sexta-feira, agosto 28, 2009

- Ó Zé, olha a fita!

Woody Guthrie, autor, intérprete, da canção que podemos escutar no final deste texto, foi um anarcossindicalista de princípios de século - à semelhança daqueles que há 88 anos fundaram essa semente de justiça que é o meu partido, o Partido Comunista Português, um crítico do fascismo e da exploração do homem pelo homem. Conhecido maioritariamente pelo tema “This land is your land”, não sendo esse, contudo, o conteúdo do vídeo.
Falamos neste compositor, chave, do folk norte-americano, por motivos que nos podem suscitar interesse sobre; a outros dar a conhecer, uma obra cinematográfica que retrata uma época com severas similitudes com aquela que experimentamos, e que, considerando que a história não se repete, mesmo com contornos distintos, nos poderá servir de suporte de inflexão, alertando-nos também sobre a necessidade de assumirmos como fundamental alterar substancialmente a nossa relação com o mundo. Referimo-nos às “Vinhas da Ira”, de Steinbeck, realizada por John Ford em 1940.
Neste filme, em primeira análise uma crónica da proletarização do campesinato norte-americano, no início da grande depressão de 1929, é-nos permitido analisar certas contradições, que, também hoje, depois de um sonho realizado, nos indicam que o mesmo não cristalizou, e assim, de quão importante se revela fomentar a luta e o nosso esclarecimento como povo.
Ao regressar a casa, depois de cumprir uma sentença por homicídio - mau começo para o credenciar, Thomas Joad, filho de uma família de pequenos agricultores arrendatários de Oklahoma, mulheres e homens que lavravam o pão regado com maresia, encontra que a sua família, e as vizinhas, tinham sido expulsas das terras que aravam.
Encontrando-se estas num momento de abandono; mais na moribunda fase após negação, inspirando a resignação suficiente no caminho da emigração para a Califórnia, para essa famigerada “Route 66”, Joad encontra-se numa encruzilhada, sem possibilidade de reencontrar a sua esfera sociocultural. Mais, quando figuras fulcrais desse tempo, e sobretudo desse espaço, como o suposto intelectual dessa estrutura, o pregador Casy, o qual, depois de informar que abandonara o seu próprio plano, responde à estupefacção de John: - não tenho mais sobre que pregar, só isso! Uma reacção, ou reflexo que, junto com a desoladora vastidão da sua pequena casa e com a identificação de objectos considerados supérfluos para os exulados, mas que memorizavam parte de uma vida, o afirma desgarrado do seu ser pelo capitalismo.
Num diálogo com Muley Graves, um autoproclamado louco, jazendo impotente abnegado e considerando-se um fantasma num cemitério abandonado, alguém que não abdicou do seu sonho mesmo desconhecendo que o capitalismo transforma os homens na sua própria sombra enquanto se dispõem a desmentir sozinhos essa correlação, coloca-lhe, desde a sua condição, a seguinte questão: - de quem é a culpa? Questão a qual, como era de esperar, encontrou o mutismo como resposta.
Concluindo, John e o pregador, assim como uma comunidade substituída por máquinas, tomam determinado caminho, que, ainda que diferente ao de Muley, os levará a viver a loucura de outros.
Desta obra, elaboramos então este relato analítico e, analogicamente, encontramos os sem-terra do Brasil (sem deparar, porém - seguramente pelo seu momento, distinto no desenvolvimento de classe, referências aos escravos sul-americanos que geram mil milhões de doláres como mercadoria e que alcançam já o milhão e trezentos mil seres humanos). Encontramos a urgência de uma reforma agrária para o nosso País, evitando que em poucos anos, àparte de uma Califórnia Europeia onde os Portugueses não sejam mais que vidas serventes, a nossa costa se limíte a permitir o acesso a quem o compre e os nossos campos se tornem num enorme e transgénico "Monsanto". Encontramos a legitimação do programa eleitoral do meu Partido, a sua aposta pelo fomentar do cooperativismo; pelo abandono desta Europa de povos subjugados aos desígnios imperialistas, através de uma corja governante subserviente. Mas, encontramos também o 25 de Abril. Encontramos o 25 de Abril como prova de que o capitalismo é o suficientemente imperfeito para criar as condições subjectivas necessárias para que os trabalhadores, aqueles que pisam em cada passo com toda a sua riqueza, alcancem a emancipação que requer a decisão de mudar de rumo. Para que, de uma vez por todas, acreditem que sim é possível. Para que conheçam no empirismo, ou num filme de 1976, de Ettore Scola, “Feios, porco e maus”, que existe o lumpemproletariado que não observa qualquer condição de classe, esse que vende o que não é para chegar a roubar o que não tem.
Prescindir do “medo de assumir as consequências das suas decisões” torna-se hoje vital. Um incontornável esforço para garantir a nossa liberdade, o futuro da espécie, o sorriso e a alegria da juventude que mesmo arrugada pela gelada neve respeita as nascentes dos rios onde bebemos a existência, só nos elevará enquanto Homens.
O desenvolvimento histórico do modo de produção capitalista, por outra parte, tem pois um objectivo composto por três factores que o tornam incompatível com o mundo do qual fazemos parte, exploração, acumulação, expropriação. Nessa linha, vale a pena frisar que, qualquer debilitar do agravamento da crise económica - que será sempre periódico, menos frequente e cada vez mais inconsistente, magnificado pelos manipuladores meios ao serviço deste sistema, só será possivel apropriando-se do resultado da entrega da força de trabalho de diferentes gerações de Mulheres e Homens, os quais, com base nessa (agora revelada) mentirosa promessa de garantias de subsistência por parte do Estado, entregaram parte de si para agora compensar os promotores deste paradigma. Este, onde cada vez existirão menos ricos e se multiplicarão os oprimidos.
Contra essa lacra, contra a precarização, a retirada de direitos às populações, pela vida:

terça-feira, agosto 25, 2009

segunda-feira, agosto 24, 2009

domingo, agosto 23, 2009

quinta-feira, agosto 20, 2009

18 Anos

Deveria ser hoje maior de idade a entrega da União Soviética por parte de Gorbatchov, não é!
A luta para a implementação de diferentes sistemas que conduzam a uma realidade Socialista, 18 anos depois da entrega de um Povo, de uma cultura, ao imperialismo, partidos comunistas em diferentes latitudes continuam a polarizar a vontade dos trabalhadores para transformar o sonho em vida.
Distintas sociedades transmitem hoje um exemplo de como mudar para melhorar. As populações que apostaram na inclusão de partidos comunistas na governação, ou confiaram nos Comunistas para organizar as suas relações enquanto Povo, experimentam progressos que nunca seriam possiveis num paradigma capitalista.

A revolução é hoje!

terça-feira, agosto 18, 2009

Las Hurdes, tierra sin pan - II

Verificando que muitos miúdos, que crescíam por essas terras, cresciam como que numa fábrica de força de trabalho.
Aqui fica a segunda de três partes deste documentário de Buñuel:

sábado, agosto 15, 2009

Las Hurdes, tierra sin pan - I

Em 1932 Buñuel afasta-se da corrente especulativa do surrealismo, aproximando-se à ala comunista do movimento, colaborando com a Associação de Escritores e Artistas Revolucionários. Entre Abril e Maio roda o documentário "Las Hurdes, tierra sin pan", tendo o mesmo sido proibido pela censura por considerá-lo ultrajante para Espanha.

(Ver em ecrã completo)

sexta-feira, agosto 14, 2009

BE

A este respeito é extremamente característico que todos os elementos intermédios acusem como causa de cada um desses movimentos ambas as forças determinadas de classe, tanto o proletariado como a burguesia. Vede os socialistas-revolucionários e os mencheviques: suando sangue, berram e gritam que os bolcheviques, com os seus extremismos, ajudam a contra-revolução, ao mesmo tempo que reconhecem repetidamente que os democratas-constitucionalistas (com os quais formam um bloco no governo) são contra-revolucionários. «Delimitarmo-nos — escrevia ontem o Delo Naroda — com um profundo fosso de todos os elementos de direita, incluindo o belicoso Edinstvo (com o qual, acrescentamos nós, os socialistas-revolucionários formaram um bloco nas eleições) — tal é a nossa tarefa mais urgente.»
Te tuve

Te tuve cuando eras dulce,
acariciado mundo.
Realidad casi nube,
¡cómo te me volaste de los brazos!
Ahora te siento nuevamente.
No por tu luz, sino por tu corteza,
percibo tu inequívoca presencia,
...agrios perfiles, duros meridianos,
¡áspero mundo para mis dos manos!


Todo amor es efímero

Ninguna era tan bella como tú
durante aquel fugaz momento en que te amaba...

mi vida entera.

Ángel González

terça-feira, agosto 11, 2009

Manipulando??

Será, manipulação, formatação, amedrontamento do Povo, prácticas ditatoriais, que um pasquim de ampla difusão se utilize por parte do governo para justificar a compra massiva de Tamiflu??

Num jornal utilizado pelo PS/D para baralhar a população:

“Em declarações à agência Lusa, Pinto Monteiro, que se encontra de férias, afirma que à tarde vai comunicar com o vice-procurador-geral da República para analisar as denúncias da ministra. "Todos os dias a Procuradoria-Geral da República analisa os casos em que pode estar em causa um crime público, pelo que esta situação, denunciada pela ministra, será também alvo de análise quando falar com o vice-PGR", explica Pinto Monteiro.
A ministra da Saúde referiu segunda-feira que foram identificados "comportamentos anti-sociais" de pessoas que se recusam a cumprir as medidas de controlo da gripe A (H1N1) ou declaram mesmo a intenção de propagar a doença.
Em conferência de imprensa de balanço da progressão da epidemia em Portugal, Ana Jorge afirmou que o Estado "não pode ser Polícia nem prender as pessoas", mas garantiu que os casos a que se refere "estão identificados".
A ministra referia-se concretamente a adultos que, nos centros de atendimento, se recusaram a pôr a máscara de protecção e a mães que declararam que levariam os filhos às urgências dos hospitais para contagiar outras pessoas, uma vez que as suas crianças também tinham sido infectadas.
Em causa pode estar o crime de propagação de doença contagiosa, punida com prisão entre 1 a 8 anos se for de forma deliberada, e até cinco anos em caso de negligência.”

Horas depois, no mesmo institucionalizado pasquim Português:

Em nota divulgada ao fim da tarde, a Procuradoria-geral da República refere que "a propagação de doença contagiosa é um crime público que pode ser praticado com dolo (intenção) ou por negligência. Todos os que exercem funções públicas (nos hospitais, centros de saúde, etc...) estão obrigados por lei a denunciar factos de que tenham conhecimento relacionados com a propagação de doença contagiosa. O Ministério Público investigará todas as denúncias que forem apresentadas. Aguarda-se que sejam comunicados factos concretos".

Lá fora:

“Um estudo hoje publicado na edição online do "British Medical Journal" revela que os medicamentos antivirais como o Tamiflu não devem ser prescritos a crianças, uma vez que a incidência dos efeitos secundários destes fármacos é mais intensa. A ministra da Saúde, Ana Jorge, garante que as conclusões "não se aplicam" em Portugal.”

Cada vez se torna mais dificil apostar pela credibilidade do centrão, sobretudo depois de ver este vídeo:

segunda-feira, agosto 10, 2009

sexta-feira, agosto 07, 2009

Hora da bóia... ou do tacho!

Quatro anos e meio depois do início da legislatura, 49 deputados renunciaram ao mandato. Muitos trocaram o Parlamento por lugares na direcção ou administração de empresas. Pina Moura, Fernando Gomes, João Cravinho e António Pires de Lima são alguns deles.

Do PS, Pina Moura já era administrador da Iberdrola, mas deixou o Parlamento quando assumiu o cargo de administrador da Media Capital. Fernando Gomes também trocou a cadeira no Parlamento por um lugar na administração da Galp.

Já Jorge Coelho saiu para a presidência da Mota-Engil e João Cravinho saiu de São Bento para o Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento, em Londres.

Da bancada do PSD, renunciaram ao mandato nomes como Marques Mendes ou Nuno Morais Sarmento.

No CDS, António Pires de Lima saiu de São Bento para a liderança da Unicer.

Só do Partido Socialista saíram 24 deputados. Do PSD foram 17. Mas, proporcionalmente, o CDS foi o partido com mais renúncias, já que elegeu 12 deputados, dos quais cinco renunciaram.



A revolução é hoje!

segunda-feira, agosto 03, 2009

domingo, agosto 02, 2009

Acesso a Tróia condicionado

Só unidos poderemos evitar o roubo do nosso País, só unidos expulsaremos a corja que prescinde da constituição de Abril.
Depois de receber por email, em Espanha, uma oferta promocional para visitar um complexo em Tróia, uma urbanização na qual se pagavam os "T2" por seiscentos mil euros, pus-me a imaginar o que hoje, uma vez mais através do "Avante!", se constata como realidade, como Portugal e o património de todos nós, se vende ao capital.

Ler esta noticia é mobilizar:

A Sonae quer... O governo obedece

O PCP considera inaceitável o que se passa com a travessia fluvial do Sado entre Setúbal e Tróia. Em comunicado da Comissão Concelhia de Setúbal, de 19 de Julho, distribuído massivamente aos utentes dos barcos, os comunistas denunciam o aumento brutal dos preços daquele transporte: as viaturas ligeiras, pelas quais se pagava 5,70 euros, custam agora 9,50 euros; a tarifa dos passageiros aumentou de 1,30 para 2 euros. Ou seja, uma família de quatro pessoas, sem qualquer viatura, tem que pagar 16 euros para ir à praia. E só para passar o rio. Também as bicicletas, que antes não eram cobradas, passaram a sê-lo. A tudo isto acresce o facto de a localização do terminal do barco, em Tróia, ter sido alterada, passando para junto da base militar. O novo terminal, denuncia o PCP, dista cerca de quatro quilómetros e meio da praia, o que obriga os utentes a uma de duas soluções: ou levar viatura própria ou utilizar um autocarro, com o consequente aumento de custos. O novo trajecto fluvial tem também elevadas consequências ambientais, realçam os comunistas: não só a distância percorrida pelos barcos duplica, como no seu trajecto atravessam as zonas de alimentação e reprodução dos roazes, pondo em risco a sobrevivência desta comunidade de golfinhos no Sado, única no País.Na opinião dos comunistas, por trás destas alterações está a intenção da Sonae, proprietária do Tróia Resort, de «impedir o acesso a Tróia por parte daqueles que durante anos foram os seus utilizadores, as populações da península e do concelho de Setúbal». O objectivo do grupo de Belmiro de Azevedo será tornar «um recurso que é de todos num local privado e reservado às elites». Os comunistas lembram ainda que, ao contrário do que a Sonae se tinha comprometido, ainda não está em funcionamento o antigo ferry-boat que permitia o acesso directo às praias. Se é este o objectivo da Sonae, o que parece cada vez mais claro, não é menos grave, para o PCP, a conivência do Governo em todo este processo, permitindo o aumento dos preços da travessia fluvial e nada fazendo para que seja reposto o antigo trajecto. O PCP, que desde sempre manifestou as suas preocupações acerca da instalação do complexo turístico Tróia Resort¸ reafirma, no comunicado distribuído, as suas dúvidas acerca da legalidade das operações urbanísticas. Que se avolumam, garante, quando é a «própria promotora do empreendimento a anunciar que grande parte das construções se encontram implantadas sobre sistemas dunares e areias não consolidadas». Bem como em zonas balneares que eram, há poucos anos, de livre utilização e circulação públicas.