terça-feira, outubro 21, 2008

Pagar para poder pagar?


Ainda com relação à garantia de vinte mil milhões que o governo Português pretende facilitar à banca nacional, pregunto:

1º- Ao assumir uma exposição a um terceiro, não estaremos, o povo, aceitando o risco dos privados e pagando um juro que não nos corresponde?

2º- Não seria mais adequado, comportando menos risco para as arcas do Estado, exigir uma segmentação da carteira e comprar, à banca, os activos com um scorecard de alta qualidade, pagando para tal o principal em exposição, assumido pela entidade e, tornando a operação, pelo menos, garantida?

3º- Em linha com o ponto 2º, não seria, posteriormente, mais lógico que, o Estado avalara um montante similar ao principal, só ao principal, do resto das carteiras que permanecessem em posse de cada entidade e, com a garantia de absorver essa mesma carteira em caso de imcumprimento?

4º- Não seria mais coerênte com o inevitavel futuro do capitalismo, não estariamos a beneficiar a solidez da nossa realidade.

5º- Não seria, esta, a forma de regular os "spread" que nos exigem, de forma altamente desregulada, os onzeneiros?

6º- Não será este o momento, abrindo assim outras perspectivas, de deixar de priorizar o déficit??

7º- Vamos prescindir de observar a "(pouca) ética" que ainda possa existir, mesmo por parte da banca - como é o caso do Deutsche Bank - que se avergonha (mesmo que se possa entender certa demagogía) de utilizar ajudas do estado, assumindo as suas perdas como privado, ou esta actitude não lhe interessa contemplar ao governo do nosso país?

8º- Vamos esquecer este dado: "As estimativas da OIT, citadas pela agência «Lusa», indicam que «o número de desempregados pode passar de 190 milhões em 2007 para 210 milhões no final de 2009», disse Somavia numa conferência de imprensa." ou este: "Portugal é um dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) com maiores desigualdades na distribuição dos rendimentos dos cidadãos, ao lado dos Estados Unidos e apenas atrás da Turquia e México. No seu relatório "Crescimento e Desigualdades", hoje divulgado, a OCDE afirma que o fosso entre ricos e pobres aumentou em todos os países membros nos últimos 20 anos, à excepção da Espanha, França e Irlanda, e traduziram-se num aumento da pobreza infantil."?


A revolução é hoje!