Adriano talvez a cantasse,
O Blog anti-decadência.
Adriano talvez a cantasse,
Mais um ano,
inusitadas constatações,
a carga, cada vez mais,
bagagem.
A tristeza é uma killer,
a esperança uma faca,
afiada
nos dentes.
Do not laugh, mandatory!
Passar os dias na certeza,
reages apenas nessa dimensão
que me sobeja,
incapaz do mero
e reflexivo conspurco.
Na vida,
aqui crescem,
escutam,
percebem-se,
também fora de si.
Jamais me pensei
de tão estéril criatividade,
agora ébrio, por esta
inimaginável beleza,
capaz de transformar todo o tempo
num momento,
intenso,
sempre breve,
sempre ansiado.
Vivam 2023!
Mino
Aqui permaneço, no atravessar de uma pandemia sobre a qual muito se falou, muitos se aproveitaram, mas, mais importante, durante a qual tantos nos foram e vão deixando. Contudo, o consolo de saber que quem amo permanece e cresce atenua a angústia que a vida numa realidade severamente condicionada provoca.
Assim, sendo que o atrás descrito constitui apenas um dos aspectos mais relevantes destes últimos 12 meses, um elemento ao qual não estava habituado a prestar demasiada atenção, a saúde do vizinho, diferente acicate me leva a escrever estas linhas: aquele exercício anual de gravar na memória pública as impressões e resultados do trajecto de dito período.
Continuo a tentar estudar. Não obstante, torna-se cada vez mais distante o culminar da carreira de Antropologia. Este ano, pela primeira vez, notei certa quebra na vontade de me construir e não será ao amparo daqueles por quem justifico a vida que a reforçarei. Desde o âmbito profissional ao político, e mesmo no pessoal, entendo que procurar razões que me permitam acreditar não encontra compensação, sobretudo pela dimensão cada vez maior da tarefa.
Ainda assim, quase como o ar que respiro, está, por outra parte, o compromisso, que foi comigo e com a vida, numa primeira fase, mas que, hoje, se traduz essencialmente naquele com as vidas que nesta bola coloquei.
Há 16 anos, havia construído o que a luta de quem não sabia impossível e tentava conseguiu. Agora sei, pelo menos, que não há humano naturalmente capaz de respirar submergido.
Em conclusão (espero que apenas por agora), a felicidade, que considerei estimulada por amar o próximo, tentado, quem sabe, por uma certamente inconscientemente ansiada reciprocidade, deixa apressuradamente de ser convicção; resta ainda como dúvida motivada, uma pergunta da qual, temeroso pela resposta, encontro prematuro deixar de fazer.
Venha 2021!