sábado, maio 14, 2011

sexta-feira, maio 13, 2011

"Não podemos abandonar o €"?

"Pôr Portugal a produzir" reduz o défice da balança comercial.
O abandono da zona € só pode ser ponderado.

quarta-feira, maio 11, 2011

CDU e os de sempre

Depois do último debate televisivo, entre Jerónimo de Sousa e Pedro Coelho, encontramos um aspecto comum nos objectivos das organizações que ambos candidatos representam: a derrota do PS.
Sendo o anterior uma realidade, também o é a certeza de que em todas as demais críticas e soluções apontadas pelos referidos partidos, não existe qualquer ponto de convergência a assinalar, antes uma profunda dissonância quanto ao elemento essencial de seus programas ou àqueles aos quais pretendem beneficiar.

Assim, no caso do PSD, empregando a velha cassete demagógica da sustentabilidade das pensões, do SNS, da educação, Pedro Coelho (sem Dr., uma vez que essa diplomática e caduca consideração exerce de prerrogativa contrária ao tratamento igualitário que propugna o marxismo/leninismo) transmite a ideia de que a solução para o país é o continuismo no que às privatizações se refere. De outra forma, o aumento da dependência do Estado e a paulatina eliminação da soberania do povo português, apologizando pela submissão do Homem ao Homem, de milhões de vidas à excentricidade de um punhado. Em suma, o PSD preconiza a involução.

Por parte da CDU, a estória é bem diferente:
Firme na convicção de colocar o Homem no centro das suas propostas, constata como a realidade, em practicamente qualquer momento histórico mas fundamentalmente neste que atravessamos, reforça a razão da alternativa política real que oferece.

Não obstante, mais reaccionários que o PSD, numa atmosfera mofada (de mofo e de mofa), ouvimos e vemos como outro candidato, o aparentemente lustrado Paulo Portas, já no primeiro debate, sem medidas que destacassem pela novidade, apenas se dedicou a contrariar Pedro Passos (quando este último afirmou que isso de que os comunistas comessem meninos era um mito) e a criticar, desde a mentira, as intenções da CDU, gerando imagens na mente dos portugueses de paradigmas advindes similares àqueles experimentados em países como a Argentina, que poucas semelhanças contextuais guarda com o nosso país, eximindo-se de ética não mencionando aqueles que depois de um trajecto paralelo ao nosso estão hoje em greve, como a Grécia. Porém, não bastando essa tergiversação corrupta de seriedade, tentou atirar a CDU no tempo e no espaço, corresponsabilizando-a da situação, positíva ou negativa, de países que em muitos casos não compartem a sua base ideológica com a CDU e que, noutros casos, são mesmo por esta coligação criticados.

Para concluir, sem sair da União Europeia e mantendo a análise neste século, o seguinte gráfico proporciona uma imagem da actual situação em diferentes países, todos eles governados pela direita, exceptuando, curiosamente, aquele com menor percentagem de dívida com relação ao PIB, um país governado por Marxistas/Leninistas, os quais, de forma pragmática e singular, eliminaram o preconceito ou a aversão que a população podia sofrer contra o comunismo e adoptaram outro nome.

P.D.: Como adenda: Se não quisermos sair do nosso país para percebermos como governam hoje os comunistas, basta saber que, municípios, como Almada por exemplo, depois de proibirem a abertura de grandes superficíes aos domingos e feriados à tarde e nos dias 25 de Abril e 1º de Maio; de terem sido referidos no anuário dos técnicos oficiais de contas como a autarquia portuguesa com melhor gestão financeira, continuando a investir na educação, na cultura, no lazer, na produção, no comércio, é um dos únicos executivos que não contemplam a dívida como algo necessário, razão pela qual não a poderemos encontrar no seu exercício.

sexta-feira, maio 06, 2011

Rumores?

Não resultaria uma surpresa mas uma alegria, que a Grécia abandonasse a "zona euro".

quinta-feira, maio 05, 2011

No te salves

No te quedes inmóvil
al borde del camino
no congeles el júbilo
no quieras con desgana
no te salves ahora
ni nunca
no te salves
no te llenes de calma
no reserves del mundo
sólo un rincón tranquilo
no dejes caer los párpados
pesados como juicios
no te quedes sin labios
no te duermas sin sueño
no te pienses sin sangre
no te juzgues sin tiempo

pero si
pese a todo
no puedes evitarlo
y congelas el júbilo
y quieres con desgana
y te salvas ahora
y te llenas de calma
y reservas del mundo
sólo un rincón tranquilo
y dejas caer los párpados
pesados como juicios
y te secas sin labios
y te duermes sin sueño
y te piensas sin sangre
y te juzgas sin tiempo
y te quedas inmóvil
al borde del camino
y te salvas
entonces
no te quedes conmigo.

Mario Benedetti

quarta-feira, maio 04, 2011

Programa de Agressão sem precedentes ao povo e ao país

"Quarta 4 de Maio de 2011

Desmentindo a operação montada por PS, PSD e CDS, as medidas previstas são a maior agressão aos direitos do povo e aos interesses do país desde os tempos do fascismo. Trata-se de um programa ilegítimo de intervenção externa, construído para favorecer os grupos económicos e financeiros nacionais e estrangeiros, que aprofunda e desenvolve tudo o que foi rejeitado no PEC IV. Um ataque sem precedentes à soberania e independência, só possível pelo papel de abdicação dos interesses nacionais que PS, PSD e CDS estão a assumir.
Uma intervenção que, a concretizar-se, contribuiria para o agravamento da recessão económica, do desemprego e da pobreza – decorrente da quebra no investimento público, da redução dos salários e das pensões, do ataque às pequenas empresas – bem como para o agravamento da dependência externa. Uma intervenção e uma ingerência que o povo português não pode aceitar e que agravaria, a ser aplicada, todos os problemas nacionais, incluindo as condições para o pagamento da dívida externa.
Eis uma síntese de algumas das muitas medidas previstas.
Agravamento da exploração
- Facilitação e embaratecimento dos despedimentos, reduzindo a indemnização paga pelo patronato de 30 para 10 dias (por ano de trabalho) e alargando as possibilidades de despedimento por “justa causa”;
- Redução da duração máxima do subsídio de desemprego para um máximo de 18 meses e limitação do seu montante a 2,5 do Indexante Apoio Social, com redução sistemática do seu valor após seis meses;
- Flexibilização do horário de trabalho por via do “banco de horas”, redução do valor pago pelas horas extraordinárias;
- Ataque à contratação colectiva e ao papel dos sindicatos na negociação
Ataque aos rendimentos de trabalhadores e reformados
- Congelamento do salário mínimo nacional e desvalorização geral dos salários por via da alteração da legislação de trabalho e do subsídio de desemprego;
- Diminuição real de todas as pensões e reformas durante três anos, incluindo as pensões mínimas, e corte das de valor superior a 1500 euros;
- Aumento do IVA, designadamente nas taxas de bens e serviços essenciais, e de outros impostos indirectos;
- Aumento do IRS por via da redução/eliminação de deduções ficais (saúde, educação, habitação), incluindo o agravamento da tributação das reformas e pensões e introdução do pagamento de imposto sobre rendimentos de apoios sociais;
- Eliminação das isenções de IMI nos primeiros anos após a compra da casa, a par do aumento dos valores matriciais de referência e das taxas aplicadas;
- Aumento dos preços de energia eléctrica e do gás, por via da sua liberalização e do agravamento do IVA;
- Aumento do valor das rendas e facilitação dos despejos;
- Continuação dos cortes nas prestações sociais;
- Agravamento significativo das taxas moderadoras, diminuição das comparticipações dos medicamentos;
Ataque aos trabalhadores e às funções do Estado
- Cortes significativos na saúde, educação, justiça, administração local e regional;
- Encerramento e concentração de serviços (hospitais, centros de saúde, escolas, tribunais, finanças e outros serviços da administração central e regional);
- Congelamento durante três anos dos salários dos trabalhadores da administração pública; redução de dezenas de milhares de postos de trabalho na administração pública;
- Eliminação de freguesias e municípios em número significativo, afastando vastas zonas do território e largas camadas da população de serviços essenciais;
Privatizações
- Privatizações – aceleração da entrega de empresas e participações estratégicas ao capital privado;
- Já em 2011 privatização da participação do Estado na EDP, da REN e da TAP;
- Alienação dos direitos especiais do Estado (“golden shares”) em empresas estratégicas como a PT;
- Privatização da Caixa Geral de Depósitos no seu ramo segurador (mais de 30% da actividade financeira do grupo), bem como de outros sectores de actividade, designadamente no estrangeiro;
- Extensão do processo de privatizações às empresas municipais e regionais;
- Ofensiva contra o sector público de transportes de passageiros e mercadorias, designadamente com a privatização da ANA, CP Carga, Linhas ferroviárias suburbanas, gestão portuária, etc.;
- Venda generalizada de património público;
- Transferência para o sector privado, por via do encerramento e degradação de serviços públicos, de vastas áreas de intervenção até aqui asseguradas pelo Estado;
Mais apoios à banca e grupos económicos
- Banca e grupos económicos isentos de qualquer medida de penalização;
- Transferências de 12 mil milhões de euros para a banca, acrescida de garantias estatais no valor de 35 mil milhões de euros;
- Consumação da assunção pelo Estado dos prejuízos da gestão fraudulenta do BPN, através da sua privatização até Julho de 2011, sem preço mínimo e liberta de qualquer ónus para o comprador"

PCP: Aqui

segunda-feira, maio 02, 2011

Consciência de classe

Nesse combate pela consciência, um papel decisivo cabe ao materialismo histórico. Quer no plano ideológico, quer no plano económico, proletariado e burguesia são classes necessariamente correlativas. O mesmo processo que, visto do lado da burguesia, aparece como um processo de desagregação, como uma crise permanente, é para o proletariado - e igualmente sob forma de crise - uma acumulação de forças, o trampolim para a vitória. No plano ideológico, isso significa que essa mesma compreensão crescente da essência da sociedade - onde se reflecte a lenta agonia da burguesia traz ao proletariado um contínuo crescimento de força. A verdade é, para o proletariado, uma arma condutora da vitória, e a conduz de maneira tanto mais segura se não recua diante de nada. A fúria desesperada com que a ciência burguesa combate o materialismo histórico é compreensível: ela está perdida desde que seja obrigada a colocar-se ideologicamente neste terreno. Isso permite, ao mesmo tempo, compreender por que, para o proletariado e somente para ele, uma justa compreensão da essência da sociedade é um factor de domínio de primeira ordem, porque, sem dúvida, é a arma pura e simplesmente decisiva.

György Lukács

sábado, abril 30, 2011

quinta-feira, abril 28, 2011

Walking around

Acontece que me canso de meus pés e de minhas unhas,
do meu cabelo e até da minha sombra.
Acontece que me canso de ser homem.

Todavia, seria delicioso
assustar um notário com um lírio cortado
ou matar uma freira com um soco na orelha.
Seria belo
ir pelas ruas com uma faca verde
e aos gritos até morrer de frio.

Passeio calmamente, com olhos, com sapatos,
com fúria e esquecimento,
passo, atravesso escritórios e lojas ortopédicas,
e pátios onde há roupa pendurada num arame:
cuecas, toalhas e camisas que choram
lentas lágrimas sórdidas.

Pablo Neruda

quarta-feira, abril 27, 2011

Mais um dia

Quantas vidas se enlaçam no meu ADN?

Quantos se puseram à minha frente para que olhe o horizonte de braço hirto?

Quantos pensamentos se reprimiram enclausurados na vastidão das mentes até lhe faltarem à minha realidade?

Recordar quem fui não será desvirtuar o que sou, ou já não sou?

Não creio. Já não sou só tudo o que fui, sou uma projecção daquilo que quero ser, ancorado no limbo de quem era e do que serei. Uma espécie de caminhante.

Recordar Abril é necessário, mas não por mim, que também o sou. Recordar Abril é importante para que outros saibam que aconteceu, mas, não será menos interessante contar o nosso Abril a essa professora que exige meritocracia daquela que premeia “os que mais sabem” ou àqueles que vêm para a avenida gritar por Abril e expiar as frustrações que os carcomiam quando pensavam se votar sem agitar a marisma ou ficar em casa ao abrigo de olhares inquisidores.

Não sei se será pragmático ficar mal na fotografia e defender a participação popular recusando o acordo ortográfico (por exemplo), falar de política em público ou exibir vestes que denunciem explicitamente a ideologia segundo a qual pretendemos transformar a sociedade. Sei que queimar páginas do livro da história que nos vendem a preço da vida apenas pelo suplemento aparentemente gratuito de uma hiper-realidade tão descartável resulta conflituoso e, por vezes, fecundo, mas também os há conciliadores.

Aos amigos que nunca tentaram salvar-me de mim.

domingo, abril 24, 2011

"Nunca pensei viver"

Nunca pensei viver para ver isto:
a liberdade – (e as promessas de liberdade)
restauradas. Não, na verdade, eu não pensava
- no negro desespero sem esperança viva -
que isto acontecesse realmente. Aconteceu.
E agora, meu general?

Tantos morreram de opressão ou de amargura,
tantos se exilaram ou foram exilados,
tantos viveram um dia-a-dia cínico e magoado,
tantos se calaram, tantos deixaram de escrever,
tantos desaprenderam que a liberdade existe-
E agora, povo português?

Essas promessas – há que fazer depressa
que o povo as entenda, creia mais em si mesmo
do que nelas, porque elas só nele se realizam
e por ele. Há que, por todos os meios,
abrir as portas e as janelas cerradas quase cinquenta anos -
E agora, meu general?

E tu povo, em nome de quem sempre se falou,
ouvir-se-á a tua voz firme por sobre os clamores
com que saúdas as promessas de liberdade?
Tomarás nas tuas mãos, com serenidade e coragem,
aquilo que, numa hora única, te prometem?
E agora, povo português?

Jorge de Sena

terça-feira, abril 19, 2011

Entrevista a Jerónimo de Sousa

Sementes privatizadas?

Em Bruxelas as organizações, reunidas no movimento europeu "Campanha Europeia pelas Sementes Livres", entregaram mais de 60 mil assinaturas recolhidas no âmbito da petição europeia pelas sementes livres à Comissão de Direitos Humanos do Parlamento Europeu. Em Lisboa, pelas 16 horas, os dinamizadores locais da Campanha entregaram uma cópia da petição à representação portuguesa da Comissão Europeia, no Largo Jean Monnet. A animação incluiu uma pequena peça de teatro intitulada "se me mentes".

Ontem foi o último dia das Jornadas Internacionais de Acção, marcando o ponto alto da Campanha pelas Sementes Livres que denuncia a revisão em curso da legislação europeia em matéria de produção e comercialização de sementes (ver a Nova Lei das Sementes no site da Campanha). Esta revisão vai favorecer a crescente privatização das sementes agrícolas por uma dúzia de multinacionais, com graves consequências para horticultores e agricultores pequenos e para a segurança e autonomia alimentares, não só na Europa como em todo o mundo.

O mercado das sementes é hoje um oligopólio, com dez empresas a controlar 67% do mercado global de sementes comerciais (In Who Owns Nature? (2008), ETC Group Report). Através da manipulação genética, as patentes e a cobrança de direitos para a reprodução de sementes estas empresas estão a condicionar a diversidade genética do nosso planeta.

Os tratados internacionais e a legislação europeia já estão a favorecer fortemente as variedades de sementes industriais em detrimento das variedades tradicionais e da diversidade fitogenética conseguida com o trabalho de homens e mulheres agricultores ao longo de séculos. A nova legislação a ser proposta pela Comissão Europeia em 2011 vem restringir ainda mais a acção do agricultor, obrigando a burocracias que na prática vão inibir a reprodução de sementes tradicionais.

A Campanha Europeia pelas Sementes Livres reclama o livre acesso às sementes, o apoio à preservação da diversidade agrícola e a proibição das patentes sobre plantas. As sementes são um bem comum e vital e não devem ser entregues à exploração exclusiva da indústria agro-alimentar.

Esta campanha é dinamizada pelas organizações Campo Aberto, GAIA, MPI, Plataforma Transgénicos Fora e Quercus e conta com mais 35 organizações subscritoras. A "Petição pelas Sementes Livres - não à privatização das sementes!" continua a poder ser assinada online.

Aqui

"Nascem flores onde quiseres..."

O ser humano continua pensando. E o pensamento e a ideologia dos trabalhadores e dos povos oprimidos serão sempre inevitavelmente opostos à das potências e classes exploradoras e opressoras.
Álvaro Cunhal

O Mundo de Hoje - 2003

quinta-feira, abril 14, 2011

Não ao FMI

Reestructurar a dívida, sair do euro, pôr Portugal a produzir? Claro!

Trabalho Assalariado e Capital

O servo pertence à terra e rende frutos ao dono da terra. O operário livre, pelo contrário, vende-se a si mesmo, e além disso por partes. Vende em leilão oito, dez, doze, quinze horas da sua vida, dia após dia, a quem melhor pagar, ao proprietário das matérias-primas, dos instrumentos de trabalho e dos meios de vida, isto é, ao capitalista. O operário não pertence nem a um proprietário nem à terra, mas oito, dez, doze, quinze horas da sua vida diária pertencem a quem as compra. O operário, quando quer, deixa o capitalista ao qual se alugou, e o capitalista despede-o quando acha conveniente, quando já não tira dele proveito ou o proveito que esperava. Mas o operário, cuja única fonte de rendimentos é a venda da força de trabalho, não pode deixar toda a classe dos compradores, isto é, a classe dos capitalistas, sem renunciar à existência. Ele não pertence a este ou àquele capitalista, mas à classe dos capitalistas, e compete-lhe a ele encontrar quem o queira, isto é, encontrar um comprador dentro dessa classe dos capitalistas.
Karl Marx 5 de abril 1849

terça-feira, abril 12, 2011

Há meio século, com 27 anos, um operário metalurgico foi o primeiro homem a olhar todos os impérios entre os dedos de uma mão. Chamava-se Gagarin.

segunda-feira, abril 11, 2011

Analfabeto castrado, não!

A que horas se reunirão aqueles que na terça-feira irão à portela receber o FMI, à pedrada? Já pintei o cartaz...


"De regreso, medité en los destinos de nuestra colonia. Ante mí se erguía en toda su magnitud la visión de una crisis terrible, en la que corrían el peligro de hundirse en un abismo valores indudables para mí, valores vivos, vitales, creados, como un milagro, por cinco años de trabajo de la colectividad, cuyas cualidades excepcionales ni siquiera por modestia quería ocultar ante mí mismo. En una colectividad como la nuestra, la falta de claridad en las rutas personales no podía originar la crisis. Las rutas personales son siempre confusas. ¿Y qué es una ruta personal clara? Es la renuncia a la colectividad, es un espíritu pequeñoburgués concentrado: preocuparse, desde la más tierna edad, de algo tan fastidioso como el futuro pedazo de pan, como esa misma decantada calificación. ¿Calificación de qué? De carpinteros, de zapateros, de molineros. No, yo creo con firmeza que, para un muchacho de dieciséis años, la calificación más valiosa en nuestra vida soviética es la calificación de combatiente y de hombre. Me imaginé la fuerza de la colectividad de los colonos y repentinamente comprendí en qué consistía la cuestión: naturalmente, ¡cómo había podido tardar tanto en darme cuenta! Todo consistía en el estancamiento. No se podía tolerar ningún estancamiento en la vida de la colectividad. Me alegré como un niño: ¡qué encanto! ¡Qué magnífica, qué absorbente es la dialéctica! Una libre colectividad obrera no es capaz de estancarse. La ley universal del desarrollo general comenzaba únicamente ahora a poner de manifiesto su verdadera fuerza. La forma de existencia de una colectividad humana libre es el movimiento adelante; la forma de su muerte es el estancamiento."

Antón Makarenko