quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Ya no hay locos

Ya no hay locos, amigos, ya no hay locos. Se murió aquel manchego, aquel estrafalario fantasma del desierto y … ni en España hay locos. Todo el mundo está cuerdo, terrible, monstruosamente cuerdo.
Oíd … esto,
historiadores … filósofos … loqueros …
Franco … el sapo iscariote y ladrón en la silla del juez repartiendo castigos y premios,
en nombre de Cristo, con la efigie de Cristo prendida del pecho,
y el hombre aquí, de pie, firme, erguido, sereno,
con el pulso normal, con la lengua en silencio,
los ojos en sus cuencas y en su lugar los huesos …
El sapo iscariote y ladrón repartiendo castigos y premios …
y yo, callado, aquí, callado, impasible, cuerdo …
¡cuerdo!, sin que se me quiebre el mecanismo del cerebro.
¿Cuándo se pierde el juicio? (yo pregunto, loqueros).
¿Cuándo enloquece el hombre? ¿Cuándo, cuándo es cuando se enuncian los conceptos
absurdos y blasfemos
y se hacen unos gestos sin sentido, monstruosos y obscenos?
¿Cuándo es cuando se dice por ejemplo:
No es verdad. Dios no ha puesto
al hombre aquí, en la Tierra, bajo la luz y la ley del universo;
el hombre es un insecto
que vive en las partes pestilentes y rojas del mono y del camello?
¿Cuándo si no es ahora (yo pregunto, loqueros),
cuándo es cuando se paran los ojos y se quedan abiertos, inmensamente abiertos,
sin que puedan cerrarlos ni la llama ni el viento?
¿Cuándo es cuando se cambian las funciones del alma y los resortes del cuerpo
y en vez de llanto no hay más que risa y baba en nuestro gesto?
Si no es ahora, ahora que la justicia vale menos, infinitamente menos
que el orín de los perros;
si no es ahora, ahora que la justicia tiene menos, infinitamente menos
categoría que el estiércol;
si no es ahora … ¿cuándo se pierde el juicio?
Respondedme loqueros,
¿cuándo se quiebra y salta roto en mil pedazos el mecanismo del cerebro?
Ya no hay locos, amigos, ya no hay locos. Se murió aquel manchego,
aquel estrafalario fantasma del desierto
y … ¡Ni en España hay locos! ¡Todo el mundo está cuerdo,
terrible, monstruosamente cuerdo! …
¡Qué bien marcha el reloj! ¡Qué bien marcha el cerebro!
Este reloj …, este cerebro, tic-tac, tic-tac, tic-tac, es un reloj perfecto …,
perfecto, ¡perfecto!

León Felipe

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Defender a constituição

Roubam, matam deixando padecer, matam sem deixar nascer, matam-nos a vontade de viver, matam-nos o ser antes de morrer. Além da resistência é urgente usufruir do Art. 21º da constituição de Abril!

Num jornal

"O ministro das Finanças finlandês, Jyrki Katainen, convocou os primeiros-ministros conservadores da Europa para um encontro em Helsínquia a 4 de Março - antes da cimeira dos 17 do euro (a 11 de Março) - e deixou de fora os líderes socialistas de Grécia, Portugal e Espanha."

Dúvidas sobre matérias desconhecidas

Acabo de ler um artigo do DN, de dia 9, do qual parece possivel sacar base para um texto similar a algum que se tenha publicado neste blogue. Pois é, nem pensar nisso, ainda que não seria nada do outro mundo; nem pensar nisso apesar de inauditas coincidências.
A questão que surge é: Estará a produção nacional ajustada e ajustando-se, à capacidade de consumo daqueles dos quais o ordenado representa a acumulação do salário de muitos desempregados e que, multiplicado este pela dimensão deste emoldurado segmento, chegaria mesmo a setecentos mil?

terça-feira, fevereiro 15, 2011

"Também quero"

"Acaso pode um comunista, que compreenda minimamente as condições de vida e a psicologia das massas trabalhadoras e exploradas, descer até este ponto de vista do intelectual típico, do pequeno-burguês, do desclassificado, com o estado de espírito do fidalgote ou do szlachcic, que declara «inactiva» a «psicologia de paz» e considera «actividade» agitar uma espada de cartão? Pois é precisamente agitar uma espada de cartão o que fazem os nossos «esquerdas», quando eludem o facto, conhecido de todos e demonstrados uma vez mais com a guerra na Ucrânia, de que os povos, esgotados por três anos de matança, não podem combater sem tréguas, de que a guerra, se não se tem forças para a organizar à escala nacional, origina a cada passo a psicologia da desorganização própria do pequeno proprietário, e não a da férrea disciplina proletária. Vemos a cada passo na revista Kommunist que os nossos «esquerdas» não têm noção da férrea disciplina proletária nem da sua preparação, que estão impregnados até à medula com a psicologia do intelectual pequeno-burguês desclassificado."

Lénine - 5 de Maio de 1918

domingo, fevereiro 13, 2011

Perspectiva de um jardineiro

Perspectiva e, perspectivo, um campo imenso, tão extenso que parece ter como objectivo aumentar o alcance da vista, mas, será o campo?
Ao nascer, existimos como um jardim, prometemos como um jardim. Sem portas, nem janelas, nem cercas, nem cercados, só mais um, jardim. Quantos jardins...
Putos todos, compartimos, jogamos, exploramos, conhecemos, experimentamos, amamos neles e desde esses jardins.
Crescemos. Avançamos como um jardim num campo que este não limita e, porque o homem precisa conhecer, deixamos de o cuidar abstraidos pela redondeza. Assim, cresce, expande-se, multiplica de tal forma o seu tamanho que, abandonado, deixa de ser um jardim para se tornar floresta, que já não é nossa e que desconhecemos. Floresceu só com o nosso cuidado por outros jardins, os quais, não pretendendo, foram todos.
Tarde nos percatamos, quando já os troncos e as ramas das árvores e plantas dessa floresta se embrenham com outras, de um machado em alça para as segar. Para onde não olhamos, como pelos passos da sombra avisados, outros bosques, lanças com brasão, ou só mesmo (os que mais) muros de arame farpado, avançam sobre os rebentos das flores que teriam sido, algumas, também o nosso jardim.
Reagir, eis a solução. Com palavras, correntes, frustrações ou desnorte, toca a desbravar o que afinal não entendemos, o que nada nos diz, do que nada dissémos nem escutámos, sempre alheios, ainda que apenas isso sejamos.

Súbitamente, aparecemos feras, vindos da selva que foi campo, outrora caminhos para passearmos de um campo pragado de jardins soalheiros, hoje trevas, hoje... onde está o meu jardim, onde estão os nosso jardins?
Definhamos na contenda, defendendo a cegueira, que mata, profunda.


Mitchourine

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Denúncias do sol e, peneira.

(...) Cá fora, no jardim, o filho já tinha andado no triciclo e apreciado as prendas que o Arturinho recebera quando fizera doze anos. Mas não brincara, como das outras vezes, irrequieto e curioso, na ânsia de tudo ter nas mãos. Desde que o Arturinho lhe perguntou quando voltaria para a escola, sentiu que era ali um estranho. Andou no triciclo, por andar. E quando o amigo se gabou de que o papá lhe daria uma bicicleta, se ficasse bem no exame, sentou-se nas escadas e não falou mais.(...)

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

domingo, fevereiro 06, 2011

Todos evoluímos, positivamente?


Neste caso, mais que evolução biológica, parece ser que se trata de um processo de modificação da conducta devido à socialização de um animal em cativeiro.

Por outra parte, a imitação pode também adquirir resultados perniciosos, e, mais comentários não "fazerei"...

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Amostra sem valor

Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível:
com ele se entretém
e se julga intangível.

Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.

Eu sei que as dimensões impiedosos da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo.

António Gedeão

Sede VI

Dos facebookers espanhóis (Por Saramago - 1999)

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Os paraisos artificiais

Na minha terra, não há terra, há ruas;
mesmo as colinas são de prédios altos
com renda muito mais alta.

Na minha terra, não há árvores nem flores.
As flores, tão escassas, dos jardins mudam ao mês,
e a Câmara tem máquinas especialíssimas para desenraizar as árvores.

Os cânticos das aves - não há cânticos,
mas só canários de 3º andar e papagaios de 5º.
E a música do vento é frio nos pardieiros.

Na minha terra, porém, não há pardieiros,
que são todos na Pérsia ou na China,
ou em países inefáveis.

A minha terra não é inefável.
A vida da minha terra é que é inefável.
Inefável é o que não pode ser dito.

Jorge de Sena

Sede V

Devido a um terceiro, que impede a publicação de um vídeo legendado que se entende incómodo para alguém (depois de 2 meses na rede), este quinto capítulo da "Guerra da água", em inglês, ficará aqui até que o permitam. Imaginar que a "Bechtel" tem alguma relação com o inusitado número de visitas que desde Mountain View se fizeram a este humilde blogue nos últimos dias será especular.

domingo, janeiro 30, 2011

sábado, janeiro 29, 2011

Um apelo de quem sente...

"Estão em debate no PE seis propostas da Comissão Europeia que são anti-sociais e um atentado à soberania de países como Portugal por ter dificuldades de cumprir os critérios cegos do Pacto de Estabilidade. Querem aplicar multas até 0,5% do PIB e fiscalizar mensalmente as contas orçamentais, esquecendo o desemprego e a pobreza.
Vamos lutar contra isto!"
Ilda Figueiredo

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Como de súbito

Como de súbito na vida tudo cansa!
e cansa-nos a vida e nos cansamos dela,
ou ela é quem se cansa de nós mesmos,
na teima de existir e desejar?
Porque, neste cansaço, não o que não tivemos,
ou que perdemos, ou nos foi negado,
o que de que se cansa, mas também
o quanto temos, nos ama, se nos dá
a até os simples gozos de estar vivo.
Um dia é como se uma corda se quebrara,
ou como se acabara de gastar-se,
que nos prendia a tudo e tudo a nós.
Não é que as coisas percam importância,
as pessoas se afastem, se recusem,
ou nós nos recusemos. Não. è mais
ou menos que isto- se deseja igual
ao como até há pouco desejávamos.
É talvez mais. Mas sem valor algum.
O dia é noite, a noite é dia, a luz
se apaga ou se derrama sobre as coisas
mas elas deixam de ter forma e cor,
ou se sumir no espaço como forma oculta.
E o que sentimos é pior que quanto
dantes sentíamos nas horas ásperas
da fúria de não ter ou de ter tido.
Porque se sente o não sentir. Um tédio
Não como o tédio antigo. Nem vazio.
O não sentir. Que cansa como nada.
Até dizê-lo cansa. É inútil. Cansa.

Jorge de Sena

A Portugal

Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de nascido nela.

Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
saudosamente nela, mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.

Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça, e de vileza,
de mesquinhez, de fatua ignorância;
terra de escravos, cu pró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre, castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol calada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros
que deixam moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;
terra de monumentos em que o povo
assina a merda o seu anonimato;
terra-museu em que se vive ainda,
com porcos pela rua, em casas celtiberas;
terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;
ó terra de ninguém, ninguém, ninguém:
eu te pertenço.
És cabra, és badalhoca,
és mais que cachorra pelo cio,
és peste e fome e guerra e dor de coração.
Eu te pertenço mas seres minha, não


Jorge de Sena

Pela candidatura de Francisco Lopes

O número de portugueses registados no sistema da Segurança Social espanhol continua a cair, estando referenciados no final do ano passado 51.831 trabalhadores, quase menos mil do que em Agosto de 2010, indicam dados oficiais revelados hoje.
Os dados do Ministério do Trabalho espanhol confirmam, assim, uma tendência que se tem vindo a consolidar nos últimos anos.