domingo, abril 03, 2011

Cautela

Jantávamos, todos camaradas, e lembrei-me da cisão, mas em espanhol: "escisión", imediatamente corrigido pela solidariedade que fervilhava na mesa. Sem filtro, recentemente, dei por mim a escrever "Escéptico" em lugar de céptico, desta sem censura, mas, prenúncio de mais um desafio; mais uma cautela para o heurístico.
Não faz parte do objectivo acabar a vender lotaria, velho.

sábado, abril 02, 2011

Constituição da república portuguesa I

PREÂMBULO
A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime fascista.
Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa.
A Revolução restituiu aos Portugueses os direitos e liberdades fundamentais. No exercício destes direitos e liberdades, os legítimos representantes do povo reúnem-se para elaborar uma Constituição que corresponde às aspirações do país.
A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno.

sexta-feira, abril 01, 2011

Lenine

"Engels tinha razão quando, na sua crítica ao manifesto dos blanquistas-comunistas (1873), ridicularizava a sua declaração: «Nenhuns compromissos!». Isto é uma frase, dizia ele, pois é frequente que as circunstâncias imponham inevitavelmente compromissos a um partido em luta, e é absurdo renunciar de uma vez para sempre a «receber o pagamento da dívida por partes». A tarefa de um partido verdadeiramente revolucionário não consiste em proclamar impossível a renúncia a quaisquer compromissos, mas em saber permanecer fiel, através de todos os compromissos, na medida em que eles são inevitáveis, aos seus princípios, à sua classe, à sua missão revolucionária, à sua tarefa de preparação da revolução e de educação das massas do povo para a vitória da revolução."

quinta-feira, março 24, 2011

Não mais capatazes

Queimou!
Sócrates queimou a imagem que construiu; o PS sofrerá o descontentamento como algo inerente à função de representante de interesses transnacionais assumida desde a sua criação; o PSD tentará constituir-se como relevo natural para a execução, como tem acontecido, da mesma política que nos vem roubando desde há trinta e seis anos, e nós, se não quisermos melhorar a nossa realidade, provavelmente nos cansaremos de ser espoliados pelo novo executivo e, dentro de alguns anos, quem sabe porque os seus chefes o souberam retirar cumprindo o seu próprio plano (que não contempla os interesses do povo), voltaremos a apostar pelo mesmo sabujo que parece ter como objectivo repartir com o novo governo a responsabilidade pela profunda depressão que se antevê (aconteceu com Santana Lopes depois da Figueira).

Porém, fico feliz por saber que os Portugueses terão uma nova oportunidade para reclamarem o seu protagonismo enquanto soberanos na decisão sobre o seu futuro, deste presente que passa sem se tornar passado, sem cultura, antes tortura, mas porta aberta para nos conciliarmos com a nossa identidade.

O protagonismo já o conquistámos, agora só falta participar na história.

domingo, março 20, 2011

Avieiros (excerto)

Vida danada! Invernos inteiros a ver o mar empinar-se e varrer tudo da frente e não largar um naco de pão para a boca de um menino. Sempre à espera, mal o mar dava sota, lá ia com os camaradas oferecer-se à morte, metendo o barco à má cara na entrada até aguentá-lo depois à volta no contrabanco; no saco trazia um punhado de peixe que mal dava para o almoço da companha, quanto mais para pagar imposto e dar parte à rede. Acabara por se resolver depois de muito matutar: que ficassem por ali os velhos a fumar cachimbo e a contar patranhas; a ele não lhe faltavam braços, graças a Deus, para lutar com o mundo.
Alves Redol

sábado, março 19, 2011

Centcom

"O exército norte-americano está a desenvolver um software para manipular secretamente opiniões, através de falsos utilizadores online, revela o «Guardian».

O objectivo é que essas «pessoas» espalhem a propaganda norte-americana e influenciem as conversas na Internet.

No contrato com o Comando Central dos EUA (Centcom) pode ler-se que o serviço vai permitir que um só funcionário controle dez identidades diferentes ao mesmo tempo «sem medo de ser descoberto pelos adversários mais sofisticados».

Cada identidade terá um passado convincente, uma história com detalhes, e irá estar «presente» em blogs, chats, no Twitter e um pouco por toda a Internet.

O porta-voz do Centcom garantiu que a tecnologia servirá apenas para «combater o extremismo violento e a propaganda inimiga»."

sábado, março 12, 2011

sexta-feira, março 04, 2011

Ciudad Sin Sueño

No duerme nadie por el cielo. Nadie, nadie.
No duerme nadie.
Las criaturas de la luna huelen y rondan sus cabañas.
Vendrán las iguanas vivas a morder a los hombres que no sueñan
y el que huye con el corazón roto encontrará por las esquinas
al increíble cocodrilo quieto bajo la tierna protesta de los astros.
No duerme nadie por el mundo. Nadie, nadie.
No duerme nadie.
Hay un muerto en el cementerio más lejano
que se queja tres años
porque tiene un paisaje seco en la rodilla;
y el niño que enterraron esta mañana lloraba tanto
que hubo necesidad de llamar a los perros para que callase.
No es sueño la vida. ¡Alerta! ¡Alerta! ¡Alerta!
Nos caemos por las escaleras para comer la tierra húmeda
o subimos al filo de la nieve con el coro de las dalias muertas.
Pero no hay olvido, ni sueño:
carne viva. Los besos atan las bocas
en una maraña de venas recientes
y al que le duele su dolor le dolerá sin descanso
y al que teme la muerte la llevará sobre sus hombros.
Un día
los caballos vivirán en las tabernas
y las hormigas furiosas
atacarán los cielos amarillos que se refugian en los ojos de las vacas.
Otro día
veremos la resurrección de las mariposas disecadas
y aún andando por un paisaje de esponjas grises y barcos mudos
veremos brillar nuestro anillo y manar rosas de nuestra lengua.
¡Alerta! ¡Alerta! ¡Alerta!
A los que guardan todavía huellas de zarpa y aguacero,
a aquel muchacho que llora porque no sabe la invención del puente
o a aquel muerto que ya no tiene más que la cabeza y un zapato,
hay que llevarlos al muro donde iguanas y sierpes esperan,
donde espera la dentadura del oso,
donde espera la mano momificada del niño
y la piel del camello se eriza con un violento escalofrío azul.
No duerme nadie por el cielo. Nadie, nadie.
No duerme nadie.
Pero si alguien cierra los ojos,
¡azotadlo, hijos míos, azotadlo!
Haya un panorama de ojos abiertos
y amargas llagas encendidas.
No duerme nadie por el mundo. Nadie, nadie.
Ya lo he dicho.
No duerme nadie.
Pero si alguien tiene por la noche exceso de musgo en las sienes,
abrid los escotillones para que vea bajo la luna
las copas falsas, el veneno y la calavera de los teatros.

Federico García Lorca

domingo, fevereiro 27, 2011

O valor de ser

Mesmo não sendo particularmente Freudiano, sei ainda que, desde sempre, a psicologia tem encontrado dificuldades no que à sua consideração popular enquanto ciência respeita. Porém, se bem é certo que existe uma importante psicologia popular, é igualmente certo que existe uma psicologia cientifica. E, no concernente a esta última, duas áreas específicas e complementarias: A psicologia aplicada e a psicologia básica, âmbito do qual, atendendo à sua essência, retiraremos dados que nos permitirão aproximar a alguma conclusão rompendo o condicionamento da subjectividade ou do cepticismo.
Consciente da dificuldade de rebater em poucas linhas um estereótipo, sobretudo considerando o momento cultural que atravessamos, ainda que seres sociais (e culturais), quero reiterar a ideia de que riqueza não é sinónimo de bem-estar.


Como ponto de partida, podemos começar por averiguar se as sociedades mais ricas são aquelas em que o bem-estar é superlativo. A resposta é: Esta sincronia só acontece em parte. Mentir seria negar que os países mais prósperos (Dinamarca, etc.) usufruem de maior bem-estar que aqueles economicamente carenciados (Senegal, Botswana, etc.). Contudo, de facto, entre a riqueza de um país e o bem-estar da população, não existe uma elevada correlação. Aliás, podemos definir um tecto de dez mil euros de renda per capita. Acima deste tecto, o incremento da renda per capita deixa de correlacionar ou manter um crescimento paralelo com o bem-estar. Como tal, numa primeira impressão poderíamos afirmar que resulta mais favorável para a vida ser Alemão que Ganês. Não obstante, ainda que a renda per capita Luxemburgo seja bastante superior à do Canadá, no que ao bem-estar respeita não se constata grande diferença.

Por outra parte, torna-se importante saber se, num determinado país, a melhoria económica se traduz em aumento do bem-estar. Neste caso, para não nos reduzirmos ao Portugal de hoje versus Portugal de 1975, vamos mesmo ao berço do capitalismo e ampliaremos o período de análise. Começando com dados de 1957 e chegando à actualidade, no caso dos estados unidos da América do norte, sabemos que (medida em dólares de 1995), a renda per capita era de nove mil dólares. Actualmente é o dobro, de maneira que, nos lares norte americanos, desde 57 até hoje, a percentagem de lava-louças passou de sete para cinquenta por cento, os ares condicionados passaram de quinze a setenta e três por cento, ao mesmo tempo que o número de automóveis duplicou. Ainda assim, a percentagem de pessoas que afirmam ser muito felizes não aumentou; pelo contrário, desceu de trinta e cinco para trinta e quatro por cento. Além disso, os indicadores de mal-estar (divórcios, suicídio adolescente, depressão), esses sim aumentaram de maneira exponencial.
Existem ainda dados semelhantes para outros países como Inglaterra ou Japão.


Concluindo: mais que mais conclusões, que também, mas, sem deixar de lado motivos como a capacidade humana de adaptação (o processo motivacional é isso mesmo: uma inquietação adaptativa não obrigatoriamente no sentido de Anaximandro ou, ainda que de outra forma, de Heraclito) ou o desejo (quase necessidade Darwiniana) de comparação interna e externa, vital seria suprir o primeiro e segundo níveis da pirâmide de Maslow, que estimo a primeira e mais importante necessidade do Homem: Consciência, capacidade que surge, desperta, primordialmente na infância mas que, até ao pôr-do-sol, encontra na plasticidade neural sustento para se recuperar.


Escrevia o Aleixo:

"Se é que valor nenhum tem,
não crê que o mundo isso diz:
basta pensar que é alguém
para se sentir feliz."

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Ya no hay locos

Ya no hay locos, amigos, ya no hay locos. Se murió aquel manchego, aquel estrafalario fantasma del desierto y … ni en España hay locos. Todo el mundo está cuerdo, terrible, monstruosamente cuerdo.
Oíd … esto,
historiadores … filósofos … loqueros …
Franco … el sapo iscariote y ladrón en la silla del juez repartiendo castigos y premios,
en nombre de Cristo, con la efigie de Cristo prendida del pecho,
y el hombre aquí, de pie, firme, erguido, sereno,
con el pulso normal, con la lengua en silencio,
los ojos en sus cuencas y en su lugar los huesos …
El sapo iscariote y ladrón repartiendo castigos y premios …
y yo, callado, aquí, callado, impasible, cuerdo …
¡cuerdo!, sin que se me quiebre el mecanismo del cerebro.
¿Cuándo se pierde el juicio? (yo pregunto, loqueros).
¿Cuándo enloquece el hombre? ¿Cuándo, cuándo es cuando se enuncian los conceptos
absurdos y blasfemos
y se hacen unos gestos sin sentido, monstruosos y obscenos?
¿Cuándo es cuando se dice por ejemplo:
No es verdad. Dios no ha puesto
al hombre aquí, en la Tierra, bajo la luz y la ley del universo;
el hombre es un insecto
que vive en las partes pestilentes y rojas del mono y del camello?
¿Cuándo si no es ahora (yo pregunto, loqueros),
cuándo es cuando se paran los ojos y se quedan abiertos, inmensamente abiertos,
sin que puedan cerrarlos ni la llama ni el viento?
¿Cuándo es cuando se cambian las funciones del alma y los resortes del cuerpo
y en vez de llanto no hay más que risa y baba en nuestro gesto?
Si no es ahora, ahora que la justicia vale menos, infinitamente menos
que el orín de los perros;
si no es ahora, ahora que la justicia tiene menos, infinitamente menos
categoría que el estiércol;
si no es ahora … ¿cuándo se pierde el juicio?
Respondedme loqueros,
¿cuándo se quiebra y salta roto en mil pedazos el mecanismo del cerebro?
Ya no hay locos, amigos, ya no hay locos. Se murió aquel manchego,
aquel estrafalario fantasma del desierto
y … ¡Ni en España hay locos! ¡Todo el mundo está cuerdo,
terrible, monstruosamente cuerdo! …
¡Qué bien marcha el reloj! ¡Qué bien marcha el cerebro!
Este reloj …, este cerebro, tic-tac, tic-tac, tic-tac, es un reloj perfecto …,
perfecto, ¡perfecto!

León Felipe

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Defender a constituição

Roubam, matam deixando padecer, matam sem deixar nascer, matam-nos a vontade de viver, matam-nos o ser antes de morrer. Além da resistência é urgente usufruir do Art. 21º da constituição de Abril!

Num jornal

"O ministro das Finanças finlandês, Jyrki Katainen, convocou os primeiros-ministros conservadores da Europa para um encontro em Helsínquia a 4 de Março - antes da cimeira dos 17 do euro (a 11 de Março) - e deixou de fora os líderes socialistas de Grécia, Portugal e Espanha."

Dúvidas sobre matérias desconhecidas

Acabo de ler um artigo do DN, de dia 9, do qual parece possivel sacar base para um texto similar a algum que se tenha publicado neste blogue. Pois é, nem pensar nisso, ainda que não seria nada do outro mundo; nem pensar nisso apesar de inauditas coincidências.
A questão que surge é: Estará a produção nacional ajustada e ajustando-se, à capacidade de consumo daqueles dos quais o ordenado representa a acumulação do salário de muitos desempregados e que, multiplicado este pela dimensão deste emoldurado segmento, chegaria mesmo a setecentos mil?

terça-feira, fevereiro 15, 2011

"Também quero"

"Acaso pode um comunista, que compreenda minimamente as condições de vida e a psicologia das massas trabalhadoras e exploradas, descer até este ponto de vista do intelectual típico, do pequeno-burguês, do desclassificado, com o estado de espírito do fidalgote ou do szlachcic, que declara «inactiva» a «psicologia de paz» e considera «actividade» agitar uma espada de cartão? Pois é precisamente agitar uma espada de cartão o que fazem os nossos «esquerdas», quando eludem o facto, conhecido de todos e demonstrados uma vez mais com a guerra na Ucrânia, de que os povos, esgotados por três anos de matança, não podem combater sem tréguas, de que a guerra, se não se tem forças para a organizar à escala nacional, origina a cada passo a psicologia da desorganização própria do pequeno proprietário, e não a da férrea disciplina proletária. Vemos a cada passo na revista Kommunist que os nossos «esquerdas» não têm noção da férrea disciplina proletária nem da sua preparação, que estão impregnados até à medula com a psicologia do intelectual pequeno-burguês desclassificado."

Lénine - 5 de Maio de 1918

domingo, fevereiro 13, 2011

Perspectiva de um jardineiro

Perspectiva e, perspectivo, um campo imenso, tão extenso que parece ter como objectivo aumentar o alcance da vista, mas, será o campo?
Ao nascer, existimos como um jardim, prometemos como um jardim. Sem portas, nem janelas, nem cercas, nem cercados, só mais um, jardim. Quantos jardins...
Putos todos, compartimos, jogamos, exploramos, conhecemos, experimentamos, amamos neles e desde esses jardins.
Crescemos. Avançamos como um jardim num campo que este não limita e, porque o homem precisa conhecer, deixamos de o cuidar abstraidos pela redondeza. Assim, cresce, expande-se, multiplica de tal forma o seu tamanho que, abandonado, deixa de ser um jardim para se tornar floresta, que já não é nossa e que desconhecemos. Floresceu só com o nosso cuidado por outros jardins, os quais, não pretendendo, foram todos.
Tarde nos percatamos, quando já os troncos e as ramas das árvores e plantas dessa floresta se embrenham com outras, de um machado em alça para as segar. Para onde não olhamos, como pelos passos da sombra avisados, outros bosques, lanças com brasão, ou só mesmo (os que mais) muros de arame farpado, avançam sobre os rebentos das flores que teriam sido, algumas, também o nosso jardim.
Reagir, eis a solução. Com palavras, correntes, frustrações ou desnorte, toca a desbravar o que afinal não entendemos, o que nada nos diz, do que nada dissémos nem escutámos, sempre alheios, ainda que apenas isso sejamos.

Súbitamente, aparecemos feras, vindos da selva que foi campo, outrora caminhos para passearmos de um campo pragado de jardins soalheiros, hoje trevas, hoje... onde está o meu jardim, onde estão os nosso jardins?
Definhamos na contenda, defendendo a cegueira, que mata, profunda.


Mitchourine

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Denúncias do sol e, peneira.

(...) Cá fora, no jardim, o filho já tinha andado no triciclo e apreciado as prendas que o Arturinho recebera quando fizera doze anos. Mas não brincara, como das outras vezes, irrequieto e curioso, na ânsia de tudo ter nas mãos. Desde que o Arturinho lhe perguntou quando voltaria para a escola, sentiu que era ali um estranho. Andou no triciclo, por andar. E quando o amigo se gabou de que o papá lhe daria uma bicicleta, se ficasse bem no exame, sentou-se nas escadas e não falou mais.(...)

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

domingo, fevereiro 06, 2011

Todos evoluímos, positivamente?


Neste caso, mais que evolução biológica, parece ser que se trata de um processo de modificação da conducta devido à socialização de um animal em cativeiro.

Por outra parte, a imitação pode também adquirir resultados perniciosos, e, mais comentários não "fazerei"...

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Amostra sem valor

Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível:
com ele se entretém
e se julga intangível.

Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.

Eu sei que as dimensões impiedosos da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo.

António Gedeão

Sede VI

Dos facebookers espanhóis (Por Saramago - 1999)

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Os paraisos artificiais

Na minha terra, não há terra, há ruas;
mesmo as colinas são de prédios altos
com renda muito mais alta.

Na minha terra, não há árvores nem flores.
As flores, tão escassas, dos jardins mudam ao mês,
e a Câmara tem máquinas especialíssimas para desenraizar as árvores.

Os cânticos das aves - não há cânticos,
mas só canários de 3º andar e papagaios de 5º.
E a música do vento é frio nos pardieiros.

Na minha terra, porém, não há pardieiros,
que são todos na Pérsia ou na China,
ou em países inefáveis.

A minha terra não é inefável.
A vida da minha terra é que é inefável.
Inefável é o que não pode ser dito.

Jorge de Sena

Sede V

Devido a um terceiro, que impede a publicação de um vídeo legendado que se entende incómodo para alguém (depois de 2 meses na rede), este quinto capítulo da "Guerra da água", em inglês, ficará aqui até que o permitam. Imaginar que a "Bechtel" tem alguma relação com o inusitado número de visitas que desde Mountain View se fizeram a este humilde blogue nos últimos dias será especular.

domingo, janeiro 30, 2011

sábado, janeiro 29, 2011

Um apelo de quem sente...

"Estão em debate no PE seis propostas da Comissão Europeia que são anti-sociais e um atentado à soberania de países como Portugal por ter dificuldades de cumprir os critérios cegos do Pacto de Estabilidade. Querem aplicar multas até 0,5% do PIB e fiscalizar mensalmente as contas orçamentais, esquecendo o desemprego e a pobreza.
Vamos lutar contra isto!"
Ilda Figueiredo

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Como de súbito

Como de súbito na vida tudo cansa!
e cansa-nos a vida e nos cansamos dela,
ou ela é quem se cansa de nós mesmos,
na teima de existir e desejar?
Porque, neste cansaço, não o que não tivemos,
ou que perdemos, ou nos foi negado,
o que de que se cansa, mas também
o quanto temos, nos ama, se nos dá
a até os simples gozos de estar vivo.
Um dia é como se uma corda se quebrara,
ou como se acabara de gastar-se,
que nos prendia a tudo e tudo a nós.
Não é que as coisas percam importância,
as pessoas se afastem, se recusem,
ou nós nos recusemos. Não. è mais
ou menos que isto- se deseja igual
ao como até há pouco desejávamos.
É talvez mais. Mas sem valor algum.
O dia é noite, a noite é dia, a luz
se apaga ou se derrama sobre as coisas
mas elas deixam de ter forma e cor,
ou se sumir no espaço como forma oculta.
E o que sentimos é pior que quanto
dantes sentíamos nas horas ásperas
da fúria de não ter ou de ter tido.
Porque se sente o não sentir. Um tédio
Não como o tédio antigo. Nem vazio.
O não sentir. Que cansa como nada.
Até dizê-lo cansa. É inútil. Cansa.

Jorge de Sena

A Portugal

Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de nascido nela.

Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
saudosamente nela, mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.

Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça, e de vileza,
de mesquinhez, de fatua ignorância;
terra de escravos, cu pró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre, castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol calada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros
que deixam moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;
terra de monumentos em que o povo
assina a merda o seu anonimato;
terra-museu em que se vive ainda,
com porcos pela rua, em casas celtiberas;
terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;
ó terra de ninguém, ninguém, ninguém:
eu te pertenço.
És cabra, és badalhoca,
és mais que cachorra pelo cio,
és peste e fome e guerra e dor de coração.
Eu te pertenço mas seres minha, não


Jorge de Sena

Pela candidatura de Francisco Lopes

O número de portugueses registados no sistema da Segurança Social espanhol continua a cair, estando referenciados no final do ano passado 51.831 trabalhadores, quase menos mil do que em Agosto de 2010, indicam dados oficiais revelados hoje.
Os dados do Ministério do Trabalho espanhol confirmam, assim, uma tendência que se tem vindo a consolidar nos últimos anos.

Sede III

Depois de mais uma volta ao resultado eleitoral, vejo a obrigação de assumir o tremendo erro que cometi equacionando os mesmos e sacando as conclusões que incluí no post "A marisma". continuando...

quinta-feira, janeiro 27, 2011

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Sede I

Dia Internacional da Água

"Assinala-se a 1 de Outubro o Dia Internacional da Água, oportunidade para uma reflexão dos portugueses sobre a importância deste recurso para o nosso futuro colectivo e sobre qual deverá ser a política de gestão e utilização que sirva os interesses dos portugueses e do País. A crescente sensibilidade dos portugueses para a importância da água e o aumento de conhecimento desta problemática, se tem tido algum eco no discurso do Governo PS, não tem tido a mesma correspondência na sua política. O PCP manifesta a sua maior preocupação com a actual gestão da água e alerta para a irresponsabilidade com que o Governo, optando por favorecer outros interesses em detrimento de uma correcta política da água, está a pôr em causa o futuro dos portugueses. O Governo PS manteve formalmente o modelo institucional centralizado, burocratizado e dissociado do conceito de bacia hidrográfica, instalado pelo PSD, agravando as suas distorções por uma prática cada vez mais centralizadora, redutora da adequada participação dos cidadãos, das autarquias e dos utilizadores da água. O debate público foi sempre substituído pela apresentação pública de projectos. Os agentes económicos e sociais não são chamados nem ouvidos na definição da política da água. Os próprios Conselhos de Bacia têm sido utilizados como mero palco de apresentações esporádicas, deturpando a sua natureza de órgão consultivo estratégico na elaboração dos Planos de Bacia Hidrográfica. Continua adiada a promessa eleitoral da publicação de uma Lei da Água, assim como continua sucessivamente adiada a apresentação das propostas dos Planos de Bacia Hidrográfica e do Plano Nacional da Água. A administração da água consiste em intervenções casuísticas e centralizadoras, de carácter arbitrário, sem o suporte técnico e científico adequado, assim como num deficiente aproveitamento dos fundos destinados ao sector, a que acresceu a sua gestão desequilibrada e desarticulada. Tem vindo a crescer a pressão sobre as autarquias para o mesmo esvaziamento em proveito de entidades de direito privado sobre as quais não têm controlo, designadamente no que diz respeito às competências de abastecimento de água e saneamento. Mais de um milhão de pessoas residentes em Portugal continental estão privados do direito a abastecimento público de água. Segundo os dados do Ministério do Ambiente, 27% dos portugueses não usufruem de qualquer tipo de recolha de águas residuais, e apenas é tratado o esgoto de 55% da população. O modelo de gestão da água como recurso finito, móvel e reutilizável de propriedade comum, bem de primeira necessidade cujo acesso é um direito natural, como suporte de ecossistemas e elo de equilíbrio climático, reflecte o projecto de desenvolvimento do País e a forma de exercício da soberania e da democracia. A gestão da água tem de ser assumida como a gestão de um património comum, que não pode ser alvo de lógicas economicistas de curto prazo mas, ao contrário, terá de assumir-se como compromisso dinâmico de adequada relação entre o Homem e os recursos de que pode usufruir. No entender do PCP, muito mais que uma política sectorial, a política da água é uma componente estrutural do desenvolvimento humano integrado e sustentado, de equilíbrio com o espaço envolvente e de autonomia. O que exige que o ambiente seja encarado como um sistema dinâmico no qual o Homem, ocupando o lugar central, é o garante da preservação e equilíbrio ecológico, do respeito pela natureza e, simultaneamente, objecto da procura das condições que permitam a melhoria do seu nível de saúde e de bem-estar. Saudando a progressiva disponibilidade dos portugueses para a protecção e poupança deste recurso essencial, o PCP manifesta o seu empenhamento na resolução dos principais problemas que afectam este sector, exortando os portugueses a uma atitude cada vez mais atenta e participativa na exigência de uma política da água que sirva o interesse de Portugal."

Nota do Gabinete de Imprensa do PCP - Setembro 2000

---o---

segunda-feira, janeiro 24, 2011

A marisma

Tendo sido as eleições que históricamente menos participadas se revelaram, todo um sinal de confiança na acção dos anteriores governos; sem que aqueles que necessitavam pedir emprestados os olhos da criança que foram para tentar descobrir a vontade que de tantos ataques se vai mascarando parecendo abandoná-los; os acontecimentos relacionados com a corrupção inimputada; a imagem tendenciosamente manipulada e transmitida pelos meios de comunicação que nos coloca como meros elementos de figuração numa história na qual somos e sempre seremos, os protagonistas; o aproveitamento da burocracia por parte de quem legisla para dificultar o exercicio de um direito conquistado pela luta e morte de tantas Mulheres e Homens que nos antecederam e acompanham ou, a opção das diferentes forças políticas no relativo à eleição dos seus candidatos, Portugal continua na senda da decadência.

Observando o resultado das várias candidaturas, numa análise "grosso modo", podemos perceber o valor real do esclarecimento da população. Dos três candidatos apoiados por partidos políticos, encontramos que, Francisco Lopes, apesar de que a sua base de apoio também se encontre exposta aos factores anteriormente mencionados e a outros que aqui não se expõem e que possibilitaram uma abstenção superior a 53%, foi a aquela que menos sustento perdeu, bastando para tal atender a que este reduziu a sua votação em 10%, enquanto Cavaco perdeu quase 14% e que, no caso de Manuel Alegre, aproximadamente 20% do seu eleitorado lhe retirou a confiança.

Em última impressão, não sendo, nem pretendendo, um ignorante equivocado sabe-tudo da política, encontrei que foi maioritariamente a juventude quem reinvindicou o seu direito, quem quis mudar a marisma e transformá-la, a mesma juventude da qual prescindem todos os governos que desde 1975 têm vindo a atrofiar o país, a mesma juventude víctima primeira desta mentira na qual 23% do eleitorado nos obriga a acompanhar quem chafurda como no líquido materno.


A luta deve continuar.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Este fim de semana...

... como opção (basta querer), podemos integrar a mesa eleitoral e/ou, votar, no Francisco Lopes, claro...

Até lá, e porque há muito trabalho no terreno, fica este post:

terça-feira, janeiro 18, 2011

Dorme

Não sonhando nunca necessitaremos contrariar o estabelecido, mas, mais importante, sem sonhos estaremos seguros de nunca criar realidades que quem nos governe não possa controlar.

Para sonhar há que dormir, bastam 90 minutos, para adormecer é necessário estar acordado.

"Não dar tréguas ao fascismo"

Uma das muitas estratégias para manipular as populações, além da coacção física ou da imprimação da solidão como realidade próxima, é também o potenciar da memória de experiências aversivas com o objectivo de condicionar pelo medo a sua vontade ou comportamento.
Além do debate a que o povo português pôde assistir num momento crítico para a sua emancipação, entre Álvaro Cunhal e Mário Soares, onde, reiteradamente, este último afirmou que o Partido Comunista o que pretendia era instaurar uma ditadura – conscientes todos do peso que uma palavra que havia determinado a vida do país durante 48 anos poderia ter, sem nos esquecermos que o desequilíbrio fisiológico que o vitimou, através da fome ou do amordaçar da sua voz, impedindo-o criar imagens passíveis de construir sonhos de outras realidades, fomentaria -; no qual se acusou este partido, sem qualquer legitimidade, de estar a conduzir o país para uma guerra civil; ainda depois da entrega da vida dos trabalhadores ao capitalismo apátrida, o condicionamento não parou. Analisemos o dramatismo desta peça teatral, onde se traz à cena uma comedida agitação a atribuir já se sabe a quem:

Hoje, fruto desse trabalho de base, a consciencialização relativa à assunção do resultado das opções de cada um, abrindo os olhos àquelas divergentes das propagandeadas pelos meios de comunicação propriedade dos grupos económico-políticos estabelecidos, aceites como únicas numa espécie de “neolinguísmo” cultural (Similar ao alemão da década de 30 do século passado) reduzido ao tamanho do ecrã, torna-se cada vez mais determinante para a preservação de Portugal, que somos todos, e, de dimensão similar, da espécie.
Filogeneticamente emparentados com as demais espécies, somos, contudo, possuidores de pelos menos uma característica muito singular, o pensamento abstracto (basta que consideremos conquistas históricas incontornáveis). Assim, ao contrário dos limitados animais que no vídeo* em baixo se revelam incapazes de se libertar, perpetuando por si sós os reflexos derivados da repressão, só justificando a liberdade conquistada em Abril poderemos expulsar a corja do governo.

Faltam 6 dias para, sem medo, protagonizarmos um enorme momento civilizacional, dos muitos que experimentaremos pelo caminho.


*- Este paradigma experimental é real.

domingo, janeiro 16, 2011

Neandertal e paciência

Na imagem seguinte, à esquerda um exemplo do crânio evoluído da espécie, com uma frente proeminente, à direita, uma cabeça de Neandertal.
Dedicado estes dias a conhecer matérias que consideram certos aspectos morfológicos da evolução, sem deixar de atender a que certas deformações encontradas em esqueletos se ficaram a dever apenas a influências culturais, encontrei no Neandertal determinadas características que se revelaram assobrosamente comuns a pelo menos um exemplar de, até agora aceite como tal, homo sapiens. Possivelmente a prova de uma continuidade genética paralela que contrariaria Darwin no que à variabilidade respeita, que, ao mesmo tempo, poderia explicar a razão da escolha deste exemplar para capataz do imperialismo no nosso país, considerando a sua proximidade ao tempo da prática inexistência do cortéx frontal, ou, à etapa embrionária do seu desenvolvimento, que o tornaria obediente e pouco capaz de articular qualquer linha de pensamento, razão pela qual apenas domina a sentença: "-Sobre isso... Não me pronuncio", aqui ficam alguns exemplos dessa semelhança, que, reitero, não passa de uma curiosidade.
Resumindo: na foto abaixo poderemos encontrar, à esquerda (como já sabiamos), um exemplo do Homem actual e, no extremo direito, uma simulação de como seria o Neandertal. Como se poderá observar, as diferenças são claras, a área mais importante e que nos diferencia de outras espécies, que na imagem da esquerda se apresenta desenvolvida, extremamente relacionada com a cognição, no indivíduo da direita revela-se ainda atrofiada.
Claro que, a tendência evolutiva é a de promover uma capacidade adaptativa síncrona e generalizada. Assim, sendo a paciência uma característica da inteligência, resistir na vanguarda - como faremos no dia 23 - é já vencer.

sábado, janeiro 15, 2011

Senta-te aí

Está na hora de ouvires o teu pai
Puxa para ti essa cadeira
Cada qual é que escolhe aonde vai
Hora-a-hora e durante a vida inteira

Podes ter uma luta que é só tua
Ou então ir e vir com as marés
Se perderes a direcção da Lua
Olha a sombra que tens colada aos pés

Estou cansado. Aceita o testemunho
Não tenho o teu caminho pra escrever
Tens de ser tu, com o teu próprio punho
Era isto o que te queria dizer

Sou uma metade do que era
Com mais outro tanto de cidade
Vou-me embora que o coração não espera
À procura da mais velha metade

João Monge

sexta-feira, janeiro 14, 2011

La Cantera

Hoje, muitas Mulheres e Homens, que sendo puto foram a madurez do despertar, feliz, para um sonho que era já o caminho, vieram saudar-me sem que nada de especial o tenha suscitado.
É certo que estamos num momento eleitoral e que, como habitualmente, aparecem mais vozes que noutras ocasiões. Porém, devido seguramente a esse efeito, tipo magnético, de atracção e repulsa, com que a mente estrutura a nossa idiossincrasia, equilibrando-nos fisiologicamente, favorecendo a coerência com a vontade, não encontro motivo aparente para tão inusitada visita.
Divagando, pela razão, pelos estímulos que actuam nesse eu que pensará que me assustaria se se revelara despido de contemplação, só aparece a esperança, mas, que esperança? Pois é, a esperança de que saibamos algum dia, todos (porque muitos o fazemos), respeitar o futuro, que nos olha desde baixo, às vezes com olhos de fuzil no momento do adeus.
Obrigado!

Vejam bem...

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Mania das grandezas

Pois bem, confesso:
fui eu quem destruiu as Babilônias
e descobriu a pólvora...
Acredite,
a estrela Sírius, de primeira grandeza,
(única no mercado)
deixou-me meu tio-avô em testamento.
No meu bolso esconde-se o segredo
das alquimias
e a metafísica das religiões
— tudo por inspiração!

Que querem?
Sou poeta
e tenho a mania das grandezas...

Talvez ainda venha a ser Presidente da República...

Joaquim Namorado

Comecemos aqui, soberanamente!

Mudar

"Cuba lidera o grupo de dez países emergentes com maior índice de desenvolvimento social, conclui um estudo feito por uma equipa de investigadores da ONU com base nos resultados do Relatório do Índice do Desenvolvimento Humano 2010 , divulgado em novembro do ano passado.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) foi proposto há cerca de 20 anos pela ONU como alternativa aos tradicionais indicadores de desenvolvimento dos países baseados no rendimento per capita, ao complementar esta informação com indicadores relacionados com a saúde e a educação das populações.

A partir do relatório de 2010, onde é calculado pela primeira vez um indicador sem a componente do rendimento, os investigadores das Nações Unidas chegaram a conclusões surpreendentes. Com efeito, nos países em desenvolvimento, o Top 10 é encabeçado por Cuba, seguida do Chile, Palau (Oceano Pacífico), Lituânia, Montenegro, Letónia, Argentina, Roménia, Uruguai e Geórgia.

17.º lugar no ranking mundial

Cuba encontra-se ainda em 17.º lugar no ranking mundial e o estudo da ONU sublinha que "foi o único país da América Latina no Top 10 do IDH sem a componente do rendimento, ao longo da última década".

Mesmo durante um período "marcado por carências económicas bem conhecidas, os indicadores sociais cubanos continuaram a melhorar, com a esperança de vida da população a aumentar dois anos e a escolaridade esperada a aumentar cinco anos", refere o estudo.

Quanto aos países desenvolvidos, a Noruega perde a liderança mundial para a Austrália, que se encontrava em segundo lugar, os EUA passam da quarta para a sétima posição e surgem quatro novos países no Top 10: Coreia do Sul, Japão, Islândia e Israel, que empurram o Canadá, Suécia, Holanda e Liechtenstein para fora do grupo dos dez melhores, onde figuram ainda a Nova Zelândia, Irlanda e Alemanha.

Como destaca o estudo, "o relatório de 2010 mostra que há uma reduzida correlação entre crescimento económico e melhoramentos na saúde e na educação, mesmo durante longos períodos de tempo"."

Mas, assim mesmo, num país socialista "sem liberdade de expressão" e com um bloqueio com 50 anos:

"Dentro em breve, o cancro do pulmão deixará de ser o mais letal de todos os tipos e entrar para a lista das doenças crónicas. A boa notícia vem de Cuba, que acaba de patentear a primeira vacina terapêutica contra a doença. Mais de 1 000 pacientes já estão a receber o novo tratamento.

A descoberta foi anunciada por Gisela González, responsável pelo projeto que desenvolveu a vacina. Em entrevista ao semanário cubano "Trabajadores" - publicada ontem por esse órgão de comunicação da Central de Trabalhadores de Cuba-, a investigadora disse que o objetivo da vacina é transformar o cancro do pulmão numa doença crónica controlável.

De acordo com a investigadora, a vacina foi desenvolvida a partir de "uma proteína que todos temos: o fator de crescimento epidérmico, relacionado com os processos de proliferação celular. Quando há cancro, essa proteína está descontrolada".

Gisela explicou que, como o organismo tolera "aquilo que é seu" e reage contra "o estranho", tendo sido preciso elaborar uma vacina que produzisse anticorpos contra essa proteína, que já é própria do organismo.

Outros tipos de cancro

Desde o início das investigações passaram-se já 15 anos. De acordo com a cientista cubana, a vacina foi patenteada após se ter testado a sua eficácia em mais de 1 000 pacientes sem que tenham ocorrido efeitos colaterais.

A patenteação em Cuba permitirá aplicar a vacina maciçamente no país, estando em curso o registo da CIMAVAX-EFG noutros países (a investigadora não avança quais).

Segundo Gisela González, a equipa de investigação avalia agora "a forma de empregar o mesmo princípio desta vacina noutros tumores sólidos (cancro da próstata, útero e mama), que podem receber este tipo de terapia. Obtivemos resultados importantes, mas é preciso esperar".

A CIMAX-EFG é indicada para os doentes que terminam o tratamento com radioterapia ou quimioterapia e que são considerados pacientes terminais sem alternativa terapêutica. É nesta fase, pós-tratamentos, que a vacina é aplicada para ajudar a controlar o crescimento do tumor, com a vantagem de não apresentar toxidade associada.

A vacina pode também ser usada como tratamento, como se de uma doença crónica se tratasse, já "que vai aumentar a expectativa e a qualidade de vida do paciente", afirmou a investigadora.

Só em Portugal, o cancro do pulmão mata pelo menos 3.000 pessoas anualmente."


Quanto a Portugal, a sua posição no "ranking" da ONU fica lá para a quadragésima, mas, não se fica por aí:

"Estruturar um texto encadeado, explicar um raciocínio com lógica, utilizar uma linguagem rigorosa ou articular diferentes conceitos da mesma disciplina são incapacidades que percorrem os alunos do 8.o ao 12.o ano de escolaridade, seja na Matemática, seja na Língua Portuguesa ou na Biologia. Mais que dominar a matéria, a grande dificuldade dos estudantes das escolas básicas e secundárias é expressar por escrito as suas ideias e os conhecimentos que adquiriram nas aulas. Esta é a principal conclusão do Relatório 2010 do Gabinete de Avaliação Educacional (Gave).

Poucas semanas depois de o estudo do PISA revelar que Portugal é o país da OCDE que mais progrediu na educação, chega agora o relatório do Gave que vem demonstrar que os alunos portugueses afinal estão ainda longe de conseguir desempenhar tarefas tão simples como, por exemplo, interpretar um texto poético, solucionar um exercício matemático com mais de duas etapas ou enfrentar um enunciado que não seja simples e curto.

A equipa do Ministério da Educação avaliou os conhecimentos dos alunos em 500 escolas secundárias e em 1200 estabelecimentos com o 3.o ciclo do ensino básico. Os testes intercalares do Gave, que começaram no ano lectivo de 2005/06, foram aplicados às disciplinas de Matemática e de Língua Portuguesa (no ensino básico) e ainda às cadeiras de Matemática A, Física e Química A e Biologia e Geologia do ensino secundário.

Nas disciplinas que envolveram contas (Matemática e Física/Química), os adolescentes só conseguiram completar correctamente os exercícios quando o desafio passou por resolver "cálculos elementares". O bom desempenho, aliás, está "fortemente associado" aos enunciados curtos e aos textos simples, conclui o relatório que o i consultou.

Na disciplina de Língua Portuguesa do 9.o ano, as maiores dificuldades estão em utilizar a língua de forma correcta. As lacunas são de ordem gramatical, mas também de construção de frases e textos que tenham lógica e coerência. A resolução de problemas na Matemática do 3.o ciclo é o ponto fraco dos alunos, mas as derrapagens também aconteceram quando foi preciso construir respostas com várias etapas de resolução. Definir estratégias para encontrar a solução de um determinado exercício matemático são dificuldades que se acentuam sempre que os enunciados são mais longos, avisam os técnicos do Ministério da Educação.

Secundário.

Escrever textos explicativos em que é necessário descrever raciocínios e explicar as estratégias adoptadas para justificar as respostas é uma das grandes deficiências que os especialistas do Gave encontraram em todas as disciplinas avaliadas no secundário. A falta de rigor científico e a linguagem desadequada foram falhas detectadas por todas as equipas que monitorizaram e avaliaram o desempenho dos alunos. Sempre que foi preciso seleccionar a informação e construir um texto que traduzisse um conjunto de ideias próprias, os alunos revelaram "grandes dificuldades".

Na Matemática A, do secundário, as fraquezas dos alunos tornaram-se mais evidentes quando tiveram de usar conceitos e estratégias menos treinados nas salas de aula ou então quando foram desafiados a interligar conceitos ou enfrentar enunciados longos. "Não deixam também de ser significativas as dificuldades detectadas nos problemas que envolvem maior número de cálculos e apresentação de raciocínios demonstrativos", alertam os especialistas no relatório de 2010.

Conseguir articular a informação fornecida nas provas e os conhecimentos necessários para responder a determinadas questões é igualmente uma tarefa a que poucos alunos conseguiram corresponder com êxito nos testes intermédios de Biologia e Geologia do 10.o e 11.o anos de escolaridade.

Nas disciplinas de Física e Química A, o desempenho dos alunos decresceu sempre que se exigiu uma avaliação crítica das informações contidas nas provas. Articular várias competências ou fazer cálculos que envolvam duas ou mais etapas são outras fragilidades dos alunos portugueses."

Com uma recessão esperada, por baixo, de 1,3%; um desemprego que se poderá aproximar ao milhão de trabalhadores ainda este ano; cortes na saúde, educação, apoio social, investigação; com direitos laborais usurpados; um grau de corrupção incontestável; sem justiça e com um governo e um presidente submetidos e subjugando o país e o povo aos desígnios do capitalismo transnacional, consciente da manipulação exercida sobre a população, pergunto:

Depois de nos trazerem a esta abjecta realidade, que argumentos apresentam os demais candidatos para esperar dos portugueses um apoio maior que aquele que se revela imperioso prestar ao Francisco Lopes?

terça-feira, janeiro 11, 2011

Com relação à vinda do FMI

Cavaco, que foi questionado no programa Grande Entrevista de Judite de Sousa, sugeriu que poderia haver outras soluções, nomeadamente a venda de activos ao estrangeiro, tal como aconteceu com a venda de parte da PT ou da Cimpor (que pareceu promovida por um corrupto).

Cavaco não entra em política, este triste sabujo do capital apenas protege os interesses dos especuladores quando sugere que, empresas públicas passem para a mão de privados, internacionais, marimbando-se para a soberania e para uma estructura empresarial nacional que permita o equilibrio orçamental do estado conservando os direitos da população. Depois de compradas estas empresas, até os impostos, que seria o único benefício a considerar, iriam pelo mesmo caminho que aqueles que ele próprio devia ter pago pela venda de umas acções com uma questionável rentabilidade ou para onde foram os da PT relativos à venda da "Vivo".

O lugar de Presidente está a muito usurpado por um, aparentemente potencial, criminoso contra a pátria, criminoso que só teria lugar onde manda a constituição (que os seus comparsas querem alterar mais uma vez, como cavaco fez no passado). Alguém que olha para os portugueses como algo alheio à sua responsabilidade, sequer à responsabilidade do próprio Estado, Estado que, este papa-reformas - basta atender a estas três: 4.152,00€-Banco de Portugal; 2.328,00€-Universidade Nova de Lisboa; 2.876,00 €-Por ter sido primeiro-ministro -, deve considerar propriedade de quem, como ele, o possa comprar. Ou senão, quando findar a música dos Xutos, ouçam lá esta resposta:

Todo um presidente, preocupado e solidário com aqueles são o próprio país.

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Justiça imparcial ou condicionada? Venha o meu!

Ainda como ministro das finanças de Sá Carneiro, já Cavaco era capaz de promover as condições necessárias para a entrada do FMI, como se verificou, e, terraplanando o terreno para a sua intervenção, contribuir para uma revisão contitucional que hoje se revela dos mais importantes golpes à constituição de Abril, às condições de vida dos trabalhadores, do Povo e do pequenos e médios empresários. Não obstante, àparte de apadrinhar tudo o que foi a practica continuada do enriquecimento ilícito, nepotismo, corrupção, fraude, crimes contra a soberania, destruição do aparelho productivo, retirada de direitos aos trabalhadores e desempregados, cortes na educação e sanidade, também na justiça o actual presidente permite com o seu mutismo situações como esta:

Segundo a imprensa, uma auditoria do Tribunal de Contas (TC) detectou que aquele Instituto gastou 326,1 milhões de euros (160 no ano passado e 166,1 neste ano) de “depósitos autónomos”, tais como rendas, cauções e outras importâncias afectas a processos judiciais, que, logicamente, não pertenciam ao Estado e foram gastas como receitas extraordinárias, sem que fossem garantidas as responsabilidades para com terceiros. Os membros do Conselho Directivo que aprovaram as contas incorrem em responsabilidade, podendo ser sancionados com multa por “infracções financeiras sancionatórias”.

Assim, como não é o governo de Sócrates quem neste processo se trata de avaliar: qual é o papel do presidente da república? Desconhecer a realidade nacional, pactuar com a gestão fraudulenta do governo ou, manter uma equidistância protectora do poleiro entre o governo, o povo e as suas próprias responsabilidades?

É fácil lamentar que vinte por cento da população sobreviva por debaixo do limiar da pobreza (báremo definido não sei por quem), permitir que a esses vinte por cento se lhe tenham acrescentado mais dez (2,200.000) e continuar, impávido e sereno, a pedir ao Povo que lhe siga dando a confiança suficiente para se continuar a encher com a boca fechada. Um arauto do combate à corrupção.

domingo, janeiro 09, 2011

A tónica

Clica sobre a imagem para conhecer mais uns dados sobre o comportamento do actual presidente.

sábado, janeiro 08, 2011

Burguesia acumula fortuna sobre a miséria generalizada

Números do sistema ignóbil

A concentração da riqueza mundial disparou na última década. De acordo com um relatório publicado pelo Credit Suisse, a riqueza cresceu 72 por cento desde o início do novo século. A par desta subida, aumentou igualmente o fosso entre ricos e pobres.

O estudo que tem em conta apenas a população mundial adulta, revela que 1 por cento destes detêm 43 por cento da riqueza, ao passo que 43 por cento dos seres humanos maiores de idade repartem entre si apenas 2 por cento da riqueza total.

Dito de outro modo, os 0,5 por cento muito ricos controlam 35 por cento da riqueza mundial. Quando a percentagem dos muito ricos sobe para os 2 por cento, o total acumulado acompanha-a para os 50 por cento da riqueza mundial, e quando sobre para os 8 por cento ascende a 73,3 por cento do conjunto de activos na economia planetária.

Nas antípodas estão 4,1 mil milhões de adultos, isto é, a esmagadora maioria, que repartem entre si 20,7 por cento da riqueza mundial. 80 por cento da população mundial (maiores e menores de idade) vive em países onde o fosso entre ricos e pobres aumentou.

Mas a par da concentração da riqueza, o fosso entre países ditos desenvolvidos e em vias de desenvolvimento também se agravou, com os primeiros a sorverem parte considerável da riqueza e recursos dos segundos, nos quais a miséria alastra.

Ainda segundo a instituição bancária suíça, 63 por cento da riqueza mundial está concentrada nas mãos do grande capital europeu e norte-americano, e 22 por cento na posse da grande burguesia asiática. Nas demais regiões, concentram-se os restantes 15 por cento da riqueza mundial, embora nelas residam 58 por cento da população adulta.

Dados das Nações Unidas, por seu lado, afirmam que nos últimos 40 anos duplicou o número de nações consideradas menos desenvolvidas, as quais mais que duplicaram a importação de géneros alimentares entre 2002 e 2008.

No mesmo sentido, as estatísticas oficiais indicam que o rendimento médio nos países africanos mais pobres caiu 25 por cento nos últimos 20 anos, e que este continente possui somente 1 por cento do total da riqueza mundial, contrastando, por exemplo, com os EUA, onde se concentra 25 por cento da riqueza global.

A ONU afirma também que mais de 1/6 da população mundial é afectada pela fome, flagelo que mata um ser humano a cada 3,5 segundos, a maioria crianças menores de 5 anos.

(Esta, e outras, no Avante!)

Espuma de magnanimidade

Será preciso que intervenha o presidente de um banco para que alguém possa vender acções?
E, já agora... quem é que vende acções abaixo do preço de mercado, ou, (considerando o perfil de um especulador) dá um porco para obter uma linguiça?
(e sim, é a Maria Emilia, provando que, por muito que queira fazer, enquanto não formos coerentes, estará sempre condicionada, basta ver a alegria no olhar)

P.D.- A Galilei, como não devemos esquecer, é apenas outro ente que forma parte da fraude do BPN, ainda que, responsabilidades governativas e especialização em matéria económica, em conjunto, só Cavaco.
Ouvi um comentador perguntar porque é que não se quebram os contratos. Desde a ignorância, pergunto eu: porque é que não se nacionaliza a SLN, afinal a Galilei é apenas o novo nome no qual se escudam os seus antigos accionistas, em lugar de, através de mais uma vigarice para permitir a apropriação do fruto do nosso trabalho, indemnizar pela nacionalização, que é o que se está a fazer realmente e ao contrário do anteriormente dito, os antigos accionistas pela porta do cavalo?
Aproveitando, seria interessante inquirir o telles de abreu para explicar o que se passou com a opi92, SLN Valor, etc., proprietários dos terrenos do aeroporto de Alcochete. Só aí vão mil e duzentos milhões.

Finalmente, só como lembrete, mesmo aproveitando a legislação que nestes anos se promulgou a favor do capital, os anteriores proprietários do BPN, como cavaco, não pagaram impostos pelos ganhos obtidos na venda das acções.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Juizo final (Malangatana)

Transtejo, a próxima a privatizar.

O grupo Transtejo, de acordo com a Câmara do Seixal, prepara-se para reduzir o número de carreiras nas ligações Seixal-Cais do Sodré e no triângulo Trafaria-Porto Brandão-Belém. No total serão menos oito as ligações diárias a efectuar com destino e partida do Seixal.
Responsável pelo pelouro da mobilidade, Joaquim Santos lamenta o facto de não ter havido qualquer diálogo com as autarquias. "É uma incoerência que não compreendemos, até porque o Plano Regional de Ordenamento do Território para a Área Metropolitana de Lisboa prevê um reforço das ligações."

Numa moção aprovada no passado dia 16, a assembleia municipal diz "repudiar qualquer tentativa de extinção de tal serviço público de transporte". Se isso vier a suceder, "o Governo vai condenar a Trafaria ao isolamento e ao desterro", lê-se no documento. A moção aprovada compara a actual situação à da década de 80, altura em que "idêntico cenário surgira no concelho do Seixal, e cuja pretensão era extinguir a respectiva carreira fluvial a pretexto da crise de então".

Para lá da eventual redução de carreiras e trabalhadores, o plano de contenção da empresa inclui a venda de sete das 34 embarcações de que dispõe. Isto depois de, em Maio, ter investido 14 milhões de euros para adquirir dois novos ferries com capacidade para 360 passageiros e 29 veículos.

Anunciados já para Janeiro estão os aumentos dos preços dos transporte públicos de Lisboa e do Porto. Os passes subirão 3,5 por cento, enquanto os restantes títulos de viagem custarão, em média, mais 4,5 por cento. Na opinião da porta-voz da Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul, Luísa Ramos, o executivo, com estas medidas, está a "fazer tudo para acabar com o serviço público de transportes".

terça-feira, janeiro 04, 2011

Memória

Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.

Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras

um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.

José Carlos Ary dos Santos

Portugueses privados de acesso a dados da governação

Como evoluiu o desemprego no primeiro trimestre de 2011?
A simples resposta a esta questão, que tem sido central no debate político, vai passar a ser mais complicada. A partir deste ano, o Instituto Nacional de Estatística vai alterar as perguntas do Inquérito ao Emprego, que passará a ser feito por telefone, ficando inviabilizadas comparações directas com os dados publicados nos últimos dez anos.

Será esta, que esgrime o Eugénio Rosa, uma das razões:

"O governo tem procurado esconder a verdadeira situação do desemprego em Portugal (Sócrates,na sua mensagem de Natal, não fala uma única vez do desemprego) tentando fazer passar a mensagem junto da opinião pública que se está mesmo a verificar uma tendência quebra. E isto apesar do INE ter divulgado, no 3º Trim.2010, que o desemprego oficial atingiu 609,4 mil, e o desemprego efectivo, calculado também com dados do INE, alcançou 761,5 mil portugueses. Para anular os efeitos destes números, o governo tem utilizado o desemprego registado divulgado mensalmente pelo IEFP. O Secretário Estado do Emprego manifestou mesmo “satisfação” com este em declarações à Lusa, em 17.12.2010. Por isso, interessa explicar quem é abrangido e como são construídos os dados que o governo utiliza depois na suas declarações.
Os dados do desemprego registado divulgados pelo IEFP não incluem a totalidade dos desempregados. Todos aqueles que não se inscreveram nos Centros de Emprego (e são muitos) não constam desses dados. E o IEFP para obter os dados que divulga elimina mensalmente dos ficheiros dos Centros de Emprego milhares de desempregados sem apresentar justificação.
Segundo o próprio IEFP, entre 1-Jan2010 e 30-Nov.2010 inscreveram-se nos Centros de Emprego 631.972 novos desempregados (em média de 57.452/mês). Durante o mesmo período de tempo, os Centros de Emprego arranjaram trabalho para apenas 65.828 desempregado (em média 5.984/mês). Assim, o número dos novos desempregados que se inscreveram de Jan./Nov.2010 foi superior ao numero daqueles que os Centros de Emprego arranjaram trabalho em 566.144. Apesar do numero de novos desempregados ser 9,6 vezes superior ao número de desempregados que estes Centros arranjaram trabalho, o desemprego registado no fim de Nov.2010 (546.926) era inferior ao existente no fim de Jan.2010 (560.312) em 13.386. Como é que os responsáveis do IEFP conseguiram este milagre? Eliminando um elevado numero de desempregados dos ficheiros dos Centros de Emprego. Para concluir basta fazer as seguintes contas: Segundo o IEFP, no dia 1 de Jan-2010 existiam inscritos nos Centros de Emprego 524.674 desempregados. Entre 1 de Jan.2010 e 30 de Nov-2010 inscreveram nos Centros de Emprego 631.972 novos desempregados e, durante o mesmo período, os Centros de Emprego arranjaram trabalho só para 65.828. Logo somando 524.674 (número existentes em 1.1.2010) a 631.972 (novos desempregados que se inscreveram) e subtraindo 65.828 (número de desempregados que os Centros arranjaram trabalho) obtém-se 1.090.818. Era este o número de desempregados inscritos que devia existir em 30.11.2010. No entanto, o IEFP divulgou que nessa data só existiam inscritos nos Centros de Emprego 546.926. Consequentemente desapareceram dos ficheiros dos Centros de Emprego, entre 1 Jan-2010 e 30 Nov-2010, 543.892 empregados.
O IEFP fez esta limpeza sem divulgar no boletim que publica mensalmente as razões dessa eliminação, o que levanta naturalmente sérias dúvidas sobre a credibilidade dos números do desemprego registado que divulga mensalmente utilizados depois pelo governo.
Mas apesar desta elevada eliminação de desempregados dos ficheiros dos Centros de Emprego, a percentagem de desempregados, calculada em relação ao desemprego registado, a receber o subsidio de desemprego é baixa e tem diminuído nos últimos meses de 2010. Em Janeiro de 2010, o número de desempregados a receber o subsidio de desemprego representava 63,8% do desemprego registado divulgado pelo IEFP nesse mês; em Fevereiro aumentou para 66%, mas em Novembro de 2010 correspondia apenas a 57,4% do desemprego registado deste mês divulgado pelo IEFP. É clara a diminuição do apoio aos desempregados em Portugal consequência da alteração à lei do subsídio de desemprego aprovada pelo governo de Sócrates no 1º semestre de 2010. E recorde-se que muitos desempregados não estão inscritos nos Centros. É evidente que, com esta diminuição da protecção aos desempregados, a miséria tem de aumentar, miséria que incomoda muito Sócrates quando se fala dela, apesar de ser uma consequência da politica que o governo está a seguir. O governo Sócrates até se gaba de reduzir o apoio aos desempregados. A provar isso está a conferencia de imprensa dada pelo Secretário de Estado da Segurança Social em plena quadra natalícia. Este “senhor”, revelando total insensibilidade social, veio dizer ufano que já tinha cortado o subsídio social de desemprego a 10.291 desempregados, que recebiam em média entre 312€ e 347€ por mês, e o RSI (88,86€ por mês) a 8.321 beneficiários (RTP, 12.2010). E isto a juntar à redução de 389.827 beneficiários no abono de família, o que significa uma redução anual de 250 milhões € de apoios às famílias com filhos (CM, 26/12/2010). É desta forma que o governo promove a natalidade."?

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Além do aumento das taxas...

"A directora clínica do Hospital Garcia de Orta, em Almada, defendeu hoje que o aumento do número de utentes a recorrer à urgência do hospital reflete "uma diminuição de recursos dos centros de saúde" e "uma maior carência social".

Ana França afirmou hoje, em declarações à agência Lusa, que a crescente pressão sentida sobre o serviço de urgências do Hospital Garcia de Orta (HGO) pode ser explicada, por um lado, olhando para "uma diminuição dos recursos dos centro de saúde", e, por outro, "para um agravamento dos problemas de resolução social, a par de crescentes dificuldades por parte das instituições em dar-lhes resposta".

No caso dos centros de saúde, explicou a médica, "deixou de haver as áreas específicas para operação de doentes com gripe, instaladas o ano passado de acordo com o plano de contingência da gripe A, e verificou-se um aumento significativo da taxa de aposentação de médicos".

Isto, acrescentou, "implica impossibilidade, por parte de alguns doentes, em recorrerem ao seu médico assistente" e cria a figura dos "utilizadores frequentes da urgência do hospital": "Identificámos 100 doentes com 3000 episódios de recurso à urgência por ano, o que equivale a ter doentes que recorrem à urgência em média uma a duas vezes por mês".

Este cenário, considera a directora clínica, "diz bem do conjunto de doentes que andam no sistema sem um recurso que acompanhe a sua situação". O hospital está, por isso, "a tentar perceber como pode arranjar forma de partilhar a responsabilidade sobre estes doentes entre o hospital e centros de Saúde".

Ana França lembrou ainda que os constrangimentos verificados no serviço de urgências do HGO nos últimos dias decorrem também de um "aumento anormal do número de internamentos" – que, por exemplo, na sexta feira foi de 19,5 por cento, o dobro do habitual – refletindo "situações de carência social".

"Estávamos numa situação de fim do mês, em que as pessoas vão deixando arrastar as situações para não gastarem dinheiro no médico ou em medicamentos, a condição dos doentes agrava-se e verifica-se uma necessidade acrescida de internamento", explicou.

A isto, acrescentou, junta-se "uma diminuição da capacidade de resposta da rede de cuidados continuados e da rede social, que receberam em 2010 menos utentes do que em 2009 e que levaram mais tempo a dar resposta aos pedidos".

Esta realidade, disse ainda a médica, "tem também um reflexo muito grande nos hospitais e aumenta a pressão sobre os serviços"."

Ionline


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Alegre não se opõe (debate com Cavaco) a mais um cheque de quinhentos milhões para salvar o BPN, sempre que, de uma vez por todas, se solucione a situação. A garantia deve vir do governo, o mesmo que cavaco critica por não conseguir rentabilizar a entidade da forma que os administradores privados o fizeram no passado, quando este, também dono da entidade, já em tempos de crise, lucrou mais de duzentos e cinquenta mil euros pela venda (ou compra) de acções da SLN.

domingo, janeiro 02, 2011

6 anos

Sem o priorizar, processando-a com um software em permanente actualização, para o qual também contribuiram os output de todos aqueles que por aqui passaram e que amiúde visito, acredito ter deixado perceber que, para este autor, a realidade não tem porque avançar para a decadência, sempre que nós o não façamos.Saudações àqueles que durante os seis últimos anos aqui trocaram diariamente uns minutos de vida.


Ah! Se acontecesse enfim qualquer coisa!

Ah! Se acontecesse enfim qualquer coisa!

Se de repente saísse da terra um braço
e atirasse uma rosa
para o espaço!

Mas não.

Lá está o sol do costume
com a exactidão
duma bola de lume
desenhada a compasso...

...sol que à noite continua
a andar em redor
nas entranhas da lua
- que é sol com bolor...

e desde que nasci,
haja paz ou guerra,
nunca vi outra coisa.

Ah! Como queres que acredite em ti
- braço que hás-de romper a terra
e atirar uma rosa?

José Gomes Ferreira
Os Estados Unidos (EUA) querem ter acesso a bases de dados biométricas e biográficas dos portugueses que constam no Arquivo de Identificação Civil e Criminal. O FBI, com a justificação da luta contra o terrorismo, quer também aceder à ainda limitada base de dados de ADN de Portugal. O acordo com o Governo português está feito e só falta ser ratificado na Assembleia da República. No entanto, este mês vai sair um parecer da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) que alerta para os problemas que constam no texto do acordo bilateral

Em palavras do "Garcia", no falecimento de Arnaldo Mesquita

Que rosa vermelha entre loureiros
há ressuscitado?
A pé, companheiros
que os mortos estão de pé ao nosso lado.

Roxos de fome, angústia, sede e morte
na solidão
Nada nos importe
senão a aurora que levamos no coração.

Que nos arranquem língua, veias, olhos, nervos
A pele que reste
Não é dos servos
o relâmpago espantoso que nos veste.

Papiniano Carlos

sábado, janeiro 01, 2011

Morreu Arnaldo Mesquita, defensor dos direitos dos presos políticos

O advogado Arnaldo Mesquita morreu, este sábado, aos 80 anos, no Hospital de Santo António, no Porto.

O seu funeral realiza-se domingo à tarde, no cemitério do Torno, Lousada.

Arnaldo Mesquita era militante do PCP desde 1949, tendo dedicado a sua vida à defesa dos direitos dos presos políticos.
Arnaldo Mesquita, tendo sido um dos precursores da garantia de assegurar a presença do advogado no interrogatório da polícia, batalhou também pelo fim das medidas de segurança a que eram sujeitos os presos políticos antes do 25 de Abril de 1974, que eram prorrogadas por decisão administrativa. Conseguiu que o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem se pronunciasse e denunciasse esta prática, o que resultou na libertação de Maria da Piedade, mulher de Joaquim Gomes, dirigente do PCP, que tendo sido condenada a três anos estava já presa há nove anos.

O Militante do PCP, esteve preso pela polícia política do regime do Estado Novo em três fases: uma de seis, uma de catorze e outra de quatro meses, ao todo 24 meses.
Esteve ainda sujeito à tortura do sono durante seis dias e seis noites. Chegando inclusive a ser preso pela PIDE em 1955, durante o processo do julgamento de Ruy Luís Gomes, presidente do Movimento Democrático Nacional.

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Bom ano Novo!

Aproxima-se mais uma década, dos milhares que a terra já cumpriu, uma década que, como as demais, para alguns, tornará mais pesada a influência do passado que a preocupação pelo futuro, que, para esses mesmos, impedirá aprender por consequência da dedicação na compreensão dos motivos ou dos fenómenos que os colocaram na situação deprimida e/ou carenciada na que se encontram por insistirem em realizar uma atribuição causal exógena. Para outros, até a alegria promovida pela confraternização que nesta data acontece será despojo comestível.
Porém, não é com este tipo de perspectiva quasi-maniqueista que encaro esta nova etapa. Quem sabe porque não tenho um passado tão rico quanto aquele futuro que reside comigo no sonho de uma nova sociedade, colaborando no trabalhar dessa esperança capaz de transformar a realidade, prefiro olhar o novo ano, a nova década, como quem olha para uma criança, encarando a sua formação uma responsabilidade inerente à condição humana, como quem sabe que, mesmo dedicando toda uma vida a determinado projecto, só uma ínfima parte desse esforço será aproveitada, mas, sem perder a noção do que é realmente importante, do pliotropismo comum a todos os seres vivos.
Assim, melhorar as condições de vida que terei que enfrentar, eliminar as dificuldades que aqueles aos quais ainda ninguém foi capaz de sorver o amanhã depararão como herança, ao contrário do que dizem os "magos", só serão desejos concretizáveis enquanto modifiquem determinadas conductas, as nossas, deixando estes, só assim, de pertencer ao passado, a esse passado, que mais tarde se nos poderá apresentar dificil de explicar.

Libertar a vontade de melhorar o próximo ano, aceitemos ou não, passa só por nós.

Façamos um bom ano novo!

O Vosso tanque General, é um carro forte

Derruba uma floresta esmaga cem
Homens,
Mas tem um defeito
- Precisa de um motorista

O vosso bombardeiro, general
É poderoso:
Voa mais depressa que a tempestade
E transporta mais carga que um elefante
Mas tem um defeito
- Precisa de um piloto.

O homem, meu general, é muito útil:
Sabe voar, e sabe matar
Mas tem um defeito
- Sabe pensar

Bertold Brecht

quinta-feira, dezembro 23, 2010

PCP e os cações

Em voltas pela blogosfera, passei pelo xatoo, o qual, mesmo sem compartir a minha orientação política, publicou isto:

"A ideia de um Salário Mínimo Europeu, (actualmente em Portugal menos de 500 euros (o mais baixo da EU a 15), acima de 1000 euros na Europa desenvolvida, Espanha e Grécia 728 e 628 respectivamente, 150 nos países de Leste, 844 nos Estados Unidos) foi relançada por alguns candidatos durante a campanha eleitoral para o PE em 2009, mas face às perspectivas de inviabilização pelo espectro politico dominante na Europa a eurodeputada pelo PCP Ilda Figueiredo começou por uma “proposta de rendimento mínimo europeu”. Sujeita a escrutínio, foi pela escassa margem de 1 voto que foi admitida a discussão. Votada finalmente em 2009 a proposta acabaria por ser aprovada como lei. Só que, como o grupo neoliberal no PE não conseguiu escamotear a urgência da tomada deste medida social por meios legais, faz letra morta da aprovação e a lei está na prática relegada para as calendas da não aplicação como acção concreta. Seria isto que Fernando Nobre haveria de ter perguntado no debate televisivo: Porque é que esta Lei proposta pelo PCP no Parlamento Europeu não entra imediatamente em vigor?"

Pois é...

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Portugueses

Além de, no debate com o meu candidato, o Francisco Lopes, verificar que o actual presidente pretende mandar a justa causa às urtigas, vi também que, aparte de não ter encontrado valor para responder à questão que, levantada por Francisco Lopes, a entrevistadora lhe colocou repetindo-se até à extenuação, este mandado dos “mercados”, com a possibilidade de constatar o resultado prático das políticas erradas que tem apadrinhado e que elevam hoje o numero de desempregados para um patamar sem exemplo na história dos trabalhadores do nosso país, constatei, também, como todos nós, que a intenção de cavaco é continuar a baixar as orelhas aos mercados que acabam de desbastar o caminho para a intervenção do FMI e do resgate ou compra do destino dos portugueses pelos países com maior aportação ao fundo europeu constituído tal efeito.
Num momento em que o governo não encontra mais solução que recorrer à ajuda chinesa para compensar temporalmente a “salvação” do BPN - aumentando com juros o balúrdio que todos pagaremos com o que se vai esquilando dos nossos direitos -, banco do qual, aliás, cavaco e filha obtiveram uns largos milhares de euros pela venda de algumas acções da SLN - sociedade que até comparte o mesmo edificio com dito banco e que como sabemos foi construido por Carlucci através da Carlyle - geridas por esse olímpo da fraude e que cavaco não recorda haver comprado (que em suma terão sido uma oferta de uma entidade da qual os “empregados” foram os maiores mecenas da última campanha do actual presidente); que a redução do défice do subsector do estado, em cem milhões, é equiparada ao aumento do défice, de cem milhões, na saúde, reveladora da clareza com que este governo tenta enganar o seu povo, sou obrigado a atribuir ao actual presidente grande parte da responsabilidade sobre a situação deprimente na qual nos encontramos.
Com claros indicadores de estagnação económica, como o recente resultado sobre a actividade, que aponta uma grave diminuição da mesma ou, atendendo ao défice de quinze mil milhões na nossa balança de exportações, torna-se fácil prever o futuro a curto prazo: mais desemprego, mais pobreza, mais injustiça social, “mais” fome.
Com um elenco de candidatos à presidência que só se distingue de uma célula eucariótica da vida política pela presença de uma alternativa patriótica e de esquerda materializada pelo Francisco Lopes, a eleição ou a escolha dos portugueses apresenta-se bastante mais simples que de formar-mos parte de um Portugal soberano no qual a necessidade de recuperarmos essa independência não fosse imperativa para o seu futuro e para o amanhã das novas gerações.

terça-feira, dezembro 21, 2010

Espanha

Depois de muito tempo dedicados a trabalhar junto dos emigrantes desde a aparente solidão promovida pela dispersão de portugueses caracteristica da emigração em Espanha, porque resisitir é já vencer, durante o passado fim de semana, com camaradas vindos de comunidades autónomas desde a Catalunha à Andaluzia, o núcleo de Espanha do PCP reuniu a direcção da organização em Madrid.
Conscientes da importancia do encontro, tendo em conta o futuro próximo e o momento actual, debatendo sobre os inúmeros aspectos que determinarão a capacidade destes e de muitos trabalhadores, de enfrentarem a intensificação do contínuo ataque às suas condições de vida por parte do estado espanhol e, fundamentalmente, pelo abandono ao qual se vêem relegados como consequência das políticas para a emigração preconizadas pela direita que governou o nosso país nos ultimos 35 anos (independentemente da companhía teatral), o ambiente de trabalho desta maratona de pensamento foi pautado sobretudo pela alegria da confraternização.
Depois de dois dias de trabalho intenso, estímulo e esclarecimento mútuo, foi com felicidade no rosto, com mais argumentos que na mente se levaram, que decidimos esperar o aniversário do nosso partido para nos voltarmos a reunir.
Até lá, além da preparação de dito aniversário, o trabalho relativo à campanha eleitoral, o reforço do partido, ou a promoção do associativismo, resultaram, entre outras, as tarefas a assumir por esses trabalhadores.
Pessoalmente, o reforço de muitos aspectos que conformam a minha convicção, sem dúvida, foi um dos resultados mais preponderantes deste encontro.

A luta continua!

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Sitiados

Esta cidade é a última cidade...
Os muros derruídos estão cercados:
Os canhões troam através dos mapas.

Nossa imagem, revelada pelas montras,
Passeia pelas ruas de mãos dadas...
Somos a última trincheira valiosa.

Unidos, trituramos os assaltos
E renovamos o cristal da esperança.

Os ruídos emolduram-te o sorriso,
Pura mensagem, prenhe de um futuro
Isolado de poeiras e de lágrimas.

Egito Gonçalves

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Praças não se conformam

Praças dos três ramos das Forças Armadas participaram anteontem, ao fim da tarde, numa concentração que teve lugar na Praça do Município, em Lisboa, sob o lema «Não à resignação, não ao conformismo».

A iniciativa da Associação de Praças enquadra-se na movimentação desta classe, em torno de um conjunto de problemas e reivindicações que as medidas de «austeridade» do Orçamento do Estado vêm agravar. Na moção ali aprovada - e que a direcção da AP deverá fazer chegar ao ministro da Defesa e às chefias militares - está previsto aguardar até 14 de Janeiro que o Governo receba a associação até 14 de Janeiro, seguindo-se um plenário, a 16 de Fevereiro, para decidir «futuras medidas reivindicativas».

No documento reafirma-se a exigência de aplicação de «várias dezenas de diplomas legais» e que sejam travadas a «reforma» da Saúde Militar (e a criação de um hospital único das Forças Armadas), o congelamento dos escalões, o impedimento da ascensão vertical na carreira e a alteração do acesso ao Curso de Formação de Sargentos, com a entrada em vigor, em Junho de 1990, do Estatuto dos Militares das Forças Armadas. Actualmente, afirma a AP, há militares que permanecem no mesmo posto durante mais de 25 anos.

«Não aceitaremos que, a pretexto da crise, para a qual não contribuímos, não se leve a cabo a resolução dos problemas» elencados pela AP - sublinha-se na moção.


Do "Avante!"

Trela aos cães!

A UE aprovou um fundo de resgate permanente para começar a funcionar em Junho de 2013. A intenção desta iniciativa, segundo nos querem fazer aceitar, é fortalecer o euro, blindar o euro, mostrar a quem de direito que a europa é coesa e forte, mas, se realmente querem que acreditemos nas possibilidades deste modelo europeu, na sua recuperação, etc. Qual é o motivo para criar este fundo? Será abrir a porta à participação do privado?
Por outro lado, o aumento de capital do BCE, quase duplicando a sua dimensão, que quer ser interpretado como um sinal capaz de acicatar a confiança dos mercados, como se constitui; quem o subscreve; para que serve?
Assim, sabendo que o BCE, com o capital de todos os subscritores, se dedica a comprar a dívida pública dos estados mais deprimidos, ou seja, dos seus próprios subscritores; que as políticas económicas de cada país são, cada vez mais, decididas lá fora, e, que no fundo de resgate já se contemplam participações privadas, não será esta uma forma de entregar os estados ao capital transnacional, com a desculpa de que são os mercados (dinamizados por esses mesmo privados) que obrigam a tais medidas?
Finalmente, não será também um sinal negativo a alteração de um tratado, já de si imposto, que pôde, por isso mesmo, ser criado com toda a comodidade por parte dos governos que o aprovaram?
Um exemplo do resultado desta financeirização, que ainda, ainda, não justifica a emissão de bonos, podemos encontrar na reclassificação da dívida irlandesa, país que, depois de se hipotecar totalmente aos demais estados membros, sem uma mudança real do seu rumo político, por não saber, não poder ou não querer, havendo adoptado as medidas de austeridade que os países que efectivamente conservam o poder na Europa determinaram (retirando direitos à população, aumentando os impostos, etc., como se isso fosse criar emprego), perdeu, segundo os mercados, a capacidade de crescer económicamente ou continuar a endividar-se.
Entretanto, na tentativa de continuar a alimentar a insaciável voracidade deste errado modelo, depois da França, Espanha prepara-se para, dando já o passo seguinte ao aumento extraordinario da esperança de vida da população - situação que atravessa Portugal neste momento -, aumentar a idade de reforma para os sessenta e sete anos.
Em conclusão, que pode não ajustar-se à realidade mas que é aquela que me permito ter, a apropriação da mais-valía na produção por parte de uma oligarquia cada dia mais concentrada ou reduzida, hoje, deve ser indubitavelmente colocada em paralelo com o espólio da própria propriedade sobre a existência, incluindo a dos desempregados. Traduzir na prática o nosso mal-estar, o nosso inconformismo face ao actual paradigma, passa por assumir-mos a nossa vontade e, responsabilizar-mo-nos pelo resultado das nossas opções. Sendo que, uma forma pragmática de o fazer é identificar o nosso lugar em todo este universo e justificá-lo, contribuindo para a sua transformação. Para tal já conquistámos a possibilidade de votar.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Revisão

O embaratecimento dos despedimentos que o governo PS foi oferecer aos mandatários do núcleo do poder da UE, com esta manobra réplica daquela que já foi implementada em Espanha há algum tempo, obrigar os trabalhadores a pagar o seu próprio despedimento - por motivos como a inadaptação ou a negativa de se colocar do jeito que o patrão quiser -, sem dúvida que, de não aumentar substancialmente a carga fiscal dos mesmos, só pode ser compensada com recurso a partidas - já de si magras e em continua dieta - como por exemplo a sanidade e/ou a educação etc.
Numa tentativa de identificação, com base no mais puro pragmatismo, dos possiveis efeitos reais que esta revisão pode representar na capacidade de criação de postos de trabalho, o que encontro é uma massa de oitocentos mil desempregados, demitidos no actual marco de "garantías" laborais, um modelo que segundo o governo se revela caro para o empresário. Atendendo a dito facto, a questão que por inércia se apresenta é: Se com um despedimento "caro" já vamos em oitocentos mil, sem qualquer repercussão para o empresário qual será a cifra ou a dimensão do exército de mão de obra disponível para, por exemplo, compensar o emagrecimento da função pública?

O assalto continua, quem o pode(mos) parar?