quinta-feira, fevereiro 03, 2011
quarta-feira, fevereiro 02, 2011
terça-feira, fevereiro 01, 2011
Os paraisos artificiais
Na minha terra, não há terra, há ruas;
mesmo as colinas são de prédios altos
com renda muito mais alta.
Na minha terra, não há árvores nem flores.
As flores, tão escassas, dos jardins mudam ao mês,
e a Câmara tem máquinas especialíssimas para desenraizar as árvores.
Os cânticos das aves - não há cânticos,
mas só canários de 3º andar e papagaios de 5º.
E a música do vento é frio nos pardieiros.
Na minha terra, porém, não há pardieiros,
que são todos na Pérsia ou na China,
ou em países inefáveis.
A minha terra não é inefável.
A vida da minha terra é que é inefável.
Inefável é o que não pode ser dito.
mesmo as colinas são de prédios altos
com renda muito mais alta.
Na minha terra, não há árvores nem flores.
As flores, tão escassas, dos jardins mudam ao mês,
e a Câmara tem máquinas especialíssimas para desenraizar as árvores.
Os cânticos das aves - não há cânticos,
mas só canários de 3º andar e papagaios de 5º.
E a música do vento é frio nos pardieiros.
Na minha terra, porém, não há pardieiros,
que são todos na Pérsia ou na China,
ou em países inefáveis.
A minha terra não é inefável.
A vida da minha terra é que é inefável.
Inefável é o que não pode ser dito.
Jorge de Sena
Sede V
Devido a um terceiro, que impede a publicação de um vídeo legendado que se entende incómodo para alguém (depois de 2 meses na rede), este quinto capítulo da "Guerra da água", em inglês, ficará aqui até que o permitam. Imaginar que a "Bechtel" tem alguma relação com o inusitado número de visitas que desde Mountain View se fizeram a este humilde blogue nos últimos dias será especular.
domingo, janeiro 30, 2011
sábado, janeiro 29, 2011
Um apelo de quem sente...
"Estão em debate no PE seis propostas da Comissão Europeia que são anti-sociais e um atentado à soberania de países como Portugal por ter dificuldades de cumprir os critérios cegos do Pacto de Estabilidade. Querem aplicar multas até 0,5% do PIB e fiscalizar mensalmente as contas orçamentais, esquecendo o desemprego e a pobreza.
Vamos lutar contra isto!"
Ilda Figueiredo
sexta-feira, janeiro 28, 2011
Como de súbito
Como de súbito na vida tudo cansa!
e cansa-nos a vida e nos cansamos dela,
ou ela é quem se cansa de nós mesmos,
na teima de existir e desejar?
Porque, neste cansaço, não o que não tivemos,
ou que perdemos, ou nos foi negado,
o que de que se cansa, mas também
o quanto temos, nos ama, se nos dá
a até os simples gozos de estar vivo.
Um dia é como se uma corda se quebrara,
ou como se acabara de gastar-se,
que nos prendia a tudo e tudo a nós.
Não é que as coisas percam importância,
as pessoas se afastem, se recusem,
ou nós nos recusemos. Não. è mais
ou menos que isto- se deseja igual
ao como até há pouco desejávamos.
É talvez mais. Mas sem valor algum.
O dia é noite, a noite é dia, a luz
se apaga ou se derrama sobre as coisas
mas elas deixam de ter forma e cor,
ou se sumir no espaço como forma oculta.
E o que sentimos é pior que quanto
dantes sentíamos nas horas ásperas
da fúria de não ter ou de ter tido.
Porque se sente o não sentir. Um tédio
Não como o tédio antigo. Nem vazio.
O não sentir. Que cansa como nada.
Até dizê-lo cansa. É inútil. Cansa.
e cansa-nos a vida e nos cansamos dela,
ou ela é quem se cansa de nós mesmos,
na teima de existir e desejar?
Porque, neste cansaço, não o que não tivemos,
ou que perdemos, ou nos foi negado,
o que de que se cansa, mas também
o quanto temos, nos ama, se nos dá
a até os simples gozos de estar vivo.
Um dia é como se uma corda se quebrara,
ou como se acabara de gastar-se,
que nos prendia a tudo e tudo a nós.
Não é que as coisas percam importância,
as pessoas se afastem, se recusem,
ou nós nos recusemos. Não. è mais
ou menos que isto- se deseja igual
ao como até há pouco desejávamos.
É talvez mais. Mas sem valor algum.
O dia é noite, a noite é dia, a luz
se apaga ou se derrama sobre as coisas
mas elas deixam de ter forma e cor,
ou se sumir no espaço como forma oculta.
E o que sentimos é pior que quanto
dantes sentíamos nas horas ásperas
da fúria de não ter ou de ter tido.
Porque se sente o não sentir. Um tédio
Não como o tédio antigo. Nem vazio.
O não sentir. Que cansa como nada.
Até dizê-lo cansa. É inútil. Cansa.
Jorge de Sena
A Portugal
Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de nascido nela.
Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
saudosamente nela, mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.
Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça, e de vileza,
de mesquinhez, de fatua ignorância;
terra de escravos, cu pró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre, castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol calada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros
que deixam moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;
terra de monumentos em que o povo
assina a merda o seu anonimato;
terra-museu em que se vive ainda,
com porcos pela rua, em casas celtiberas;
terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;
ó terra de ninguém, ninguém, ninguém:
eu te pertenço.
És cabra, és badalhoca,
és mais que cachorra pelo cio,
és peste e fome e guerra e dor de coração.
Eu te pertenço mas seres minha, não
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de nascido nela.
Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
saudosamente nela, mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.
Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça, e de vileza,
de mesquinhez, de fatua ignorância;
terra de escravos, cu pró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre, castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol calada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros
que deixam moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;
terra de monumentos em que o povo
assina a merda o seu anonimato;
terra-museu em que se vive ainda,
com porcos pela rua, em casas celtiberas;
terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;
ó terra de ninguém, ninguém, ninguém:
eu te pertenço.
És cabra, és badalhoca,
és mais que cachorra pelo cio,
és peste e fome e guerra e dor de coração.
Eu te pertenço mas seres minha, não
Jorge de Sena
Pela candidatura de Francisco Lopes
O número de portugueses registados no sistema da Segurança Social espanhol continua a cair, estando referenciados no final do ano passado 51.831 trabalhadores, quase menos mil do que em Agosto de 2010, indicam dados oficiais revelados hoje.
Os dados do Ministério do Trabalho espanhol confirmam, assim, uma tendência que se tem vindo a consolidar nos últimos anos.
Os dados do Ministério do Trabalho espanhol confirmam, assim, uma tendência que se tem vindo a consolidar nos últimos anos.
PCP em Espanha x 300%

Sede III
Depois de mais uma volta ao resultado eleitoral, vejo a obrigação de assumir o tremendo erro que cometi equacionando os mesmos e sacando as conclusões que incluí no post "A marisma". continuando...
quinta-feira, janeiro 27, 2011
quarta-feira, janeiro 26, 2011
Sede I
Dia Internacional da Água
"Assinala-se a 1 de Outubro o Dia Internacional da Água, oportunidade para uma reflexão dos portugueses sobre a importância deste recurso para o nosso futuro colectivo e sobre qual deverá ser a política de gestão e utilização que sirva os interesses dos portugueses e do País. A crescente sensibilidade dos portugueses para a importância da água e o aumento de conhecimento desta problemática, se tem tido algum eco no discurso do Governo PS, não tem tido a mesma correspondência na sua política. O PCP manifesta a sua maior preocupação com a actual gestão da água e alerta para a irresponsabilidade com que o Governo, optando por favorecer outros interesses em detrimento de uma correcta política da água, está a pôr em causa o futuro dos portugueses. O Governo PS manteve formalmente o modelo institucional centralizado, burocratizado e dissociado do conceito de bacia hidrográfica, instalado pelo PSD, agravando as suas distorções por uma prática cada vez mais centralizadora, redutora da adequada participação dos cidadãos, das autarquias e dos utilizadores da água. O debate público foi sempre substituído pela apresentação pública de projectos. Os agentes económicos e sociais não são chamados nem ouvidos na definição da política da água. Os próprios Conselhos de Bacia têm sido utilizados como mero palco de apresentações esporádicas, deturpando a sua natureza de órgão consultivo estratégico na elaboração dos Planos de Bacia Hidrográfica. Continua adiada a promessa eleitoral da publicação de uma Lei da Água, assim como continua sucessivamente adiada a apresentação das propostas dos Planos de Bacia Hidrográfica e do Plano Nacional da Água. A administração da água consiste em intervenções casuísticas e centralizadoras, de carácter arbitrário, sem o suporte técnico e científico adequado, assim como num deficiente aproveitamento dos fundos destinados ao sector, a que acresceu a sua gestão desequilibrada e desarticulada. Tem vindo a crescer a pressão sobre as autarquias para o mesmo esvaziamento em proveito de entidades de direito privado sobre as quais não têm controlo, designadamente no que diz respeito às competências de abastecimento de água e saneamento. Mais de um milhão de pessoas residentes em Portugal continental estão privados do direito a abastecimento público de água. Segundo os dados do Ministério do Ambiente, 27% dos portugueses não usufruem de qualquer tipo de recolha de águas residuais, e apenas é tratado o esgoto de 55% da população. O modelo de gestão da água como recurso finito, móvel e reutilizável de propriedade comum, bem de primeira necessidade cujo acesso é um direito natural, como suporte de ecossistemas e elo de equilíbrio climático, reflecte o projecto de desenvolvimento do País e a forma de exercício da soberania e da democracia. A gestão da água tem de ser assumida como a gestão de um património comum, que não pode ser alvo de lógicas economicistas de curto prazo mas, ao contrário, terá de assumir-se como compromisso dinâmico de adequada relação entre o Homem e os recursos de que pode usufruir. No entender do PCP, muito mais que uma política sectorial, a política da água é uma componente estrutural do desenvolvimento humano integrado e sustentado, de equilíbrio com o espaço envolvente e de autonomia. O que exige que o ambiente seja encarado como um sistema dinâmico no qual o Homem, ocupando o lugar central, é o garante da preservação e equilíbrio ecológico, do respeito pela natureza e, simultaneamente, objecto da procura das condições que permitam a melhoria do seu nível de saúde e de bem-estar. Saudando a progressiva disponibilidade dos portugueses para a protecção e poupança deste recurso essencial, o PCP manifesta o seu empenhamento na resolução dos principais problemas que afectam este sector, exortando os portugueses a uma atitude cada vez mais atenta e participativa na exigência de uma política da água que sirva o interesse de Portugal."
Nota do Gabinete de Imprensa do PCP - Setembro 2000
"Assinala-se a 1 de Outubro o Dia Internacional da Água, oportunidade para uma reflexão dos portugueses sobre a importância deste recurso para o nosso futuro colectivo e sobre qual deverá ser a política de gestão e utilização que sirva os interesses dos portugueses e do País. A crescente sensibilidade dos portugueses para a importância da água e o aumento de conhecimento desta problemática, se tem tido algum eco no discurso do Governo PS, não tem tido a mesma correspondência na sua política. O PCP manifesta a sua maior preocupação com a actual gestão da água e alerta para a irresponsabilidade com que o Governo, optando por favorecer outros interesses em detrimento de uma correcta política da água, está a pôr em causa o futuro dos portugueses. O Governo PS manteve formalmente o modelo institucional centralizado, burocratizado e dissociado do conceito de bacia hidrográfica, instalado pelo PSD, agravando as suas distorções por uma prática cada vez mais centralizadora, redutora da adequada participação dos cidadãos, das autarquias e dos utilizadores da água. O debate público foi sempre substituído pela apresentação pública de projectos. Os agentes económicos e sociais não são chamados nem ouvidos na definição da política da água. Os próprios Conselhos de Bacia têm sido utilizados como mero palco de apresentações esporádicas, deturpando a sua natureza de órgão consultivo estratégico na elaboração dos Planos de Bacia Hidrográfica. Continua adiada a promessa eleitoral da publicação de uma Lei da Água, assim como continua sucessivamente adiada a apresentação das propostas dos Planos de Bacia Hidrográfica e do Plano Nacional da Água. A administração da água consiste em intervenções casuísticas e centralizadoras, de carácter arbitrário, sem o suporte técnico e científico adequado, assim como num deficiente aproveitamento dos fundos destinados ao sector, a que acresceu a sua gestão desequilibrada e desarticulada. Tem vindo a crescer a pressão sobre as autarquias para o mesmo esvaziamento em proveito de entidades de direito privado sobre as quais não têm controlo, designadamente no que diz respeito às competências de abastecimento de água e saneamento. Mais de um milhão de pessoas residentes em Portugal continental estão privados do direito a abastecimento público de água. Segundo os dados do Ministério do Ambiente, 27% dos portugueses não usufruem de qualquer tipo de recolha de águas residuais, e apenas é tratado o esgoto de 55% da população. O modelo de gestão da água como recurso finito, móvel e reutilizável de propriedade comum, bem de primeira necessidade cujo acesso é um direito natural, como suporte de ecossistemas e elo de equilíbrio climático, reflecte o projecto de desenvolvimento do País e a forma de exercício da soberania e da democracia. A gestão da água tem de ser assumida como a gestão de um património comum, que não pode ser alvo de lógicas economicistas de curto prazo mas, ao contrário, terá de assumir-se como compromisso dinâmico de adequada relação entre o Homem e os recursos de que pode usufruir. No entender do PCP, muito mais que uma política sectorial, a política da água é uma componente estrutural do desenvolvimento humano integrado e sustentado, de equilíbrio com o espaço envolvente e de autonomia. O que exige que o ambiente seja encarado como um sistema dinâmico no qual o Homem, ocupando o lugar central, é o garante da preservação e equilíbrio ecológico, do respeito pela natureza e, simultaneamente, objecto da procura das condições que permitam a melhoria do seu nível de saúde e de bem-estar. Saudando a progressiva disponibilidade dos portugueses para a protecção e poupança deste recurso essencial, o PCP manifesta o seu empenhamento na resolução dos principais problemas que afectam este sector, exortando os portugueses a uma atitude cada vez mais atenta e participativa na exigência de uma política da água que sirva o interesse de Portugal."
Nota do Gabinete de Imprensa do PCP - Setembro 2000
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segunda-feira, janeiro 24, 2011
A marisma
Tendo sido as eleições que históricamente menos participadas se revelaram, todo um sinal de confiança na acção dos anteriores governos; sem que aqueles que necessitavam pedir emprestados os olhos da criança que foram para tentar descobrir a vontade que de tantos ataques se vai mascarando parecendo abandoná-los; os acontecimentos relacionados com a corrupção inimputada; a imagem tendenciosamente manipulada e transmitida pelos meios de comunicação que nos coloca como meros elementos de figuração numa história na qual somos e sempre seremos, os protagonistas; o aproveitamento da burocracia por parte de quem legisla para dificultar o exercicio de um direito conquistado pela luta e morte de tantas Mulheres e Homens que nos antecederam e acompanham ou, a opção das diferentes forças políticas no relativo à eleição dos seus candidatos, Portugal continua na senda da decadência.
Observando o resultado das várias candidaturas, numa análise "grosso modo", podemos perceber o valor real do esclarecimento da população. Dos três candidatos apoiados por partidos políticos, encontramos que, Francisco Lopes, apesar de que a sua base de apoio também se encontre exposta aos factores anteriormente mencionados e a outros que aqui não se expõem e que possibilitaram uma abstenção superior a 53%, foi a aquela que menos sustento perdeu, bastando para tal atender a que este reduziu a sua votação em 10%, enquanto Cavaco perdeu quase 14% e que, no caso de Manuel Alegre, aproximadamente 20% do seu eleitorado lhe retirou a confiança.
Em última impressão, não sendo, nem pretendendo, um ignorante equivocado sabe-tudo da política, encontrei que foi maioritariamente a juventude quem reinvindicou o seu direito, quem quis mudar a marisma e transformá-la, a mesma juventude da qual prescindem todos os governos que desde 1975 têm vindo a atrofiar o país, a mesma juventude víctima primeira desta mentira na qual 23% do eleitorado nos obriga a acompanhar quem chafurda como no líquido materno.
A luta deve continuar.
Observando o resultado das várias candidaturas, numa análise "grosso modo", podemos perceber o valor real do esclarecimento da população. Dos três candidatos apoiados por partidos políticos, encontramos que, Francisco Lopes, apesar de que a sua base de apoio também se encontre exposta aos factores anteriormente mencionados e a outros que aqui não se expõem e que possibilitaram uma abstenção superior a 53%, foi a aquela que menos sustento perdeu, bastando para tal atender a que este reduziu a sua votação em 10%, enquanto Cavaco perdeu quase 14% e que, no caso de Manuel Alegre, aproximadamente 20% do seu eleitorado lhe retirou a confiança.
Em última impressão, não sendo, nem pretendendo, um ignorante equivocado sabe-tudo da política, encontrei que foi maioritariamente a juventude quem reinvindicou o seu direito, quem quis mudar a marisma e transformá-la, a mesma juventude da qual prescindem todos os governos que desde 1975 têm vindo a atrofiar o país, a mesma juventude víctima primeira desta mentira na qual 23% do eleitorado nos obriga a acompanhar quem chafurda como no líquido materno.
A luta deve continuar.
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Fausto - atrás dos tempos...
quarta-feira, janeiro 19, 2011
Este fim de semana...
... como opção (basta querer), podemos integrar a mesa eleitoral e/ou, votar, no Francisco Lopes, claro...
Até lá, e porque há muito trabalho no terreno, fica este post:
Até lá, e porque há muito trabalho no terreno, fica este post:
terça-feira, janeiro 18, 2011
Dorme
Não sonhando nunca necessitaremos contrariar o estabelecido, mas, mais importante, sem sonhos estaremos seguros de nunca criar realidades que quem nos governe não possa controlar.
Para sonhar há que dormir, bastam 90 minutos, para adormecer é necessário estar acordado.
Para sonhar há que dormir, bastam 90 minutos, para adormecer é necessário estar acordado.
"Não dar tréguas ao fascismo"
Uma das muitas estratégias para manipular as populações, além da coacção física ou da imprimação da solidão como realidade próxima, é também o potenciar da memória de experiências aversivas com o objectivo de condicionar pelo medo a sua vontade ou comportamento.Além do debate a que o povo português pôde assistir num momento crítico para a sua emancipação, entre Álvaro Cunhal e Mário Soares, onde, reiteradamente, este último afirmou que o Partido Comunista o que pretendia era instaurar uma ditadura – conscientes todos do peso que uma palavra que havia determinado a vida do país durante 48 anos poderia ter, sem nos esquecermos que o desequilíbrio fisiológico que o vitimou, através da fome ou do amordaçar da sua voz, impedindo-o criar imagens passíveis de construir sonhos de outras realidades, fomentaria -; no qual se acusou este partido, sem qualquer legitimidade, de estar a conduzir o país para uma guerra civil; ainda depois da entrega da vida dos trabalhadores ao capitalismo apátrida, o condicionamento não parou. Analisemos o dramatismo desta peça teatral, onde se traz à cena uma comedida agitação a atribuir já se sabe a quem:
Hoje, fruto desse trabalho de base, a consciencialização relativa à assunção do resultado das opções de cada um, abrindo os olhos àquelas divergentes das propagandeadas pelos meios de comunicação propriedade dos grupos económico-políticos estabelecidos, aceites como únicas numa espécie de “neolinguísmo” cultural (Similar ao alemão da década de 30 do século passado) reduzido ao tamanho do ecrã, torna-se cada vez mais determinante para a preservação de Portugal, que somos todos, e, de dimensão similar, da espécie.
Filogeneticamente emparentados com as demais espécies, somos, contudo, possuidores de pelos menos uma característica muito singular, o pensamento abstracto (basta que consideremos conquistas históricas incontornáveis). Assim, ao contrário dos limitados animais que no vídeo* em baixo se revelam incapazes de se libertar, perpetuando por si sós os reflexos derivados da repressão, só justificando a liberdade conquistada em Abril poderemos expulsar a corja do governo.
Faltam 6 dias para, sem medo, protagonizarmos um enorme momento civilizacional, dos muitos que experimentaremos pelo caminho.
*- Este paradigma experimental é real.
domingo, janeiro 16, 2011
Neandertal e paciência
Na imagem seguinte, à esquerda um exemplo do crânio evoluído da espécie, com uma frente proeminente, à direita, uma cabeça de Neandertal.
Dedicado estes dias a conhecer matérias que consideram certos aspectos morfológicos da evolução, sem deixar de atender a que certas deformações encontradas em esqueletos se ficaram a dever apenas a influências culturais, encontrei no Neandertal determinadas características que se revelaram assobrosamente comuns a pelo menos um exemplar de, até agora aceite como tal, homo sapiens. Possivelmente a prova de uma continuidade genética paralela que contrariaria Darwin no que à variabilidade respeita, que, ao mesmo tempo, poderia explicar a razão da escolha deste exemplar para capataz do imperialismo no nosso país, considerando a sua proximidade ao tempo da prática inexistência do cortéx frontal, ou, à etapa embrionária do seu desenvolvimento, que o tornaria obediente e pouco capaz de articular qualquer linha de pensamento, razão pela qual apenas domina a sentença: "-Sobre isso... Não me pronuncio", aqui ficam alguns exemplos dessa semelhança, que, reitero, não passa de uma curiosidade.



Claro que, a tendência evolutiva é a de promover uma capacidade adaptativa síncrona e generalizada. Assim, sendo a paciência uma característica da inteligência, resistir na vanguarda - como faremos no dia 23 - é já vencer.




Resumindo: na foto abaixo poderemos encontrar, à esquerda (como já sabiamos), um exemplo do Homem actual e, no extremo direito, uma simulação de como seria o Neandertal. Como se poderá observar, as diferenças são claras, a área mais importante e que nos diferencia de outras espécies, que na imagem da esquerda se apresenta desenvolvida, extremamente relacionada com a cognição, no indivíduo da direita revela-se ainda atrofiada. 

Etiquetas:
Canção da paciência - Zeca Afonso
sábado, janeiro 15, 2011
Senta-te aí
Está na hora de ouvires o teu pai
Puxa para ti essa cadeira
Cada qual é que escolhe aonde vai
Hora-a-hora e durante a vida inteira
Podes ter uma luta que é só tua
Ou então ir e vir com as marés
Se perderes a direcção da Lua
Olha a sombra que tens colada aos pés
Estou cansado. Aceita o testemunho
Não tenho o teu caminho pra escrever
Tens de ser tu, com o teu próprio punho
Era isto o que te queria dizer
Sou uma metade do que era
Com mais outro tanto de cidade
Vou-me embora que o coração não espera
À procura da mais velha metade
Puxa para ti essa cadeira
Cada qual é que escolhe aonde vai
Hora-a-hora e durante a vida inteira
Podes ter uma luta que é só tua
Ou então ir e vir com as marés
Se perderes a direcção da Lua
Olha a sombra que tens colada aos pés
Estou cansado. Aceita o testemunho
Não tenho o teu caminho pra escrever
Tens de ser tu, com o teu próprio punho
Era isto o que te queria dizer
Sou uma metade do que era
Com mais outro tanto de cidade
Vou-me embora que o coração não espera
À procura da mais velha metade
João Monge
sexta-feira, janeiro 14, 2011
La Cantera
Hoje, muitas Mulheres e Homens, que sendo puto foram a madurez do despertar, feliz, para um sonho que era já o caminho, vieram saudar-me sem que nada de especial o tenha suscitado.
É certo que estamos num momento eleitoral e que, como habitualmente, aparecem mais vozes que noutras ocasiões. Porém, devido seguramente a esse efeito, tipo magnético, de atracção e repulsa, com que a mente estrutura a nossa idiossincrasia, equilibrando-nos fisiologicamente, favorecendo a coerência com a vontade, não encontro motivo aparente para tão inusitada visita.
Divagando, pela razão, pelos estímulos que actuam nesse eu que pensará que me assustaria se se revelara despido de contemplação, só aparece a esperança, mas, que esperança? Pois é, a esperança de que saibamos algum dia, todos (porque muitos o fazemos), respeitar o futuro, que nos olha desde baixo, às vezes com olhos de fuzil no momento do adeus.
Obrigado!
É certo que estamos num momento eleitoral e que, como habitualmente, aparecem mais vozes que noutras ocasiões. Porém, devido seguramente a esse efeito, tipo magnético, de atracção e repulsa, com que a mente estrutura a nossa idiossincrasia, equilibrando-nos fisiologicamente, favorecendo a coerência com a vontade, não encontro motivo aparente para tão inusitada visita.
Divagando, pela razão, pelos estímulos que actuam nesse eu que pensará que me assustaria se se revelara despido de contemplação, só aparece a esperança, mas, que esperança? Pois é, a esperança de que saibamos algum dia, todos (porque muitos o fazemos), respeitar o futuro, que nos olha desde baixo, às vezes com olhos de fuzil no momento do adeus.
Obrigado!
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