Tudo quanto se aprende
soma dúvida
ao inventário.
A espécie decifra o átomo,
cartografa o invisível,
inunda a distância
entre o impulso e o acto.
Depois, regressa a si.
Há sempre um método
para explicar o irreparável,
uma equação
para repartir o horror,
a incógnita
permanece.
O mundo não existe.
Insiste o problema.
Entre o que sabemos
e o que não fazemos
não falta informação.
Falta qualquer coisa:
o resto
que nenhum paradigma
isolou ainda.
Por um
instante,
a música resolve-se
em cadência plagal.
O silêncio,
esse,
escurece tudo
como um foco férvido
alarve.
Mino, Madrid, 2026







