
Mário Pinto, Madrid, 2026
O Blog anti-decadência.

Mário Pinto, Madrid, 2026
Utilizar un inocente
para suplir tus carencias,
es infame.
Despreciar y desperdiciar
la vida de quien
confía en ti, a ciegas.
Ver cómo se le van los días
impidiendo que florezca.
Saber que es tu deber
fomentar su evolución
y negarte por envidia
es infame.
Priorizar, ante tu propio fruto,
a los nauseabundos
que te hicieron.
Quedarte una vida
que no te pertenece
es infame.
Impedir que sea
amada por otro,
con tu misma potestad
y como es tu función orgánica.
Enorgullecerte del éxito
de tu patológica perfidia
es inhumano, es infame.
Nunca serás más
que la escoria que reste
de la oxidación de los días:
desechable,
infame,
¡infame!
Y te seguirá cantando,
balando,
inocente.
Mário Pinto, Madrid, 2026
Te escribiría en mi idioma,
pero entiendo que
no puedas escuchar quién soy.
Por ello no esperaré
que las palabras te llamen,
sino que, de alguna forma,
te alcancen,
puede que algún día
te encuentren.
Recuerdo aquella mirada,
cintilante,
curiosa,
exploradora.
Faro de vida.
Hacías creer
a los despojados
que la felicidad existe,
que Sorolla
sólo era
un fotógrafo arcaico.
Zozobra hoy
quien te contemplaba.
Las nubes,
entonces de azúcar,
son oscuras.
Ya no me cruzo
con tu inquietud
cuando escruto
el horizonte.
Desconozco si te percibes,
o te valoras más
que a un reflejo cualquiera,
sin que importe
desde dónde
o de quién.
No te veo.
No puedes ser tú
la figura
que mueve tu sombra,
no sé si te quiere,
si sigue tus pasos,
si te vive.
Tengo un cofre
con dudas
que me hiciste guardar.
Recuerda
que son tuyas,
como lo hago yo,
por si las quieres
rescatar.
Mário Pinto, Madrid, 2026
guarda
linhagem
da minha
religião.»
Mas desconheço
outra linhagem
além desta que
alcanço:
genética e
tempo,
história que
passa,
matéria breve
que ainda
floresce.
Essa
condescendência
disfarçada de
altruísmo,
filantropia,
não esconde
o anzol
chauvinista.
Nada possuis
além de
contos,
contos de
vigário,
feitos verdade
tua.
Pertencer aos
apelidos
que me foram
dados,
à terra onde
nasci?
As raízes
podem
também
arrancar-se.
Podem
transplantar-se,
adubar-se
e até secar
em todos os
lugares.
E uma vida
pode
perder-se
inteira
quando já não
sabe
lembrar-se,
e menos ainda
do eu
de amanhã.
Levar
um semelhante
a viver os
vazios
da tua
história
é impor-lhe
a
inexistência.
Como torná-la
lei,
fingindo que
aceitas
uma ética
que a
criminaliza.
Cada raiz
penetra
onde decide,
até falecer.
Cada memória
guarda o seu
lugar.
Não confundas
a tua linhagem
com a minha.
Não confundas
a tua história
com a minha.
Nem a tua fé
com o meu
nome.
Herança,
ínfima
parcela.
Herdamos, escolhemos,
transformamos?
É matéria
viva.
Que deveria
ser vontade.
Mas sei de outros,
por aí,
que dizem:
até a pátria
nos pode caber
nos sapatos,
ou no sapato,
se nos
amputam.
Mino, Madrid, 2026
Fiquei sem rede e aproveitei para tentar escrever alguma coisa com substância, que te leve à subjetividade. Mas quê: vou escrever sobre o amor, sobre a paixão? Estou obrigado a aceitá-la como algo etéreo e a divagar sobre a mesma; devo ser mais coerente e procurar explicar o meu ponto de vista desde uma perspectiva neurocientífica? Ou devo procurar que seja a sociologia quem revele esta mania de nos procurarmos?
Pois é, não fica fácil para um texto curto, apropriado a um
blogue, uma quase-bitácora de ensaio, narrativa ou crónica, afirmar que não
deixarei de procurar noutras bocas os lábios de quem amo, ainda que isso
pudesse resultar numa imagem bonita, até certo ponto.
Mas vem depois o amor visceral, atómico, molecular, celular, como queiras: aquele amor que supomos protector, aos filhos, aos pais, à família, mesmo sabendo que logo podem surgir recordações próprias, tuas, minhas, de outros, que nos contem como uma aparente preocupação pode sempre ensombrecer o ressentimento de uma narcisista pela filha, que a pode levar, em tantos casos, ao extremo de lhe arrebatar a vida como única forma de preservar a sua mediocridade no anonimato da máscara, sem ser necessário que a inocente deixe de respirar. Ou, como em outros casos, sujeitos
para os quais os outros só se ostentam, sem que aquilo que se pensa amor se
revele mais do que uma ferramenta.
Não obstante, continuando com o Homem, que se presume o
único ser capaz de amar, seja lá isso o que for, poderíamos submergir-nos
nesses matrimónios entre humanos e animais, em que um rottweiler tolera que o
casal o acompanhe no sofá ou na cama e que o leve a passear quando o necessita,
o bicho, de apelido olvidado. Algo muito complexo, demasiado também para nos
debruçarmos aqui mais do que nestas linhas.
Sei que poderia lamentar que o meu cão já não te pise o
tapete, consciente de poder também pintar um quadro íntimo.
Enfim, entendo que se aceita que o amor começa sempre por cada um de nós. Somos sempre os nossos maiores amantes, seremos sempre a nossa maior paixão, pelo menos é o que a sociedade parece querer mostrar, ainda que, em realidade, possa resultar uma patologia.
Mário Pinto, Madrid, 2026
É difícil manter um perfil estável, hermético,
mais se a decadência não se contempla,
senão a evolução.
Desde 2005 que por aqui despejei muito do que fui aprendendo:
dúvidas sobre aquilo com que me fui deparando,
questionamentos e, por vezes, alinhamentos
com soluções que a sociedade incorporou ou rejeitou.
Assim, revejo-me nos erros passados
mas, também, nos acertos que preconizei;
tudo isso parte de quem sou,
nunca de quem seria.
Sem dúvida, houve decisões que me limitam a vida,
outras que a possibilitam;
nenhuma, porém, me libertou por completo
nem me aproximou de quem imagino gostar de ser.
Contudo, será que o que pretendo seria o melhor;
sou hoje a melhor versão
que a vida poderia produzir de mim?
Sei que não sei a resposta, e é isso o que hoje sei de mim.
Como tal, decidi voltar a utilizar este espaço como caderno,
com maior frequência do que o fiz nos últimos anos.
A ver vamos...
P'rá frente!
Mário Pinto - Madrid - 2026
Morreu o músico.
Fel.
Frio.
Incisivos expostos,
saliva bolhosa,
luxúria acesa no sofrer,
suor de néscios.
Silêncio.
Esquizofrenia consciente,
dependência,
sem coragem