terça-feira, abril 12, 2011

Há meio século, com 27 anos, um operário metalurgico foi o primeiro homem a olhar todos os impérios entre os dedos de uma mão. Chamava-se Gagarin.

segunda-feira, abril 11, 2011

Analfabeto castrado, não!

A que horas se reunirão aqueles que na terça-feira irão à portela receber o FMI, à pedrada? Já pintei o cartaz...


"De regreso, medité en los destinos de nuestra colonia. Ante mí se erguía en toda su magnitud la visión de una crisis terrible, en la que corrían el peligro de hundirse en un abismo valores indudables para mí, valores vivos, vitales, creados, como un milagro, por cinco años de trabajo de la colectividad, cuyas cualidades excepcionales ni siquiera por modestia quería ocultar ante mí mismo. En una colectividad como la nuestra, la falta de claridad en las rutas personales no podía originar la crisis. Las rutas personales son siempre confusas. ¿Y qué es una ruta personal clara? Es la renuncia a la colectividad, es un espíritu pequeñoburgués concentrado: preocuparse, desde la más tierna edad, de algo tan fastidioso como el futuro pedazo de pan, como esa misma decantada calificación. ¿Calificación de qué? De carpinteros, de zapateros, de molineros. No, yo creo con firmeza que, para un muchacho de dieciséis años, la calificación más valiosa en nuestra vida soviética es la calificación de combatiente y de hombre. Me imaginé la fuerza de la colectividad de los colonos y repentinamente comprendí en qué consistía la cuestión: naturalmente, ¡cómo había podido tardar tanto en darme cuenta! Todo consistía en el estancamiento. No se podía tolerar ningún estancamiento en la vida de la colectividad. Me alegré como un niño: ¡qué encanto! ¡Qué magnífica, qué absorbente es la dialéctica! Una libre colectividad obrera no es capaz de estancarse. La ley universal del desarrollo general comenzaba únicamente ahora a poner de manifiesto su verdadera fuerza. La forma de existencia de una colectividad humana libre es el movimiento adelante; la forma de su muerte es el estancamiento."

Antón Makarenko

sexta-feira, abril 08, 2011

quarta-feira, abril 06, 2011

segunda-feira, abril 04, 2011

Constituição da República Portuguesa III

Artigo 2.º

(Estado de direito democrático)


A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa.

domingo, abril 03, 2011

Constituição da República Portuguesa II

A Assembleia Constituinte, reunida na sessão plenária de 2 de Abril de 1976, aprova e decreta a seguinte Constituição da República Portuguesa:


Princípios fundamentais


Artigo 1.º

(República Portuguesa)


Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.

Domingo musicado

"Governo demissionário faz 156 nomeações e promoções

O Governo demissionário não parou de contratar e promover funcionários após o chumbo do PEC 4 a 23 de Março. De acordo com as publicações em Diário da República contabilizadas pelo Diário de Notícias, o Executivo de José Sócrates assinou 85 nomeações e 71 promoções.
Com as eleições marcadas para 5 de Junho, algumas nomeações para, por exemplo, gabinetes ministeriais terão de sair num máximo de três meses. Caso disso é a nomeação para adjunto da ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas.

Em sete dias, este número de nomeações - 85 - traduz-se numa média recorde de 12 por dia.

O ministério que mais nomeações fez foi o da Administração Interna, com 19 novos membros. Seguiu-se a Presidência do Conselho de Ministro, com 13 nomeações e, depois o Ministério da Defesa, com nove. O jornal escreve que das 85 nomeações, 27 foram substituições."

Cautela

Jantávamos, todos camaradas, e lembrei-me da cisão, mas em espanhol: "escisión", imediatamente corrigido pela solidariedade que fervilhava na mesa. Sem filtro, recentemente, dei por mim a escrever "Escéptico" em lugar de céptico, desta sem censura, mas, prenúncio de mais um desafio; mais uma cautela para o heurístico.
Não faz parte do objectivo acabar a vender lotaria, velho.

sábado, abril 02, 2011

Constituição da república portuguesa I

PREÂMBULO
A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime fascista.
Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa.
A Revolução restituiu aos Portugueses os direitos e liberdades fundamentais. No exercício destes direitos e liberdades, os legítimos representantes do povo reúnem-se para elaborar uma Constituição que corresponde às aspirações do país.
A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno.

sexta-feira, abril 01, 2011

Lenine

"Engels tinha razão quando, na sua crítica ao manifesto dos blanquistas-comunistas (1873), ridicularizava a sua declaração: «Nenhuns compromissos!». Isto é uma frase, dizia ele, pois é frequente que as circunstâncias imponham inevitavelmente compromissos a um partido em luta, e é absurdo renunciar de uma vez para sempre a «receber o pagamento da dívida por partes». A tarefa de um partido verdadeiramente revolucionário não consiste em proclamar impossível a renúncia a quaisquer compromissos, mas em saber permanecer fiel, através de todos os compromissos, na medida em que eles são inevitáveis, aos seus princípios, à sua classe, à sua missão revolucionária, à sua tarefa de preparação da revolução e de educação das massas do povo para a vitória da revolução."

quinta-feira, março 24, 2011

Não mais capatazes

Queimou!
Sócrates queimou a imagem que construiu; o PS sofrerá o descontentamento como algo inerente à função de representante de interesses transnacionais assumida desde a sua criação; o PSD tentará constituir-se como relevo natural para a execução, como tem acontecido, da mesma política que nos vem roubando desde há trinta e seis anos, e nós, se não quisermos melhorar a nossa realidade, provavelmente nos cansaremos de ser espoliados pelo novo executivo e, dentro de alguns anos, quem sabe porque os seus chefes o souberam retirar cumprindo o seu próprio plano (que não contempla os interesses do povo), voltaremos a apostar pelo mesmo sabujo que parece ter como objectivo repartir com o novo governo a responsabilidade pela profunda depressão que se antevê (aconteceu com Santana Lopes depois da Figueira).

Porém, fico feliz por saber que os Portugueses terão uma nova oportunidade para reclamarem o seu protagonismo enquanto soberanos na decisão sobre o seu futuro, deste presente que passa sem se tornar passado, sem cultura, antes tortura, mas porta aberta para nos conciliarmos com a nossa identidade.

O protagonismo já o conquistámos, agora só falta participar na história.

domingo, março 20, 2011

Avieiros (excerto)

Vida danada! Invernos inteiros a ver o mar empinar-se e varrer tudo da frente e não largar um naco de pão para a boca de um menino. Sempre à espera, mal o mar dava sota, lá ia com os camaradas oferecer-se à morte, metendo o barco à má cara na entrada até aguentá-lo depois à volta no contrabanco; no saco trazia um punhado de peixe que mal dava para o almoço da companha, quanto mais para pagar imposto e dar parte à rede. Acabara por se resolver depois de muito matutar: que ficassem por ali os velhos a fumar cachimbo e a contar patranhas; a ele não lhe faltavam braços, graças a Deus, para lutar com o mundo.
Alves Redol

sábado, março 19, 2011

Centcom

"O exército norte-americano está a desenvolver um software para manipular secretamente opiniões, através de falsos utilizadores online, revela o «Guardian».

O objectivo é que essas «pessoas» espalhem a propaganda norte-americana e influenciem as conversas na Internet.

No contrato com o Comando Central dos EUA (Centcom) pode ler-se que o serviço vai permitir que um só funcionário controle dez identidades diferentes ao mesmo tempo «sem medo de ser descoberto pelos adversários mais sofisticados».

Cada identidade terá um passado convincente, uma história com detalhes, e irá estar «presente» em blogs, chats, no Twitter e um pouco por toda a Internet.

O porta-voz do Centcom garantiu que a tecnologia servirá apenas para «combater o extremismo violento e a propaganda inimiga»."

sábado, março 12, 2011

sexta-feira, março 04, 2011

Ciudad Sin Sueño

No duerme nadie por el cielo. Nadie, nadie.
No duerme nadie.
Las criaturas de la luna huelen y rondan sus cabañas.
Vendrán las iguanas vivas a morder a los hombres que no sueñan
y el que huye con el corazón roto encontrará por las esquinas
al increíble cocodrilo quieto bajo la tierna protesta de los astros.
No duerme nadie por el mundo. Nadie, nadie.
No duerme nadie.
Hay un muerto en el cementerio más lejano
que se queja tres años
porque tiene un paisaje seco en la rodilla;
y el niño que enterraron esta mañana lloraba tanto
que hubo necesidad de llamar a los perros para que callase.
No es sueño la vida. ¡Alerta! ¡Alerta! ¡Alerta!
Nos caemos por las escaleras para comer la tierra húmeda
o subimos al filo de la nieve con el coro de las dalias muertas.
Pero no hay olvido, ni sueño:
carne viva. Los besos atan las bocas
en una maraña de venas recientes
y al que le duele su dolor le dolerá sin descanso
y al que teme la muerte la llevará sobre sus hombros.
Un día
los caballos vivirán en las tabernas
y las hormigas furiosas
atacarán los cielos amarillos que se refugian en los ojos de las vacas.
Otro día
veremos la resurrección de las mariposas disecadas
y aún andando por un paisaje de esponjas grises y barcos mudos
veremos brillar nuestro anillo y manar rosas de nuestra lengua.
¡Alerta! ¡Alerta! ¡Alerta!
A los que guardan todavía huellas de zarpa y aguacero,
a aquel muchacho que llora porque no sabe la invención del puente
o a aquel muerto que ya no tiene más que la cabeza y un zapato,
hay que llevarlos al muro donde iguanas y sierpes esperan,
donde espera la dentadura del oso,
donde espera la mano momificada del niño
y la piel del camello se eriza con un violento escalofrío azul.
No duerme nadie por el cielo. Nadie, nadie.
No duerme nadie.
Pero si alguien cierra los ojos,
¡azotadlo, hijos míos, azotadlo!
Haya un panorama de ojos abiertos
y amargas llagas encendidas.
No duerme nadie por el mundo. Nadie, nadie.
Ya lo he dicho.
No duerme nadie.
Pero si alguien tiene por la noche exceso de musgo en las sienes,
abrid los escotillones para que vea bajo la luna
las copas falsas, el veneno y la calavera de los teatros.

Federico García Lorca