quinta-feira, outubro 29, 2009

Acerca do Infantilismo "de Esquerda" e do Espírito Pequeno-Burguês


«No decurso da Primavera e Verão próximos — escrevem os 'esquerdas' nas suas teses — deve começar a derrocada do sistema imperialista que, no caso de vitória do imperialismo alemão na actual fase da guerra, só poderá ser adiada e se exprimirá então em formas ainda mais agudas.»

A formulação é aqui ainda mais infantilmente imprecisa, não obstante todo o jogo ao científico. É próprio de crianças «compreender» a ciência como se ela pudesse determinar em que ano, na Primavera e no Verão ou no Outono e no Inverno, «deve» «começar a derrocada».

São esforços ridículos para saber o que não se pode saber. Nenhum político sério dirá alguma vez quando «deve começar» esta ou aquela derrocada do «sistema» (tanto mais que a derrocada do sistema já começou, e do que se trata é do momento da explosão nos diferentes países). Mas através da impotência infantil da formulação abre caminho uma verdade indiscutível: as explosões da revolução noutros países mais avançados estão mais perto de nós agora, um mês depois da «trégua» iniciada com a conclusão da paz, do que estavam há um mês ou mês e meio.

E então?

Então tinham inteira razão e foram já justificados pela história os partidários da paz, os que tentaram meter na cabeça dos que gostam de atitudes espectaculares que é necessário saber calcular a correlação de forças e não ajudar os imperialistas, facilitando-lhes o combate contra o socialismo quando o socialismo é ainda fraco e as probabilidades de êxito do combate são evidentemente desfavoráveis para o socialismo.

sábado, outubro 24, 2009

Uma questão de classe

Com a cordialidade que todos merecemos, até prova contrária, este post reserva-se a determinada classe.
SINDICATO DAS INDÚSTRIAS ELÉCTRICAS
DO SUL E ILHAS
Av. Almirante Reis, 74 G, 4º, 5º,7º-1150 - 020 Lisboa
Telefone: 21 816 15 90 - Fax: 21 816 16 39

Pela revogação do Artº 161º da Lei nº 98/2009 Reuniões com portadores de doença profissional, em situação de baixa

  • Dia 29 de Outubro, às 11 e 17 horas – União dos Sindicatos de Setúbal
  • A Direcção do SIESI vai realizar, no próximo dia 29 de Outubro, reuniões com trabalhadores portadores de doença profissional em situação de baixa médica com o objectivo de os informar dos efeitos da entrada em vigor, em 1 de Janeiro de 2010, da Lei 98/2009, designadamente da possibilidade de os patrões recusarem a prestação do trabalho e accionarem um mecanismo que pode conduzir à cessação dos contratos de trabalho, sem quaisquer direitos. As reuniões decorrem nas instalações da União dos Sindicatos de Setúbal, sitas na Rua Silva Porto, nº6, em Setúbal.

A Lei 98/2009 foi publicada no dia 4 de Setembro. Este diploma (que regulamenta o Código do Trabalho em matéria de acidentes de trabalho e doenças profissionais) prevê, no seu Artº 161º, a “impossibilidade patronal de assegurar ocupação ou função compatível” aos sinistrados e portadores de doenças profissionais, o que conduziria a que os trabalhadores ficassem a cargo do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e dos Centros de Emprego para serem “apoiados” na procura de soluções alternativas de reintegração profissional.


Na prática isto quer dizer que os trabalhadores poderiam ficar desvinculados das empresas onde contraíram as lesões e incapacidades para o trabalho, sem qualquer indemnização, ficando a cargo do IEFP, sem que a lei defina por quanto tempo nem a fazer o quê, até serem reintegrados profissionalmente, o que, diga-se, a lei também não define o que é.

Na verdade, os patrões poderão passar a dispor, a partir de 1 de Janeiro, do mecanismo que sempre reclamaram que é o depois de estropiarem os trabalhadores poderem mandá-los embora e substituí-los por outros que, por falta de medidas de prevenção, irão ser novos portadores de doença profissional.

O SIESI opõe-se firmemente a esta lei e, através de audiências pedidas aos grupos parlamentares e ao governo, vai exigir a revogação do Artº 161º da Lei, que estabelece aquele mecanismo. Aos trabalhadores, sinistrados ou portadores de doença profissional e a todos os outros, compete dar corpo às iniciativas do nosso sindicato e ampliar o protesto e a exigência da revogação daquela norma.

Daí que, nesta primeira etapa, seja necessário que difundas esta informação e participes nas reuniões de 29 de Outubro. E que contactes outros trabalhadores, na mesma situação, convidando-os também a participar. Impedimos, antes, a criação deste mecanismo de despedimento. Vamos impedir, agora, que este entre em vigor.



21 de Outubro de 2009

A Direcção

sexta-feira, outubro 23, 2009

Começa o extermínio!



É muito importante ver o vídeo com atenção e, já agora, dar uma vista de olhos por aqui: Crimes de farmacêuticas!

quinta-feira, outubro 22, 2009

Resultado da aposta pela continuidade

"A Delphi vai cortar 500 postos de trabalho efectivos num total de 930, na unidade da Guarda, até Março do próximo ano. A informação foi transmitida esta quarta-feira aos funcionários da empresa de cablagens, confirmou o «SOL» junto da administração.
A redução de actividade foi o argumento apresentado pela Delphi para justificar o corte na força laboral da fábrica da Guarda.
A saída dos trabalhadores da empresa de componentes para o sector automóvel, um dos maiores empregadores do distrito da Guarda, será faseada. A primeira leva será de 300 trabalhadores, até ao final deste ano. Os restantes 200 funcionários irão sair até ao fim de Março de 2010.
Quanto a eventuais dispensas em outras unidades, a empresa escusou-se a fazer qualquer comentário."

Por outra parte, no "Avante!":

"No dia a seguir às eleições autárquicas, a administração da Qimonda Portugal, em conjunto com o administrador de insolvência, anunciou o despedimento de 590 trabalhadores que estavam em regime de lay-off.

Este número, que no dia seguinte foi «corrigido» para 490, é, ainda assim, muito superior aos 230 anunciados na assembleia de credores realizada no dia 29 – ou seja, apenas dois dias depois das eleições legislativas. Neste momento, trabalham na Qimonda cerca de 200 operários, sendo que os restantes – já menos de 800 – estão em lay-off.
No mesmo dia, o presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, Basílio Horta, considerou este despedimento como já estando previsto no plano de viabilização da empresa, não explicando, porém, a diferença de número de trabalhadores abrangidos pelo despedimento. Em declarações à TSF, este responsável voltou a garantir que a empresa não fechará.
Num comunicado de dia 13, a Comissão Sindical do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Eléctricas do Norte e Centro (STIENC/CGTP-IN) questiona a «boa-fé do processo em curso, que, a nosso ver, foi travado propositadamente para que esta decisão de continuar a despedir trabalhadores da Qimonda não fosse coincidente com o período eleitoral, respondendo a incompreensíveis interesses político-partidários». A comissão sindical lamenta que o ministro da Economia não tenha respondido ainda ao pedido de reunião feito pelo sindicato.
Considerando que o processo de despedimento agora apresentado «ultrapassa em muito o que era sugerido no plano de insolvência», a Comissão Sindical exige que o Governo intervenha no sentido de evitar os despedimentos e salvaguardar os interesses do País.
No comunicado sindical, a Comissão Sindical lembra a evolução dos despedimentos na Qimonda, desde que se abriu o processo de insolvência, em Janeiro deste ano – empregava então 2 mil trabalhadores. O primeiro passo, lembra-se, foi o despedimento de 400 trabalhadores contratados a prazo. A seguir, foram mais 600, entre os quais os restantes trabalhadores precários.
Dos mil que ficaram, 810 passaram para a situação de lay-off e 190 ficaram a fazer a manutenção técnica dos equipamentos. Tarefa para a qual foram chamados, mais tarde, 40 trabalhadores. Ficaram, assim, 230 nesta situação.
Durante o Verão, mais 180 trabalhadores da Qimonda foram para o desemprego, através das chamadas «rescisões por mútuo acordo». Com o despedimento anunciado na segunda-feira, vão embora os «restantes», ficando a empresa com apenas 230 trabalhadores, «porque precisa deles para fazerem a manutenção dos equipamentos»."

Menos de 1 mês depois das eleições, mais de 1000 trabalhadores para o desemprego. Continua resultando alheio ao nosso micro-cosmos?

quarta-feira, outubro 21, 2009

terça-feira, outubro 20, 2009

Operação de Publicidade???

Segundo a conferência episcopal, o novo livro de Saramago não passa disso mesmo, uma mera operação de publicidade. Vendo o seguinte vídeo, poderiamos então afirmar que, mais que um escritor, Saramago sempre foi um publicitário, ou não?

Não obstante, poderiam porém, outro tipo de afirmações, colocá-lo como elemento publicitário, tipo placard de campanha?


A revolução é hoje!

domingo, outubro 18, 2009

Cresce o desemprego e o nº de desempregados sem direito a subsídio

" O almoço do trolha - Júlio Pomar"

"Rodas paradas de uma engrenagem caduca"

"O chamado desemprego registado, ou seja, o total dos desempregados inscritos nos Centros de Emprego, é apenas uma parte dos desempregados que existem no nosso país (os que não se inscrevem nos centros de emprego não são considerados). Mas mesmo sendo uma parte dos desempregados existentes, entre Agosto de 2008 e Agosto de 2009, o seu número passou de 389.944 para 501.663 empregados, ou seja, aumentou num ano em 111.719 (+28,7%). Neste número não estão incluídos nem os "ocupados" (25.246 em Agosto de 2009), que são "trabalhadores ocupados em programas especiais de emprego", portanto na sua maioria de emprego de curta duração, nem os desempregados em formação, nem os "indisponíveis temporariamente" (14.584 em Agosto de 2009), que incluem também "desempregados que não reúnem condições imediatas para o trabalho por motivos de saúde". E mesmo assim, para que o aumento não fosse ainda maior, foram eliminados 535.217 desempregados (em média, 44.601 desempregado por mês dos ficheiros dos Centros de Emprego no período Setembro/2008 a Agosto/2009.

Enquanto o desemprego registado aumentou 111.719 entre Agosto/2008 a Agosto/2009, o numero de desempregados a receber subsidio de desemprego cresceu apenas 62.017 no mesmo período, o que determinou que, em Agosto de 2009, apenas 46% dos desempregados inscritos nos Centros de Emprego recebessem subsidio de desemprego. Por outro lado, o número de desempregados a receber subsidio social de desemprego, que é atribuído quando o desempregado não tem direito a receber subsidio de desemprego e não tenha recursos para viver, e cujo valor é significativamente inferior ao subsidio de desemprego, aumentou, entre Agosto de 2008 e Agosto de 2009, em 42% abrangendo neste último mês já 107.412 desempregados.

De acordo com dados divulgados no "site" do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, em 2009, o valor médio do subsidio de desemprego é de 519,56 euros, o do subsidio social de desemprego inicial de 322,41 euros (62% do subsidio de desemprego), o do subsidio social de desemprego subsequente de 344,45 euros (66,3% do subsidio de desemprego) e o do subsidio social de desemprego - prolongamento (6 meses nos termos do DL 6872009) é de 290,79 euros (56% do subsidio de desemprego). Portanto, o valor do subsidio social de desemprego é significativamente inferior ao valor do subsidio de desemprego, e mesmo inferior ao limiar de pobreza. O governo de "Sócrates I" , ao procurar substituir o subsidio de desemprego pelo subsidio social de desemprego, como prova o Decreto-Lei 68/2009, atirou milhares de desempregados (actualmente mais de 107.000) para uma situação de pobreza.

Face à exclusão de um elevado numero de desempregados do acesso ao subsidio de desemprego, e devido também ao crescimento do desemprego e, consequentemente, também da pobreza (segundo o INE, em 2008, já 35% dos desempregados tinham um rendimento inferior ao limiar da pobreza) é urgente alterar a actual lei do subsidio de desemprego (Decreto-Lei 220/2006, publicada pelo governo "Sócrates I"), reduzindo, mesmo que seja temporariamente durante a crise, o período de garantia para que mais desempregados tenham acesso ao subsidio de desemprego, nomeadamente os trabalhadores atingidos pela precariedade crescente, sendo também necessário aumentar o período de tempo em que o desempregados tem direito a receber o subsidio de desemprego nomeadamente os trabalhadores mais velhos e os com família. O apoio aos jovens, cuja pobreza está a aumentar, nomeadamente os dos grupos populacionais com mais baixos rendimentos terá de ser também analisado e encontradas formas adequadas de apoio. É uma obrigação para o novo governo corrigir a grave injustiça que se verifica neste campo, em que centenas de milhares de famílias enfrentam já dificuldades crescentes para sobreviver.

Eugénio Rosa"

Quantas liberdades, vidas, devem submeter-se pela fome, para que outros, exploradores, troquem por estas, milhões, as suas varridas migalhas de kilo?

quinta-feira, outubro 15, 2009

Somos muitos, muitos mil...

"O português está em Itália para apresentar o livro "O Caderno", que compila os textos que escreveu entre Setembro de 2008 e Março deste ano no seu blogue, sobre temas da actualidade, entre outros. E sobre isso Saramago reconheceu que a crise da democracia pode dever-se à ausência de empenhamento de escritores e intelectuais.

O escritor alertou ainda que «está a crescer o fascismo» na Europa e está convencido de que nos próximos anos «atacará com força». «Temos de preparar-nos para enfrentar o ódio e a sede de vingança que os fascistas estão a alimentar», recomendou. «Apesar de ser claro que se apresentarão com máscaras pseudo-democráticas, algumas das quais circulam já entre nós, não devemos deixar-nos enganar», concluiu."

José Saramago - Roma - 14-10-2009 - 21:30

terça-feira, outubro 13, 2009

Finalmente..

Soares assume-se e considera, por exclusão, que o PS nunca foi um partido de esquerda: «outro facto importante é que as autárquicas mostraram que o partido de esquerda mais sólido é o Partido Comunista e não o Bloco de Esquerda»

Ler aqui

segunda-feira, outubro 12, 2009

domingo, outubro 11, 2009

quinta-feira, outubro 01, 2009

Adaptação



Os governos, ao haverem perdido o seu equilibrio, estão assustados, intimidados e sumidos na confusão pelos gritos das classes intermedias da sociedade, que, colocadas entre os reis e seus súbditos, rompem o ceptro dos monarcas e usurpam a voz do povo.

Adaptação da carta de METTERNICH ao Czar, 1820




A revolução é hoje!