
quarta-feira, janeiro 19, 2011
Este fim de semana...
... como opção (basta querer), podemos integrar a mesa eleitoral e/ou, votar, no Francisco Lopes, claro...
Até lá, e porque há muito trabalho no terreno, fica este post:
Até lá, e porque há muito trabalho no terreno, fica este post:
terça-feira, janeiro 18, 2011
Dorme
Não sonhando nunca necessitaremos contrariar o estabelecido, mas, mais importante, sem sonhos estaremos seguros de nunca criar realidades que quem nos governe não possa controlar.
Para sonhar há que dormir, bastam 90 minutos, para adormecer é necessário estar acordado.
Para sonhar há que dormir, bastam 90 minutos, para adormecer é necessário estar acordado.
"Não dar tréguas ao fascismo"
Uma das muitas estratégias para manipular as populações, além da coacção física ou da imprimação da solidão como realidade próxima, é também o potenciar da memória de experiências aversivas com o objectivo de condicionar pelo medo a sua vontade ou comportamento.Além do debate a que o povo português pôde assistir num momento crítico para a sua emancipação, entre Álvaro Cunhal e Mário Soares, onde, reiteradamente, este último afirmou que o Partido Comunista o que pretendia era instaurar uma ditadura – conscientes todos do peso que uma palavra que havia determinado a vida do país durante 48 anos poderia ter, sem nos esquecermos que o desequilíbrio fisiológico que o vitimou, através da fome ou do amordaçar da sua voz, impedindo-o criar imagens passíveis de construir sonhos de outras realidades, fomentaria -; no qual se acusou este partido, sem qualquer legitimidade, de estar a conduzir o país para uma guerra civil; ainda depois da entrega da vida dos trabalhadores ao capitalismo apátrida, o condicionamento não parou. Analisemos o dramatismo desta peça teatral, onde se traz à cena uma comedida agitação a atribuir já se sabe a quem:
Hoje, fruto desse trabalho de base, a consciencialização relativa à assunção do resultado das opções de cada um, abrindo os olhos àquelas divergentes das propagandeadas pelos meios de comunicação propriedade dos grupos económico-políticos estabelecidos, aceites como únicas numa espécie de “neolinguísmo” cultural (Similar ao alemão da década de 30 do século passado) reduzido ao tamanho do ecrã, torna-se cada vez mais determinante para a preservação de Portugal, que somos todos, e, de dimensão similar, da espécie.
Filogeneticamente emparentados com as demais espécies, somos, contudo, possuidores de pelos menos uma característica muito singular, o pensamento abstracto (basta que consideremos conquistas históricas incontornáveis). Assim, ao contrário dos limitados animais que no vídeo* em baixo se revelam incapazes de se libertar, perpetuando por si sós os reflexos derivados da repressão, só justificando a liberdade conquistada em Abril poderemos expulsar a corja do governo.
Faltam 6 dias para, sem medo, protagonizarmos um enorme momento civilizacional, dos muitos que experimentaremos pelo caminho.
*- Este paradigma experimental é real.
domingo, janeiro 16, 2011
Neandertal e paciência
Na imagem seguinte, à esquerda um exemplo do crânio evoluído da espécie, com uma frente proeminente, à direita, uma cabeça de Neandertal.
Dedicado estes dias a conhecer matérias que consideram certos aspectos morfológicos da evolução, sem deixar de atender a que certas deformações encontradas em esqueletos se ficaram a dever apenas a influências culturais, encontrei no Neandertal determinadas características que se revelaram assobrosamente comuns a pelo menos um exemplar de, até agora aceite como tal, homo sapiens. Possivelmente a prova de uma continuidade genética paralela que contrariaria Darwin no que à variabilidade respeita, que, ao mesmo tempo, poderia explicar a razão da escolha deste exemplar para capataz do imperialismo no nosso país, considerando a sua proximidade ao tempo da prática inexistência do cortéx frontal, ou, à etapa embrionária do seu desenvolvimento, que o tornaria obediente e pouco capaz de articular qualquer linha de pensamento, razão pela qual apenas domina a sentença: "-Sobre isso... Não me pronuncio", aqui ficam alguns exemplos dessa semelhança, que, reitero, não passa de uma curiosidade.



Claro que, a tendência evolutiva é a de promover uma capacidade adaptativa síncrona e generalizada. Assim, sendo a paciência uma característica da inteligência, resistir na vanguarda - como faremos no dia 23 - é já vencer.




Resumindo: na foto abaixo poderemos encontrar, à esquerda (como já sabiamos), um exemplo do Homem actual e, no extremo direito, uma simulação de como seria o Neandertal. Como se poderá observar, as diferenças são claras, a área mais importante e que nos diferencia de outras espécies, que na imagem da esquerda se apresenta desenvolvida, extremamente relacionada com a cognição, no indivíduo da direita revela-se ainda atrofiada. 

Etiquetas:
Canção da paciência - Zeca Afonso
sábado, janeiro 15, 2011
Senta-te aí
Está na hora de ouvires o teu pai
Puxa para ti essa cadeira
Cada qual é que escolhe aonde vai
Hora-a-hora e durante a vida inteira
Podes ter uma luta que é só tua
Ou então ir e vir com as marés
Se perderes a direcção da Lua
Olha a sombra que tens colada aos pés
Estou cansado. Aceita o testemunho
Não tenho o teu caminho pra escrever
Tens de ser tu, com o teu próprio punho
Era isto o que te queria dizer
Sou uma metade do que era
Com mais outro tanto de cidade
Vou-me embora que o coração não espera
À procura da mais velha metade
Puxa para ti essa cadeira
Cada qual é que escolhe aonde vai
Hora-a-hora e durante a vida inteira
Podes ter uma luta que é só tua
Ou então ir e vir com as marés
Se perderes a direcção da Lua
Olha a sombra que tens colada aos pés
Estou cansado. Aceita o testemunho
Não tenho o teu caminho pra escrever
Tens de ser tu, com o teu próprio punho
Era isto o que te queria dizer
Sou uma metade do que era
Com mais outro tanto de cidade
Vou-me embora que o coração não espera
À procura da mais velha metade
João Monge
sexta-feira, janeiro 14, 2011
La Cantera
Hoje, muitas Mulheres e Homens, que sendo puto foram a madurez do despertar, feliz, para um sonho que era já o caminho, vieram saudar-me sem que nada de especial o tenha suscitado.
É certo que estamos num momento eleitoral e que, como habitualmente, aparecem mais vozes que noutras ocasiões. Porém, devido seguramente a esse efeito, tipo magnético, de atracção e repulsa, com que a mente estrutura a nossa idiossincrasia, equilibrando-nos fisiologicamente, favorecendo a coerência com a vontade, não encontro motivo aparente para tão inusitada visita.
Divagando, pela razão, pelos estímulos que actuam nesse eu que pensará que me assustaria se se revelara despido de contemplação, só aparece a esperança, mas, que esperança? Pois é, a esperança de que saibamos algum dia, todos (porque muitos o fazemos), respeitar o futuro, que nos olha desde baixo, às vezes com olhos de fuzil no momento do adeus.
Obrigado!
É certo que estamos num momento eleitoral e que, como habitualmente, aparecem mais vozes que noutras ocasiões. Porém, devido seguramente a esse efeito, tipo magnético, de atracção e repulsa, com que a mente estrutura a nossa idiossincrasia, equilibrando-nos fisiologicamente, favorecendo a coerência com a vontade, não encontro motivo aparente para tão inusitada visita.
Divagando, pela razão, pelos estímulos que actuam nesse eu que pensará que me assustaria se se revelara despido de contemplação, só aparece a esperança, mas, que esperança? Pois é, a esperança de que saibamos algum dia, todos (porque muitos o fazemos), respeitar o futuro, que nos olha desde baixo, às vezes com olhos de fuzil no momento do adeus.
Obrigado!
quinta-feira, janeiro 13, 2011
quarta-feira, janeiro 12, 2011
Mania das grandezas
Pois bem, confesso:
fui eu quem destruiu as Babilônias
e descobriu a pólvora...
Acredite,
a estrela Sírius, de primeira grandeza,
(única no mercado)
deixou-me meu tio-avô em testamento.
No meu bolso esconde-se o segredo
das alquimias
e a metafísica das religiões
— tudo por inspiração!
Que querem?
Sou poeta
e tenho a mania das grandezas...
Talvez ainda venha a ser Presidente da República...
fui eu quem destruiu as Babilônias
e descobriu a pólvora...
Acredite,
a estrela Sírius, de primeira grandeza,
(única no mercado)
deixou-me meu tio-avô em testamento.
No meu bolso esconde-se o segredo
das alquimias
e a metafísica das religiões
— tudo por inspiração!
Que querem?
Sou poeta
e tenho a mania das grandezas...
Talvez ainda venha a ser Presidente da República...
Joaquim Namorado
Mudar
"Cuba lidera o grupo de dez países emergentes com maior índice de desenvolvimento social, conclui um estudo feito por uma equipa de investigadores da ONU com base nos resultados do Relatório do Índice do Desenvolvimento Humano 2010 , divulgado em novembro do ano passado.
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) foi proposto há cerca de 20 anos pela ONU como alternativa aos tradicionais indicadores de desenvolvimento dos países baseados no rendimento per capita, ao complementar esta informação com indicadores relacionados com a saúde e a educação das populações.
A partir do relatório de 2010, onde é calculado pela primeira vez um indicador sem a componente do rendimento, os investigadores das Nações Unidas chegaram a conclusões surpreendentes. Com efeito, nos países em desenvolvimento, o Top 10 é encabeçado por Cuba, seguida do Chile, Palau (Oceano Pacífico), Lituânia, Montenegro, Letónia, Argentina, Roménia, Uruguai e Geórgia.
17.º lugar no ranking mundial
Cuba encontra-se ainda em 17.º lugar no ranking mundial e o estudo da ONU sublinha que "foi o único país da América Latina no Top 10 do IDH sem a componente do rendimento, ao longo da última década".
Mesmo durante um período "marcado por carências económicas bem conhecidas, os indicadores sociais cubanos continuaram a melhorar, com a esperança de vida da população a aumentar dois anos e a escolaridade esperada a aumentar cinco anos", refere o estudo.
Quanto aos países desenvolvidos, a Noruega perde a liderança mundial para a Austrália, que se encontrava em segundo lugar, os EUA passam da quarta para a sétima posição e surgem quatro novos países no Top 10: Coreia do Sul, Japão, Islândia e Israel, que empurram o Canadá, Suécia, Holanda e Liechtenstein para fora do grupo dos dez melhores, onde figuram ainda a Nova Zelândia, Irlanda e Alemanha.
Como destaca o estudo, "o relatório de 2010 mostra que há uma reduzida correlação entre crescimento económico e melhoramentos na saúde e na educação, mesmo durante longos períodos de tempo"."
Mas, assim mesmo, num país socialista "sem liberdade de expressão" e com um bloqueio com 50 anos:
"Dentro em breve, o cancro do pulmão deixará de ser o mais letal de todos os tipos e entrar para a lista das doenças crónicas. A boa notícia vem de Cuba, que acaba de patentear a primeira vacina terapêutica contra a doença. Mais de 1 000 pacientes já estão a receber o novo tratamento.
A descoberta foi anunciada por Gisela González, responsável pelo projeto que desenvolveu a vacina. Em entrevista ao semanário cubano "Trabajadores" - publicada ontem por esse órgão de comunicação da Central de Trabalhadores de Cuba-, a investigadora disse que o objetivo da vacina é transformar o cancro do pulmão numa doença crónica controlável.
De acordo com a investigadora, a vacina foi desenvolvida a partir de "uma proteína que todos temos: o fator de crescimento epidérmico, relacionado com os processos de proliferação celular. Quando há cancro, essa proteína está descontrolada".
Gisela explicou que, como o organismo tolera "aquilo que é seu" e reage contra "o estranho", tendo sido preciso elaborar uma vacina que produzisse anticorpos contra essa proteína, que já é própria do organismo.
Outros tipos de cancro
Desde o início das investigações passaram-se já 15 anos. De acordo com a cientista cubana, a vacina foi patenteada após se ter testado a sua eficácia em mais de 1 000 pacientes sem que tenham ocorrido efeitos colaterais.
A patenteação em Cuba permitirá aplicar a vacina maciçamente no país, estando em curso o registo da CIMAVAX-EFG noutros países (a investigadora não avança quais).
Segundo Gisela González, a equipa de investigação avalia agora "a forma de empregar o mesmo princípio desta vacina noutros tumores sólidos (cancro da próstata, útero e mama), que podem receber este tipo de terapia. Obtivemos resultados importantes, mas é preciso esperar".
A CIMAX-EFG é indicada para os doentes que terminam o tratamento com radioterapia ou quimioterapia e que são considerados pacientes terminais sem alternativa terapêutica. É nesta fase, pós-tratamentos, que a vacina é aplicada para ajudar a controlar o crescimento do tumor, com a vantagem de não apresentar toxidade associada.
A vacina pode também ser usada como tratamento, como se de uma doença crónica se tratasse, já "que vai aumentar a expectativa e a qualidade de vida do paciente", afirmou a investigadora.
Só em Portugal, o cancro do pulmão mata pelo menos 3.000 pessoas anualmente."
Quanto a Portugal, a sua posição no "ranking" da ONU fica lá para a quadragésima, mas, não se fica por aí:
"Estruturar um texto encadeado, explicar um raciocínio com lógica, utilizar uma linguagem rigorosa ou articular diferentes conceitos da mesma disciplina são incapacidades que percorrem os alunos do 8.o ao 12.o ano de escolaridade, seja na Matemática, seja na Língua Portuguesa ou na Biologia. Mais que dominar a matéria, a grande dificuldade dos estudantes das escolas básicas e secundárias é expressar por escrito as suas ideias e os conhecimentos que adquiriram nas aulas. Esta é a principal conclusão do Relatório 2010 do Gabinete de Avaliação Educacional (Gave).
Poucas semanas depois de o estudo do PISA revelar que Portugal é o país da OCDE que mais progrediu na educação, chega agora o relatório do Gave que vem demonstrar que os alunos portugueses afinal estão ainda longe de conseguir desempenhar tarefas tão simples como, por exemplo, interpretar um texto poético, solucionar um exercício matemático com mais de duas etapas ou enfrentar um enunciado que não seja simples e curto.
A equipa do Ministério da Educação avaliou os conhecimentos dos alunos em 500 escolas secundárias e em 1200 estabelecimentos com o 3.o ciclo do ensino básico. Os testes intercalares do Gave, que começaram no ano lectivo de 2005/06, foram aplicados às disciplinas de Matemática e de Língua Portuguesa (no ensino básico) e ainda às cadeiras de Matemática A, Física e Química A e Biologia e Geologia do ensino secundário.
Nas disciplinas que envolveram contas (Matemática e Física/Química), os adolescentes só conseguiram completar correctamente os exercícios quando o desafio passou por resolver "cálculos elementares". O bom desempenho, aliás, está "fortemente associado" aos enunciados curtos e aos textos simples, conclui o relatório que o i consultou.
Na disciplina de Língua Portuguesa do 9.o ano, as maiores dificuldades estão em utilizar a língua de forma correcta. As lacunas são de ordem gramatical, mas também de construção de frases e textos que tenham lógica e coerência. A resolução de problemas na Matemática do 3.o ciclo é o ponto fraco dos alunos, mas as derrapagens também aconteceram quando foi preciso construir respostas com várias etapas de resolução. Definir estratégias para encontrar a solução de um determinado exercício matemático são dificuldades que se acentuam sempre que os enunciados são mais longos, avisam os técnicos do Ministério da Educação.
Secundário.
Escrever textos explicativos em que é necessário descrever raciocínios e explicar as estratégias adoptadas para justificar as respostas é uma das grandes deficiências que os especialistas do Gave encontraram em todas as disciplinas avaliadas no secundário. A falta de rigor científico e a linguagem desadequada foram falhas detectadas por todas as equipas que monitorizaram e avaliaram o desempenho dos alunos. Sempre que foi preciso seleccionar a informação e construir um texto que traduzisse um conjunto de ideias próprias, os alunos revelaram "grandes dificuldades".
Na Matemática A, do secundário, as fraquezas dos alunos tornaram-se mais evidentes quando tiveram de usar conceitos e estratégias menos treinados nas salas de aula ou então quando foram desafiados a interligar conceitos ou enfrentar enunciados longos. "Não deixam também de ser significativas as dificuldades detectadas nos problemas que envolvem maior número de cálculos e apresentação de raciocínios demonstrativos", alertam os especialistas no relatório de 2010.
Conseguir articular a informação fornecida nas provas e os conhecimentos necessários para responder a determinadas questões é igualmente uma tarefa a que poucos alunos conseguiram corresponder com êxito nos testes intermédios de Biologia e Geologia do 10.o e 11.o anos de escolaridade.
Nas disciplinas de Física e Química A, o desempenho dos alunos decresceu sempre que se exigiu uma avaliação crítica das informações contidas nas provas. Articular várias competências ou fazer cálculos que envolvam duas ou mais etapas são outras fragilidades dos alunos portugueses."
Com uma recessão esperada, por baixo, de 1,3%; um desemprego que se poderá aproximar ao milhão de trabalhadores ainda este ano; cortes na saúde, educação, apoio social, investigação; com direitos laborais usurpados; um grau de corrupção incontestável; sem justiça e com um governo e um presidente submetidos e subjugando o país e o povo aos desígnios do capitalismo transnacional, consciente da manipulação exercida sobre a população, pergunto:
Depois de nos trazerem a esta abjecta realidade, que argumentos apresentam os demais candidatos para esperar dos portugueses um apoio maior que aquele que se revela imperioso prestar ao Francisco Lopes?
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) foi proposto há cerca de 20 anos pela ONU como alternativa aos tradicionais indicadores de desenvolvimento dos países baseados no rendimento per capita, ao complementar esta informação com indicadores relacionados com a saúde e a educação das populações.
A partir do relatório de 2010, onde é calculado pela primeira vez um indicador sem a componente do rendimento, os investigadores das Nações Unidas chegaram a conclusões surpreendentes. Com efeito, nos países em desenvolvimento, o Top 10 é encabeçado por Cuba, seguida do Chile, Palau (Oceano Pacífico), Lituânia, Montenegro, Letónia, Argentina, Roménia, Uruguai e Geórgia.
17.º lugar no ranking mundial
Cuba encontra-se ainda em 17.º lugar no ranking mundial e o estudo da ONU sublinha que "foi o único país da América Latina no Top 10 do IDH sem a componente do rendimento, ao longo da última década".
Mesmo durante um período "marcado por carências económicas bem conhecidas, os indicadores sociais cubanos continuaram a melhorar, com a esperança de vida da população a aumentar dois anos e a escolaridade esperada a aumentar cinco anos", refere o estudo.
Quanto aos países desenvolvidos, a Noruega perde a liderança mundial para a Austrália, que se encontrava em segundo lugar, os EUA passam da quarta para a sétima posição e surgem quatro novos países no Top 10: Coreia do Sul, Japão, Islândia e Israel, que empurram o Canadá, Suécia, Holanda e Liechtenstein para fora do grupo dos dez melhores, onde figuram ainda a Nova Zelândia, Irlanda e Alemanha.
Como destaca o estudo, "o relatório de 2010 mostra que há uma reduzida correlação entre crescimento económico e melhoramentos na saúde e na educação, mesmo durante longos períodos de tempo"."
Mas, assim mesmo, num país socialista "sem liberdade de expressão" e com um bloqueio com 50 anos:
"Dentro em breve, o cancro do pulmão deixará de ser o mais letal de todos os tipos e entrar para a lista das doenças crónicas. A boa notícia vem de Cuba, que acaba de patentear a primeira vacina terapêutica contra a doença. Mais de 1 000 pacientes já estão a receber o novo tratamento.
A descoberta foi anunciada por Gisela González, responsável pelo projeto que desenvolveu a vacina. Em entrevista ao semanário cubano "Trabajadores" - publicada ontem por esse órgão de comunicação da Central de Trabalhadores de Cuba-, a investigadora disse que o objetivo da vacina é transformar o cancro do pulmão numa doença crónica controlável.
De acordo com a investigadora, a vacina foi desenvolvida a partir de "uma proteína que todos temos: o fator de crescimento epidérmico, relacionado com os processos de proliferação celular. Quando há cancro, essa proteína está descontrolada".
Gisela explicou que, como o organismo tolera "aquilo que é seu" e reage contra "o estranho", tendo sido preciso elaborar uma vacina que produzisse anticorpos contra essa proteína, que já é própria do organismo.
Outros tipos de cancro
Desde o início das investigações passaram-se já 15 anos. De acordo com a cientista cubana, a vacina foi patenteada após se ter testado a sua eficácia em mais de 1 000 pacientes sem que tenham ocorrido efeitos colaterais.
A patenteação em Cuba permitirá aplicar a vacina maciçamente no país, estando em curso o registo da CIMAVAX-EFG noutros países (a investigadora não avança quais).
Segundo Gisela González, a equipa de investigação avalia agora "a forma de empregar o mesmo princípio desta vacina noutros tumores sólidos (cancro da próstata, útero e mama), que podem receber este tipo de terapia. Obtivemos resultados importantes, mas é preciso esperar".
A CIMAX-EFG é indicada para os doentes que terminam o tratamento com radioterapia ou quimioterapia e que são considerados pacientes terminais sem alternativa terapêutica. É nesta fase, pós-tratamentos, que a vacina é aplicada para ajudar a controlar o crescimento do tumor, com a vantagem de não apresentar toxidade associada.
A vacina pode também ser usada como tratamento, como se de uma doença crónica se tratasse, já "que vai aumentar a expectativa e a qualidade de vida do paciente", afirmou a investigadora.
Só em Portugal, o cancro do pulmão mata pelo menos 3.000 pessoas anualmente."
Quanto a Portugal, a sua posição no "ranking" da ONU fica lá para a quadragésima, mas, não se fica por aí:
"Estruturar um texto encadeado, explicar um raciocínio com lógica, utilizar uma linguagem rigorosa ou articular diferentes conceitos da mesma disciplina são incapacidades que percorrem os alunos do 8.o ao 12.o ano de escolaridade, seja na Matemática, seja na Língua Portuguesa ou na Biologia. Mais que dominar a matéria, a grande dificuldade dos estudantes das escolas básicas e secundárias é expressar por escrito as suas ideias e os conhecimentos que adquiriram nas aulas. Esta é a principal conclusão do Relatório 2010 do Gabinete de Avaliação Educacional (Gave).
Poucas semanas depois de o estudo do PISA revelar que Portugal é o país da OCDE que mais progrediu na educação, chega agora o relatório do Gave que vem demonstrar que os alunos portugueses afinal estão ainda longe de conseguir desempenhar tarefas tão simples como, por exemplo, interpretar um texto poético, solucionar um exercício matemático com mais de duas etapas ou enfrentar um enunciado que não seja simples e curto.
A equipa do Ministério da Educação avaliou os conhecimentos dos alunos em 500 escolas secundárias e em 1200 estabelecimentos com o 3.o ciclo do ensino básico. Os testes intercalares do Gave, que começaram no ano lectivo de 2005/06, foram aplicados às disciplinas de Matemática e de Língua Portuguesa (no ensino básico) e ainda às cadeiras de Matemática A, Física e Química A e Biologia e Geologia do ensino secundário.
Nas disciplinas que envolveram contas (Matemática e Física/Química), os adolescentes só conseguiram completar correctamente os exercícios quando o desafio passou por resolver "cálculos elementares". O bom desempenho, aliás, está "fortemente associado" aos enunciados curtos e aos textos simples, conclui o relatório que o i consultou.
Na disciplina de Língua Portuguesa do 9.o ano, as maiores dificuldades estão em utilizar a língua de forma correcta. As lacunas são de ordem gramatical, mas também de construção de frases e textos que tenham lógica e coerência. A resolução de problemas na Matemática do 3.o ciclo é o ponto fraco dos alunos, mas as derrapagens também aconteceram quando foi preciso construir respostas com várias etapas de resolução. Definir estratégias para encontrar a solução de um determinado exercício matemático são dificuldades que se acentuam sempre que os enunciados são mais longos, avisam os técnicos do Ministério da Educação.
Secundário.
Escrever textos explicativos em que é necessário descrever raciocínios e explicar as estratégias adoptadas para justificar as respostas é uma das grandes deficiências que os especialistas do Gave encontraram em todas as disciplinas avaliadas no secundário. A falta de rigor científico e a linguagem desadequada foram falhas detectadas por todas as equipas que monitorizaram e avaliaram o desempenho dos alunos. Sempre que foi preciso seleccionar a informação e construir um texto que traduzisse um conjunto de ideias próprias, os alunos revelaram "grandes dificuldades".
Na Matemática A, do secundário, as fraquezas dos alunos tornaram-se mais evidentes quando tiveram de usar conceitos e estratégias menos treinados nas salas de aula ou então quando foram desafiados a interligar conceitos ou enfrentar enunciados longos. "Não deixam também de ser significativas as dificuldades detectadas nos problemas que envolvem maior número de cálculos e apresentação de raciocínios demonstrativos", alertam os especialistas no relatório de 2010.
Conseguir articular a informação fornecida nas provas e os conhecimentos necessários para responder a determinadas questões é igualmente uma tarefa a que poucos alunos conseguiram corresponder com êxito nos testes intermédios de Biologia e Geologia do 10.o e 11.o anos de escolaridade.
Nas disciplinas de Física e Química A, o desempenho dos alunos decresceu sempre que se exigiu uma avaliação crítica das informações contidas nas provas. Articular várias competências ou fazer cálculos que envolvam duas ou mais etapas são outras fragilidades dos alunos portugueses."
Com uma recessão esperada, por baixo, de 1,3%; um desemprego que se poderá aproximar ao milhão de trabalhadores ainda este ano; cortes na saúde, educação, apoio social, investigação; com direitos laborais usurpados; um grau de corrupção incontestável; sem justiça e com um governo e um presidente submetidos e subjugando o país e o povo aos desígnios do capitalismo transnacional, consciente da manipulação exercida sobre a população, pergunto:
Depois de nos trazerem a esta abjecta realidade, que argumentos apresentam os demais candidatos para esperar dos portugueses um apoio maior que aquele que se revela imperioso prestar ao Francisco Lopes?
terça-feira, janeiro 11, 2011
Com relação à vinda do FMI
Cavaco, que foi questionado no programa Grande Entrevista de Judite de Sousa, sugeriu que poderia haver outras soluções, nomeadamente a venda de activos ao estrangeiro, tal como aconteceu com a venda de parte da PT ou da Cimpor (que pareceu promovida por um corrupto).
Cavaco não entra em política, este triste sabujo do capital apenas protege os interesses dos especuladores quando sugere que, empresas públicas passem para a mão de privados, internacionais, marimbando-se para a soberania e para uma estructura empresarial nacional que permita o equilibrio orçamental do estado conservando os direitos da população. Depois de compradas estas empresas, até os impostos, que seria o único benefício a considerar, iriam pelo mesmo caminho que aqueles que ele próprio devia ter pago pela venda de umas acções com uma questionável rentabilidade ou para onde foram os da PT relativos à venda da "Vivo".
O lugar de Presidente está a muito usurpado por um, aparentemente potencial, criminoso contra a pátria, criminoso que só teria lugar onde manda a constituição (que os seus comparsas querem alterar mais uma vez, como cavaco fez no passado). Alguém que olha para os portugueses como algo alheio à sua responsabilidade, sequer à responsabilidade do próprio Estado, Estado que, este papa-reformas - basta atender a estas três: 4.152,00€-Banco de Portugal; 2.328,00€-Universidade Nova de Lisboa; 2.876,00 €-Por ter sido primeiro-ministro -, deve considerar propriedade de quem, como ele, o possa comprar. Ou senão, quando findar a música dos Xutos, ouçam lá esta resposta:
Todo um presidente, preocupado e solidário com aqueles são o próprio país.
Cavaco não entra em política, este triste sabujo do capital apenas protege os interesses dos especuladores quando sugere que, empresas públicas passem para a mão de privados, internacionais, marimbando-se para a soberania e para uma estructura empresarial nacional que permita o equilibrio orçamental do estado conservando os direitos da população. Depois de compradas estas empresas, até os impostos, que seria o único benefício a considerar, iriam pelo mesmo caminho que aqueles que ele próprio devia ter pago pela venda de umas acções com uma questionável rentabilidade ou para onde foram os da PT relativos à venda da "Vivo".
O lugar de Presidente está a muito usurpado por um, aparentemente potencial, criminoso contra a pátria, criminoso que só teria lugar onde manda a constituição (que os seus comparsas querem alterar mais uma vez, como cavaco fez no passado). Alguém que olha para os portugueses como algo alheio à sua responsabilidade, sequer à responsabilidade do próprio Estado, Estado que, este papa-reformas - basta atender a estas três: 4.152,00€-Banco de Portugal; 2.328,00€-Universidade Nova de Lisboa; 2.876,00 €-Por ter sido primeiro-ministro -, deve considerar propriedade de quem, como ele, o possa comprar. Ou senão, quando findar a música dos Xutos, ouçam lá esta resposta:
Todo um presidente, preocupado e solidário com aqueles são o próprio país.
segunda-feira, janeiro 10, 2011
Justiça imparcial ou condicionada? Venha o meu!
Ainda como ministro das finanças de Sá Carneiro, já Cavaco era capaz de promover as condições necessárias para a entrada do FMI, como se verificou, e, terraplanando o terreno para a sua intervenção, contribuir para uma revisão contitucional que hoje se revela dos mais importantes golpes à constituição de Abril, às condições de vida dos trabalhadores, do Povo e do pequenos e médios empresários. Não obstante, àparte de apadrinhar tudo o que foi a practica continuada do enriquecimento ilícito, nepotismo, corrupção, fraude, crimes contra a soberania, destruição do aparelho productivo, retirada de direitos aos trabalhadores e desempregados, cortes na educação e sanidade, também na justiça o actual presidente permite com o seu mutismo situações como esta:
Segundo a imprensa, uma auditoria do Tribunal de Contas (TC) detectou que aquele Instituto gastou 326,1 milhões de euros (160 no ano passado e 166,1 neste ano) de “depósitos autónomos”, tais como rendas, cauções e outras importâncias afectas a processos judiciais, que, logicamente, não pertenciam ao Estado e foram gastas como receitas extraordinárias, sem que fossem garantidas as responsabilidades para com terceiros. Os membros do Conselho Directivo que aprovaram as contas incorrem em responsabilidade, podendo ser sancionados com multa por “infracções financeiras sancionatórias”.
Assim, como não é o governo de Sócrates quem neste processo se trata de avaliar: qual é o papel do presidente da república? Desconhecer a realidade nacional, pactuar com a gestão fraudulenta do governo ou, manter uma equidistância protectora do poleiro entre o governo, o povo e as suas próprias responsabilidades?
É fácil lamentar que vinte por cento da população sobreviva por debaixo do limiar da pobreza (báremo definido não sei por quem), permitir que a esses vinte por cento se lhe tenham acrescentado mais dez (2,200.000) e continuar, impávido e sereno, a pedir ao Povo que lhe siga dando a confiança suficiente para se continuar a encher com a boca fechada. Um arauto do combate à corrupção.
Segundo a imprensa, uma auditoria do Tribunal de Contas (TC) detectou que aquele Instituto gastou 326,1 milhões de euros (160 no ano passado e 166,1 neste ano) de “depósitos autónomos”, tais como rendas, cauções e outras importâncias afectas a processos judiciais, que, logicamente, não pertenciam ao Estado e foram gastas como receitas extraordinárias, sem que fossem garantidas as responsabilidades para com terceiros. Os membros do Conselho Directivo que aprovaram as contas incorrem em responsabilidade, podendo ser sancionados com multa por “infracções financeiras sancionatórias”.
Assim, como não é o governo de Sócrates quem neste processo se trata de avaliar: qual é o papel do presidente da república? Desconhecer a realidade nacional, pactuar com a gestão fraudulenta do governo ou, manter uma equidistância protectora do poleiro entre o governo, o povo e as suas próprias responsabilidades?
É fácil lamentar que vinte por cento da população sobreviva por debaixo do limiar da pobreza (báremo definido não sei por quem), permitir que a esses vinte por cento se lhe tenham acrescentado mais dez (2,200.000) e continuar, impávido e sereno, a pedir ao Povo que lhe siga dando a confiança suficiente para se continuar a encher com a boca fechada. Um arauto do combate à corrupção.
domingo, janeiro 09, 2011
sábado, janeiro 08, 2011
Burguesia acumula fortuna sobre a miséria generalizada
Números do sistema ignóbil
A concentração da riqueza mundial disparou na última década. De acordo com um relatório publicado pelo Credit Suisse, a riqueza cresceu 72 por cento desde o início do novo século. A par desta subida, aumentou igualmente o fosso entre ricos e pobres.
O estudo que tem em conta apenas a população mundial adulta, revela que 1 por cento destes detêm 43 por cento da riqueza, ao passo que 43 por cento dos seres humanos maiores de idade repartem entre si apenas 2 por cento da riqueza total.
Dito de outro modo, os 0,5 por cento muito ricos controlam 35 por cento da riqueza mundial. Quando a percentagem dos muito ricos sobe para os 2 por cento, o total acumulado acompanha-a para os 50 por cento da riqueza mundial, e quando sobre para os 8 por cento ascende a 73,3 por cento do conjunto de activos na economia planetária.
Nas antípodas estão 4,1 mil milhões de adultos, isto é, a esmagadora maioria, que repartem entre si 20,7 por cento da riqueza mundial. 80 por cento da população mundial (maiores e menores de idade) vive em países onde o fosso entre ricos e pobres aumentou.
Mas a par da concentração da riqueza, o fosso entre países ditos desenvolvidos e em vias de desenvolvimento também se agravou, com os primeiros a sorverem parte considerável da riqueza e recursos dos segundos, nos quais a miséria alastra.
Ainda segundo a instituição bancária suíça, 63 por cento da riqueza mundial está concentrada nas mãos do grande capital europeu e norte-americano, e 22 por cento na posse da grande burguesia asiática. Nas demais regiões, concentram-se os restantes 15 por cento da riqueza mundial, embora nelas residam 58 por cento da população adulta.
Dados das Nações Unidas, por seu lado, afirmam que nos últimos 40 anos duplicou o número de nações consideradas menos desenvolvidas, as quais mais que duplicaram a importação de géneros alimentares entre 2002 e 2008.
No mesmo sentido, as estatísticas oficiais indicam que o rendimento médio nos países africanos mais pobres caiu 25 por cento nos últimos 20 anos, e que este continente possui somente 1 por cento do total da riqueza mundial, contrastando, por exemplo, com os EUA, onde se concentra 25 por cento da riqueza global.
A ONU afirma também que mais de 1/6 da população mundial é afectada pela fome, flagelo que mata um ser humano a cada 3,5 segundos, a maioria crianças menores de 5 anos.
(Esta, e outras, no Avante!)
A concentração da riqueza mundial disparou na última década. De acordo com um relatório publicado pelo Credit Suisse, a riqueza cresceu 72 por cento desde o início do novo século. A par desta subida, aumentou igualmente o fosso entre ricos e pobres.
O estudo que tem em conta apenas a população mundial adulta, revela que 1 por cento destes detêm 43 por cento da riqueza, ao passo que 43 por cento dos seres humanos maiores de idade repartem entre si apenas 2 por cento da riqueza total.
Dito de outro modo, os 0,5 por cento muito ricos controlam 35 por cento da riqueza mundial. Quando a percentagem dos muito ricos sobe para os 2 por cento, o total acumulado acompanha-a para os 50 por cento da riqueza mundial, e quando sobre para os 8 por cento ascende a 73,3 por cento do conjunto de activos na economia planetária.
Nas antípodas estão 4,1 mil milhões de adultos, isto é, a esmagadora maioria, que repartem entre si 20,7 por cento da riqueza mundial. 80 por cento da população mundial (maiores e menores de idade) vive em países onde o fosso entre ricos e pobres aumentou.
Mas a par da concentração da riqueza, o fosso entre países ditos desenvolvidos e em vias de desenvolvimento também se agravou, com os primeiros a sorverem parte considerável da riqueza e recursos dos segundos, nos quais a miséria alastra.
Ainda segundo a instituição bancária suíça, 63 por cento da riqueza mundial está concentrada nas mãos do grande capital europeu e norte-americano, e 22 por cento na posse da grande burguesia asiática. Nas demais regiões, concentram-se os restantes 15 por cento da riqueza mundial, embora nelas residam 58 por cento da população adulta.
Dados das Nações Unidas, por seu lado, afirmam que nos últimos 40 anos duplicou o número de nações consideradas menos desenvolvidas, as quais mais que duplicaram a importação de géneros alimentares entre 2002 e 2008.
No mesmo sentido, as estatísticas oficiais indicam que o rendimento médio nos países africanos mais pobres caiu 25 por cento nos últimos 20 anos, e que este continente possui somente 1 por cento do total da riqueza mundial, contrastando, por exemplo, com os EUA, onde se concentra 25 por cento da riqueza global.
A ONU afirma também que mais de 1/6 da população mundial é afectada pela fome, flagelo que mata um ser humano a cada 3,5 segundos, a maioria crianças menores de 5 anos.
(Esta, e outras, no Avante!)
Espuma de magnanimidade
Será preciso que intervenha o presidente de um banco para que alguém possa vender acções?
E, já agora... quem é que vende acções abaixo do preço de mercado, ou, (considerando o perfil de um especulador) dá um porco para obter uma linguiça?
(e sim, é a Maria Emilia, provando que, por muito que queira fazer, enquanto não formos coerentes, estará sempre condicionada, basta ver a alegria no olhar)
P.D.- A Galilei, como não devemos esquecer, é apenas outro ente que forma parte da fraude do BPN, ainda que, responsabilidades governativas e especialização em matéria económica, em conjunto, só Cavaco.
Ouvi um comentador perguntar porque é que não se quebram os contratos. Desde a ignorância, pergunto eu: porque é que não se nacionaliza a SLN, afinal a Galilei é apenas o novo nome no qual se escudam os seus antigos accionistas, em lugar de, através de mais uma vigarice para permitir a apropriação do fruto do nosso trabalho, indemnizar pela nacionalização, que é o que se está a fazer realmente e ao contrário do anteriormente dito, os antigos accionistas pela porta do cavalo?
Aproveitando, seria interessante inquirir o telles de abreu para explicar o que se passou com a opi92, SLN Valor, etc., proprietários dos terrenos do aeroporto de Alcochete. Só aí vão mil e duzentos milhões.
Finalmente, só como lembrete, mesmo aproveitando a legislação que nestes anos se promulgou a favor do capital, os anteriores proprietários do BPN, como cavaco, não pagaram impostos pelos ganhos obtidos na venda das acções.
E, já agora... quem é que vende acções abaixo do preço de mercado, ou, (considerando o perfil de um especulador) dá um porco para obter uma linguiça?
(e sim, é a Maria Emilia, provando que, por muito que queira fazer, enquanto não formos coerentes, estará sempre condicionada, basta ver a alegria no olhar)P.D.- A Galilei, como não devemos esquecer, é apenas outro ente que forma parte da fraude do BPN, ainda que, responsabilidades governativas e especialização em matéria económica, em conjunto, só Cavaco.
Ouvi um comentador perguntar porque é que não se quebram os contratos. Desde a ignorância, pergunto eu: porque é que não se nacionaliza a SLN, afinal a Galilei é apenas o novo nome no qual se escudam os seus antigos accionistas, em lugar de, através de mais uma vigarice para permitir a apropriação do fruto do nosso trabalho, indemnizar pela nacionalização, que é o que se está a fazer realmente e ao contrário do anteriormente dito, os antigos accionistas pela porta do cavalo?
Aproveitando, seria interessante inquirir o telles de abreu para explicar o que se passou com a opi92, SLN Valor, etc., proprietários dos terrenos do aeroporto de Alcochete. Só aí vão mil e duzentos milhões.
Finalmente, só como lembrete, mesmo aproveitando a legislação que nestes anos se promulgou a favor do capital, os anteriores proprietários do BPN, como cavaco, não pagaram impostos pelos ganhos obtidos na venda das acções.
quinta-feira, janeiro 06, 2011
O único caminho possível
Grande Entrevista - Informação - Entrevista e Debate RTP 1 - Multimédia RTP
(Prime sobre o elo, acima, a vermelho)
(Prime sobre o elo, acima, a vermelho)
quarta-feira, janeiro 05, 2011
Transtejo, a próxima a privatizar.
O grupo Transtejo, de acordo com a Câmara do Seixal, prepara-se para reduzir o número de carreiras nas ligações Seixal-Cais do Sodré e no triângulo Trafaria-Porto Brandão-Belém. No total serão menos oito as ligações diárias a efectuar com destino e partida do Seixal.
Responsável pelo pelouro da mobilidade, Joaquim Santos lamenta o facto de não ter havido qualquer diálogo com as autarquias. "É uma incoerência que não compreendemos, até porque o Plano Regional de Ordenamento do Território para a Área Metropolitana de Lisboa prevê um reforço das ligações."
Numa moção aprovada no passado dia 16, a assembleia municipal diz "repudiar qualquer tentativa de extinção de tal serviço público de transporte". Se isso vier a suceder, "o Governo vai condenar a Trafaria ao isolamento e ao desterro", lê-se no documento. A moção aprovada compara a actual situação à da década de 80, altura em que "idêntico cenário surgira no concelho do Seixal, e cuja pretensão era extinguir a respectiva carreira fluvial a pretexto da crise de então".
Para lá da eventual redução de carreiras e trabalhadores, o plano de contenção da empresa inclui a venda de sete das 34 embarcações de que dispõe. Isto depois de, em Maio, ter investido 14 milhões de euros para adquirir dois novos ferries com capacidade para 360 passageiros e 29 veículos.
Anunciados já para Janeiro estão os aumentos dos preços dos transporte públicos de Lisboa e do Porto. Os passes subirão 3,5 por cento, enquanto os restantes títulos de viagem custarão, em média, mais 4,5 por cento. Na opinião da porta-voz da Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul, Luísa Ramos, o executivo, com estas medidas, está a "fazer tudo para acabar com o serviço público de transportes".
Responsável pelo pelouro da mobilidade, Joaquim Santos lamenta o facto de não ter havido qualquer diálogo com as autarquias. "É uma incoerência que não compreendemos, até porque o Plano Regional de Ordenamento do Território para a Área Metropolitana de Lisboa prevê um reforço das ligações."
Numa moção aprovada no passado dia 16, a assembleia municipal diz "repudiar qualquer tentativa de extinção de tal serviço público de transporte". Se isso vier a suceder, "o Governo vai condenar a Trafaria ao isolamento e ao desterro", lê-se no documento. A moção aprovada compara a actual situação à da década de 80, altura em que "idêntico cenário surgira no concelho do Seixal, e cuja pretensão era extinguir a respectiva carreira fluvial a pretexto da crise de então".
Para lá da eventual redução de carreiras e trabalhadores, o plano de contenção da empresa inclui a venda de sete das 34 embarcações de que dispõe. Isto depois de, em Maio, ter investido 14 milhões de euros para adquirir dois novos ferries com capacidade para 360 passageiros e 29 veículos.
Anunciados já para Janeiro estão os aumentos dos preços dos transporte públicos de Lisboa e do Porto. Os passes subirão 3,5 por cento, enquanto os restantes títulos de viagem custarão, em média, mais 4,5 por cento. Na opinião da porta-voz da Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul, Luísa Ramos, o executivo, com estas medidas, está a "fazer tudo para acabar com o serviço público de transportes".
terça-feira, janeiro 04, 2011
Memória
Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.
Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.
Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.
José Carlos Ary dos Santos
Portugueses privados de acesso a dados da governação
Como evoluiu o desemprego no primeiro trimestre de 2011?
A simples resposta a esta questão, que tem sido central no debate político, vai passar a ser mais complicada. A partir deste ano, o Instituto Nacional de Estatística vai alterar as perguntas do Inquérito ao Emprego, que passará a ser feito por telefone, ficando inviabilizadas comparações directas com os dados publicados nos últimos dez anos.
Será esta, que esgrime o Eugénio Rosa, uma das razões:
"O governo tem procurado esconder a verdadeira situação do desemprego em Portugal (Sócrates,na sua mensagem de Natal, não fala uma única vez do desemprego) tentando fazer passar a mensagem junto da opinião pública que se está mesmo a verificar uma tendência quebra. E isto apesar do INE ter divulgado, no 3º Trim.2010, que o desemprego oficial atingiu 609,4 mil, e o desemprego efectivo, calculado também com dados do INE, alcançou 761,5 mil portugueses. Para anular os efeitos destes números, o governo tem utilizado o desemprego registado divulgado mensalmente pelo IEFP. O Secretário Estado do Emprego manifestou mesmo “satisfação” com este em declarações à Lusa, em 17.12.2010. Por isso, interessa explicar quem é abrangido e como são construídos os dados que o governo utiliza depois na suas declarações.
Os dados do desemprego registado divulgados pelo IEFP não incluem a totalidade dos desempregados. Todos aqueles que não se inscreveram nos Centros de Emprego (e são muitos) não constam desses dados. E o IEFP para obter os dados que divulga elimina mensalmente dos ficheiros dos Centros de Emprego milhares de desempregados sem apresentar justificação.
Segundo o próprio IEFP, entre 1-Jan2010 e 30-Nov.2010 inscreveram-se nos Centros de Emprego 631.972 novos desempregados (em média de 57.452/mês). Durante o mesmo período de tempo, os Centros de Emprego arranjaram trabalho para apenas 65.828 desempregado (em média 5.984/mês). Assim, o número dos novos desempregados que se inscreveram de Jan./Nov.2010 foi superior ao numero daqueles que os Centros de Emprego arranjaram trabalho em 566.144. Apesar do numero de novos desempregados ser 9,6 vezes superior ao número de desempregados que estes Centros arranjaram trabalho, o desemprego registado no fim de Nov.2010 (546.926) era inferior ao existente no fim de Jan.2010 (560.312) em 13.386. Como é que os responsáveis do IEFP conseguiram este milagre? Eliminando um elevado numero de desempregados dos ficheiros dos Centros de Emprego. Para concluir basta fazer as seguintes contas: Segundo o IEFP, no dia 1 de Jan-2010 existiam inscritos nos Centros de Emprego 524.674 desempregados. Entre 1 de Jan.2010 e 30 de Nov-2010 inscreveram nos Centros de Emprego 631.972 novos desempregados e, durante o mesmo período, os Centros de Emprego arranjaram trabalho só para 65.828. Logo somando 524.674 (número existentes em 1.1.2010) a 631.972 (novos desempregados que se inscreveram) e subtraindo 65.828 (número de desempregados que os Centros arranjaram trabalho) obtém-se 1.090.818. Era este o número de desempregados inscritos que devia existir em 30.11.2010. No entanto, o IEFP divulgou que nessa data só existiam inscritos nos Centros de Emprego 546.926. Consequentemente desapareceram dos ficheiros dos Centros de Emprego, entre 1 Jan-2010 e 30 Nov-2010, 543.892 empregados.
O IEFP fez esta limpeza sem divulgar no boletim que publica mensalmente as razões dessa eliminação, o que levanta naturalmente sérias dúvidas sobre a credibilidade dos números do desemprego registado que divulga mensalmente utilizados depois pelo governo.
Mas apesar desta elevada eliminação de desempregados dos ficheiros dos Centros de Emprego, a percentagem de desempregados, calculada em relação ao desemprego registado, a receber o subsidio de desemprego é baixa e tem diminuído nos últimos meses de 2010. Em Janeiro de 2010, o número de desempregados a receber o subsidio de desemprego representava 63,8% do desemprego registado divulgado pelo IEFP nesse mês; em Fevereiro aumentou para 66%, mas em Novembro de 2010 correspondia apenas a 57,4% do desemprego registado deste mês divulgado pelo IEFP. É clara a diminuição do apoio aos desempregados em Portugal consequência da alteração à lei do subsídio de desemprego aprovada pelo governo de Sócrates no 1º semestre de 2010. E recorde-se que muitos desempregados não estão inscritos nos Centros. É evidente que, com esta diminuição da protecção aos desempregados, a miséria tem de aumentar, miséria que incomoda muito Sócrates quando se fala dela, apesar de ser uma consequência da politica que o governo está a seguir. O governo Sócrates até se gaba de reduzir o apoio aos desempregados. A provar isso está a conferencia de imprensa dada pelo Secretário de Estado da Segurança Social em plena quadra natalícia. Este “senhor”, revelando total insensibilidade social, veio dizer ufano que já tinha cortado o subsídio social de desemprego a 10.291 desempregados, que recebiam em média entre 312€ e 347€ por mês, e o RSI (88,86€ por mês) a 8.321 beneficiários (RTP, 12.2010). E isto a juntar à redução de 389.827 beneficiários no abono de família, o que significa uma redução anual de 250 milhões € de apoios às famílias com filhos (CM, 26/12/2010). É desta forma que o governo promove a natalidade."?
A simples resposta a esta questão, que tem sido central no debate político, vai passar a ser mais complicada. A partir deste ano, o Instituto Nacional de Estatística vai alterar as perguntas do Inquérito ao Emprego, que passará a ser feito por telefone, ficando inviabilizadas comparações directas com os dados publicados nos últimos dez anos.
Será esta, que esgrime o Eugénio Rosa, uma das razões:
"O governo tem procurado esconder a verdadeira situação do desemprego em Portugal (Sócrates,na sua mensagem de Natal, não fala uma única vez do desemprego) tentando fazer passar a mensagem junto da opinião pública que se está mesmo a verificar uma tendência quebra. E isto apesar do INE ter divulgado, no 3º Trim.2010, que o desemprego oficial atingiu 609,4 mil, e o desemprego efectivo, calculado também com dados do INE, alcançou 761,5 mil portugueses. Para anular os efeitos destes números, o governo tem utilizado o desemprego registado divulgado mensalmente pelo IEFP. O Secretário Estado do Emprego manifestou mesmo “satisfação” com este em declarações à Lusa, em 17.12.2010. Por isso, interessa explicar quem é abrangido e como são construídos os dados que o governo utiliza depois na suas declarações.
Os dados do desemprego registado divulgados pelo IEFP não incluem a totalidade dos desempregados. Todos aqueles que não se inscreveram nos Centros de Emprego (e são muitos) não constam desses dados. E o IEFP para obter os dados que divulga elimina mensalmente dos ficheiros dos Centros de Emprego milhares de desempregados sem apresentar justificação.
Segundo o próprio IEFP, entre 1-Jan2010 e 30-Nov.2010 inscreveram-se nos Centros de Emprego 631.972 novos desempregados (em média de 57.452/mês). Durante o mesmo período de tempo, os Centros de Emprego arranjaram trabalho para apenas 65.828 desempregado (em média 5.984/mês). Assim, o número dos novos desempregados que se inscreveram de Jan./Nov.2010 foi superior ao numero daqueles que os Centros de Emprego arranjaram trabalho em 566.144. Apesar do numero de novos desempregados ser 9,6 vezes superior ao número de desempregados que estes Centros arranjaram trabalho, o desemprego registado no fim de Nov.2010 (546.926) era inferior ao existente no fim de Jan.2010 (560.312) em 13.386. Como é que os responsáveis do IEFP conseguiram este milagre? Eliminando um elevado numero de desempregados dos ficheiros dos Centros de Emprego. Para concluir basta fazer as seguintes contas: Segundo o IEFP, no dia 1 de Jan-2010 existiam inscritos nos Centros de Emprego 524.674 desempregados. Entre 1 de Jan.2010 e 30 de Nov-2010 inscreveram nos Centros de Emprego 631.972 novos desempregados e, durante o mesmo período, os Centros de Emprego arranjaram trabalho só para 65.828. Logo somando 524.674 (número existentes em 1.1.2010) a 631.972 (novos desempregados que se inscreveram) e subtraindo 65.828 (número de desempregados que os Centros arranjaram trabalho) obtém-se 1.090.818. Era este o número de desempregados inscritos que devia existir em 30.11.2010. No entanto, o IEFP divulgou que nessa data só existiam inscritos nos Centros de Emprego 546.926. Consequentemente desapareceram dos ficheiros dos Centros de Emprego, entre 1 Jan-2010 e 30 Nov-2010, 543.892 empregados.
O IEFP fez esta limpeza sem divulgar no boletim que publica mensalmente as razões dessa eliminação, o que levanta naturalmente sérias dúvidas sobre a credibilidade dos números do desemprego registado que divulga mensalmente utilizados depois pelo governo.
Mas apesar desta elevada eliminação de desempregados dos ficheiros dos Centros de Emprego, a percentagem de desempregados, calculada em relação ao desemprego registado, a receber o subsidio de desemprego é baixa e tem diminuído nos últimos meses de 2010. Em Janeiro de 2010, o número de desempregados a receber o subsidio de desemprego representava 63,8% do desemprego registado divulgado pelo IEFP nesse mês; em Fevereiro aumentou para 66%, mas em Novembro de 2010 correspondia apenas a 57,4% do desemprego registado deste mês divulgado pelo IEFP. É clara a diminuição do apoio aos desempregados em Portugal consequência da alteração à lei do subsídio de desemprego aprovada pelo governo de Sócrates no 1º semestre de 2010. E recorde-se que muitos desempregados não estão inscritos nos Centros. É evidente que, com esta diminuição da protecção aos desempregados, a miséria tem de aumentar, miséria que incomoda muito Sócrates quando se fala dela, apesar de ser uma consequência da politica que o governo está a seguir. O governo Sócrates até se gaba de reduzir o apoio aos desempregados. A provar isso está a conferencia de imprensa dada pelo Secretário de Estado da Segurança Social em plena quadra natalícia. Este “senhor”, revelando total insensibilidade social, veio dizer ufano que já tinha cortado o subsídio social de desemprego a 10.291 desempregados, que recebiam em média entre 312€ e 347€ por mês, e o RSI (88,86€ por mês) a 8.321 beneficiários (RTP, 12.2010). E isto a juntar à redução de 389.827 beneficiários no abono de família, o que significa uma redução anual de 250 milhões € de apoios às famílias com filhos (CM, 26/12/2010). É desta forma que o governo promove a natalidade."?
segunda-feira, janeiro 03, 2011
Além do aumento das taxas...
"A directora clínica do Hospital Garcia de Orta, em Almada, defendeu hoje que o aumento do número de utentes a recorrer à urgência do hospital reflete "uma diminuição de recursos dos centros de saúde" e "uma maior carência social".
Ana França afirmou hoje, em declarações à agência Lusa, que a crescente pressão sentida sobre o serviço de urgências do Hospital Garcia de Orta (HGO) pode ser explicada, por um lado, olhando para "uma diminuição dos recursos dos centro de saúde", e, por outro, "para um agravamento dos problemas de resolução social, a par de crescentes dificuldades por parte das instituições em dar-lhes resposta".
No caso dos centros de saúde, explicou a médica, "deixou de haver as áreas específicas para operação de doentes com gripe, instaladas o ano passado de acordo com o plano de contingência da gripe A, e verificou-se um aumento significativo da taxa de aposentação de médicos".
Isto, acrescentou, "implica impossibilidade, por parte de alguns doentes, em recorrerem ao seu médico assistente" e cria a figura dos "utilizadores frequentes da urgência do hospital": "Identificámos 100 doentes com 3000 episódios de recurso à urgência por ano, o que equivale a ter doentes que recorrem à urgência em média uma a duas vezes por mês".
Este cenário, considera a directora clínica, "diz bem do conjunto de doentes que andam no sistema sem um recurso que acompanhe a sua situação". O hospital está, por isso, "a tentar perceber como pode arranjar forma de partilhar a responsabilidade sobre estes doentes entre o hospital e centros de Saúde".
Ana França lembrou ainda que os constrangimentos verificados no serviço de urgências do HGO nos últimos dias decorrem também de um "aumento anormal do número de internamentos" – que, por exemplo, na sexta feira foi de 19,5 por cento, o dobro do habitual – refletindo "situações de carência social".
"Estávamos numa situação de fim do mês, em que as pessoas vão deixando arrastar as situações para não gastarem dinheiro no médico ou em medicamentos, a condição dos doentes agrava-se e verifica-se uma necessidade acrescida de internamento", explicou.
A isto, acrescentou, junta-se "uma diminuição da capacidade de resposta da rede de cuidados continuados e da rede social, que receberam em 2010 menos utentes do que em 2009 e que levaram mais tempo a dar resposta aos pedidos".
Esta realidade, disse ainda a médica, "tem também um reflexo muito grande nos hospitais e aumenta a pressão sobre os serviços"."
Ionline
---o---
Alegre não se opõe (debate com Cavaco) a mais um cheque de quinhentos milhões para salvar o BPN, sempre que, de uma vez por todas, se solucione a situação. A garantia deve vir do governo, o mesmo que cavaco critica por não conseguir rentabilizar a entidade da forma que os administradores privados o fizeram no passado, quando este, também dono da entidade, já em tempos de crise, lucrou mais de duzentos e cinquenta mil euros pela venda (ou compra) de acções da SLN.
Ana França afirmou hoje, em declarações à agência Lusa, que a crescente pressão sentida sobre o serviço de urgências do Hospital Garcia de Orta (HGO) pode ser explicada, por um lado, olhando para "uma diminuição dos recursos dos centro de saúde", e, por outro, "para um agravamento dos problemas de resolução social, a par de crescentes dificuldades por parte das instituições em dar-lhes resposta".
No caso dos centros de saúde, explicou a médica, "deixou de haver as áreas específicas para operação de doentes com gripe, instaladas o ano passado de acordo com o plano de contingência da gripe A, e verificou-se um aumento significativo da taxa de aposentação de médicos".
Isto, acrescentou, "implica impossibilidade, por parte de alguns doentes, em recorrerem ao seu médico assistente" e cria a figura dos "utilizadores frequentes da urgência do hospital": "Identificámos 100 doentes com 3000 episódios de recurso à urgência por ano, o que equivale a ter doentes que recorrem à urgência em média uma a duas vezes por mês".
Este cenário, considera a directora clínica, "diz bem do conjunto de doentes que andam no sistema sem um recurso que acompanhe a sua situação". O hospital está, por isso, "a tentar perceber como pode arranjar forma de partilhar a responsabilidade sobre estes doentes entre o hospital e centros de Saúde".
Ana França lembrou ainda que os constrangimentos verificados no serviço de urgências do HGO nos últimos dias decorrem também de um "aumento anormal do número de internamentos" – que, por exemplo, na sexta feira foi de 19,5 por cento, o dobro do habitual – refletindo "situações de carência social".
"Estávamos numa situação de fim do mês, em que as pessoas vão deixando arrastar as situações para não gastarem dinheiro no médico ou em medicamentos, a condição dos doentes agrava-se e verifica-se uma necessidade acrescida de internamento", explicou.
A isto, acrescentou, junta-se "uma diminuição da capacidade de resposta da rede de cuidados continuados e da rede social, que receberam em 2010 menos utentes do que em 2009 e que levaram mais tempo a dar resposta aos pedidos".
Esta realidade, disse ainda a médica, "tem também um reflexo muito grande nos hospitais e aumenta a pressão sobre os serviços"."
Ionline
---o---
Alegre não se opõe (debate com Cavaco) a mais um cheque de quinhentos milhões para salvar o BPN, sempre que, de uma vez por todas, se solucione a situação. A garantia deve vir do governo, o mesmo que cavaco critica por não conseguir rentabilizar a entidade da forma que os administradores privados o fizeram no passado, quando este, também dono da entidade, já em tempos de crise, lucrou mais de duzentos e cinquenta mil euros pela venda (ou compra) de acções da SLN.
domingo, janeiro 02, 2011
6 anos
Sem o priorizar, processando-a com um software em permanente actualização, para o qual também contribuiram os output de todos aqueles que por aqui passaram e que amiúde visito, acredito ter deixado perceber que, para este autor, a realidade não tem porque avançar para a decadência, sempre que nós o não façamos.
Saudações àqueles que durante os seis últimos anos aqui trocaram diariamente uns minutos de vida.
Ah! Se acontecesse enfim qualquer coisa!
Ah! Se acontecesse enfim qualquer coisa!
Se de repente saísse da terra um braço
e atirasse uma rosa
para o espaço!
Mas não.
Lá está o sol do costume
com a exactidão
duma bola de lume
desenhada a compasso...
...sol que à noite continua
a andar em redor
nas entranhas da lua
- que é sol com bolor...
e desde que nasci,
haja paz ou guerra,
nunca vi outra coisa.
Ah! Como queres que acredite em ti
- braço que hás-de romper a terra
e atirar uma rosa?
Saudações àqueles que durante os seis últimos anos aqui trocaram diariamente uns minutos de vida.Ah! Se acontecesse enfim qualquer coisa!
Ah! Se acontecesse enfim qualquer coisa!
Se de repente saísse da terra um braço
e atirasse uma rosa
para o espaço!
Mas não.
Lá está o sol do costume
com a exactidão
duma bola de lume
desenhada a compasso...
...sol que à noite continua
a andar em redor
nas entranhas da lua
- que é sol com bolor...
e desde que nasci,
haja paz ou guerra,
nunca vi outra coisa.
Ah! Como queres que acredite em ti
- braço que hás-de romper a terra
e atirar uma rosa?
José Gomes Ferreira
Os Estados Unidos (EUA) querem ter acesso a bases de dados biométricas e biográficas dos portugueses que constam no Arquivo de Identificação Civil e Criminal. O FBI, com a justificação da luta contra o terrorismo, quer também aceder à ainda limitada base de dados de ADN de Portugal. O acordo com o Governo português está feito e só falta ser ratificado na Assembleia da República. No entanto, este mês vai sair um parecer da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) que alerta para os problemas que constam no texto do acordo bilateral
Em palavras do "Garcia", no falecimento de Arnaldo Mesquita
Que rosa vermelha entre loureiros
há ressuscitado?
A pé, companheiros
que os mortos estão de pé ao nosso lado.
Roxos de fome, angústia, sede e morte
na solidão
Nada nos importe
senão a aurora que levamos no coração.
Que nos arranquem língua, veias, olhos, nervos
A pele que reste
Não é dos servos
o relâmpago espantoso que nos veste.
há ressuscitado?
A pé, companheiros
que os mortos estão de pé ao nosso lado.
Roxos de fome, angústia, sede e morte
na solidão
Nada nos importe
senão a aurora que levamos no coração.
Que nos arranquem língua, veias, olhos, nervos
A pele que reste
Não é dos servos
o relâmpago espantoso que nos veste.
Papiniano Carlos
sábado, janeiro 01, 2011
Morreu Arnaldo Mesquita, defensor dos direitos dos presos políticos
O advogado Arnaldo Mesquita morreu, este sábado, aos 80 anos, no Hospital de Santo António, no Porto.
O seu funeral realiza-se domingo à tarde, no cemitério do Torno, Lousada.
Arnaldo Mesquita era militante do PCP desde 1949, tendo dedicado a sua vida à defesa dos direitos dos presos políticos.
Arnaldo Mesquita, tendo sido um dos precursores da garantia de assegurar a presença do advogado no interrogatório da polícia, batalhou também pelo fim das medidas de segurança a que eram sujeitos os presos políticos antes do 25 de Abril de 1974, que eram prorrogadas por decisão administrativa. Conseguiu que o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem se pronunciasse e denunciasse esta prática, o que resultou na libertação de Maria da Piedade, mulher de Joaquim Gomes, dirigente do PCP, que tendo sido condenada a três anos estava já presa há nove anos.
O Militante do PCP, esteve preso pela polícia política do regime do Estado Novo em três fases: uma de seis, uma de catorze e outra de quatro meses, ao todo 24 meses.
Esteve ainda sujeito à tortura do sono durante seis dias e seis noites. Chegando inclusive a ser preso pela PIDE em 1955, durante o processo do julgamento de Ruy Luís Gomes, presidente do Movimento Democrático Nacional.
O seu funeral realiza-se domingo à tarde, no cemitério do Torno, Lousada.
Arnaldo Mesquita era militante do PCP desde 1949, tendo dedicado a sua vida à defesa dos direitos dos presos políticos.
Arnaldo Mesquita, tendo sido um dos precursores da garantia de assegurar a presença do advogado no interrogatório da polícia, batalhou também pelo fim das medidas de segurança a que eram sujeitos os presos políticos antes do 25 de Abril de 1974, que eram prorrogadas por decisão administrativa. Conseguiu que o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem se pronunciasse e denunciasse esta prática, o que resultou na libertação de Maria da Piedade, mulher de Joaquim Gomes, dirigente do PCP, que tendo sido condenada a três anos estava já presa há nove anos.
O Militante do PCP, esteve preso pela polícia política do regime do Estado Novo em três fases: uma de seis, uma de catorze e outra de quatro meses, ao todo 24 meses.
Esteve ainda sujeito à tortura do sono durante seis dias e seis noites. Chegando inclusive a ser preso pela PIDE em 1955, durante o processo do julgamento de Ruy Luís Gomes, presidente do Movimento Democrático Nacional.
quarta-feira, dezembro 29, 2010
Bom ano Novo!
Aproxima-se mais uma década, dos milhares que a terra já cumpriu, uma década que, como as demais, para alguns, tornará mais pesada a influência do passado que a preocupação pelo futuro, que, para esses mesmos, impedirá aprender por consequência da dedicação na compreensão dos motivos ou dos fenómenos que os colocaram na situação deprimida e/ou carenciada na que se encontram por insistirem em realizar uma atribuição causal exógena. Para outros, até a alegria promovida pela confraternização que nesta data acontece será despojo comestível.
Porém, não é com este tipo de perspectiva quasi-maniqueista que encaro esta nova etapa. Quem sabe porque não tenho um passado tão rico quanto aquele futuro que reside comigo no sonho de uma nova sociedade, colaborando no trabalhar dessa esperança capaz de transformar a realidade, prefiro olhar o novo ano, a nova década, como quem olha para uma criança, encarando a sua formação uma responsabilidade inerente à condição humana, como quem sabe que, mesmo dedicando toda uma vida a determinado projecto, só uma ínfima parte desse esforço será aproveitada, mas, sem perder a noção do que é realmente importante, do pliotropismo comum a todos os seres vivos.
Assim, melhorar as condições de vida que terei que enfrentar, eliminar as dificuldades que aqueles aos quais ainda ninguém foi capaz de sorver o amanhã depararão como herança, ao contrário do que dizem os "magos", só serão desejos concretizáveis enquanto modifiquem determinadas conductas, as nossas, deixando estes, só assim, de pertencer ao passado, a esse passado, que mais tarde se nos poderá apresentar dificil de explicar.
Libertar a vontade de melhorar o próximo ano, aceitemos ou não, passa só por nós.
Façamos um bom ano novo!
Porém, não é com este tipo de perspectiva quasi-maniqueista que encaro esta nova etapa. Quem sabe porque não tenho um passado tão rico quanto aquele futuro que reside comigo no sonho de uma nova sociedade, colaborando no trabalhar dessa esperança capaz de transformar a realidade, prefiro olhar o novo ano, a nova década, como quem olha para uma criança, encarando a sua formação uma responsabilidade inerente à condição humana, como quem sabe que, mesmo dedicando toda uma vida a determinado projecto, só uma ínfima parte desse esforço será aproveitada, mas, sem perder a noção do que é realmente importante, do pliotropismo comum a todos os seres vivos.
Assim, melhorar as condições de vida que terei que enfrentar, eliminar as dificuldades que aqueles aos quais ainda ninguém foi capaz de sorver o amanhã depararão como herança, ao contrário do que dizem os "magos", só serão desejos concretizáveis enquanto modifiquem determinadas conductas, as nossas, deixando estes, só assim, de pertencer ao passado, a esse passado, que mais tarde se nos poderá apresentar dificil de explicar.
Libertar a vontade de melhorar o próximo ano, aceitemos ou não, passa só por nós.
Façamos um bom ano novo!
O Vosso tanque General, é um carro forte
Derruba uma floresta esmaga cem
Homens,
Mas tem um defeito
- Precisa de um motorista
O vosso bombardeiro, general
É poderoso:
Voa mais depressa que a tempestade
E transporta mais carga que um elefante
Mas tem um defeito
- Precisa de um piloto.
O homem, meu general, é muito útil:
Sabe voar, e sabe matar
Mas tem um defeito
- Sabe pensar
Homens,
Mas tem um defeito
- Precisa de um motorista
O vosso bombardeiro, general
É poderoso:
Voa mais depressa que a tempestade
E transporta mais carga que um elefante
Mas tem um defeito
- Precisa de um piloto.
O homem, meu general, é muito útil:
Sabe voar, e sabe matar
Mas tem um defeito
- Sabe pensar
Bertold Brecht
quinta-feira, dezembro 23, 2010
PCP e os cações
Em voltas pela blogosfera, passei pelo xatoo, o qual, mesmo sem compartir a minha orientação política, publicou isto:
"A ideia de um Salário Mínimo Europeu, (actualmente em Portugal menos de 500 euros (o mais baixo da EU a 15), acima de 1000 euros na Europa desenvolvida, Espanha e Grécia 728 e 628 respectivamente, 150 nos países de Leste, 844 nos Estados Unidos) foi relançada por alguns candidatos durante a campanha eleitoral para o PE em 2009, mas face às perspectivas de inviabilização pelo espectro politico dominante na Europa a eurodeputada pelo PCP Ilda Figueiredo começou por uma “proposta de rendimento mínimo europeu”. Sujeita a escrutínio, foi pela escassa margem de 1 voto que foi admitida a discussão. Votada finalmente em 2009 a proposta acabaria por ser aprovada como lei. Só que, como o grupo neoliberal no PE não conseguiu escamotear a urgência da tomada deste medida social por meios legais, faz letra morta da aprovação e a lei está na prática relegada para as calendas da não aplicação como acção concreta. Seria isto que Fernando Nobre haveria de ter perguntado no debate televisivo: Porque é que esta Lei proposta pelo PCP no Parlamento Europeu não entra imediatamente em vigor?"
Pois é...
"A ideia de um Salário Mínimo Europeu, (actualmente em Portugal menos de 500 euros (o mais baixo da EU a 15), acima de 1000 euros na Europa desenvolvida, Espanha e Grécia 728 e 628 respectivamente, 150 nos países de Leste, 844 nos Estados Unidos) foi relançada por alguns candidatos durante a campanha eleitoral para o PE em 2009, mas face às perspectivas de inviabilização pelo espectro politico dominante na Europa a eurodeputada pelo PCP Ilda Figueiredo começou por uma “proposta de rendimento mínimo europeu”. Sujeita a escrutínio, foi pela escassa margem de 1 voto que foi admitida a discussão. Votada finalmente em 2009 a proposta acabaria por ser aprovada como lei. Só que, como o grupo neoliberal no PE não conseguiu escamotear a urgência da tomada deste medida social por meios legais, faz letra morta da aprovação e a lei está na prática relegada para as calendas da não aplicação como acção concreta. Seria isto que Fernando Nobre haveria de ter perguntado no debate televisivo: Porque é que esta Lei proposta pelo PCP no Parlamento Europeu não entra imediatamente em vigor?"
Pois é...
quarta-feira, dezembro 22, 2010
Portugueses
Além de, no debate com o meu candidato, o Francisco Lopes, verificar que o actual presidente pretende mandar a justa causa às urtigas, vi também que, aparte de não ter encontrado valor para responder à questão que, levantada por Francisco Lopes, a entrevistadora lhe colocou repetindo-se até à extenuação, este mandado dos “mercados”, com a possibilidade de constatar o resultado prático das políticas erradas que tem apadrinhado e que elevam hoje o numero de desempregados para um patamar sem exemplo na história dos trabalhadores do nosso país, constatei, também, como todos nós, que a intenção de cavaco é continuar a baixar as orelhas aos mercados que acabam de desbastar o caminho para a intervenção do FMI e do resgate ou compra do destino dos portugueses pelos países com maior aportação ao fundo europeu constituído tal efeito.
Num momento em que o governo não encontra mais solução que recorrer à ajuda chinesa para compensar temporalmente a “salvação” do BPN - aumentando com juros o balúrdio que todos pagaremos com o que se vai esquilando dos nossos direitos -, banco do qual, aliás, cavaco e filha obtiveram uns largos milhares de euros pela venda de algumas acções da SLN - sociedade que até comparte o mesmo edificio com dito banco e que como sabemos foi construido por Carlucci através da Carlyle - geridas por esse olímpo da fraude e que cavaco não recorda haver comprado (que em suma terão sido uma oferta de uma entidade da qual os “empregados” foram os maiores mecenas da última campanha do actual presidente); que a redução do défice do subsector do estado, em cem milhões, é equiparada ao aumento do défice, de cem milhões, na saúde, reveladora da clareza com que este governo tenta enganar o seu povo, sou obrigado a atribuir ao actual presidente grande parte da responsabilidade sobre a situação deprimente na qual nos encontramos.
Com claros indicadores de estagnação económica, como o recente resultado sobre a actividade, que aponta uma grave diminuição da mesma ou, atendendo ao défice de quinze mil milhões na nossa balança de exportações, torna-se fácil prever o futuro a curto prazo: mais desemprego, mais pobreza, mais injustiça social, “mais” fome.
Com um elenco de candidatos à presidência que só se distingue de uma célula eucariótica da vida política pela presença de uma alternativa patriótica e de esquerda materializada pelo Francisco Lopes, a eleição ou a escolha dos portugueses apresenta-se bastante mais simples que de formar-mos parte de um Portugal soberano no qual a necessidade de recuperarmos essa independência não fosse imperativa para o seu futuro e para o amanhã das novas gerações.
Num momento em que o governo não encontra mais solução que recorrer à ajuda chinesa para compensar temporalmente a “salvação” do BPN - aumentando com juros o balúrdio que todos pagaremos com o que se vai esquilando dos nossos direitos -, banco do qual, aliás, cavaco e filha obtiveram uns largos milhares de euros pela venda de algumas acções da SLN - sociedade que até comparte o mesmo edificio com dito banco e que como sabemos foi construido por Carlucci através da Carlyle - geridas por esse olímpo da fraude e que cavaco não recorda haver comprado (que em suma terão sido uma oferta de uma entidade da qual os “empregados” foram os maiores mecenas da última campanha do actual presidente); que a redução do défice do subsector do estado, em cem milhões, é equiparada ao aumento do défice, de cem milhões, na saúde, reveladora da clareza com que este governo tenta enganar o seu povo, sou obrigado a atribuir ao actual presidente grande parte da responsabilidade sobre a situação deprimente na qual nos encontramos.
Com claros indicadores de estagnação económica, como o recente resultado sobre a actividade, que aponta uma grave diminuição da mesma ou, atendendo ao défice de quinze mil milhões na nossa balança de exportações, torna-se fácil prever o futuro a curto prazo: mais desemprego, mais pobreza, mais injustiça social, “mais” fome.
Com um elenco de candidatos à presidência que só se distingue de uma célula eucariótica da vida política pela presença de uma alternativa patriótica e de esquerda materializada pelo Francisco Lopes, a eleição ou a escolha dos portugueses apresenta-se bastante mais simples que de formar-mos parte de um Portugal soberano no qual a necessidade de recuperarmos essa independência não fosse imperativa para o seu futuro e para o amanhã das novas gerações.
terça-feira, dezembro 21, 2010
Espanha
Depois de muito tempo dedicados a trabalhar junto dos emigrantes desde a aparente solidão promovida pela dispersão de portugueses caracteristica da emigração em Espanha, porque resisitir é já vencer, durante o passado fim de semana, com camaradas vindos de comunidades autónomas desde a Catalunha à Andaluzia, o núcleo de Espanha do PCP reuniu a direcção da organização em Madrid.
Conscientes da importancia do encontro, tendo em conta o futuro próximo e o momento actual, debatendo sobre os inúmeros aspectos que determinarão a capacidade destes e de muitos trabalhadores, de enfrentarem a intensificação do contínuo ataque às suas condições de vida por parte do estado espanhol e, fundamentalmente, pelo abandono ao qual se vêem relegados como consequência das políticas para a emigração preconizadas pela direita que governou o nosso país nos ultimos 35 anos (independentemente da companhía teatral), o ambiente de trabalho desta maratona de pensamento foi pautado sobretudo pela alegria da confraternização.
Depois de dois dias de trabalho intenso, estímulo e esclarecimento mútuo, foi com felicidade no rosto, com mais argumentos que na mente se levaram, que decidimos esperar o aniversário do nosso partido para nos voltarmos a reunir.
Até lá, além da preparação de dito aniversário, o trabalho relativo à campanha eleitoral, o reforço do partido, ou a promoção do associativismo, resultaram, entre outras, as tarefas a assumir por esses trabalhadores.
Pessoalmente, o reforço de muitos aspectos que conformam a minha convicção, sem dúvida, foi um dos resultados mais preponderantes deste encontro.
A luta continua!
Conscientes da importancia do encontro, tendo em conta o futuro próximo e o momento actual, debatendo sobre os inúmeros aspectos que determinarão a capacidade destes e de muitos trabalhadores, de enfrentarem a intensificação do contínuo ataque às suas condições de vida por parte do estado espanhol e, fundamentalmente, pelo abandono ao qual se vêem relegados como consequência das políticas para a emigração preconizadas pela direita que governou o nosso país nos ultimos 35 anos (independentemente da companhía teatral), o ambiente de trabalho desta maratona de pensamento foi pautado sobretudo pela alegria da confraternização.
Depois de dois dias de trabalho intenso, estímulo e esclarecimento mútuo, foi com felicidade no rosto, com mais argumentos que na mente se levaram, que decidimos esperar o aniversário do nosso partido para nos voltarmos a reunir.
Até lá, além da preparação de dito aniversário, o trabalho relativo à campanha eleitoral, o reforço do partido, ou a promoção do associativismo, resultaram, entre outras, as tarefas a assumir por esses trabalhadores.
Pessoalmente, o reforço de muitos aspectos que conformam a minha convicção, sem dúvida, foi um dos resultados mais preponderantes deste encontro.
A luta continua!
segunda-feira, dezembro 20, 2010
Sitiados
Esta cidade é a última cidade...
Os muros derruídos estão cercados:
Os canhões troam através dos mapas.
Nossa imagem, revelada pelas montras,
Passeia pelas ruas de mãos dadas...
Somos a última trincheira valiosa.
Unidos, trituramos os assaltos
E renovamos o cristal da esperança.
Os ruídos emolduram-te o sorriso,
Pura mensagem, prenhe de um futuro
Isolado de poeiras e de lágrimas.
Os muros derruídos estão cercados:
Os canhões troam através dos mapas.
Nossa imagem, revelada pelas montras,
Passeia pelas ruas de mãos dadas...
Somos a última trincheira valiosa.
Unidos, trituramos os assaltos
E renovamos o cristal da esperança.
Os ruídos emolduram-te o sorriso,
Pura mensagem, prenhe de um futuro
Isolado de poeiras e de lágrimas.
Egito Gonçalves
sexta-feira, dezembro 17, 2010
Praças não se conformam
Praças dos três ramos das Forças Armadas participaram anteontem, ao fim da tarde, numa concentração que teve lugar na Praça do Município, em Lisboa, sob o lema «Não à resignação, não ao conformismo».
A iniciativa da Associação de Praças enquadra-se na movimentação desta classe, em torno de um conjunto de problemas e reivindicações que as medidas de «austeridade» do Orçamento do Estado vêm agravar. Na moção ali aprovada - e que a direcção da AP deverá fazer chegar ao ministro da Defesa e às chefias militares - está previsto aguardar até 14 de Janeiro que o Governo receba a associação até 14 de Janeiro, seguindo-se um plenário, a 16 de Fevereiro, para decidir «futuras medidas reivindicativas».
No documento reafirma-se a exigência de aplicação de «várias dezenas de diplomas legais» e que sejam travadas a «reforma» da Saúde Militar (e a criação de um hospital único das Forças Armadas), o congelamento dos escalões, o impedimento da ascensão vertical na carreira e a alteração do acesso ao Curso de Formação de Sargentos, com a entrada em vigor, em Junho de 1990, do Estatuto dos Militares das Forças Armadas. Actualmente, afirma a AP, há militares que permanecem no mesmo posto durante mais de 25 anos.
«Não aceitaremos que, a pretexto da crise, para a qual não contribuímos, não se leve a cabo a resolução dos problemas» elencados pela AP - sublinha-se na moção.
Do "Avante!"
A iniciativa da Associação de Praças enquadra-se na movimentação desta classe, em torno de um conjunto de problemas e reivindicações que as medidas de «austeridade» do Orçamento do Estado vêm agravar. Na moção ali aprovada - e que a direcção da AP deverá fazer chegar ao ministro da Defesa e às chefias militares - está previsto aguardar até 14 de Janeiro que o Governo receba a associação até 14 de Janeiro, seguindo-se um plenário, a 16 de Fevereiro, para decidir «futuras medidas reivindicativas».
No documento reafirma-se a exigência de aplicação de «várias dezenas de diplomas legais» e que sejam travadas a «reforma» da Saúde Militar (e a criação de um hospital único das Forças Armadas), o congelamento dos escalões, o impedimento da ascensão vertical na carreira e a alteração do acesso ao Curso de Formação de Sargentos, com a entrada em vigor, em Junho de 1990, do Estatuto dos Militares das Forças Armadas. Actualmente, afirma a AP, há militares que permanecem no mesmo posto durante mais de 25 anos.
«Não aceitaremos que, a pretexto da crise, para a qual não contribuímos, não se leve a cabo a resolução dos problemas» elencados pela AP - sublinha-se na moção.
Do "Avante!"
Trela aos cães!
A UE aprovou um fundo de resgate permanente para começar a funcionar em Junho de 2013. A intenção desta iniciativa, segundo nos querem fazer aceitar, é fortalecer o euro, blindar o euro, mostrar a quem de direito que a europa é coesa e forte, mas, se realmente querem que acreditemos nas possibilidades deste modelo europeu, na sua recuperação, etc. Qual é o motivo para criar este fundo? Será abrir a porta à participação do privado?
Por outro lado, o aumento de capital do BCE, quase duplicando a sua dimensão, que quer ser interpretado como um sinal capaz de acicatar a confiança dos mercados, como se constitui; quem o subscreve; para que serve?
Assim, sabendo que o BCE, com o capital de todos os subscritores, se dedica a comprar a dívida pública dos estados mais deprimidos, ou seja, dos seus próprios subscritores; que as políticas económicas de cada país são, cada vez mais, decididas lá fora, e, que no fundo de resgate já se contemplam participações privadas, não será esta uma forma de entregar os estados ao capital transnacional, com a desculpa de que são os mercados (dinamizados por esses mesmo privados) que obrigam a tais medidas?
Finalmente, não será também um sinal negativo a alteração de um tratado, já de si imposto, que pôde, por isso mesmo, ser criado com toda a comodidade por parte dos governos que o aprovaram?
Um exemplo do resultado desta financeirização, que ainda, ainda, não justifica a emissão de bonos, podemos encontrar na reclassificação da dívida irlandesa, país que, depois de se hipotecar totalmente aos demais estados membros, sem uma mudança real do seu rumo político, por não saber, não poder ou não querer, havendo adoptado as medidas de austeridade que os países que efectivamente conservam o poder na Europa determinaram (retirando direitos à população, aumentando os impostos, etc., como se isso fosse criar emprego), perdeu, segundo os mercados, a capacidade de crescer económicamente ou continuar a endividar-se.
Entretanto, na tentativa de continuar a alimentar a insaciável voracidade deste errado modelo, depois da França, Espanha prepara-se para, dando já o passo seguinte ao aumento extraordinario da esperança de vida da população - situação que atravessa Portugal neste momento -, aumentar a idade de reforma para os sessenta e sete anos.
Em conclusão, que pode não ajustar-se à realidade mas que é aquela que me permito ter, a apropriação da mais-valía na produção por parte de uma oligarquia cada dia mais concentrada ou reduzida, hoje, deve ser indubitavelmente colocada em paralelo com o espólio da própria propriedade sobre a existência, incluindo a dos desempregados. Traduzir na prática o nosso mal-estar, o nosso inconformismo face ao actual paradigma, passa por assumir-mos a nossa vontade e, responsabilizar-mo-nos pelo resultado das nossas opções. Sendo que, uma forma pragmática de o fazer é identificar o nosso lugar em todo este universo e justificá-lo, contribuindo para a sua transformação. Para tal já conquistámos a possibilidade de votar.
Por outro lado, o aumento de capital do BCE, quase duplicando a sua dimensão, que quer ser interpretado como um sinal capaz de acicatar a confiança dos mercados, como se constitui; quem o subscreve; para que serve?
Assim, sabendo que o BCE, com o capital de todos os subscritores, se dedica a comprar a dívida pública dos estados mais deprimidos, ou seja, dos seus próprios subscritores; que as políticas económicas de cada país são, cada vez mais, decididas lá fora, e, que no fundo de resgate já se contemplam participações privadas, não será esta uma forma de entregar os estados ao capital transnacional, com a desculpa de que são os mercados (dinamizados por esses mesmo privados) que obrigam a tais medidas?
Finalmente, não será também um sinal negativo a alteração de um tratado, já de si imposto, que pôde, por isso mesmo, ser criado com toda a comodidade por parte dos governos que o aprovaram?
Um exemplo do resultado desta financeirização, que ainda, ainda, não justifica a emissão de bonos, podemos encontrar na reclassificação da dívida irlandesa, país que, depois de se hipotecar totalmente aos demais estados membros, sem uma mudança real do seu rumo político, por não saber, não poder ou não querer, havendo adoptado as medidas de austeridade que os países que efectivamente conservam o poder na Europa determinaram (retirando direitos à população, aumentando os impostos, etc., como se isso fosse criar emprego), perdeu, segundo os mercados, a capacidade de crescer económicamente ou continuar a endividar-se.
Entretanto, na tentativa de continuar a alimentar a insaciável voracidade deste errado modelo, depois da França, Espanha prepara-se para, dando já o passo seguinte ao aumento extraordinario da esperança de vida da população - situação que atravessa Portugal neste momento -, aumentar a idade de reforma para os sessenta e sete anos.
Em conclusão, que pode não ajustar-se à realidade mas que é aquela que me permito ter, a apropriação da mais-valía na produção por parte de uma oligarquia cada dia mais concentrada ou reduzida, hoje, deve ser indubitavelmente colocada em paralelo com o espólio da própria propriedade sobre a existência, incluindo a dos desempregados. Traduzir na prática o nosso mal-estar, o nosso inconformismo face ao actual paradigma, passa por assumir-mos a nossa vontade e, responsabilizar-mo-nos pelo resultado das nossas opções. Sendo que, uma forma pragmática de o fazer é identificar o nosso lugar em todo este universo e justificá-lo, contribuindo para a sua transformação. Para tal já conquistámos a possibilidade de votar.
quinta-feira, dezembro 16, 2010
Revisão
O embaratecimento dos despedimentos que o governo PS foi oferecer aos mandatários do núcleo do poder da UE, com esta manobra réplica daquela que já foi implementada em Espanha há algum tempo, obrigar os trabalhadores a pagar o seu próprio despedimento - por motivos como a inadaptação ou a negativa de se colocar do jeito que o patrão quiser -, sem dúvida que, de não aumentar substancialmente a carga fiscal dos mesmos, só pode ser compensada com recurso a partidas - já de si magras e em continua dieta - como por exemplo a sanidade e/ou a educação etc.
Numa tentativa de identificação, com base no mais puro pragmatismo, dos possiveis efeitos reais que esta revisão pode representar na capacidade de criação de postos de trabalho, o que encontro é uma massa de oitocentos mil desempregados, demitidos no actual marco de "garantías" laborais, um modelo que segundo o governo se revela caro para o empresário. Atendendo a dito facto, a questão que por inércia se apresenta é: Se com um despedimento "caro" já vamos em oitocentos mil, sem qualquer repercussão para o empresário qual será a cifra ou a dimensão do exército de mão de obra disponível para, por exemplo, compensar o emagrecimento da função pública?
Numa tentativa de identificação, com base no mais puro pragmatismo, dos possiveis efeitos reais que esta revisão pode representar na capacidade de criação de postos de trabalho, o que encontro é uma massa de oitocentos mil desempregados, demitidos no actual marco de "garantías" laborais, um modelo que segundo o governo se revela caro para o empresário. Atendendo a dito facto, a questão que por inércia se apresenta é: Se com um despedimento "caro" já vamos em oitocentos mil, sem qualquer repercussão para o empresário qual será a cifra ou a dimensão do exército de mão de obra disponível para, por exemplo, compensar o emagrecimento da função pública?
quarta-feira, dezembro 15, 2010
1º debate de Francisco Lopes
Ontem fartei-me de rir com o salvador da humanidade que agora se candidata a presidente da república, o sr. Nobre, o qual, apesar da sua manifesta deficiência psicolinguística (algo que como médico deve saber supor, em determinadas ocasiões, carências de carácter intelectual), lá foi alvitrando mais do mesmo, pão de supermercado para hoje – desse que só dura um dia – e, estacas que podem servir de delimitadores da propriedade privada para o futuro. Mas é normal, afinal nem sequer foi capaz de afirmar de esquerda a sua candidatura quando o Francisco o inquiriu sobre a questão, limitando-se a confirmar que, desde o BE ao PSD, a este, todos os modelos lhe interessam, sempre que consiga ser presidente.
Resultando mais um intruja da política portuguesa, aqui:
http://www.franciscolopes.pt/sites/default/files/20100827_Sol_09.pdf
poderemos verificar a veracidade das suas afirmações, as “inverdades” da sua intenção, que, não é outra que precipitar-se na gamela do sistema que critica, para dentro do qual atira o PCP como colaborador mas, o mesmo sistema protagonizado por aqueles que ele mesmo tem apoiado até como mandatário, ao contrário da reiterada contestação comunista da qual fica como exemplo qualquer intervenção na AR, no seu próprio programa de governação ou nas propostas pontuais que dessa bancada possam surgir.
Contudo, particularmente, o que mais me chama a atenção é, nessa mesma entrevista ao “SOL”, ofuscante pasquim do Champalimaud das grandes superfícies, este cómico da cena política portuguesa, amigo de Soares e admirador de Eanes, vir defender que, depois de 33 anos de trabalho, se qualquer português ficar sem emprego, para receber a miséria que durante uns meses o estado se obriga a retirar de uma quantidade muitíssimo superior depositada fielmente durante uma vida nos seus cofres e que deveria garantir a sobrevivência em momentos menos soalheiros da nossa vida, tenhamos que trabalhar suprindo as funções daqueles que o governo poderia despedir, dos quais assim poderia prescindir, e que, ocupam lugares em estruturas que formam parte dos serviços que o estado deve por obrigação manter ao serviço do povo. Mais uma forma de gerar desemprego e aumentar o exército de mão de obra escrava.
Basicamente, aparte de mentiroso, este caritativo investigador com cobaias humanas dependentes e vítimas do capitalismo que ele mesmo defende, apresenta também, ou indicia no seu discurso, um perfil similar a outros que nos vêm roubando desde há 35 anos.
No que ao Francisco Lopes respeita, conduzindo, lutando pelo e rentabilizando o seu tempo, facilitou, dessa forma, o trabalho àqueles que somos, muitos, seus mandatários.
Resultando mais um intruja da política portuguesa, aqui:
http://www.franciscolopes.pt/sites/default/files/20100827_Sol_09.pdf
poderemos verificar a veracidade das suas afirmações, as “inverdades” da sua intenção, que, não é outra que precipitar-se na gamela do sistema que critica, para dentro do qual atira o PCP como colaborador mas, o mesmo sistema protagonizado por aqueles que ele mesmo tem apoiado até como mandatário, ao contrário da reiterada contestação comunista da qual fica como exemplo qualquer intervenção na AR, no seu próprio programa de governação ou nas propostas pontuais que dessa bancada possam surgir.
Contudo, particularmente, o que mais me chama a atenção é, nessa mesma entrevista ao “SOL”, ofuscante pasquim do Champalimaud das grandes superfícies, este cómico da cena política portuguesa, amigo de Soares e admirador de Eanes, vir defender que, depois de 33 anos de trabalho, se qualquer português ficar sem emprego, para receber a miséria que durante uns meses o estado se obriga a retirar de uma quantidade muitíssimo superior depositada fielmente durante uma vida nos seus cofres e que deveria garantir a sobrevivência em momentos menos soalheiros da nossa vida, tenhamos que trabalhar suprindo as funções daqueles que o governo poderia despedir, dos quais assim poderia prescindir, e que, ocupam lugares em estruturas que formam parte dos serviços que o estado deve por obrigação manter ao serviço do povo. Mais uma forma de gerar desemprego e aumentar o exército de mão de obra escrava.
Basicamente, aparte de mentiroso, este caritativo investigador com cobaias humanas dependentes e vítimas do capitalismo que ele mesmo defende, apresenta também, ou indicia no seu discurso, um perfil similar a outros que nos vêm roubando desde há 35 anos.
No que ao Francisco Lopes respeita, conduzindo, lutando pelo e rentabilizando o seu tempo, facilitou, dessa forma, o trabalho àqueles que somos, muitos, seus mandatários.
Dizer Porquê e Para Quê
Dizer porquê e para quê do que descubro
que a vida ensina ou julgo que ela ensina?
Se o só descubro quando passou tempo,
e a gente já passou como eu também?
Se quem me leia não me entenderá?-
ou são mais velhos e já sabem,
ou mais antigos e têm outra língua
ou são mais jovens crendo que o saber
é a sua descoberta em que de passo em passo
descobrirão que a vida não ensina
senão o que mais tarde em nós descobriremos
de quanto nunca foi ou não escolhemos.
Di-lo-ei por mim e para mim? Porquê
Aos outros? Que comum tenho com eles
além de lhes dizer que não importa
dizer o que não dizem? se não há
maneira alguma de viver de novo
o que quiséramos que a vida fora?
E se outros não de nós mas de si mesmos
já descobriram de outro modo a mesma coisa,
ou hão-de descobri-la? De experiência
Falamos e falemos. E nenhuma
serve a ninguém. Que tê-la não atendo
Ou que não tê-la tendo-a é o que se diz dizendo.
que a vida ensina ou julgo que ela ensina?
Se o só descubro quando passou tempo,
e a gente já passou como eu também?
Se quem me leia não me entenderá?-
ou são mais velhos e já sabem,
ou mais antigos e têm outra língua
ou são mais jovens crendo que o saber
é a sua descoberta em que de passo em passo
descobrirão que a vida não ensina
senão o que mais tarde em nós descobriremos
de quanto nunca foi ou não escolhemos.
Di-lo-ei por mim e para mim? Porquê
Aos outros? Que comum tenho com eles
além de lhes dizer que não importa
dizer o que não dizem? se não há
maneira alguma de viver de novo
o que quiséramos que a vida fora?
E se outros não de nós mas de si mesmos
já descobriram de outro modo a mesma coisa,
ou hão-de descobri-la? De experiência
Falamos e falemos. E nenhuma
serve a ninguém. Que tê-la não atendo
Ou que não tê-la tendo-a é o que se diz dizendo.
Jorge de Sena
Queixa e imprecações dum condenado à morte
Por existir me cegam,
Me estrangulam,
Me julgam,
Me condenam,
Me esfacelam.
Por me sonhar em vez de ser me insultam,
Por não dormir me culpam
E me dão o silêncio por carrasco
E a solidão por cela.
Por lhes falar, proíbem-me as palavras,
Por lhes doer, censuram-me o desejo
E marcam-me o destino a vergastadas
Pois não ousam morder o meu corpo de beijos.
Passo a passo os encontro no caminho
Que os deuses e o sangue me traçaram.
E negando-me, bebem do meu vinho
E roubam um lugar na minha cama
E comem deste pão que as minhas mãos infames amassaram.
Com angústia e com lama.
Passo a passo os encontro no caminho.
Mas eu sigo sozinho!
Dono dos ventos que me arremessaram,
Senhor dos tempos que me destruíram,
Herói dos homens que me derrubaram,
Macho das coisas que me possuíram.
Andando entre eles invento as passadas
Que hão-de em triunfo conduzir-me à morte
E as horas que sei que me estão contadas,
Deslumbram-me e correm, sem que isso me importe.
Sou eu que me chamo nas vozes que oiço,
Sou eu quem se ri nos dentes que ranjo,
Sou eu quem me corto a mim mesmo o pescoço,
Sou eu que sou doido, sou eu que sou anjo.
Sou eu que passeio as correntes e as asas
Por sobre as cidades que vou destruindo,
Sou eu o incêndio que lhes devora as casas,
O ladrão que entra quando estão dormindo.
Sou eu quem de noite lhes perturba o sono,
Lhes frustra o amor, lhes aperta a garganta.
Sou eu que os enforco numa corda de sonho
Que apodrece e cai mal o sol se levanta.
Sou eu quem de dia lhes cicia o tédio,
O tédio que pensam, que bebem e comem,
O tédio de serem sem nenhum remédio
A perfeita imagem do que for um homem.
Sou eu que partindo aos poucos lhes deixo
Uma herança de pragas e animais nocivos.
Sou eu que morrendo lhes segredo o horror
de serem inúteis e ficarem vivos.
Me estrangulam,
Me julgam,
Me condenam,
Me esfacelam.
Por me sonhar em vez de ser me insultam,
Por não dormir me culpam
E me dão o silêncio por carrasco
E a solidão por cela.
Por lhes falar, proíbem-me as palavras,
Por lhes doer, censuram-me o desejo
E marcam-me o destino a vergastadas
Pois não ousam morder o meu corpo de beijos.
Passo a passo os encontro no caminho
Que os deuses e o sangue me traçaram.
E negando-me, bebem do meu vinho
E roubam um lugar na minha cama
E comem deste pão que as minhas mãos infames amassaram.
Com angústia e com lama.
Passo a passo os encontro no caminho.
Mas eu sigo sozinho!
Dono dos ventos que me arremessaram,
Senhor dos tempos que me destruíram,
Herói dos homens que me derrubaram,
Macho das coisas que me possuíram.
Andando entre eles invento as passadas
Que hão-de em triunfo conduzir-me à morte
E as horas que sei que me estão contadas,
Deslumbram-me e correm, sem que isso me importe.
Sou eu que me chamo nas vozes que oiço,
Sou eu quem se ri nos dentes que ranjo,
Sou eu quem me corto a mim mesmo o pescoço,
Sou eu que sou doido, sou eu que sou anjo.
Sou eu que passeio as correntes e as asas
Por sobre as cidades que vou destruindo,
Sou eu o incêndio que lhes devora as casas,
O ladrão que entra quando estão dormindo.
Sou eu quem de noite lhes perturba o sono,
Lhes frustra o amor, lhes aperta a garganta.
Sou eu que os enforco numa corda de sonho
Que apodrece e cai mal o sol se levanta.
Sou eu quem de dia lhes cicia o tédio,
O tédio que pensam, que bebem e comem,
O tédio de serem sem nenhum remédio
A perfeita imagem do que for um homem.
Sou eu que partindo aos poucos lhes deixo
Uma herança de pragas e animais nocivos.
Sou eu que morrendo lhes segredo o horror
de serem inúteis e ficarem vivos.
José Carlos Ary dos Santos
terça-feira, dezembro 14, 2010
Abril
Que o BCP peça licença aos seus amos para realizar operações com o Irão, da mesma forma que qualquer multinacional norte americana, é compreensível, até aceitável, afinal é mais um ente estrutural do capitalismo, uma entidade que traduz desta forma a realidade imperialista só se apresenta coerente, o que é reprovável é o próprio capitalismo. Por outra parte, que o nosso país se submeta aos desígnios colonialistas de outro qualquer estado, servindo de testa de ferro para levar a paulada dos ineptos que por decisão externa assumem a sua incapacidade para condenar criminosos, infanticidas, só porque dessa forma se legitimaria a adopção de métodos e meios criados e controlados pelo núcleo do neofascismo global, não só resulta humilhante como redutor, transmitindo uma impressão de impotência à população que só ajuda a desbravar o caminho a esta repressão persuasiva.
No que à manipulação concerne, poderíamos bastar-nos com o anterior exemplo, mas, considerando que muitos, e cada vez mais, de nós mantemos a bandeira do escepticismo ao vento de quase todas as opiniões, também o discurso do actual presidente português conserva uma mensagem tácita apologista do abandono da nossa vontade: Quando na imprensa se propagandeia a assistência do outro português de estimação dos speakers de Manhattan a uma peça como “Jesus Cristo superstar”, entendemos que a magia é mesmo algo sério, algo a ter em consideração. Se, ainda assim, o babado malabarista, vem mais tarde lamentar o estado calamitoso, famélico, abjecto, no qual se encontra o Estado, utilizando a preponderância da sua posição mas sem que desta aceite responsabilidades, alegrando-se que alguém se tenha lembrado de nos alimentar com lixo, o mais provável é que apareça, no horizonte daqueles aos quais a realidade amorfa a opinião, uma atribuição causal alheia a sua vontade, mágica. Não resultando fácil questionar o papel do presidente e a sua culpa pela actual situação por parte do povo - devemos considerar o medo de exclusão social que significa sacar a cabeça fora do meio-, mais difícil se torna quando é a nossa estrutura mental de decisão aquela que deve primeiramente ser ponderada, revista, transformada, mas, claro, também o comportamento é hereditário e, àparte de cinquenta anos de voz amordaçada, tão pouco anteriormente se desfrutou de grandes liberdades de expressão ou, de um paradigma no qual a responsabilização pelo resultado das decisões de cada um fosse um direito que derivasse numa cultura o suficientemente coesa para se posicionar emancipada no actual contexto global.
Não obstante, soluções existem, a questão é começar e, começar já começámos, em 74. Mais que Abril de novo, Abril. Foi em Abril quando conquistámos o direito de pensar e reclamar, transformar, decidir a nossa vida, o futuro. Como o fez o Francisco Lopes, tendo conseguido como resposta uma cobarde atitude de fuga sem resposta por parte daquele que nos deve contas, hoje necessitamos, exasperados, todos, usar Abril.
No que à manipulação concerne, poderíamos bastar-nos com o anterior exemplo, mas, considerando que muitos, e cada vez mais, de nós mantemos a bandeira do escepticismo ao vento de quase todas as opiniões, também o discurso do actual presidente português conserva uma mensagem tácita apologista do abandono da nossa vontade: Quando na imprensa se propagandeia a assistência do outro português de estimação dos speakers de Manhattan a uma peça como “Jesus Cristo superstar”, entendemos que a magia é mesmo algo sério, algo a ter em consideração. Se, ainda assim, o babado malabarista, vem mais tarde lamentar o estado calamitoso, famélico, abjecto, no qual se encontra o Estado, utilizando a preponderância da sua posição mas sem que desta aceite responsabilidades, alegrando-se que alguém se tenha lembrado de nos alimentar com lixo, o mais provável é que apareça, no horizonte daqueles aos quais a realidade amorfa a opinião, uma atribuição causal alheia a sua vontade, mágica. Não resultando fácil questionar o papel do presidente e a sua culpa pela actual situação por parte do povo - devemos considerar o medo de exclusão social que significa sacar a cabeça fora do meio-, mais difícil se torna quando é a nossa estrutura mental de decisão aquela que deve primeiramente ser ponderada, revista, transformada, mas, claro, também o comportamento é hereditário e, àparte de cinquenta anos de voz amordaçada, tão pouco anteriormente se desfrutou de grandes liberdades de expressão ou, de um paradigma no qual a responsabilização pelo resultado das decisões de cada um fosse um direito que derivasse numa cultura o suficientemente coesa para se posicionar emancipada no actual contexto global.
Não obstante, soluções existem, a questão é começar e, começar já começámos, em 74. Mais que Abril de novo, Abril. Foi em Abril quando conquistámos o direito de pensar e reclamar, transformar, decidir a nossa vida, o futuro. Como o fez o Francisco Lopes, tendo conseguido como resposta uma cobarde atitude de fuga sem resposta por parte daquele que nos deve contas, hoje necessitamos, exasperados, todos, usar Abril.
Va por nosotros!
Não era minha intenção tentar escrever algo que resultasse descritivo do Homem que canta nos dois vídeos acima, começando por não conhecer a fundo toda a sua discografia ou talvez só por reconhecer escasso o valor de um simples adjectivo, sobram as palavras. Porém, se alguém tentou defender a liberdade criativa no âmbito da musica tradicional espanhola, esse foi o Enrique Morente. Claramente comprometido com os valores da esquerda, arredado, ou vapuleado, dos círculos conservadores do "cante jondo", mais que um renovador, foi um revolucionário no seu meio, um meio ao qual tentou subtrair fronteiras imobilistas, obscurantistas, e transformá-lo num espelho do progresso cultural de um povo.
quarta-feira, dezembro 08, 2010
Coisas do feriado de um desempregado
Uma grande conquista de Abril, fundamental, senão a maior, foi obrigar o fascismo a manipular através da persuasão em lugar da coacção. Afirmar hoje que o fascismo já não existe implica negar a esta aberração a capacidade de mutar na práctica, ao mesmo tempo, entregar imerecida confiança a algo que aceitámos chamar democracia. Podendo resultar certamente radical esta afirmação: "A democracia não existe", contudo poderia fundamentá-la em Marx, sem relativismos da treta e colocando a existência do Estado como elemento nuclear da mesma. Porém, outros são os motivos que alicerçam esta opinião, aqui sim, da mesma forma que interpretamos o fascismo no momento histórico português podemos comparar o índice de satisfação da população cruzando âmbitos temporais e geográficos e extrapolando conclusões.
Na década de 70, nos estados unidos, segundo estudos psicológicos publicados, o povo era "mais feliz" que na década que finda, sem deixar de considerar a menor capacidade de consumo, e logo de opções, que experimentava nessa época de comparada com a actual. De outra forma (na minha), digamos que a população era menos infeliz.
O PREC, esse lapso de justiça que experimentou o povo português, que não viveu porque o não sentiu; ou que não fez seu devido a impossibilidade de transformar a cultura num tão curto espaço de tempo, trazia consigo a possibilidade de escolher, mas, no essencial, trazia a consciência; a capacidade de descartar como opção, focalizar; discernir, pensar cada passo e sabê-lo parte de um trajecto irrepetível, punha-nos o futuro pela frente sem distrações, o equilíbrio.
Hoje, em Portugal, nos estados unidos, a oferta é tão ampla quanto a necessidade criada e, a capacidade de eleição é tão nula quantas as opções existentes. Quero com isto dizer que (sem trazer para aqui a reforma continua do modo de producção), a eleição, que em determinado momento se julgou a mais adequada, instantes depois; segundos mais tarde, exerce como factor de frustração a somar e sumar, que transforma a vontade num sentimento de aversão a decidir mais importante que a necessidade do eu primordial de o fazer, tomando lugar a vontade do eu autobiográfico que não é nosso - que também, mas só porque respiramos -. O reflexo cultural deste tipo de repressão fica patente quando ponderamos, justificando o nosso lugar na massa, qualquer cenário a 5 anos vista; fica claro quando contemplamos o pão (pouco) para hoje e fome para amanhã que leva como consigna ideológica a política dos governos que nos afanam há 35 anos, mas, e as opções? Inúmeras! Quase todas com o mesmo cariz, menos uma, aquela que defende a mudança real, sem remendos, a do Francisco Lopes.
Quero que os passos de hoje vão no sentido do que escolhi para futuro, se ficar pelo caminho, ficará seguramente um risco, na areia.
Na década de 70, nos estados unidos, segundo estudos psicológicos publicados, o povo era "mais feliz" que na década que finda, sem deixar de considerar a menor capacidade de consumo, e logo de opções, que experimentava nessa época de comparada com a actual. De outra forma (na minha), digamos que a população era menos infeliz.
O PREC, esse lapso de justiça que experimentou o povo português, que não viveu porque o não sentiu; ou que não fez seu devido a impossibilidade de transformar a cultura num tão curto espaço de tempo, trazia consigo a possibilidade de escolher, mas, no essencial, trazia a consciência; a capacidade de descartar como opção, focalizar; discernir, pensar cada passo e sabê-lo parte de um trajecto irrepetível, punha-nos o futuro pela frente sem distrações, o equilíbrio.
Hoje, em Portugal, nos estados unidos, a oferta é tão ampla quanto a necessidade criada e, a capacidade de eleição é tão nula quantas as opções existentes. Quero com isto dizer que (sem trazer para aqui a reforma continua do modo de producção), a eleição, que em determinado momento se julgou a mais adequada, instantes depois; segundos mais tarde, exerce como factor de frustração a somar e sumar, que transforma a vontade num sentimento de aversão a decidir mais importante que a necessidade do eu primordial de o fazer, tomando lugar a vontade do eu autobiográfico que não é nosso - que também, mas só porque respiramos -. O reflexo cultural deste tipo de repressão fica patente quando ponderamos, justificando o nosso lugar na massa, qualquer cenário a 5 anos vista; fica claro quando contemplamos o pão (pouco) para hoje e fome para amanhã que leva como consigna ideológica a política dos governos que nos afanam há 35 anos, mas, e as opções? Inúmeras! Quase todas com o mesmo cariz, menos uma, aquela que defende a mudança real, sem remendos, a do Francisco Lopes.
Quero que os passos de hoje vão no sentido do que escolhi para futuro, se ficar pelo caminho, ficará seguramente um risco, na areia.
terça-feira, novembro 30, 2010
segunda-feira, novembro 29, 2010
sexta-feira, novembro 26, 2010
Vuelo
Sólo quien ama vuela. Pero, ¿quién ama tanto
que sea como el pájaro más leve y fugitivo?
Hundiendo va este odio reinante todo cuanto
quisiera remontarse directamente vivo.
Amar ... Pero, ¿quién ama? Volar ... Pero, ¿quién vuela?
Conquistaré el azul ávido de plumaje,
pero el amor, abajo siempre, se desconsuela
de no encontrar las alas que da cierto coraje.
Un ser ardiente, claro de deseos, alado,
quiso ascender, tener la libertad por nido.
Quiso olvidar que el hombre se aleja encadenado.
Donde faltaban plumas puso valor y olvido.
Iba tan alto a veces, que le resplandecía
sobre la piel el cielo, bajo la piel el ave.
Ser que te confundiste con una alondra un día,
te desplomaste otro como el granizo grave.
Ya sabes que las vidas de los demás son losas
con que tapiarte: cárceles con que tragar la tuya.
Pasa, vida, entre cuerpos, entre rejas hermosas.
A través de las rejas, libre la sangre afluya.
Triste instrumento alegre de vestir; apremiante
tubo de apetecer y respirar el fuego.
Espada devorada por el uso constante.
Cuerpo en cuyo horizonte cerrado me despliego.
No volarás. No puedes volar, cuerpo que vagas
por estas galerías donde el aire es mi nudo.
Por más que te debatas en ascender, naufragas.
No clamarás. El campo sigue desierto y mudo.
Los brazos no aletean. Son acaso una cola
que el corazón quisiera lanzar al firmamento.
La sangre se entristece de debatirse sola.
Los ojos vuelven tristes de mal conocimiento.
Cada ciudad, dormida, despierta loca, exhala
un silencio de cárcel, de sueño que arde y llueve
como un élitro ronco de no poder ser ala.
El hombre yace. El cielo se eleva. El aire mueve.
que sea como el pájaro más leve y fugitivo?
Hundiendo va este odio reinante todo cuanto
quisiera remontarse directamente vivo.
Amar ... Pero, ¿quién ama? Volar ... Pero, ¿quién vuela?
Conquistaré el azul ávido de plumaje,
pero el amor, abajo siempre, se desconsuela
de no encontrar las alas que da cierto coraje.
Un ser ardiente, claro de deseos, alado,
quiso ascender, tener la libertad por nido.
Quiso olvidar que el hombre se aleja encadenado.
Donde faltaban plumas puso valor y olvido.
Iba tan alto a veces, que le resplandecía
sobre la piel el cielo, bajo la piel el ave.
Ser que te confundiste con una alondra un día,
te desplomaste otro como el granizo grave.
Ya sabes que las vidas de los demás son losas
con que tapiarte: cárceles con que tragar la tuya.
Pasa, vida, entre cuerpos, entre rejas hermosas.
A través de las rejas, libre la sangre afluya.
Triste instrumento alegre de vestir; apremiante
tubo de apetecer y respirar el fuego.
Espada devorada por el uso constante.
Cuerpo en cuyo horizonte cerrado me despliego.
No volarás. No puedes volar, cuerpo que vagas
por estas galerías donde el aire es mi nudo.
Por más que te debatas en ascender, naufragas.
No clamarás. El campo sigue desierto y mudo.
Los brazos no aletean. Son acaso una cola
que el corazón quisiera lanzar al firmamento.
La sangre se entristece de debatirse sola.
Los ojos vuelven tristes de mal conocimiento.
Cada ciudad, dormida, despierta loca, exhala
un silencio de cárcel, de sueño que arde y llueve
como un élitro ronco de no poder ser ala.
El hombre yace. El cielo se eleva. El aire mueve.
Miguel Hernández
terça-feira, novembro 23, 2010
Memória carrasca
Quero escutar
gritar,
gritos que atravessem este mundo
sem palavras,
de passado
vazio,
carga
sem bagagem.
A morte devassa-me as entranhas
em cada pedaço de pão,
e vai,
na mentira de cada bom dia,
boa-noite.
Quero um novo código,
um idioma de sorrisos
onde mudo,
o silêncio, cansado,
não seja pausa.
Quero o passado
esse,
agora!
gritar,
gritos que atravessem este mundo
sem palavras,
de passado
vazio,
carga
sem bagagem.
A morte devassa-me as entranhas
em cada pedaço de pão,
e vai,
na mentira de cada bom dia,
boa-noite.
Quero um novo código,
um idioma de sorrisos
onde mudo,
o silêncio, cansado,
não seja pausa.
Quero o passado
esse,
agora!
Joaquim Gomes
Camaradas
Deixou-nos ontem, com 93 anos de idade, o camarada Joaquim Gomes, um dos mais destacado dirigentes comunistas da história do nosso Partido, e que dedicou toda a sua vida à luta da classe operária, dos trabalhadores e do povo português.
Uma vida inteira entregue à luta contra o fascismo, pela liberdade, contra a exploração capitalista, pela democracia, a paz, o socialismo e o comunismo.
À camarada Maria da Piedade Gomes, sua companheira de sempre entregamos aqui um abraço sentido e fraterno.
Joaquim Gomes foi um dos muitos homens a quem não deixaram que fosse menino. Com apenas 6 anos já era operário aprendiz na indústria vidreira das fábricas da Marinha Grande. Terra que o viu crescer e aderir primeiro com 14 anos à Federação da Juventude Comunista e depois, em Março de 1934, ao seu partido de sempre, ao Partido Comunista Português, passando a integrar no imediato o Comité Local da Marinha Grande.
Por parte dessa Europa , e em Portugal também, os anos 30 foram tempos sombrios de avanço do fascismo e do nazismo. Encabeçando as lutas dos aprendizes por reivindicações salariais, contra o trabalho violento e as arbitrariedades do patronato, que haveriam de ter expressão revolucionária na histórica insurreição revolucionária do 18 de Janeiro de 1934 contra a fascização dos sindicatos, Joaquim Gomes foi preso pela primeira vez com apenas 16 anos, em Novembro de 1933.
O regresso à liberdade, foi o regresso à luta fora da prisão. Assumiu um importante papel na reactivação da organização do Partido na Marinha Grande e na solidariedade aos presos do 18 de Janeiro, veio ainda a desempenhar tarefas ligadas à distribuição da imprensa partidária e às casas de apoio à Direcção do Partido e passa à clandestinidade em 1952 no Comité Local de Lisboa.
Em 1955 torna-se membro suplente do Comité Central e dois anos depois passa a membro efectivo. Em 1963 integra a Comissão Executiva do Comité Central e posteriormente a Comissão Política.
Por três vezes a PIDE deito-lhe a mão. Por duas vezes se invadiu da cadeia. Uma das suas fugas foi a célebre fuga de Peniche, ao lado de Álvaro Cunhal, Jaime Serra, Carlos Costa e de outros destacados militantes do Partido, um acto de grande coragem e heroísmo, um acontecimento de enorme significado na vida do nosso Partido com reflexos no desenvolvimento da luta do povo português contra o fascismo e pela liberdade.
Depois da revolução de Abril Joaquim Gomes foi deputado eleito pelo distrito de Leiria entre 1976 e 1987 e foi membro do Comité Central do PCP até ao XV Congresso em 1996, tendo mantido as suas responsabilidades como membro do Secretariado e da Comissão Política até ao XIV Congresso em 1992, altura em que foi eleito membro da Comissão Central de Controlo.
Quem privou e trabalhou com Joaquim Gomes sabe que era um homem modesto e discreto que, desempenhou com a mesma determinação e inabalável convicção revolucionária com que aderiu ao Partido responsabilidades no âmbito da Comissão Administrativa e Financeira e da Comissão de Património Central até ao fim dos seus dias. Ainda anteontem, estivemos juntos a dar-nos estímulos para prosseguir a luta.
Camaradas
Despedimo-nos hoje do camarada Joaquim Gomes. Um momento que mais do que um adeus será, como Joaquim Gomes gostaria que fosse, um reafirmar da nossa disposição colectiva para prosseguirmos o seu exemplo e marcarmos presença nas muitas lutas que ontem partilhámos e que é preciso prosseguir para que os ideais da liberdade, da democracia e do socialismo que animaram a sua acção revolucionária tenham concretização.
Evocar a vida de Joaquim Gomes é trazer para os dias presentes e futuros um percurso de vida exemplar, um trajecto de dedicação e coragem posta ao serviço da causa classe operária, dos trabalhadores e do povo português, uma marca imperecível que Joaquim Gomes partilha com uma geração heróica de militantes comunistas a quem o país deve a liberdade e Abril.
Um percurso de vida que se funde com a vida do Partido, parte integrante daquela gesta de lutadores revolucionários que fazendo parte da história do Partido são simultaneamente protagonistas do heróico percurso da luta da classe operária, dos trabalhadores e do povo contra a tirania fascista, pela liberdade e a dignidade humana.
Deixando a vida o camarada Joaquim, Gomes deixou-nos num tempo onde o combate é mais exigente, por vezes bem difícil, neste confronto com aqueles que inscrevem nos seus objectivos a subversão dos valores de Abril, a liquidação das conquistas económicas e sociais e o empurrar o país para o retrocesso restaurar as injustiças e aumentar a exploração dos trabalhadores! Mas aquilo que animou, formou e forjou o camarada Joaquim Gomes é aquilo que nos anima, forma e nos dá têmpera! Prosseguir a luta, manter o nosso projecto e ideal comunista, lutar, lutar sempre, com aquela convicção e determinação que emana do nosso grande colectivo partidário, renovando e rejuvenescendo as nossas fileiras, sem nunca esquecer quanta força dos dá o exemplo que Joaquim Gomes nos legou. Descansa, camarada, que assim faremos!
Viva o PCP!
(site PCP)
Deixou-nos ontem, com 93 anos de idade, o camarada Joaquim Gomes, um dos mais destacado dirigentes comunistas da história do nosso Partido, e que dedicou toda a sua vida à luta da classe operária, dos trabalhadores e do povo português.
Uma vida inteira entregue à luta contra o fascismo, pela liberdade, contra a exploração capitalista, pela democracia, a paz, o socialismo e o comunismo.
À camarada Maria da Piedade Gomes, sua companheira de sempre entregamos aqui um abraço sentido e fraterno.
Joaquim Gomes foi um dos muitos homens a quem não deixaram que fosse menino. Com apenas 6 anos já era operário aprendiz na indústria vidreira das fábricas da Marinha Grande. Terra que o viu crescer e aderir primeiro com 14 anos à Federação da Juventude Comunista e depois, em Março de 1934, ao seu partido de sempre, ao Partido Comunista Português, passando a integrar no imediato o Comité Local da Marinha Grande.
Por parte dessa Europa , e em Portugal também, os anos 30 foram tempos sombrios de avanço do fascismo e do nazismo. Encabeçando as lutas dos aprendizes por reivindicações salariais, contra o trabalho violento e as arbitrariedades do patronato, que haveriam de ter expressão revolucionária na histórica insurreição revolucionária do 18 de Janeiro de 1934 contra a fascização dos sindicatos, Joaquim Gomes foi preso pela primeira vez com apenas 16 anos, em Novembro de 1933.
O regresso à liberdade, foi o regresso à luta fora da prisão. Assumiu um importante papel na reactivação da organização do Partido na Marinha Grande e na solidariedade aos presos do 18 de Janeiro, veio ainda a desempenhar tarefas ligadas à distribuição da imprensa partidária e às casas de apoio à Direcção do Partido e passa à clandestinidade em 1952 no Comité Local de Lisboa.
Em 1955 torna-se membro suplente do Comité Central e dois anos depois passa a membro efectivo. Em 1963 integra a Comissão Executiva do Comité Central e posteriormente a Comissão Política.
Por três vezes a PIDE deito-lhe a mão. Por duas vezes se invadiu da cadeia. Uma das suas fugas foi a célebre fuga de Peniche, ao lado de Álvaro Cunhal, Jaime Serra, Carlos Costa e de outros destacados militantes do Partido, um acto de grande coragem e heroísmo, um acontecimento de enorme significado na vida do nosso Partido com reflexos no desenvolvimento da luta do povo português contra o fascismo e pela liberdade.
Depois da revolução de Abril Joaquim Gomes foi deputado eleito pelo distrito de Leiria entre 1976 e 1987 e foi membro do Comité Central do PCP até ao XV Congresso em 1996, tendo mantido as suas responsabilidades como membro do Secretariado e da Comissão Política até ao XIV Congresso em 1992, altura em que foi eleito membro da Comissão Central de Controlo.
Quem privou e trabalhou com Joaquim Gomes sabe que era um homem modesto e discreto que, desempenhou com a mesma determinação e inabalável convicção revolucionária com que aderiu ao Partido responsabilidades no âmbito da Comissão Administrativa e Financeira e da Comissão de Património Central até ao fim dos seus dias. Ainda anteontem, estivemos juntos a dar-nos estímulos para prosseguir a luta.
Camaradas
Despedimo-nos hoje do camarada Joaquim Gomes. Um momento que mais do que um adeus será, como Joaquim Gomes gostaria que fosse, um reafirmar da nossa disposição colectiva para prosseguirmos o seu exemplo e marcarmos presença nas muitas lutas que ontem partilhámos e que é preciso prosseguir para que os ideais da liberdade, da democracia e do socialismo que animaram a sua acção revolucionária tenham concretização.
Evocar a vida de Joaquim Gomes é trazer para os dias presentes e futuros um percurso de vida exemplar, um trajecto de dedicação e coragem posta ao serviço da causa classe operária, dos trabalhadores e do povo português, uma marca imperecível que Joaquim Gomes partilha com uma geração heróica de militantes comunistas a quem o país deve a liberdade e Abril.
Um percurso de vida que se funde com a vida do Partido, parte integrante daquela gesta de lutadores revolucionários que fazendo parte da história do Partido são simultaneamente protagonistas do heróico percurso da luta da classe operária, dos trabalhadores e do povo contra a tirania fascista, pela liberdade e a dignidade humana.
Deixando a vida o camarada Joaquim, Gomes deixou-nos num tempo onde o combate é mais exigente, por vezes bem difícil, neste confronto com aqueles que inscrevem nos seus objectivos a subversão dos valores de Abril, a liquidação das conquistas económicas e sociais e o empurrar o país para o retrocesso restaurar as injustiças e aumentar a exploração dos trabalhadores! Mas aquilo que animou, formou e forjou o camarada Joaquim Gomes é aquilo que nos anima, forma e nos dá têmpera! Prosseguir a luta, manter o nosso projecto e ideal comunista, lutar, lutar sempre, com aquela convicção e determinação que emana do nosso grande colectivo partidário, renovando e rejuvenescendo as nossas fileiras, sem nunca esquecer quanta força dos dá o exemplo que Joaquim Gomes nos legou. Descansa, camarada, que assim faremos!
Viva o PCP!
(site PCP)
sábado, novembro 20, 2010
quarta-feira, novembro 17, 2010
Cimeira OTAN
(Relaxa, as bombas estão aqui para ajudar-nos... vêm da otan!)
Sobre o Afeganistão, depois de muitos anos de guerra continuada, vitimada que vem sendo a população deste país, ainda ninguém assumiu que este povo não se conquista.Já no tempo de Alexandre Magno, não com uma estratégia na qual se oferecesse uma aparente segurança (contra quem?) às populações, a invasão e/ou conquista do território não passaram de balelas. O sinal mais claro de que este foi incapaz de transformar a cultura nessa região, antes pelo contrário, é o facto de ter lá entrado homosexual, enquanto nos países muçulmanos eram usuais e culturalmente aceites, comportamentos comuns a essa tendência, e saído casado, duplamente casado.
Apesar da anedota anterior (que não deve esgotar o seu conteúdo em qualquer espécie de consideração sobre as tendências sexuais de qualquer indivíduo), como prova, também, da impossibilidade de conquistar este povo, poderiamos olhar atrás e analizar o período soviético. Não obstante, hoje existem contingentes militares neocolonialistas de cerca de 40 países, debaixo da batuta norte-americana, ou, 40 destacamentos de povos subjugados ao imperialismo. Esse, o imperialismo, já veio anunciar, unilateralmente, como é de praxe, a sua intenção de retirar as tropas, facto que nos indica a incapacidade manifesta de conquista, apontando 2014 como data limíte para o efeito. Todavia, nesse mesmo anúncio, podemos observar que, o que se pretende é colocar no poder a facção mais dúctil de todas aquelas que conformam culturalmente esta terra e, dar corda aos sapatos da melhor maneira.
Aproveitando o momento, no qual Lisboa, a terra onde nasci, se metamorfoseia como sede do braço armado do terrorismo de estado norte-americano, penso que é adequado tentar sacar uma conclusão sobre a resistência dos afegãos aos inúmeros ataques aos quais durante séculos foram submetidos e para os quais sempre encontraram uma nova resposta:
A história,
escrevemo-la
o povo!
Os rolex, aparentam glória,
mas o tempo,
o tempo é do Homem
novo.
terça-feira, novembro 16, 2010
Poderia parecer ciência

A seguinte notícia:
"A crise económica pode ser uma oportunidade para promover a adopção de comportamentos mais ecológicos e éticos, que conduzam à melhoria da saúde mental dos portugueses, defendeu esta terça-feira a psicóloga Maria Júlia Valério.
«As situações adversas, como é o caso da crise, fazem-nos reflectir acerca dos valores e práticas que orientaram a sociedade nos últimos anos, nomeadamente o falhanço do economicismo e de uma sociedade materialista em que se é aquilo que se exibe», disse à Lusa a membro da Comissão Nacional para a Reestruturação dos Serviços de Saúde Mental.
Maria Júlia Valério, coordenadora do Serviço de Psicologia do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, vai intervir sobre «O que faz o país pela saúde mental» na 14ª edição das Jornadas Cofanor, que se realiza sexta -eira na Fundação de Serralves, no Porto.
«É também uma oportunidade ecológica no sentido de deixarmos de consumir desenfreadamente. A escassez económica propícia práticas mais ecológicas como a reutilização e a rentabilização dos recursos existentes», salientou Júlia Valério, numa nota de antevisão da sua conferência.
Repercussões internas da crise vai estar em análise
A psicóloga falará sobre «as repercussões internas da crise financeira, nomeadamente aspectos como o desemprego, consumismo, solidão e dependência/passividade face ao estado-providência», e irá também apresentar casos práticos da resistência da mente humana às adversidades, através da criatividade e da optimização de recursos.
Sob o tema «Quem são os loucos?», Cláudia Milheiro, psicóloga clínica do Hospital Magalhães Lemos, no Porto, procurará comprovar nas jornadas que não existe uma definição clara sobre o que é a loucura.
As novas psicopatologias e as diversas interfaces com a psicanálise, a psicologia e as psicoterapias serão outros assuntos a abordar.
«Nesta linha, questionam-se técnicas e métodos, procurando os necessários ajustamentos às actuais formas de adoecer. Serão levantadas diferentes hipóteses e modelos de leitura de casos a partir da prática clínica, alicerçados no conhecimento científico», explicou Cláudia Milheiro.
«O que é a mente?», «Psicotrópicos: Usos, abusos e limites», «Conseguir a saúde mental» e «A imagem da loucura» serão outros temas a abordar nas Jornadas Cofanor, pelos especialistas Rui Mota Cardoso, Hélder Mota Filipe, Maria Raúl Lobo Xavier e António Roma Torres.
A palestra de encerramento estará a cargo do escritor e político Vasco Graça Moura, que, sob o título «O binómio de Newton e a Vénus de Milo», falará sobre as relações entre a poesia e a ciência, documentadas desde o século XVI na literatura portuguesa."
... Não fosse a intervenção de encerramento, podería parecer algo científico, mas, se com a mesma cruzar-mos esta outra:
"Esta foi uma das quatro medidas anunciadas por Ana Jorge como forma de promover uma prescrição mais racional de medicamentos da área da saúde mental.
No mês passado, o Ministério da Saúde revogou uma portaria que previa um acréscimo de comparticipação do Estado na compra de psicofármacos a doentes com patologias especiais, como a esquizofrenia.
Hoje, a ministra disse que caberá a cada instituição pública que segue os doentes mentais avaliar a quantidade necessária de medicamentos, que serão depois adquiridos através de compra centralizada pelo Estado, à semelhança do que sucede com as vacinas do Plano Nacional de Vacinação.
"Os medicamentos estarão disponíveis nos locais onde os doentes são acompanhados. Depende do local onde for a consulta que os doentes seguem", disse Ana Jorge, apesar de reconhecer que ainda não está definido quem pagará o quê.
Com a dispensa gratuita de medicamentos nas unidades de saúde, o Ministério espera que os gastos do Estado sejam menores do que aquilo que é actualmente pago em comparticipações.
"Esperamos que os gastos sejam inferiores por duas razões. Porque a compra é centralizada e porque juntamente com esta medida haverá outra: orientações feitas por equipas de peritos que definem que medicamentos têm de ser usados e em que situações", declarou a ministra aos jornalistas à margem de uma conferência sobre saúde mental.
O Ministério da Saúde quer ainda realizar um estudo sobre padrões de prescrição de medicamentos para doentes mentais em Portugal, bem como desenvolver um programa de formação de médicos de família sobre o uso racional de fármacos nas doenças psiquiátricas."
... Sem querer parecer tendencioso, poderiamos concluir:
O actual governo prepara a generalização do uso e prescrição de psicofármacos, como paliativo, em linha com a esperada depressão na qual entrará a maioria dos portugueses, devído à crise que se atravessa, e, em sintonía com o que o PSD vem anunciando, em palestras apoiadas por figuras de responsabilidade nos serviços de saúde mental estatais.
Assim mesmo, a saúde mental dos portugueses, mais que conservando episódicamente patologías relacionadas com este foro, com base em diversos estudos, é a mais debilitada de toda a UE, podendo mesmo atribuir a esta adversidade a passividade que se tranformou em culto para quase metade da população.
Mais grave, porém, é constatar que os "psicólogos" nacionais, na sua maioría, preterem a contrastação de indicadores que reflectem a difusão cultural psicótica enquanto como opção aparece a colocação, mesmo a recibos verdes.
O resultado de considerar Hipócrates uma anedota, mais que isso, a constatação de que a realidade também transforma alguns daqueles que a pretendem transformar (ou que deveriam ter como sumo objectivo essa transformação), deriva num agravamento acompanhado, mas raramente contestatário, do entorno no qual se inserem, resultando o mutismo um apoio tácito a medidas e estratégias que, mais que neoliberais, são de todo cariz fascistas.
Fica mais um exemplo:
"Centenas de escolas começaram o ano lectivo sem um psicólogo colocado, para apoiar os alunos. A estimativa é da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), que explica que estes profissionais são normalmente colocados através de um concurso especial autorizado pelo Ministério da Educação (ME), ao abrigo do combate ao insucesso e abandono escolar.
Mas o concurso está atrasado, uma situação "particularmente grave", depois de o ME ter anunciado, na terça-feira, as metas da Educação para 2015 em que se pretende reduzir o insucesso e o abandono, aponta Albino Almeida, presidente da Confap.
"A ministra fala do aumento do trabalho com as famílias, na redução do insucesso e abandono escolar, que são tarefas feitas pelos psicólogos e depois o concurso para a sua colocação está atrasado", critica o dirigente. De acordo com alguns psicólogos e com a Confap, o atraso na colocação destes profissionais deve-se à falta de verbas. "É mais uma consequência da contenção de custos", refere o representante dos pais.
As famílias têm denunciado esta falha à Confap. "Recebemos vários pedidos de pais de Braga para que pelo menos os psicólogos que tinham projectos no ano passado continuem este ano", confirma Albino Almeida.
Uma das psicólogas que ainda não sabe se ficará na escola onde deu apoio aos alunos nos últimos três anos é Inês Faria. A responsável pela comissão de educação do Sindicato Nacional dos Psicólogos era a única psicóloga no agrupamento onde estava a trabalhar.
A ausência de um especialista na escola, que tem alunos do jardim-de-infância até ao 12.º ano, faz com que Inês Faria continue a receber telefonemas a pedir a sua intervenção. "Mas não posso ajudar porque oficialmente não estou a trabalhar."
Até que a situação se resolva, os professores não podem referenciar novos casos ou pedir a continuidade do acompanhamento dos alunos, explica Inês Faria. "Até a psicóloga do centro de saúde já me ligou para acompanhar um caso, mas não posso porque não estou a trabalhar", acrescenta.
Maria (nome fictício) também trabalha em escolas há quatro anos. "Sempre concorri em Agosto e em Setembro já estava colocada na escola". "Esta já era uma situação precária: não temos carreira e não somos aumentados e agora o concurso não abriu e ninguém explicou porquê", aponta. Na escola onde estava a dar apoio na zona de Lisboa, Maria fazia "avaliação psicológica, programas de educação sexual e de prevenção de bullying". "Estava envolvida em muitos projectos e agora a escola já me estava a bater à porta", explica.
Alguns psicólogos da zona de Lisboa admitem enviar uma carta aos partidos políticos para discutir os atrasos na sua colocação e a precariedade da carreira. "Desde 1997 que não entram psicólogos para os quadros das escolas", diz Inês Faria. O sindicato não tem ainda nenhuma acção prevista."
Finalmente, ainda não sendo esta a função mais importante da classe, depois uma sucinta apresentação da situação deste colectivo num âmbito específico, que deveria, assumindo como sérias e fundamentais responsabilidades de outra índole, reclamar um papel preponderante na definição das políticas de qualquer governo, os psicólogos são assim inibídos da possibilidade de recolher a informação de como a sociedade impacta na mente do futuro, prescindindo de perspectiva, noutros casos de verticalidade, esgotam no canudo as suas obrigações.
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