quarta-feira, dezembro 30, 2009

Isto anda tudo ligado

Nesta noticia do público podemos observar como a direita (entenda-se PS e parceiros) manipula a linha que separa a barbárie do paradigma que por todos se considera o ideal para a sociedade mas pelo qual se furta de lutar a egoista burguesia.

Sabemos que uma revolução se torna mais tangível no horizonte de quem o não tem, quando, motivada pela contradição fundamental do capitalismo, a burguesia, essa socialista e que nessa suposição adoptaría tal decisão devido à preocupação única pela manutenção dos seus interesses de classe, se incorpora à luta dos trabalhadores.
Assim sendo, e em linha com a doctrina de Bernstein, o social democrata partido socialista considerou pertinente salvaguardar os interesses do BPN, utilizando recursos que por demais carece qualquer âmbito público que se fundamente na prestação de serviços primários à população - estes especialmente e não querendo transmitir a ideia de que existe alguma área sem déficit - e, maiormente gravosa tal política se nos situamos no actual contexto sócio-económico nacional.
Sem esquecer que, simultâneamente, foi triplicando a nossa dependência alimentar do exterior numa relação directamente proporcional à erosão do tecido productivo neste campo e num desempenho inversamente ajustado ao investimento público, elementos essenciais para a defesa da soberania, a qual, com a entrada em vigor do tratado de Lisboa, com a entrega do direito de decisão aos 6 países que efectivamente detêm 70% desse privilégio numa europa de 6 grandes potencias e de 21 empresas externalizadas, vai determinando o futuro daqueles que seguramente incrementariam a dissonância contra esta aberração, o cada vez maior número de emigrantes que se encontram (apelando a Soeiro) como "rodas paradas de uma engrenagem caduca", vazios de objectivos e de pão para a boca, nesta marisma Portuguesa.

Por outra parte, prescindiu de "salvar" o BPP, consciente do perfil específico da sua carteira e assumindo que, devido à sua dimensão; ao nível de esclarecimento e consciencialização daqueles que a integram, não constituiria reforço suficiente às aspirações, lutas, mas, sobretudo, à voz do explorados que pugnam pela mudança.

Assim, mesmo que para tal não se admitam os argumentos anteriores, não se torna contudo complicado ratificar esta observação dos factos se atender-mos a questões paralelas que não deixarão, certamente, de pesar significativamente no motivo de tal pendor:

1º- Existe algum vínculo entre a SLN e o BPN?
2º- Existe algum vínculo entre cavaco e a SLN?
3º- Existe algum vínculo entre soares e carlucci?
4º- Existe algum vínculo entre carlucci e a Carlyle?
5º- Existe algum vínculo entre a Carlyle e a sede da SLN?

Por quanto tempo?

Não acredito que alguém tenha dados suficientes para responder a tal questão. Não obstante - e sem pretender recorrer a qualquer tipo de futurologia, durante 2010 poderemos observar; padecer, o efeito global da aposta daqueles aos quais prestam vassalagem os governantes Portugueses. A previsível queda da banca, desde este sustentado mas fictício patamar de estagnação económica (que aparentemente e devido ao típico medo de assumir a realidade se interpreta como um "down-sizing" e não passa de um "squeeze-out"), que a partir do início do 2º semestre (Q3), trará importantes repercussões no aumento da dívida das famílias e da insolvência das mesmas; no esgotamento da capacidade de alavancamento das PMME's; no desemprego; na usurpação de mais garantias outrora conquistadas pelo Povo; na concentração do capital e finalmente, curiosamente de forma extraordinária nos chamados países centrais e a finais do desse mesmo período, na polarização de massas coesas em torno a iniciativas que visem a inadiável mudança, mudança vital, mudança que reclamará, sem dúvida, o compromisso de todos e cada um de nós.

Bom Ano Novo!

A revolução é hoje!

terça-feira, dezembro 29, 2009

E no entanto Move-se

O profundo silêncio das flores
é um lugar de ausência. Vazia moldura
para o vôo das aves, linha oscilante
de ligeira névoa
que nada revela do que talvez esconda.

Egito Gonçalves

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Natal

Nem Marcos, no primeiro evangelho, se referia à infância de Cristo!

Nem mais.
Porque razão começa o ano no dia 1 de Janeiro, quando, supostamente, o "senhor" nasceu no dia 25 de Dezembro?
Não era esta a data atribuída pelos romanos para o solstício de inverno, para o "renascer" do Sol?
Não é verdade que no antigo oriente não se recordavam as datas de nascimento?
Não defendem os evangelistas que a gruta na qual nasceu o "senhor" era um templo de Adónis, posteriormente anexado pela igreja católica?
Não é verdade que existe um "Da pasha computus" de 243, no qual se determina o dia 28 de Março como data do nascimento?
Não é verdade que depois de "Origens" (245), no qual se renunciava a festejar dito acontecimento como se de um rei se tratasse, e aceitando que o catolicismo "tinha pernas para andar", os discipulos de Basílides decidiram fixar a data de 6 de Janeiro como correcta?
Não era esta a data da epifânia (aparição) de Osíris, ou de Dionísio, seu correspondente para os Gregos, sendo objectivo da seita gnóstica semi-cristã de ditos discípulos perpetuar a devoção aos seus deuses, assumindo que o cristianismo crescia e que, não podendo com esta melhor seria ir à montanha?
No era Dionísio que, ao renascer, fazia manar vinho da ilha de Andros, ou Osíris, que ao aparecer no Nilo transformava as suas aguas em Vinho?
Não era esta a data na qual o sol abandonava a constelação de Virgo?
Não era esta a data na qual, na Alexandria, a Virgem dava à luz o seu filho Aião, eterno homólogo de Osíris e Dionísio?
Não era nesta data, também na Alexandria, que os fiéis terminavam as suas preces e desciam à cripta para retirar uma estátua de uma criança que tinha como marcas na testa, nas mãos e nos joelhos, uma cruz e uma estrela de ouro?
Não consagrou Alexandre Magno, em 331, Alexandria a Aião, em ordem a preservar a eternidade da cidade?
Já em 170, não foi Melitão de Sardes que comparou Cristo com Hélios?
Não se defendia anteriormente que o Sol, criador de toda a vida, que havia subido ao céu, se banhava com as estrelas e a lua, nas aguas do oceano?
Não é verdade que no século IV, em todo o oriente cristão, se celebrava já o dia 6 de Janeiro?
Não é verdade que o papa Siricio, desde a cadeira de Pedro e depois de decidir oficialmente que as festas cristãs eram a páscoa e a epifânia, decide também, em 387, que o dia 6 passava a significar a "Natividade"?
Não denominam os Antropólogos como "Sincretismo" um fenómeno deste tipo?

Mas como se passou essa celebração a dia 25?
Não era "Mitra" o deus do sol na cultura Persa?
Não era "Mitra", também, o deus do Sol na cultura Indiana?
Ainda que o "Mitraismo" remonte aos séculos VII e VI, não é verdade que conheceu um importante impulso durante o século II pelos mesmos romanos que mantinham legiões na India?
Não compartiam, o Mitraismo e o Cristianismo, elementos comuns como a "redenção", a "salvação das almas" e que, ambas religiões, pugnaram no século II por se constituirem como religiões dominantes num império que deixava de ser politeísta?
Não era depois das saturnálias romanas que os "Mitraistas" celebravam o renascimento de "Mitra", 25 de Dezembro?
Não continuavam os Povos bárbaros (não romanizados) a celebrar o solstício no dia 25 de Dezembro?
Não era Malaquías que escrevia na biblia que o Messias era o "Sol da justiça"?
Não era a 25 de Dezembro que os romanos festejavam o "Sol invicto", dirigindo-se a um santuário para sacar à luz a figura de uma criança recêm-nascida?
Não é verdade que o solstício dura 12 noites, de 25 de Dezembro a 6 de Janeiro?
Não é durante este período que os "reinos" dos mortos e dos vivos se comunicam, segundo as culturas céltica, germana, índica ou romana?
Não era este período, também, segundo as mesmas culturas, período no qual se celebrava o renascimento do sol por este não haver perecido ao frio inverno?
Não é verdade que o rito de celebração desse acontecimento se identifica bastante com o actual rito cristão, velas, etc?
Não foi gregório I que ordenou a agostinho de cantorbery e a melitus, destruir as figuras dos templos pagãos e paradoxalmente, proteger ditos templos, ou consagrar a agua que os pagãos traziam, promovendo a mentira do quão bom era cristo e quão equivocado estava o Povo?
Não era essa uma forma de evitar sacrificar os "prazeres exteriores" e facilitar simultâneamente a "assimilação de outros gozos espirituais"?
Não foi entre 395 e 423, com Honório, no ocidente, que se começou por celebrar a 25 de Dezembro, e oficialmente, o natal como festa religiosa, reservando a epifânia (até 440) à chegada dos reis magos?
Não foi o papa leão magno que começou a revisão da doctrina anterior, celebrando o dia dos "Magos" a 6 de Janeiro, comemorando ao mesmo tempo, em Milão, ambrósio, no mesmo dia, o baptizado de cristo?
Não foi no século V que a epifânia passou a considerar-se a festa dos 3 milagres: O baptismo do Jordão; a adoração dos "Magos" e a transformação da agua em vinho?
Não é verdade que com o "Concílio de Agde", em 506, se decidiu finalmente a sua imposição, levada a cabo por justiniano em 529?
Não tinha referido mateu, na biblia, um número indeterminado de sábios que se aproximavam a Belém guiados por uma misteriosa estrela (que não a que brilhava na estátua anteriormente mencionada)?
Não é verdade que "Magi" é uma palavra indoeuropeia que permite uma alusão aos sacerdotes persas que mantinham o culto em Jerusalém e gozavam de enorme influência na zona?
Não é verdade que, da mesma forma que em lucas, Mitra, "nascido" a 25 de Dezembro, tinha sido alvo de adoração de pastores e que estes também lhe haviam realizado oferendas?
Não é verdade que hoje se celebra o nascimento físico de jesús a 25 de Dezembro e o espiritual a 6 de Janeiro, mediando 12 apóstoles... Dias, entre ambas datas?


Feliz Natal e não se esqueçam de tomar abrigo, ao contrário daqueles pastores que em Dezembro pastavam os seus rebanhos dormindo ao relento!

A revolução é hoje!

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Em solidariedade

"CAMARADAS E AMIGOS


HOJE DIA 21 DE DEZEMBRO DE 2009 A PJ ENTROU NA MINHA CASA COM UM MANDATO PARA REVISTAR TODA A MINHA CASA E APREENDER TODOS OS MEUS COMPUTADORES, COMO SE EU FOSSE UM CRIMINOSO PEDÓFILO OU LADRÃO DE BENS PÚBLICOS COMO OS QUE ME ACUSAM O SÃO OU PELO MENOS ESTÃO DE CONLUIO COM ESSES.


ESTOU A SER VÍTIMA DE DELITO DE OPINIÃO SOB CAPA DE TER CHAMADO NAZI À EX-GOVERNADORA DE SETÚBAL


O PS COMPROVA DESTA FORMA SER UM PARTIDO DE ÍNDOLE PERSECUTÓRIA QUE PERSEGUE QUEM O CRITICA E USA OS INSTRUMENTOS DO ESTADO COMO O MINISTÉRIO PÚBLICO À LAIA DE VINGANÇA, VIA QUEM QUER QUE SEJA, NESTE CASO A EX-GOVERNADORA DE SETÚBAL, PARA CALAR QUEM DISCORDE DA SUA POLITICA E POLÍTICOS.


ESTOU CONSTITUÍDO ARGUIDO PARA TODOS OS EFEITOS DE DELITO DE OPINIÃO.


AINDA FUI INFORMADO DE QUE TENHO O MEU TELEFONE SOB ESCUTA COM AUTORIZAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO.


EM BREVE SEGURAMENTE SEREI UM PRESO POLÍTICO COM CAPA DE QUALQUER COISA.


SALAZAR AO PÉS DESTES SENHORES ERA UM MENINO.


AGRADEÇO QUE ESPALHEM E EXPONHAM AO MÁXIMO ESTA SITUAÇÃO


DENUNCIEM-NA, ELA FAZ PROVA DE QUE O PS É UM PARTIDO FASCISTA E REPRESSOR


ABRAÇO
--
Luís Lopes"

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Adriano

Quem poderá domar os cavalos do vento
Quem poderá domar este tropel
Do pensamento à flor da pele?

Quem poderá calar a voz do sino triste
Que diz por dentro do que não se diz
A fúria em riste do meu país?

Quem poderá proibir estas letras de chuva
Que gota a gota escrevem nas vidraças
Pátria viúva a dor que passas?
Pátria viúva a dor que passas?

Quem poderá prender os dedos farpas
Que dentro da canção fazem das brisas
As armas harpas que são precisas?
As armas harpas que são precisas?

sábado, dezembro 12, 2009

Descanso

Cirurgião plástico da terra, paisagem
-Internacional é chique! a crédito...
Soberania, e coragem?
Transnacional o mérito, e o rédito!
La récolte, deserta pastagem.

Domador de medos, Doctor em história pelo suão
Transporta para terra segredos, dança com redes de arrastão
Piratas, corsários, violadores: -Peixe fresco, nacional!
Arribam ao porto actores, voltam de Portugal!

Nem das vacas tens já tetas,
nem nos campos oliveiras
Poder vazio de ascetas.
Lusos, de pastores
Freiras!

Mendigo de tradição
Dorido, combalido, sem estridencias, sem gemido
Perdido, nepote sem mão.
Sem procurar olhar de frente,
Escutar, lutar, ombro a ombro,
Irmão!


A revolução é hoje!

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Ensaio

Tenho a impressão de não ser real,
se calhar nem sequer cá existo
Ao ver quão volátil,
É o valor de tudo isto.

Não passa de uma massa animada,
que se levanta com o sol e se deita sozinha
Que nasce livre e acompanhada, que morre triste, cansada,
Sem história para uma linha.

A quantidade de vidas entregues a qualquer postor,
sem o mais minimo atisbo de rancor
Com medo de sonhar, destruidos pela tv,
sem esperança de mudar, quem tem fome não lê.

Filhos de pais, filhos da mãe,
também os há filhos da puta,
mas contra estes nada feito,
nasçam homens para a luta!

-Não vales uma pá de areia!
-Areia há muita, pá!

E segue, continua a negação
Um caminho sem volta
Um resultado indiferente
Sem objectivo marcado
Sem direito à afirmação
Será chuva, será gente?

Golos, atentados
Alegria, tristeza
Pão encima,
debaixo da mesa
Uma vida incerta
Imposta certeza?


A revolução é hoje!

domingo, novembro 29, 2009

O prelúdio para o fim do jogo

A economia dos EUA irá entrar numa espiral vertiginosa nos próximos meses e atingirá o seu ponto crítico no fim do primeiro trimestre de 2010 e explodirá no segundo trimestre.

Os maciços milhões de milhões de dólares de estímulo não conseguiram dar a volta à economia. A gigantesca transfusão de sangue pode ter mantido o paciente vivo, mas há numerosos sinais de falência de muitos órgãos.

Vai haver outra vaga de penhoras de propriedades residenciais e, mais importante ainda, de propriedades comerciais no final de Dezembro e inícios de 2010. E as propriedades penhoradas em 2009 vão levar a preços rebaixados quando chegarem ao mercado. Os valores das habitações e estabelecimentos comerciais vão cair a pique. Os balanços dos bancos vão ficar feios e quaisquer que sejam os "lucros registados" nos últimos dois trimestres de 2009 não serão suficientes para cobrir a tinta vermelha adicional.

Perante esta situação, será que o Fed vai continuar a comprar garantias apoiadas em hipotecas para estimular os mercados? O Fed já gastou milhões de milhões a comprar as hipotecas Fannie Mae e Freddie Mac sem qualquer possível comprador substituto à vista. Por isso, o balanço do Fed é tão tóxico como o dos bancos "demasiado grandes para falir" que socorreu.

Nestas circunstâncias, não faz sentido que haja quem afirme que o pior já passou e que a economia global está a caminho da recuperação.

E o sinal mais seguro de que nada está bem com os grandes bancos, é o recente discurso do presidente do Federal Reserve Bank of New York, William Dudley, em Princeton, New Jersey, quando disse que o Fed vai reduzir o risco duma futura crise de liquidez concedendo um "escudo" a firmas solventes com colaterais suficientes.

Este aviso e garantia merece uma análise mais aprofundada. Primeiro, é uma contradição afirmar que uma firma solvente com colaterais suficientes poderá de facto deparar-se com uma crise de liquidez para justificar a necessidade de um pedido de ajuda ao Fed. Na verdade é o reconhecimento de que os bancos não estão suficientemente capitalizados e que, quando forem atingidos de novo pela segunda vaga do tsunami, não haverá confiança nenhuma.

Dudley disse mesmo que, "o banco central pode funcionar como o prestamista de último recurso… [e isso reduzirá] o risco do pânico estimulado pela incerteza entre os prestamistas quanto ao que outros credores possam pensar".

Para pôr as coisas cruamente, o que ele está a dizer é que o Fed se vai esforçar por evitar a repetição do colapso do Bear Stearns, da Lehman Bros e da AIG. É também uma indicação de que os restantes grandes bancos estão em dificuldades.

É interessante notar que um relatório da Bloomberg no início de Novembro revelou que o Citigroup Inc e o JP Morgan Chase têm vindo a acumular dinheiro líquido. O primeiro quase duplicou o seu stock de dinheiro para 244,2 mil milhões de dólares. No caso do segundo, o amontoar de dinheiro atingiu os 453,6 mil milhões de dólares. Contudo, perante esta acumulação nos principais bancos, o New York Federal Reserve Bank teve que tranquilizar a comunidade financeira de que está pronto a injectar uma liquidez maciça para escorar o sistema.

Não deve surpreender ninguém que o valor do dólar esteja a apontar para o Sul.

Quando as divisas se degradam, aumenta a volatilidade no mercado de acções. Mas os ganhos não compensam os riscos e se ainda existir alguém no mercado, serão varridos no 1º trimestre de 2010. O S&P [2] pode ter aumentado desde o início do ano em mais de 25 por cento mas foi ultrapassado pelo ouro. Os ganhos também ficaram atrás da taxa de inflação oficial dos EUA. Na verdade constituíram um retorno total após inflação de aproximadamente menos de 25 por cento. Quando Meredith Whitney observou que "Não sei o que é que se passa no mercado neste momento, porque para mim não faz sentido", é altura de sair do mercado rapidamente.

Num relatório para os seus clientes a Société Générale [3] avisou que a dívida pública seria enorme nos dois anos seguintes – 105 por cento do PIB no Reino Unido, 125 por cento nos EUA e na Europa e 270 por cento no Japão. A dívida global deveria atingir os 45 milhões de milhões de dólares.

Estas dívidas vão ter que ser pagas um dia. Como é que vão ser pagas?

Se formos atrás do que Bernanke tem andado a pregar e a praticar, significa que será criada mais divisa de papel higiénico para pagar as dívidas.

Em consequência disso, a desvalorização das divisas vai continuar o que agravará ainda mais as tensões existentes entre as economias em competição. E quando os credores se fartarem desta vigarice do papel higiénico, podem esperar reacções violentas!


22/Novembro/2009

sábado, novembro 28, 2009

Poeta castrado não!

Serei tudo o que disserem

por inveja ou negação:

cabeçudo dromedário

fogueira de exibição


teorema corolário

poema de mão em mão

lãzudo publicitário

malabarista cabrão.


Serei tudo o que disserem:

Poeta castrado não!


Os que entendem como eu

as linhas com que me escrevo

reconhecem o que é meu

em tudo quanto lhes devo:


ternura como já disse

sempre que faço um poema;

saudade que se partisse

me alagaria de pena;


e também uma alegria

uma coragem serena

em renegada poesia

quando ela nos envenena.


Os que entendem como eu

a força que tem um verso

reconhecem o que é seu

quando lhes mostro o reverso:


De fome já não se fala

- é tão vulgar que nos cansa -

mas que dizer de uma bala

num esqueleto de criança?


Do frio não reza a história

- a morte é branda e letal -

mas que dizer da memória

de uma bomba de napalm?


E o resto que pode ser

o poema dia a dia?

- um bisturi a crescer

nas coxas de uma judia;


um filho que vai nascer

parido por asfixia?!

- Ah não me venham dizer

que é fonética a poesia!


Serei tudo o que disserem

por temor ou negação:

Demagogo mau profeta

falso médico ladrão


prostituta proxeneta

espoleta televisão.

Serei tudo o que disserem:


Poeta castrado, não!


Ary dos Santos - 1973

domingo, novembro 22, 2009

sábado, novembro 21, 2009

Desemprego já atinge 696,9 mil portugueses e apenas 350,8 mil recebem subsídio

O INE acabou de publicar os dados do desemprego relativos ao 3º Trimestre de 2009. E esses dados mostram que a situação é pior do que aquela que o governo e os seus defensores pretendem fazer crer, e que as medidas tomadas pelo governo são claramente insuficientes.

No 3º Trimestre de 2009, o desemprego oficial atingia 547,7 mil portugueses. Mas o desemprego oficial não inclui a totalidade dos desempregados. No número oficial de desemprego, não estão incluídos aqueles, que embora na situação de desemprego, não procuraram emprego no mês em que foi feito o inquérito, por estarem, por ex., desencorajados. E também não estão considerados no número oficial de desempregados, todos os desempregados que, para sobreviverem, fizeram um pequeno "biscate", por exemplo de uma hora.

Se somarmos ao desemprego oficial os desempregado que não são considerados no cálculo do número oficial de desempregados, obtemos para o 3º Trimestre de 2009, 696,9 mil desempregados e uma taxa efectiva de desemprego de 12,3% (a taxa oficial é apenas 9,8%, embora na região Norte a taxa oficial seja 11,6%, em Lisboa e Algarve 10,3%, no Alentejo 10,2%), portanto os valores do desemprego efectivo são bastante superiores aos números oficiais de desemprego que são divulgados pelos media.

No fim do 3º Trimestre de 2009, o número de desempregados a receber o subsídio de desemprego era apenas de 350,8 mil, o que correspondia somente a 64,1% do numero oficial de desempregados, e somente a 50,3% do numero efectivo de desempregados.

Isto significa que entre 196,9 mil e 346,1 mil desempregados não recebiam subsídio de desemprego. E daqueles 350,8 mil que estavam a receber o subsídio de desemprego, 112 mil recebiam o subsídio social de desemprego, cujo valor é inferior ao limiar de pobreza (354€ por mês – 14 meses). A medida anunciada pelo 1º ministro na Assembleia da República de redução do prazo de garantia vai apenas permitir a mais 10.000 desempregados receberem subsídio de desemprego. É uma medida claramente insuficiente face à gravidade e à dimensão da situação. É urgente adaptar a lei do subsídio de desemprego à actual situação, o que o governo se tem recusado a fazer.

Outros aspectos graves também ligados ao mercado de trabalho, são a crescente destruição líquida de emprego e a precariedade em que se encontra uma parte numerosa da população empregada. Entre o 3º Trimestre de 2008 e o 3º trimestre de 2009, o emprego total passou de 5.191,8 mil para 5.017,5 mil, o que significa que neste período se verificou uma destruição liquida de emprego calculada em 178,3 mil postos de trabalho, sendo 58,5 mil só no 3º Trimestre de 2009. Por outro lado, a precariedade está a aumentar pois, entre 2005 e 2009, passou de 26,5% para 29% da população empregada, encontrando-se com emprego precário, no 3º Trimestre de 2009, pelo menos 1.452.600 portugueses.

A destruição liquida de emprego tem atingido mais fortemente determinadas profissões. De acordo com os dados divulgados pelo INE, entre o 3º Trimestre de 2008 e o 3º Trimestre de 2009, a destruição liquida de emprego atingiu 178,3 mil postos de trabalho, mas 104,5 mil foram postos de trabalho de "operários, artífices e trabalhos similares", e 79,1 mil de "trabalhadores não qualificados". São fundamentalmente estes dois grupos profissionais que estão a ser mais atingidos pela destruição de emprego. No entanto, interessa já referir, que no 3º Trimestre de 2009 começou a verificar-se destruição líquida de emprego em profissões de escolaridade e qualificação mais elevada. Entre o 2º Trimestre e o 3º Trimestre de 2009, o número de postos de trabalho de "quadros superiores do sector privado e da administração pública" diminuiu em 31,8 mil; o de "especialistas de profissões intelectuais e científicas" reduziu-se em 23,2 mil; e o de "Técnicos profissionais de nível intermédio" a redução atingiu 27,8 mil. Só nestas três profissões, que são de qualificação mais elevada, a destruição líquida de emprego no 3º Trimestre de 2009 atingiu 82,8 mil postos de trabalho. O emprego mais qualificado começou também a ser destruído, pondo-se assim em causa o desenvolvimento do País.

por Eugénio Rosa

(A forma de reduzir os 121% de encargos do estado sobre o PIB, é agora (depois da venda das empresas que tinham vindo a evitar este descalabro), a venda das participações que restam e daquelas que o país ainda detém. Mais uma medida de mote neoliberal, sobretudo se pensarmos que os impostos destas, uma vez na mão do privado, se reduzem de forma quase inversamente relacionada com o preço dos bens que produzem - por exemplo a água. Tudo isto para gerar contrapartidas num valor pouco superior a 10% dos actuais encargos e por isso incapaz de criar figuras positivas no curto prazo. Sendo que, no longo prazo, vai debilitar ainda mais toda a economia, aumentando o número de desempregados sem subsídio, reduzindo as prestações sociais, tais como a saúde ou a educação. Em suma, acentuando a tónica de empobrecimento do Povo.
Fundamental será nacionalizar, sem meiguice, nacionalizar a banca, as grandes empresas, a saúde e a educação, para além de outras variadissimas áreas vitais para o desenvolvimento de Portugal e dos Portugueses, como seguradoras, latifúndios, indústria pesada ou transportes. Para já, começamos com uma diminuição no período de cobertura por desemprego)

A revolução é hoje!

sexta-feira, novembro 20, 2009

Exterminio - Acto I

A mutação

Cientistas Noruegueses detectam mutação no vírus H1N1

Scientists in Norway announced Friday they had detected a mutated form of the swine flu virus in two patients who died of the flu and a third who was severely ill, the most recent report of mutations in the virus that are being watched closely for any change that could make it more dangerous.

This Story
Norwegian scientists detect mutated form of swine flu
Full coverage on the swine flu outbreak
In a statement, the Norwegian Institute of Public Health said the mutation "could possibly make the virus more prone to infect deeper in the airways and thus cause more severe disease," such as pneumonia.

The institute said there was no indication that the mutation would hinder the ability of the vaccine to protect people from becoming infected or impair the effectiveness of antiviral drugs in treating people who became infected.

Scientists have analyzed about 70 viruses from confirmed Norwegian swine flu cases and found the mutation in only those three patients, Geir Stene-Larsen, the institute's director general, said in the statement.

"Based on what we know so far, it seems that the mutated virus does not circulate in the population, but might be a result of spontaneous changes which have occurred in these three patients," the statement said.

A top U.S. health official said the mutation was no reason for alarm.


"I don't think that it yet has the public health implications that we worry about," said Anne Schuchat, director of the federal Centers for Disease Control and Prevention's Center for Immunization and Respiratory Diseases. Schuchat noted that some patients have gotten severely ill, including developing pneumonia, after being infected with strains of the virus without the mutation.

The World Health Organization said viruses with a similar mutation had been detected in several other countries, including Brazil, China, Japan, Mexico, Ukraine and the United States. "No links between the small number of patients infected with the mutated virus have been found and the mutation does not appear to spread," the WHO said in a statement.

The Norwegian institute has been analyzing H1N1 virus from "a number of patients as part of the surveillance of the pandemic flu virus," and has detected several mutations, the statement said. While the existence of mutations is normal, and most "will probably have little or no importance . . . one mutation has caught special interest."

The two patients who had the mutation and died were the first swine flu fatalities in Norway. The third patient found to have the mutated form of the virus also became severely ill.

Several flu experts said that the mutation should not cause widespread alarm. "Influenza is a mutable virus, and changes are to be expected," said Arnold S. Monto of the University of Michigan in an e-mail. "This is typical early in the spread of a pandemic virus."

Scientists around the world have been tracking the virus carefully for any signs that it had mutated into a more dangerous form. While a variety of mutations have been detected, most have not appeared to have affected the virus in any significant way. There have been some mutations that make the virus more resistant to antiviral drugs, experts said, but -- like the mutation that may cause more severe illness -- those, too, seem self-contained.

"It is, at the moment, reassuring that this appears not to be spreading," said William Schaffner, of Vanderbilt University. He said mutations that make episodes of swine flu more severe are most dangerous only if they are "easily transmissible." "That's a different characteristic," Schaffner said. "And apparently that does not appear to have happened to this virus. It does not seem to be spreading in the general population."

Detection of the mutation should be reassuring, Schaffner said, because it illustrates the intensity of the global effort to monitor the virus. "The virologists are keeping an eye on H1N1 and this is evidence of that," Schaffner said. "We should be pleased the virologists are doing such a good job of tracking this flu virus."

The CDC, meanwhile, is investigating a cluster of four cases of patients at the Duke University Medical Center in Durham, N.C., who were found to be infected with H1N1 virus that was resistant to the antiviral drug Tamiflu. All four patients were treated with another antiviral drug, known as Relenza.

The news of virus mutations came as the level of flu activity in the United States appeared to be declining. The number of states reporting widespread flu activity dropped from 46 to 43 in the past week, and had dropped in all 10 regions across the country, the CDC said.

But Schuchat said flu cases were still rising in some states and it was too soon to know whether activity would surge again. Officials were especially worried about the upcoming Thanksgiving holiday, when many people would be traveling and families will be gathering, increasing the chances of the virus spreading.

Nada que não estivesse anunciado, aqui.

Sensibilidade



Sensibilidade

Que sensibilidade me sobe
da passada adolescência?
Que agudeza dos sentidos
me perturba a consciência?

Surge do desencanto
um mundo a que me abandono.
Tranqüilo e caricioso
como um sol de Outono.

A cor, a luz, as formas,
sinto-as de coração novo!
Em tudo desconheço
uma experiência que renovo.

Como quem sai
duma longa doença,
deslumbrado e comovido
pela convalescença.

João José Cochofel

sábado, novembro 14, 2009

Semi-Deus?


Flutuando a custo, depois do naufrágio da embarcação na qual trabalhava, o católico maquinista desesperado mas convicto, responde aos marinheiros de um cargueiro que se aproximou para o resgatar: -Agradeço a amabilidade mas não será necessário que me salveis, Deus o fará!

Algumas horas depois, entumecido pelo frio que provoca a asfixia de permanecer submergido durante largos períodos, aproxima-se um veleiro, o qual, lançando-lhe - antes mesmo de se poder aproximar a uma distancia que permitisse o diálogo - uma bóia de salvamento, manobra para recolher o aflito pelo costado de barlavento. Desperto pela agitação que o impacto da cortiça provocara, num giro do olhar, depara-se com uma mão a ponto de o agarrar, exclama este: -Não, não, Deus me salvará. Não!

Havendo demonstrado uma fé cega naquele que escolheu como senhor do seu destino, eis que o ruído de um fora-de-borda reanima um ser já quase sem vida, entregue aos desígnios do seu medo, aquele que o impediu aceitar que, uma vez mais, os pescadores de um arrastão de largo o recolhessem para a lancha de apoio, o que significaria provavelmente romper com a sua incutida crença espiritual.

Acabando por falecer no meio do vasto Oceano, que neste caso nem sequer revelou a sua imensidão se atendermos ao número de oportunidades que este usufruiu por estar numa rota muito navegada, num posterior e surrealista encontro com o seu Deus, ao dar-se conta que havia abandonado o mundo dos vivos (quase todos), interpela o "Criador" com a seguinte questão: -Então Senhor, com a fé que em si depositei, achou por bem deixar-me morrer, não me atendeu quando era necessário, pequei tanto como para merecer este fim?
Num timbre atronador e reductor quanto baste da capacidade de se questionar daquele indivíduo, responde dita divindade: -Três oportunidades, achas pouco?

quinta-feira, novembro 12, 2009

Pórtico

(Diego Rivera)

Outros serão
os poetas da força e da ousadia.
Para mim
— ficará a delicadeza dos instantes que fogem
a inutilidade das lágrimas que rolam
a alegria sem motivo duma manhã de sol
o encantamento das tardes mornas
a calma dos beijos longos.
(Um ócio grande. Morre tudo
dum morrer suave e brando...

Que os outros fiquem com o seu fel
as suas imprecações
o seu sarcasmo.
Para mim
será esta melancolia mansa
que me é dada pela certeza de saber
que a culpa é sempre minha
se as lágrimas correm ...

João José Cochofel

domingo, novembro 08, 2009

Outubro

Rebanho??

Sobre a questão dos chip que o governo pretende obrigar os Portugueses a instalar nos seus automóveis.
Depois das diversas considerações publicitadas pelos distintos partidos, é sem dúvida a do PCP aquela que mais se aproxima à realidade. Contudo, atribuir o motivo da promulgação de mais esta medida de repressão governativa ao objectivo único de cobrar portagens com mais facilidade resulta algo superficial, lembrando quase um bitoque sem ovo.
Além da efectiva possibilidade de tornar mais efectiva e menos dispendiosa, a cobrança dessa dupla tributação que deriva da passagem pelas diversas portagens que cada dia mais proliferam pela nossa paisagem, como que substituindo as oliveiras que a “querida” Europa nos obrigou a arrancar impondo assim mais uma medida no sentido da destruição da nossa agricultura, a incorporação de um artefacto desse tipo naquilo que muitos consideram uma prolongação da sua casa pode interpretar-se de muitas outras formas, sem que que por tal tropecemos em qualquer espécie de teoria conspirativa.
Como questões alarmantes, àparte da mesma lei, poderiamos encontrar mais uma violação da constituição de Abril, enquanto o Povo se estima inocente até prova contrária. Ampliando a perspectiva sobre as múltiples possibilidades de control que um chip pode proporcionar, poderiamos imaginar como seria um país com leitores electrónicos em cada esquina – quando não por satélite -, permitindo perseguir os movimentos de todos aqueles cidadãos que por qualquer motivo se mostrassem contrários à ideologia imperante, daqueles que se negam a negar a sua existencia ou que preterem situar-se dentro do redil imposto pelo imperialismo cada vez mais opressor, e, sem descurar que com essa possibilidade de control, também a efectivação da aplicação de acções repressivas estaria demagógicamente legitimada. Basta supôr que, depois de identificados como subversivos, o seguimento dos Portugueses e a sua interpelação para, através das mais diversas razões, exercer uma coacção legal que poderia até acabar na privação efectiva da liberdade, seria extremamente simples, bastando implementar um sistema de informação similar ao norte-americano.
Por outra parte, temos aspecto económico, o investimento público brutal que mais não serve, e isto segundo a versão oficial do governo, que para permitir aos consórcios que exploram as nossas estradas aumentar a capacidade de espólio dos trabalhadores, mostra como o PS, mais uma vez, assume uma política de “maria vai com as outras”, apostando pelo anti-ambientalista uso do transporte privado em lugar de aplicar estes recursos ao melhoramento da rede de transportes públicos e melhorando a qualidade de vida no nosso país. Em suma, aproveitando mais uma vez os nossos impostos para beneficiar o privado, mesmo em detrimento da população, como “business-as-usual” do nacional corporativismo.
Poderiamos, ainda assim, contrapôr a esta crítica a “magnifica” construção do “RAVE”, que, não sendo “party”, resulta divertida se observarmos com algum cuidado a globalidade do projecto, aceite parcialmente como necessário, dificilmente se justifica em determinados trajectos internos e menos quando o modelo pendular permite poupar vários milhões de euros tão necessários ao desenvolvimento real do nosso caduco, mermado e agonizante tecido productivo, à manutenção da rede sanitária ou à solvência do sistema de cobertura social.
A juntar à vergonhosa aplicação da receita fiscal em prol do privado que efectivamente conduz a política no nosso Portugal, o actual governo, mesmo fomentando o despedimento colectivo assim como destruindo qualquer direito conquistado depois de 48 anos de escravatura, obriga-nos agora a pagar também, dos míseros salários/esmola que trocamos pela vida, o negócio imposto pelos seus patrões.
Contra esta ignominia, é vital potenciar o esclarecimento através da células de trabalhadores nas empresas, incrementar a acção sindical, reafirmando que é possivel mudar, e que hoje, como desde há quase 90 anos, existe a força capaz de o fazer, a nossa força, o Partido Comunista Português.

sábado, novembro 07, 2009

Trepanação

Doente, o médico.
Diferente, a sociedade.
Infantil, os cordeiros.
Feliz, a verdade.

Molde, uma moeda.
Criminoso, o metal.
Perversa, a solidão.
Vital, a identidade.

Mentira, a opulência.
Rebelde, a vontade.
Terapia, o abandono.
Essência, a liberdade.

Inconsciência, a cura.
Amor, o futuro.
Covardia, a luta.
25 anos, a necessaria realidade.

(Anónimo)

Pintas?

(Pipas - Cândido Portinari)

As Solicitações e Emboscadas
Pode-se pintar com óleo
com petróleo
ou aguarrás

Mas pode-se também pintar com lágrimas
silenciosas

No desprezo das horas odiosas
tanto faz


Mário Dionísio

segunda-feira, novembro 02, 2009

Parcial?

"O Homem é sempre parcial e tem muita razão. A própria imparcialidade é parcial, pertence ao partido dos imparciais."

Lichtenberg



Citação de José Manuel Jara, in "O render dos ideais - Políticas do discurso"

domingo, novembro 01, 2009

Pão para a boca

Quando levada a um grau extremo, a pauperização, diminuindo a capacidade de trabalho e pondo em perigo a reprodução da força de trabalho, compromete a continuidade da produção. Daí preocupações e investigações da burguesia e dos seus estadistas, economistas, higienistas e técnicos. Daí estudarem a situação alimentar, fixarem as despesas mínimas que podem permitir às famílias de trabalhadores "manterem as suas condições de saúde e de capacidade de trabalho", organizarem "dietas satisfatórias" — ou seja, em resumo, estabelecerem as rações adequadas à conservação e reprodução de uma mercadoria indispensável no processo de produção.

sábado, outubro 24, 2009

Uma questão de classe

Com a cordialidade que todos merecemos, até prova contrária, este post reserva-se a determinada classe.
SINDICATO DAS INDÚSTRIAS ELÉCTRICAS
DO SUL E ILHAS
Av. Almirante Reis, 74 G, 4º, 5º,7º-1150 - 020 Lisboa
Telefone: 21 816 15 90 - Fax: 21 816 16 39

Pela revogação do Artº 161º da Lei nº 98/2009 Reuniões com portadores de doença profissional, em situação de baixa

  • Dia 29 de Outubro, às 11 e 17 horas – União dos Sindicatos de Setúbal
  • A Direcção do SIESI vai realizar, no próximo dia 29 de Outubro, reuniões com trabalhadores portadores de doença profissional em situação de baixa médica com o objectivo de os informar dos efeitos da entrada em vigor, em 1 de Janeiro de 2010, da Lei 98/2009, designadamente da possibilidade de os patrões recusarem a prestação do trabalho e accionarem um mecanismo que pode conduzir à cessação dos contratos de trabalho, sem quaisquer direitos. As reuniões decorrem nas instalações da União dos Sindicatos de Setúbal, sitas na Rua Silva Porto, nº6, em Setúbal.

A Lei 98/2009 foi publicada no dia 4 de Setembro. Este diploma (que regulamenta o Código do Trabalho em matéria de acidentes de trabalho e doenças profissionais) prevê, no seu Artº 161º, a “impossibilidade patronal de assegurar ocupação ou função compatível” aos sinistrados e portadores de doenças profissionais, o que conduziria a que os trabalhadores ficassem a cargo do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e dos Centros de Emprego para serem “apoiados” na procura de soluções alternativas de reintegração profissional.


Na prática isto quer dizer que os trabalhadores poderiam ficar desvinculados das empresas onde contraíram as lesões e incapacidades para o trabalho, sem qualquer indemnização, ficando a cargo do IEFP, sem que a lei defina por quanto tempo nem a fazer o quê, até serem reintegrados profissionalmente, o que, diga-se, a lei também não define o que é.

Na verdade, os patrões poderão passar a dispor, a partir de 1 de Janeiro, do mecanismo que sempre reclamaram que é o depois de estropiarem os trabalhadores poderem mandá-los embora e substituí-los por outros que, por falta de medidas de prevenção, irão ser novos portadores de doença profissional.

O SIESI opõe-se firmemente a esta lei e, através de audiências pedidas aos grupos parlamentares e ao governo, vai exigir a revogação do Artº 161º da Lei, que estabelece aquele mecanismo. Aos trabalhadores, sinistrados ou portadores de doença profissional e a todos os outros, compete dar corpo às iniciativas do nosso sindicato e ampliar o protesto e a exigência da revogação daquela norma.

Daí que, nesta primeira etapa, seja necessário que difundas esta informação e participes nas reuniões de 29 de Outubro. E que contactes outros trabalhadores, na mesma situação, convidando-os também a participar. Impedimos, antes, a criação deste mecanismo de despedimento. Vamos impedir, agora, que este entre em vigor.



21 de Outubro de 2009

A Direcção

quinta-feira, outubro 22, 2009

Resultado da aposta pela continuidade

"A Delphi vai cortar 500 postos de trabalho efectivos num total de 930, na unidade da Guarda, até Março do próximo ano. A informação foi transmitida esta quarta-feira aos funcionários da empresa de cablagens, confirmou o «SOL» junto da administração.
A redução de actividade foi o argumento apresentado pela Delphi para justificar o corte na força laboral da fábrica da Guarda.
A saída dos trabalhadores da empresa de componentes para o sector automóvel, um dos maiores empregadores do distrito da Guarda, será faseada. A primeira leva será de 300 trabalhadores, até ao final deste ano. Os restantes 200 funcionários irão sair até ao fim de Março de 2010.
Quanto a eventuais dispensas em outras unidades, a empresa escusou-se a fazer qualquer comentário."

Por outra parte, no "Avante!":

"No dia a seguir às eleições autárquicas, a administração da Qimonda Portugal, em conjunto com o administrador de insolvência, anunciou o despedimento de 590 trabalhadores que estavam em regime de lay-off.

Este número, que no dia seguinte foi «corrigido» para 490, é, ainda assim, muito superior aos 230 anunciados na assembleia de credores realizada no dia 29 – ou seja, apenas dois dias depois das eleições legislativas. Neste momento, trabalham na Qimonda cerca de 200 operários, sendo que os restantes – já menos de 800 – estão em lay-off.
No mesmo dia, o presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, Basílio Horta, considerou este despedimento como já estando previsto no plano de viabilização da empresa, não explicando, porém, a diferença de número de trabalhadores abrangidos pelo despedimento. Em declarações à TSF, este responsável voltou a garantir que a empresa não fechará.
Num comunicado de dia 13, a Comissão Sindical do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Eléctricas do Norte e Centro (STIENC/CGTP-IN) questiona a «boa-fé do processo em curso, que, a nosso ver, foi travado propositadamente para que esta decisão de continuar a despedir trabalhadores da Qimonda não fosse coincidente com o período eleitoral, respondendo a incompreensíveis interesses político-partidários». A comissão sindical lamenta que o ministro da Economia não tenha respondido ainda ao pedido de reunião feito pelo sindicato.
Considerando que o processo de despedimento agora apresentado «ultrapassa em muito o que era sugerido no plano de insolvência», a Comissão Sindical exige que o Governo intervenha no sentido de evitar os despedimentos e salvaguardar os interesses do País.
No comunicado sindical, a Comissão Sindical lembra a evolução dos despedimentos na Qimonda, desde que se abriu o processo de insolvência, em Janeiro deste ano – empregava então 2 mil trabalhadores. O primeiro passo, lembra-se, foi o despedimento de 400 trabalhadores contratados a prazo. A seguir, foram mais 600, entre os quais os restantes trabalhadores precários.
Dos mil que ficaram, 810 passaram para a situação de lay-off e 190 ficaram a fazer a manutenção técnica dos equipamentos. Tarefa para a qual foram chamados, mais tarde, 40 trabalhadores. Ficaram, assim, 230 nesta situação.
Durante o Verão, mais 180 trabalhadores da Qimonda foram para o desemprego, através das chamadas «rescisões por mútuo acordo». Com o despedimento anunciado na segunda-feira, vão embora os «restantes», ficando a empresa com apenas 230 trabalhadores, «porque precisa deles para fazerem a manutenção dos equipamentos»."

Menos de 1 mês depois das eleições, mais de 1000 trabalhadores para o desemprego. Continua resultando alheio ao nosso micro-cosmos?

terça-feira, outubro 20, 2009

Operação de Publicidade???

Segundo a conferência episcopal, o novo livro de Saramago não passa disso mesmo, uma mera operação de publicidade. Vendo o seguinte vídeo, poderiamos então afirmar que, mais que um escritor, Saramago sempre foi um publicitário, ou não?

Não obstante, poderiam porém, outro tipo de afirmações, colocá-lo como elemento publicitário, tipo placard de campanha?


A revolução é hoje!

domingo, outubro 18, 2009

Cresce o desemprego e o nº de desempregados sem direito a subsídio

" O almoço do trolha - Júlio Pomar"

"Rodas paradas de uma engrenagem caduca"

"O chamado desemprego registado, ou seja, o total dos desempregados inscritos nos Centros de Emprego, é apenas uma parte dos desempregados que existem no nosso país (os que não se inscrevem nos centros de emprego não são considerados). Mas mesmo sendo uma parte dos desempregados existentes, entre Agosto de 2008 e Agosto de 2009, o seu número passou de 389.944 para 501.663 empregados, ou seja, aumentou num ano em 111.719 (+28,7%). Neste número não estão incluídos nem os "ocupados" (25.246 em Agosto de 2009), que são "trabalhadores ocupados em programas especiais de emprego", portanto na sua maioria de emprego de curta duração, nem os desempregados em formação, nem os "indisponíveis temporariamente" (14.584 em Agosto de 2009), que incluem também "desempregados que não reúnem condições imediatas para o trabalho por motivos de saúde". E mesmo assim, para que o aumento não fosse ainda maior, foram eliminados 535.217 desempregados (em média, 44.601 desempregado por mês dos ficheiros dos Centros de Emprego no período Setembro/2008 a Agosto/2009.

Enquanto o desemprego registado aumentou 111.719 entre Agosto/2008 a Agosto/2009, o numero de desempregados a receber subsidio de desemprego cresceu apenas 62.017 no mesmo período, o que determinou que, em Agosto de 2009, apenas 46% dos desempregados inscritos nos Centros de Emprego recebessem subsidio de desemprego. Por outro lado, o número de desempregados a receber subsidio social de desemprego, que é atribuído quando o desempregado não tem direito a receber subsidio de desemprego e não tenha recursos para viver, e cujo valor é significativamente inferior ao subsidio de desemprego, aumentou, entre Agosto de 2008 e Agosto de 2009, em 42% abrangendo neste último mês já 107.412 desempregados.

De acordo com dados divulgados no "site" do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, em 2009, o valor médio do subsidio de desemprego é de 519,56 euros, o do subsidio social de desemprego inicial de 322,41 euros (62% do subsidio de desemprego), o do subsidio social de desemprego subsequente de 344,45 euros (66,3% do subsidio de desemprego) e o do subsidio social de desemprego - prolongamento (6 meses nos termos do DL 6872009) é de 290,79 euros (56% do subsidio de desemprego). Portanto, o valor do subsidio social de desemprego é significativamente inferior ao valor do subsidio de desemprego, e mesmo inferior ao limiar de pobreza. O governo de "Sócrates I" , ao procurar substituir o subsidio de desemprego pelo subsidio social de desemprego, como prova o Decreto-Lei 68/2009, atirou milhares de desempregados (actualmente mais de 107.000) para uma situação de pobreza.

Face à exclusão de um elevado numero de desempregados do acesso ao subsidio de desemprego, e devido também ao crescimento do desemprego e, consequentemente, também da pobreza (segundo o INE, em 2008, já 35% dos desempregados tinham um rendimento inferior ao limiar da pobreza) é urgente alterar a actual lei do subsidio de desemprego (Decreto-Lei 220/2006, publicada pelo governo "Sócrates I"), reduzindo, mesmo que seja temporariamente durante a crise, o período de garantia para que mais desempregados tenham acesso ao subsidio de desemprego, nomeadamente os trabalhadores atingidos pela precariedade crescente, sendo também necessário aumentar o período de tempo em que o desempregados tem direito a receber o subsidio de desemprego nomeadamente os trabalhadores mais velhos e os com família. O apoio aos jovens, cuja pobreza está a aumentar, nomeadamente os dos grupos populacionais com mais baixos rendimentos terá de ser também analisado e encontradas formas adequadas de apoio. É uma obrigação para o novo governo corrigir a grave injustiça que se verifica neste campo, em que centenas de milhares de famílias enfrentam já dificuldades crescentes para sobreviver.

Eugénio Rosa"

Quantas liberdades, vidas, devem submeter-se pela fome, para que outros, exploradores, troquem por estas, milhões, as suas varridas migalhas de kilo?

quinta-feira, outubro 15, 2009

Somos muitos, muitos mil...

"O português está em Itália para apresentar o livro "O Caderno", que compila os textos que escreveu entre Setembro de 2008 e Março deste ano no seu blogue, sobre temas da actualidade, entre outros. E sobre isso Saramago reconheceu que a crise da democracia pode dever-se à ausência de empenhamento de escritores e intelectuais.

O escritor alertou ainda que «está a crescer o fascismo» na Europa e está convencido de que nos próximos anos «atacará com força». «Temos de preparar-nos para enfrentar o ódio e a sede de vingança que os fascistas estão a alimentar», recomendou. «Apesar de ser claro que se apresentarão com máscaras pseudo-democráticas, algumas das quais circulam já entre nós, não devemos deixar-nos enganar», concluiu."

José Saramago - Roma - 14-10-2009 - 21:30

segunda-feira, outubro 12, 2009

quinta-feira, outubro 01, 2009

Adaptação



Os governos, ao haverem perdido o seu equilibrio, estão assustados, intimidados e sumidos na confusão pelos gritos das classes intermedias da sociedade, que, colocadas entre os reis e seus súbditos, rompem o ceptro dos monarcas e usurpam a voz do povo.

Adaptação da carta de METTERNICH ao Czar, 1820




A revolução é hoje!

sábado, setembro 26, 2009

Reflexão

"- A gente anda pr'aqui a tinir, e, no Norte, há dinheiro aos pontapés - sentenciou Catita aos companheiros.
- Cada pedra de volfrâmio é uma fortuna. Eu, mais dia menos dia, tento a sorte.
Outros puseram-se a imaginar riquezas fáceis.
- Quem sabe se ali na mina haverá disso? - lembrou um deles.
- O francês Henri disse que não...
- Pois eu - afiançou Robalo -, se a fábrica parar de vez, vou à procura de comer onde houver. A pedir esmola não me ajeito; e pra morrer de fome inda sou novo."



A revolução é hoje!

A saque?

A saque, poderemos ficar se insistirmos em dar credibilidade ao centrão que nos vem preterindo em favor dos interesses pessoais de todos, todos, os seus integrantes, entregando Portugal a terceiros e, assim, a existência do seu povo.

Já sabíamos que não existia plano de desenvolvimento para o nosso país, que o pacto de estabilidade só serve para nos manter no marasmo da estagnação, bem comportados e ciosos dos nossos chorudos ordenados ou das magnânimas garantias sociais que temos.

Uma conjuntura que se manipula até parecer com poucas probabilidades de gerar um entorno favorável a um comportamento somático, motivo pelo qual se manifestam os “calões”, contribuindo para a poupança em dispendiosos hospitais que mais não são que focos de infecções, às moscas, promovendo que os trabalhadores, mulheres e homens, acreditem que podem contar com o apoio necessário no desemprego; na doença; no inverno da reforma, contra a precariedade; contra a falta de qualidade na educação, com uma rede de transportes de ampla cobertura, uma planificação urbanística de vanguarda, facilidades para a promoção do desporto; do desenvolvimento tecnológico, com a soberania de um estado independente, capaz de mostrar novos mundos ao mundo. Ponto de partida imprescindível para nos encontrarmos culturalmente e evoluir no sentido de nos salvaguardarmos da deriva que nos torna a vida fútil. Depois dos caciques da direita terem subvertido as organizações cooperativas criadas no período do PREC, momento histórico fundamental para a nossa emancipação. De, paulatinamente, os sucessivos governos dos 33 últimos anos nos terem retirado os direitos conquistados a 48 anos de ditadura, é vital uma ruptura com esta aberração.

Provas tangíveis desta realidade é, a título de exemplo, a nossa relação com os estados vizinhos, neste caso com a dinâmica Espanha, onde cerca de 300 empresas nacionais integram o seu mercado, enquanto no nosso país são já 1200 Espanholas que mantêm actividade. Nos grandes investimentos nacionais, como o caso do Alqueva, o Castelhano passou a ser o 2º idioma da região. Na nossa excelsa política de meio-ambiente, que esquece a sustentabilidade do ecossistema fluvial, com rios cada vez mais poluídos, sobretudo pelo seu menor caudal devido à retenção além fronteiras, tornando mais competitivo o preço da sua produção, sem capacidade para pressionar o governo socialista de Madrid no sentido da implementação de sistemas de tratamento e, proporcionando mão-de-obra mais barata que aquela procedente de países do extinto pacto de Varsóvia.
Ainda assim, considerando que a população desse país não alcança a média europeia de nascimentos, mandamos as nossas mulheres parir do lado de lá, como por exemplo em Badajoz, onde o maior número de recém-nascidos durante 2008 foi de origem Portuguesa.

Contudo, o mais interessante, do ponto de vista económico, é que nos transformámos num país tão débil que até a banca do Reino nos abraça, demonstrado que ficou que os nossos bancos contam com o estado como companhia seguradora enquanto criamos produtos (empresas) de investimento para a banca pública estrangeira, como é o caso das “Cajas de ahorro y montepios” do resto da península.
Um exemplo desta entrega do país, para não nos referirmos à nossa zona económica exclusiva, é a seguinte história de um grupo empresarial chamado “Europac”, do qual o CEO para Portugal é o Sr. Fernando Padrón:

“Historia
Europac surge en diciembre de 1995 tras la fusión de Papelera de Castilla S.A. y Papeles y Cartones de Cataluña S.A. Se trata por tanto de un grupo joven pero con un saber hacer de más de 100 años y a los que se remonta el comienzo de sus actividades con la constitución de una fábrica de cartón.
Los acontecimientos más relevantes en la historia de Europac, de ayer a hoy han sido:
1995. Nace Europac bajo la denominación social de Papeles y Cartones de Europa, S.A. como resultado de la fusión de las empresas Papeles y Cartonajes de Cataluña y Papelera de Castilla. La nueva sociedad implanta una segunda línea de fabricación de papel y pone en marcha dos plantas de cogeneración orientadas a la producción de energía eléctrica y vapor para el autoconsumo.
1999. El grupo japonés Rengo Co. Ltd. entra en el capital de Europac como nuevo socio y tras adquirir Settu Corporation.
2000. Imocapital, sociedad portuguesa de Inversión, participada al 50% por Europac y Sonae Industria, adquiere el 65% del Grupo Público Gescartao S.G.P.S., S.A. Asimismo, en Portugal es adquirido el 100% del capital de la fabricante de embalaje de cartón F.P. Do Ave. Adquisición en España del 100% de las compañías de fabricación de embalaje Trasloga, Torrespack 2000 y Embalatges Sentelles.
2001. Adquiere el 40% de la empresa portuguesa Marimbal, dedicada a la transformación de cartón ondulado.
2003. Las sociedades Zoco Inversiones (formada por las cajas de ahorro Sa Nostra, Caja Canarias, Caja Sur y Caja Extremadura) junto con Carisa (en la que participan Caja de Ahorros El Monte, Caja San Fernando y Unicaja) entran en el capital de Europac como consecuencia de la salida ordenada del grupo japonés Rengo Co Ltd. donde participaba hasta la fecha con un 19,02%.
2004. Grupo Europac presenta el nuevo Plan de Organización elaborado con la colaboración de la consultora PriceWaterhouseCoopers (PwC). La actual organización responde a la nueva legislación en materia de Gobierno Corporativo y supone la separación de funciones entre el Presidente y el Consejero Delegado del grupo, asumiendo todas las funciones ejecutivas este último. En este año también se pone en marcha Sulpac, nueva fábrica en el sur de Portugal, para la producción de cajas de embalaje de cartón ondulado de alta calidad especializada en el sector agrícola. El importe de la inversión asciende a 10 millones de euros.
2005. Europac compra a Sonae el 50% de Imocapital elevando su participación en la filial Gescartao, SGPS, SA hasta el 81,66%. Para financiar parte de la citada operación, se lleva a cabo una ampliación de capital por 33 millones de euros que es suscrita al 100%.
2006: Europac culmina el proceso de fusión con sus filiales en España con efecto 1 de enero de 2006 y anuncia el lanzamiento de una Oferta de Adquisición por canje de acciones sobre el 15,3% del capital de Gescartao que todavía no poseía. La Junta General de Europac aprueba la ampliación de capital necesaria, por valor máximo de 65,4 millones de euros, para la compra de Gescartao. Asimismo, la Junta General de Accionistas de Europac aprobó poner en marcha un Plan de Acciones para Empleados (PAE) y elevar la retribución a los accionistas un 29,5% respecto al ejercicio anterior.

Por otra parte, el Grupo amplia sus negocios al sector de la recuperación de papel en Portugal con la compra de la empresa Manuel Rodrigues de Almeida & Filhos (MRA) a través de Gescartao, que adquiere el 51% de la sociedad. Además, en el centro de Europac situado en Viana do Castelo (Portugal) se inicia un proyecto para aumentar la capacidad productiva de la Máquina de Papel Nº4 (MP4) y que en esta primera fase aumentará su capacidad desde 270.000 t./año hasta 320.000 t./año en mayo 2007, mientras que la reforma de la Máquina de Papel MP3 de la fábrica situada en Alcolea de Cinca (Huesca) aumenta la capacidad de producción en un 30% y mejora la calidad del papel.
2007: El 5 de febrero Europac comienza a cotizar en el mercado portugués tras la oferta pública general y voluntaria de adquisición de acciones lanzada sobre el capital social de Gescartão (Gescartão SGPS, SA) y una semana después comienza el plazo de asignación de una ampliación de capital liberada en la que Europac asigna una acción nueva por cada doce acciones antiguas.

Tras la celebración de la Junta General de Accionistas de Europac volvió a arrancar la máquina de papel kraftliner de Viana do Castelo tras la parada que permitió aumentar su capacidad de producción a 320.000 toneladas anuales y en agosto la compañía comunica a la Comisión Nacional del Mercado de Valores (CNMV) y a la Comissaão do Mercado dos Valores Mobiliários (CMVM) la venta de acciones de Gescartão de las que era titular a su sociedad participada Imocapital (Imocapital SGPS, SA), que pasó a controlar el 95,117% del capital y el 99,866% de los derechos de voto. Asimismo, se comunicó que Imocapital iniciaría un proceso de squeeze out para adquirir el control del 100% del capital de Gescartão.

Principales hechos en 2008

8 de enero
Europac adquiere la empresa portuguesa de recuperación de residuos NorGompapel (Comérçio de Desperdícios de Papel, S.A.) por un importe de 5,15 millones de euros. La operación, que se cerró a través de su filial portuguesa Gescartao SGPS, S.A. supuso duplicar la capacidad de recuperación de papel pasando de 50.000 toneladas anuales a 100.000 toneladas después de la adquisición.

20 de febrero
Europac presenta los resultados correspondientes al ejercicio 2007, los mejores desde que la compañía cotiza en Bolsa. El beneficio neto ascendió a 31,97 millones de euros, un 189% más que en el mismo periodo de 2006. Por otra parte, el Ebitda fue de 81,93 millones de euros, un 40% más que en el año anterior, mientras que las ventas agregadas se incrementaron un 12% tras registrar 525,67 millones de euros.
8 de agosto
El grupo papelero anuncia una subida del precio del papel kraftliner de 50 euros por tonelada que afecta a todos los clientes de los distintos mercados en los que opera. La capacidad de producción de papel de fibra virgen de la compañía es de 320.000 toneladas al año.
18 de agosto
Europac incrementa los precios del papel reciclado en 60 euros por tonelada para los clientes de la compañía en todos los mercados europeos excepto España y Portugal. Tras la adquisición de OPR, Europac tiene una capacidad de producción de papel reciclado de 540.000 toneladas al año."

Conhece aqui a sua estratégia

Continuaremos apoiando esta aberração, ignaros de coragem, de vontade?
Depois de amanhã serás tu a decidir, existe uma solução viável para o nosso país, aquela que nos furtaram durante tanto tempo, mudança, ruptura, a possibilidade de votar com determinação!

terça-feira, setembro 22, 2009

Gota a gota



A revolução é hoje!

domingo, setembro 20, 2009

S&L - Sales Force

"Quase à mesma hora a que Manuel Alegre se juntava(?) a José Sócrates na campanha do PS em Coimbra, Louçã lia o prefácio do socialista no livro de António Arnaut sobre o Serviço Nacional de Saúde. Frase a frase, o coordenador do BE completava as palavras de Alegre: «Tem razão.»"

Criticando os benefícios fiscais nos planos de poupança, o ex-apresentador da RTP, Francisco Louçã, não afirma porém que um PPR de 30.000€ é um privilégio só ao alcance da alta-burguesia, asseverando a velha máxima, como fez Sá Fernandes (recordas?), que nunca está demais acautelar a velhice, a própria, a sua. O cúmulo do populismo é defender um sistema no qual não são necessários productos deste tipo, um estado social e, por outro lado, ajudar a banca a legitimar os mesmos. Esquerdismo ou socialismo de fachada, para a fotografia, como esta: É caso para afirmar: -Ele lá saberá de suas razões, afinal o cunhado de Correia de Campos (o ministro do PS que acabou com o atendimento sanitário em tantos pontos da nossa geografia) deve estar mais informado que a generalidade dos povo trabalhador. Razões que, por outra parte, não serão a forma que encontrou de salvaguardar o pecúlio de toda uma vida de "trabalho", como afirma nesta outra manipuladora reportagem, e menos quando se é professor universitário de economia, sendo a não concentração do risco uma das primeiras lições desta carreira.
Assim mesmo, deve ter a sua explicação, da mesma forma que a encontrou para justificar a sua negativa em visitar as peixeiras do mesmo mercado do qual extracto esta fotografia, não vá com essa actitude demonstrar que num Portugal por si governado só se considerariam Portugueses aqueles que vestissem Armani - ou Boss, como o seu amigo Sócrates - e utilizassem perfume em lugar de sabão azul e branco.

Da mesma forma que em 1979 "Serto PS" o fez (o mesmo no qual continua o Alegre apoiante do Bloco e que há 33 anos insiste em ludibriar o povo), com a criação do PSR, o tal Partido Socialista Reconstruido - o mesmo que por motivos inescrutáveis absorveu a UDP, esta com uma massa apoiante bastante mais significativa - fundado por um então jovem estudante, hoje professor e orador em "meetings" pagos na capital do Imperialismo, antever certos cenários pode resultar uma estratégia certeira, contudo, improvável.

A revolução é hoje!

sábado, setembro 19, 2009

E votar??

EL NIÑO BUENO

No sabré desatarme los zapatos y dejar que la ciudad me muerda los pies
no me emborracharé bajo los puentes, no cometeré faltas de estilo.
Acepto este destino de camisas planchadas,
llego a tiempo a los cines, cedo mi asiento a las señoras.
El largo desarreglo de los sentidos me va mal. Opto
por el dentífrico y las toallas. Me vacuno.
Mira qué pobre amante, incapaz de meterse en una fuente
para traerte un pescadito rojo
bajo la rabia de gendarmes y niñeras.

Julio Cortázar

sexta-feira, setembro 18, 2009

Uma aspirina?

Gripe, o anti-vírus da crise do capitalismo? É pouco provável!
Contudo, é possivel que o efeito que causa no ser humano encontre na revitalização da economia o seu impacto antagonico, ainda que na medida da sua sintomatologia nas populações.

Senão vejamos:

1- O H1N1 obrigou os estados a dispender recursos na compra de paliativos que, como sabemos, incrementaram o preço das acções de uma empresa que já nas mãos do seu anterior proprietário maioritário, o responsável do governo Bush pela guerra quimica, nuclear e bacteriológica, Rumsfeld, estava à beira da falência (ao contrário da actual situação).

2- Sabemos também, e este é um dado dificil de rebater, que, na actual conjuntura económica lógico seria que aumentasse o número de utilizadores dos tranportes públicos.

3- Por outra parte, não obstante o brutal crescimento do desemprego que sofreu o nosso país, dificilmente justificaria um decréscimo tão acentuado de usuários de transporte colectivo.

4- Finalmente, o acréscimo de tráfico rodado privado tornou-se também uma realidade, e, curiosamente, em tempos de crise.

Assim, poderiamos considerar despropositado inferir que esta “pseudo-pandemia” vem uma vez mais beneficiar o grande capital? Que a evolução positiva no consumo de carburantes se torna numa outra via de retirar o pão a quem a ele já com dificuldade acede? Que a necessidade estimular a venda de automóveis encontra desta forma um estupendo coadjuvante? Que o motivo pelo qual o PS já prometeu a proliferação de portagens depois das eleições não é de todo imprevisto? Que a anunciada retirada de comparticipações do estado nos medicamentos, depois da eleições, tem razões bem mais inóspitas que o mero cuidado pelo déficit? Não será, finalmente, o medo, o factor de condicionamento de massas que, utilizado com exito nos estados-unidos, vêm implementado os governos dos 33 últimos anos, PS/PSD/CDS, em ordem a garantir e em vão tentar perpetuar os benefícios grotescos dos grandes grupos?

A revolução é hoje!

quarta-feira, setembro 16, 2009

Onde é que eu li isto??

"Vimos muitas miragens no deserto, talvez porque a sede da desafronta nos secasse a lucidez. Precisávamos de ter um povo, criarmo-nos com ele, e caminhámos ao seu encontro sobre nuvens de ilusões, supondo que pisávamos terra firme. E julgámos muitas vezes o País pelo que desejávamos, desconhecendo que as alienações divergem."

terça-feira, setembro 15, 2009

Rosa de furias

Como el cisne de la laguna
iba mi barca de marfil,
en el plenilunio de Abril
sobre la estela de la Luna.

Bogando en ondas de fortuna
hiló mi ensueño juvenil,
el hilo de plata sutil
de un cuento de las Mil y Una.

Y era el Abril, cuando ululante
por mi vida pasó un ciclón,
y adelante, siempre adelante,

violento como un león,
estrujé en la garra rampante,
humeante, mi corazón.


Valle Inclán

segunda-feira, setembro 14, 2009

Então?

Arrogância?
Despotismo?
Medo?
Desprezo?
Covardia?
Desistência?
Egoísmo?
Complexo de inferioridade?
Outros e muitos, podem ser os motivos pelos quais a população do nosso país não vota. Contudo, sabemos que todos os motivos que se propõem acima podem derivar num resultado comum, o mutismo, como resposta a determinado estímulo. Mutismo que criticamos, mutismo contra o qual “dizemos” lutar.
Sabemos assim mesmo, que, todos continuamos ajustando o nosso comportamento a frases batidas que mais não são que o plasmar de conclusões de uma análise que não nos lembramos relativizar, tipo: - Quem cala outorga; - De Espanha, nem bons ventos, nem bons casamentos; - Quem jamais amou, vê com maus olhos as coisas do amor; - mais vale mal conhecido que bem por conhecer. Frases que servem para manter convencionalismos redutores, que obstam para concluirmos essa equação que determina o caminho da felicidade, a liberdade. Frases impostas quanto impostoras da nossa verdadeira essência, que nos impedem acompanhar as transformações da matéria, resolver a contradição. Como seria se olhássemos cada um dentro de um mesmo universo, num permanente ensaio que se aproxima à sua explicação desde um raciocínio plural?
Que tal se fosse a humildade a base da nossa percepção do mundo, e como tal de nós próprios?
Que ocorreria se nos atrevêssemos a tentar compreender diferentes concepções do relacionamento humano?
Poderíamos afirmar que, em diferentes medidas, qualquer experiencia pode contribuir para a nossa evolução?
Não será o arrojo uma viagem emancipadora?
Será possível desistir de nós?
Não será mais produtivo, e gratificante, a união dos esforços, das vontades, que viver num castelo de nuvens que ninguém recordará; uma mansão sem acessos nem sequer para nos despedirmos?
Afinal, não somos todos ignorantes (depende em quê)?

A revolução é hoje!

domingo, setembro 13, 2009

De mansinho...

"O ministro das Obras Públicas reafirmou esta sexta-feira a intenção do Governo de introduzir portagens na A28, A29 e A17, que fazem parte das sete vias ainda não pagas pelo utilizador, no entanto, só depois das eleições este processo ficará concluído, noticia a Lusa.Mário Lino adiantou que falta fazer «algumas portarias» e tratar de questões como «a isenção de todas as situações em que não há alternativas e aquilo que tem a ver com o transporte local» durante a visita ao último lanço da concessão rodoviária Costa de Prata, na A29, entre Estarreja e Angeja, que abriu ao tráfego à meia-noite.Sem avançar com datas, o ministro revelou que depois da «tomada de posse do novo Governo» a questão da introdução de portagens nas três vias reunirá as condições para ser concluída."

Da mesma forma que a avaliação de professores, a privatização dos recursos hídricos, ou outras tantas retiradas de direitos à população, sendo que uma alternativa só o é quando é grátis, o governo de Sócrates espera o culminar do processo eleitoral para assestar mais uma machadada aos Portugueses.
As portagens nesta estrada são só o começo da imposição de uma tarifa para circular pelo nosso país, da mesma forma que em países sub-desenvolvidos, onde para andar na rua a partir das 20.00h é necessário ter um cartão com a devida taxa paga, cada vez mais os Portugueses vêm a sua liberdade limitada pela capacidade económica.

A revolução é hoje!

sexta-feira, setembro 11, 2009

Mientras tú existas...

Mientras tú existas,
mientras mi mirada te busque más allá de las colinas,
mientras nada me llene el corazón,
si no es tu imagen,
y haya una remota posibilidad de que estés viva en algún sitio,
iluminada por una luz cualquiera...
Mientras yo presienta que eres y te llamas así,
con ese nombre tuyo tan pequeño,
seguiré como ahora,
amada mía,
transido de distancia,
bajo ese amor que crece y no se muere,
bajo ese amor que sigue y nunca acaba.

Ángel González

Outra mentira!

"A Qimonda Solar, empresa criada sob patrocínio do Governo Sócrates há menos de dois meses para «ultrapassar» a falência decretada pela Qimonda Portugal, apresenta também um processo de falência no tribunal de Vila Nova de Gaia."

Vamos continuar a escutar a propostas do patrões ou vamos nós, productores, assumir a nossa vida?

A revolução é hoje!

quinta-feira, setembro 10, 2009


¿Qué quiere el viento de encono
que baja por el barranco
y violenta las ventanas
mientras te visto de abrazos?
Derribarnos, arrastrarnos.
Derribadas, arrastradas, las dos sangres se alejaron.
¿Qué sigue queriendo el viento cada vez más enconado?
Separarnos.

Miguel Hernández

terça-feira, setembro 08, 2009

Olha cá para dentro...

-4,2%!
Esta foi a quebra do PIB (produto interior bruto) Espanhol no último trimestre, comparativamente com período homólogo do exercício anterior. Menos 1,1% na taxa intertrimestral, melhor (0,5%) que a pior previsão. Considerando a conjuntura internacional, não parece nada digno de registo. Sobretudo aos olhos daqueles que, por exemplo, investiram em warrants (opção de compra/venda) pela negativa, mesmo que ditos investidores (cada dia em menor número) representem apenas uma variante necrófaga da nossa espécie. Este dado, toma pois relevância se atendermos a que significa a maior quebra do sector produtivo Espanhol desde 1970. Relevância que, por seu lado, se magnifica se realizarmos um exercício simples de cruzamento, entre este e outros aspectos com representação quantitativa:
Observando o crescimento Alemão ou Francês do último trimestre (0,3%), poderíamos afirmar que Espanha continua mergulhada na recessão. Contudo, no conjunto da zona Euro, a diminuição do PIB é ainda mais significativa (-0.4%), revelando assim que, este país não tem capacidade de se destacar devido à sua política de subserviência e à falta de objectivos estratégicos, algo que nos recorda Portugal e a sua, bastante mais notável, dependência exterior. Situação que destaca, claramente, a consolidação da uniformização imperialista que fomenta os Estados Unidos. Resultado do abandono do tecido produtivo é também a perda da soberania nos mais diversos campos, a qual, quantitativamente, se poderia traduzir no resultado do IPC (inflação per capita), que, em Agosto, alerta sobre uma grave situação de deflação (-0,8%), o sexto pior resultado desde 1962.

Se, não obstante, tivermos em atenção as 1.118.300 famílias que provam hoje a amargura da falta de pão, famílias nas quais nenhum dos seus membros trabalha; o 17,92% da população activa que se tornaram peças de uma engrenagem caduca, do capitalismo insaciável. Se nos dermos conta de que existem já mais de 4,1 milhões de desempregados. Então, poderíamos afirmar, não obstante uma agonizante recuperação económica, dilatada no tempo e carente de viabilidade como sistema, Espanha não resulta hoje atractiva para os emigrantes. Prova disso poderiam ser os dados que apontam para, no ano 2008, só 720.000 trabalhadores romenos ou 800.000 mulheres e homens de nacionalidade marroquina, permanecerem no Reino do despótico Juan Carlos. Mais, quando comparamos a cifra com o total absoluto acumulado dos 8 últimos anos, mais de 4 milhões de estrangeiros.

Quanto aos europeus, excepto Roménia e Bulgária, referimo-nos a 288.000 trabalhadores residentes. É ainda importante mencionar que, no ano 2008, se verificou um decréscimo de 38% no global de solicitações e concessões de licença laborais (visados de trabalho). Porém, também para o círculo da Europa, excluindo Bulgária ou Roménia, se registaram e concederam, somente 122.000 solicitações de residência Estatística que, graficamente, se ilustraria como uma linha de evolução negativa de 135º.

Por outra parte, debruçando-nos necessariamente sobre as condições de trabalho neste país, resulta que, em empresas de empreitada com 1 a 5 trabalhadores (legais), o índice de acidentes mortais na média dos 4 sectores mais importantes: Industria; Agricultura; Construção e Serviços, foi de 12,77%. O que indica uma redução substancial na evolução do quinquénio, ainda que penalizando particularmente o sector da construção, no qual faleceram mais de 24% dos acidentados. Como tal, o resultado deixa todavia patente a exploração e as condições esclavagistas que experimentavam os trabalhadores no passado recente, sem deixar de considerar positiva a melhoria verificada. Este estudo apresenta ainda uma convergência entre o número de nacionais e estrangeiros no que aos acidentados se refere, sem que se tenha aplicado qualquer critério etário.

Definitivamente, este não é país de oportunidades!

Como conclusão, e desde uma óptica mais patriótica, no que diz respeito especificamente aos trabalhadores Portugueses emigrados. Tornam-se um reflexo da nossa realidade enquanto país e das políticas que o nosso povo sustenta à 34 anos, as condições nas quais, estes, se vêem implicitamente obrigados a entregar a vida para ganhar o pão, como mão-de-obra barata e muitas vezes escravizada. O número de emigrantes falecidos Um exemplo; Outro; Outro; e os motivos...; Outro ;Outro; Outro, por motivo da assumida precariedade nos diferentes âmbitos, mesmo sem sugerir uma impressão alarmante (ainda que a morte de um trabalhador não deva ser nunca escamoteada), se ponderada em conjunto com factores tais como, a quantidade de Portugueses que aqui trabalham e aos quais, o governo de Sócrates atribui a condição de emigrantes em “itinere”, 50.000 (tentando justificar o desemprego crescente e recorde desde 1974); que constituamos, hoje, numa economia extremamente debilitada, um dos principais recursos para que o capital continue a gerar mais-valias e representemos, em 2008, 40% da emigração europeia que recebeu Espanha; a - possivelmente abjecta - existência da qual procuram fugir os nossos conterrâneos, apesar de se depararem com as contrariedades da falta de identificação com o entorno ou a viabilidade, mas fundamentalmente a esperança, que os mesmos depositam no país vizinho (o qual, como exposto, apresenta moldes similares às épocas mais negativas da sua economia) para alcançarem condições mínimas de subsistência, espelha o desespero – sem querer estabelecer paralelismos com os Africanos que perecem no estreito - de várias gerações de Portugueses, e, fundamentalmente, quão sombrio se apresenta o futuro da nossa juventude. Factos; Outro; Outro.

Complexa de assimilar, a actual conjuntura social Portuguesa conserva fenómenos comuns àqueles que elevaram a vontade do povo até ao 25 de Abril. Um exemplo

Noutras áreas, porém, poderíamos ainda constatar contradições dos governos do chamado “bloco central” (PS/D), enquanto se apresentam à população como movidos pela melhoria das suas condições de vida e assim pela eliminação do conjunto de carências que padecemos pela aposta política na subserviência e pelo prescindir da soberania na maioria dos aspectos (mesmo para países que se proclamam em depressão). Um exemplo; Outro; Outro; O mais importante.

Finalmente, a verdade é que os trabalhadores Portugueses continuam a saltar para o vazio com a coragem que lhes engana o estômago. Deixando patente a desconfiança na nossa democracia. Vítimas da clivagem que promove o capital mas promotores finais desse mesmo classismo bacoco dentro de uma mesma classe. De recordar que, a arrogância, o despotismo, os muros que se levantam entre os homens, não são privilégio da direita. O hermetismo no relacionamento com os seus iguais acontece em todos os quadrantes políticos, alguns como apanágio da sua condição e como tal na sua grande maioria, outros como tentativa de distinção cultural; académica; intelectual; meritocrática ou estatutária, mas, soberbo hermetismo. É nesse sentido que se pode colocar a seguinte sugestão: A coerência com os princípios basilares do Socialismo é a única forma de aproximar a liberdade aos oprimidos, a única forma de compartir o caminho da revolução; a única forma de transmitir os motivos pelos quais é imprescindível mudar, que quem tem na mão o futuro; quem realmente pode mudar este paradigma, somos nós. Provável é também que surja uma questão em busca dessas novas alternativas, mas essa, essa é uma questão que pode devolver ao inquiridor.

Mário Pinto

sexta-feira, agosto 28, 2009

- Ó Zé, olha a fita!

Woody Guthrie, autor, intérprete, da canção que podemos escutar no final deste texto, foi um anarcossindicalista de princípios de século - à semelhança daqueles que há 88 anos fundaram essa semente de justiça que é o meu partido, o Partido Comunista Português, um crítico do fascismo e da exploração do homem pelo homem. Conhecido maioritariamente pelo tema “This land is your land”, não sendo esse, contudo, o conteúdo do vídeo.
Falamos neste compositor, chave, do folk norte-americano, por motivos que nos podem suscitar interesse sobre; a outros dar a conhecer, uma obra cinematográfica que retrata uma época com severas similitudes com aquela que experimentamos, e que, considerando que a história não se repete, mesmo com contornos distintos, nos poderá servir de suporte de inflexão, alertando-nos também sobre a necessidade de assumirmos como fundamental alterar substancialmente a nossa relação com o mundo. Referimo-nos às “Vinhas da Ira”, de Steinbeck, realizada por John Ford em 1940.
Neste filme, em primeira análise uma crónica da proletarização do campesinato norte-americano, no início da grande depressão de 1929, é-nos permitido analisar certas contradições, que, também hoje, depois de um sonho realizado, nos indicam que o mesmo não cristalizou, e assim, de quão importante se revela fomentar a luta e o nosso esclarecimento como povo.
Ao regressar a casa, depois de cumprir uma sentença por homicídio - mau começo para o credenciar, Thomas Joad, filho de uma família de pequenos agricultores arrendatários de Oklahoma, mulheres e homens que lavravam o pão regado com maresia, encontra que a sua família, e as vizinhas, tinham sido expulsas das terras que aravam.
Encontrando-se estas num momento de abandono; mais na moribunda fase após negação, inspirando a resignação suficiente no caminho da emigração para a Califórnia, para essa famigerada “Route 66”, Joad encontra-se numa encruzilhada, sem possibilidade de reencontrar a sua esfera sociocultural. Mais, quando figuras fulcrais desse tempo, e sobretudo desse espaço, como o suposto intelectual dessa estrutura, o pregador Casy, o qual, depois de informar que abandonara o seu próprio plano, responde à estupefacção de John: - não tenho mais sobre que pregar, só isso! Uma reacção, ou reflexo que, junto com a desoladora vastidão da sua pequena casa e com a identificação de objectos considerados supérfluos para os exulados, mas que memorizavam parte de uma vida, o afirma desgarrado do seu ser pelo capitalismo.
Num diálogo com Muley Graves, um autoproclamado louco, jazendo impotente abnegado e considerando-se um fantasma num cemitério abandonado, alguém que não abdicou do seu sonho mesmo desconhecendo que o capitalismo transforma os homens na sua própria sombra enquanto se dispõem a desmentir sozinhos essa correlação, coloca-lhe, desde a sua condição, a seguinte questão: - de quem é a culpa? Questão a qual, como era de esperar, encontrou o mutismo como resposta.
Concluindo, John e o pregador, assim como uma comunidade substituída por máquinas, tomam determinado caminho, que, ainda que diferente ao de Muley, os levará a viver a loucura de outros.
Desta obra, elaboramos então este relato analítico e, analogicamente, encontramos os sem-terra do Brasil (sem deparar, porém - seguramente pelo seu momento, distinto no desenvolvimento de classe, referências aos escravos sul-americanos que geram mil milhões de doláres como mercadoria e que alcançam já o milhão e trezentos mil seres humanos). Encontramos a urgência de uma reforma agrária para o nosso País, evitando que em poucos anos, àparte de uma Califórnia Europeia onde os Portugueses não sejam mais que vidas serventes, a nossa costa se limíte a permitir o acesso a quem o compre e os nossos campos se tornem num enorme e transgénico "Monsanto". Encontramos a legitimação do programa eleitoral do meu Partido, a sua aposta pelo fomentar do cooperativismo; pelo abandono desta Europa de povos subjugados aos desígnios imperialistas, através de uma corja governante subserviente. Mas, encontramos também o 25 de Abril. Encontramos o 25 de Abril como prova de que o capitalismo é o suficientemente imperfeito para criar as condições subjectivas necessárias para que os trabalhadores, aqueles que pisam em cada passo com toda a sua riqueza, alcancem a emancipação que requer a decisão de mudar de rumo. Para que, de uma vez por todas, acreditem que sim é possível. Para que conheçam no empirismo, ou num filme de 1976, de Ettore Scola, “Feios, porco e maus”, que existe o lumpemproletariado que não observa qualquer condição de classe, esse que vende o que não é para chegar a roubar o que não tem.
Prescindir do “medo de assumir as consequências das suas decisões” torna-se hoje vital. Um incontornável esforço para garantir a nossa liberdade, o futuro da espécie, o sorriso e a alegria da juventude que mesmo arrugada pela gelada neve respeita as nascentes dos rios onde bebemos a existência, só nos elevará enquanto Homens.
O desenvolvimento histórico do modo de produção capitalista, por outra parte, tem pois um objectivo composto por três factores que o tornam incompatível com o mundo do qual fazemos parte, exploração, acumulação, expropriação. Nessa linha, vale a pena frisar que, qualquer debilitar do agravamento da crise económica - que será sempre periódico, menos frequente e cada vez mais inconsistente, magnificado pelos manipuladores meios ao serviço deste sistema, só será possivel apropriando-se do resultado da entrega da força de trabalho de diferentes gerações de Mulheres e Homens, os quais, com base nessa (agora revelada) mentirosa promessa de garantias de subsistência por parte do Estado, entregaram parte de si para agora compensar os promotores deste paradigma. Este, onde cada vez existirão menos ricos e se multiplicarão os oprimidos.
Contra essa lacra, contra a precarização, a retirada de direitos às populações, pela vida: