feira, janeiro 07, 2010


5º Aniversário "Ai Portugal, Portugal!"
Pela anti-decadência do interneurónio!


A revolução é hoje!

segunda-feira, janeiro 04, 2010

domingo, janeiro 03, 2010


Branco de neve
branco de leite
branco de cal
branco de lua

Contra branco outro branco
Um outro branco ainda sobre um novo branco
de espuma
com areia quase branca

Toda a ternura a fadiga a mágoa imensa
do branco contra branco sobre branco
na brancura mergulha branca flui

Branco entre limos
Branco entre mastros

Por túneis brancos ruas brancas sombras brancas
maciamente o branco longamente inventa branco
na crua branca amargura dos anos cegos Brancos


Mário Dionísio

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Isto anda tudo ligado

Nesta noticia do público podemos observar como a direita (entenda-se PS e parceiros) manipula a linha que separa a barbárie do paradigma que por todos se considera o ideal para a sociedade mas pelo qual se furta de lutar a egoista burguesia.

Sabemos que uma revolução se torna mais tangível no horizonte de quem o não tem, quando, motivada pela contradição fundamental do capitalismo, a burguesia, essa socialista e que nessa suposição adoptaría tal decisão devido à preocupação única pela manutenção dos seus interesses de classe, se incorpora à luta dos trabalhadores.
Assim sendo, e em linha com a doctrina de Bernstein, o social democrata partido socialista considerou pertinente salvaguardar os interesses do BPN, utilizando recursos que por demais carece qualquer âmbito público que se fundamente na prestação de serviços primários à população - estes especialmente e não querendo transmitir a ideia de que existe alguma área sem déficit - e, maiormente gravosa tal política se nos situamos no actual contexto sócio-económico nacional.
Sem esquecer que, simultâneamente, foi triplicando a nossa dependência alimentar do exterior numa relação directamente proporcional à erosão do tecido productivo neste campo e num desempenho inversamente ajustado ao investimento público, elementos essenciais para a defesa da soberania, a qual, com a entrada em vigor do tratado de Lisboa, com a entrega do direito de decisão aos 6 países que efectivamente detêm 70% desse privilégio numa europa de 6 grandes potencias e de 21 empresas externalizadas, vai determinando o futuro daqueles que seguramente incrementariam a dissonância contra esta aberração, o cada vez maior número de emigrantes que se encontram (apelando a Soeiro) como "rodas paradas de uma engrenagem caduca", vazios de objectivos e de pão para a boca, nesta marisma Portuguesa.

Por outra parte, prescindiu de "salvar" o BPP, consciente do perfil específico da sua carteira e assumindo que, devido à sua dimensão; ao nível de esclarecimento e consciencialização daqueles que a integram, não constituiria reforço suficiente às aspirações, lutas, mas, sobretudo, à voz do explorados que pugnam pela mudança.

Assim, mesmo que para tal não se admitam os argumentos anteriores, não se torna contudo complicado ratificar esta observação dos factos se atender-mos a questões paralelas que não deixarão, certamente, de pesar significativamente no motivo de tal pendor:

1º- Existe algum vínculo entre a SLN e o BPN?
2º- Existe algum vínculo entre cavaco e a SLN?
3º- Existe algum vínculo entre soares e carlucci?
4º- Existe algum vínculo entre carlucci e a Carlyle?
5º- Existe algum vínculo entre a Carlyle e a sede da SLN?

Por quanto tempo?

Não acredito que alguém tenha dados suficientes para responder a tal questão. Não obstante - e sem pretender recorrer a qualquer tipo de futurologia, durante 2010 poderemos observar; padecer, o efeito global da aposta daqueles aos quais prestam vassalagem os governantes Portugueses. A previsível queda da banca, desde este sustentado mas fictício patamar de estagnação económica (que aparentemente e devido ao típico medo de assumir a realidade se interpreta como um "down-sizing" e não passa de um "squeeze-out"), que a partir do início do 2º semestre (Q3), trará importantes repercussões no aumento da dívida das famílias e da insolvência das mesmas; no esgotamento da capacidade de alavancamento das PMME's; no desemprego; na usurpação de mais garantias outrora conquistadas pelo Povo; na concentração do capital e finalmente, curiosamente de forma extraordinária nos chamados países centrais e a finais do desse mesmo período, na polarização de massas coesas em torno a iniciativas que visem a inadiável mudança, mudança vital, mudança que reclamará, sem dúvida, o compromisso de todos e cada um de nós.

Bom Ano Novo!

A revolução é hoje!

terça-feira, dezembro 29, 2009

E no entanto Move-se

O profundo silêncio das flores
é um lugar de ausência. Vazia moldura
para o vôo das aves, linha oscilante
de ligeira névoa
que nada revela do que talvez esconda.

Egito Gonçalves

É INACEITÁVEL E IMORAL PAGAR PARTE DO SMN COM DINHEIRO DA SEGURANÇA SOCIAL

Para que a mensagem contida no vídeo ao se faz referencia no post de dia 18/12 quede clara, esta é a posição consensuada da CGTP, com a qual estou inteiramente de acordo:

"O Governo ao propor para 2010 a redução de 1% da taxa social única na parte a cargo das entidades patronais que tiveram trabalhadores ao seu serviço a receber o salário mínimo nacional em 2009, reduz as receitas do sistema previdencial da Segurança Social em 30 milhões de euros, não estando contabilizado os efeitos da Administração Pública.

A CGTP-IN considera de todo inaceitável e imoral que o Governo tenha que pagar parte do salário mínimo nacional às entidades patronais com as contribuições do sistema previdencial.

Uma vez mais recorre-se à Segurança Social para financiar as empresas.

Ainda recentemente as entidades patronais foram financiadas em dezenas de milhões de euros do regime contributivo, com a utilização da lay-off, escudando-se em muitos dos casos na crise, para não terem de pagar os salários devidos aos trabalhadores.

Entretanto as dívidas do patronato ao regime previdencial da Segurança Social têm vindo a aumentar no período de 2005 a 2008; cresceram em 2 mil e 691 milhões de euros, o que demonstra a ineficiência do Governo no combate às dívidas patronais para com a Segurança Social. Tendo estas dívidas impactos muito significativas sobre a sua sustentabilidade.

E no código contributivo, conforme a CGTP-IN já tinha referido, a oferta que está prevista para o patronato só num ano era de mais 380 milhões de euros, pelo efeito da redução de 1%, na parte contributiva a cargo das entidades patronais que tivessem trabalhadores efectivos.

É bom lembrar que as contribuições para a Segurança Social têm uma finalidade concreta que é o de substituir os rendimentos dos trabalhadores quando estes se reformarem ou são atingidos por riscos sociais, como o desemprego.

Por isso é de todo imoral que se delapide este património. Nem o Governo, nem as entidades patronais têm o direito de usar o dinheiro que é pertença dos trabalhadores.

Para com os trabalhadores, o Governo já não tem a mesma atitude; quanto à protecção aos desempregados as medidas têm sido a conta gotas, e é depois de muito serem reclamadas, mas continuam a ser insuficientes, dado que há muitos beneficiários sem protecção.

A CGTP-IN reafirma que não é aceitável que as empresas sejam financiadas pelo regime previdencial da Segurança Social, e está a por em risco o principal instrumento de solidariedade dos trabalhadores.

DIF/CGTP

Lisboa, 15.12.2009"

Em suma, outras questões serão certamente alvo de discussão no seio da organização. Assim mesmo, enumerar as diversas questões que segundo a experiência de cada um possa suscitar determinado discurso, sem dúvida, será sempre a melhor forma de as diluir posteriormente. A mensagem, como todos sabemos, fácilmente se tergiversa quando para tal existe disposição, afinal existirão sempre distintas formas de a interpretar, sendo essa a verdadeira ameaça. Outra coisa seria constituir-nos senhores da realidade de todos. Lutar é também expôr-se, sem escolher a quem, mas sabendo porquê "mojarse", como por aqui se diz.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

A lenta evolução de Chavez.

Noticia num jornal do qual não vale a pena referir o nome:

"A «ilusão Obama» terminou com o «intervencionismo descarado» dos Estados Unidos na América Latina, afirmou neste domingo o presidente venezuelano, Hugo Chávez, em referência às «ameaças« à Venezuela a partir da Colômbia e à «ditadura made in USA» de Honduras.

«Não se deve ter enganos, acabou-se a ilusão Obama», afirmou. «Vejam a ameaça imperial contra a Venezuela a partir da Colômbia: a Colômbia irmã transformou-se em Israel da América do Sul», afirma Chávez, ao comentar o acordo militar que permitirá que tropas americanas operem de maneira controlada em pelo menos sete bases colombianas.

Na sua coluna semanal na imprensa «Las líneas de Chávez», o presidente venezuelano afirma que «2010 não será um ano fácil: os agentes da reacção internacional preparam o roteiro para reverter o processo emancipador que vive nossa América». «A reacção, nos nossos países, conta agora com um modelo de golpe de Estado para o século XXI: golpes com fachada legal que levam o selo made in USA», acrescentou."

Chavez, como se proclama, é "Socialista, revolucionário". Atendendo à sua condição revolucionária, permito-me corrigir a sua consideração sobre o papel da Colômbia, não aceitando a mesma como o "Israel da américa latina", mas, antes a Palestina ocupada da américa latina.
Assim assumida, Chavez poderia encontrar nas gentes de dito país uma força que combate a hegemonia do império e, ajudando o povo que a constitui, evitar os golpes que os yanques lhe propinam. A solução seria apoiar as FARC!

A revolução é hoje!