sábado, novembro 03, 2018

Helicoidal

O azimute que observo inerente à historia, não apenas da sociedade em geral, mas, pessoal, também ou possivelmente porque parte do todo.
Voltar a utilizar este espaço como registo de conclusões preliminares sobre matérias de estudo não deixou nunca de ser opção. Porém, se algo não se previa tangível era a possibilidade de voltar a iniciar um curso superior ou tornar a apostar numa área formativa distinta àquela à qual dediquei a prática totalidade da última década.
Não obstante, considerando a manifesta apetência pela Antropologia, curso frequentado no passado sem consecução, bem como as actuais circunstâncias, necessidades e possibilidades, começo agora uma nova etapa, impondo-me a assunção do desafio que constitui dedicar quatro (4) anos, dos cada vez menos restantes, à aquisição de conhecimento, neste caso o mais multidisciplinar até hoje.
Assim, seguramente voltarei a depositar aqui dúvidas, conclusões equivocadas ou "verdes" e, claro, conhecimento, que é do que se trata essencialmente, mas não só.
Concluindo, a humildade que nos toca à porta quando iniciamos qualquer experiencia sem conhecimento prévio não deixa de ser acicate, estímulo, da coragem que extrapolamos ao quotidiano, ainda que por "inércia", e que, subjaz naturalmente à decisão. Dito aporte motivacional, se consciente (não afirmo que de outra forma não aconteça), contribui para o equilíbrio homeostático e até para o reforço das defesas do organismo, mas, fundamentalmente, reduz a permeabilidade.  
  

segunda-feira, julho 09, 2018

Intelligentia et Immunitas

Sem forma de sequer imaginar prosseguir e culminar a investigação sobre a matéria que dá título a este inusitado texto, apenas como hipótese, essa sim passível de constituir génese para uma tese que reconheceria como corajosa devido ao potencial para suscitar a crítica generalizada e para que conste quanto antes no acervo da elucubração que aquí, de forma mais ou menos acertada, se reserva lugar. Não pretendendo, por outra parte, tomar sentido na poética resposta de Juvenal: "Mens sana in corpore sano" ainda que provavelmente, e uma vez mais, sustentado também no legado de Darwin, considero:

 A capacidade cognitiva parece resultar directamente proporcional à resistência do sistema imunitário.


Mário Pinto

sexta-feira, janeiro 05, 2018

13º aniversário

Um ano passado numa frequência inaudita para os sentidos, chegamos ao 13º aniversário deste bloco de notas que, pela proliferação de diferentes plataformas sociais e afazeres que poderiam levar um adulto a rever-se numa criança (que não concretamente os próprios filos), tem vindo a perder parte da sua preponderância enquanto suporte terapéutico, para este que aquí escreve, mas, seguramente para uma massiva percentagem de utilizadores deste meio. Por tal, assumo a obrigação de, depois deste tempo, reclamar o lugar específico e necessário que o Blog conserva na chamada caixa de ferramentas da homeostase.

 

Venham muitos mais!

sexta-feira, outubro 13, 2017

Confabular

 Sobre a realidade em que pensam viver os portugueses, ou sobre aquela que, através dos mais diferentes meios de manipulação procura o interesse económico acreditem protagonizar, escrevo a modo de terapia este texto.
 Sem escusar lembrar ser português, resido porém, desde há muito (mesmo muito), na diáspora, circunstancia que pode resultar interessante para quem desconhece dita condição ou para outros aos quais a motivação residiu e se mantem, essencialmente no factor material. Aspectos positivos poder-se-iam efectivamente destacar, da mesma forma que tantos negativos mas habitualmente reservados há esfera pessoal do indivíduo emigrante.
 Não obstante, é sobre a perspectiva pessoal que pretendo desenvolver a opinião, sem poder, mesmo atendendo ao escrito acima, afirmar se é ou não positivo opinar sobre um paradigma que, somado à impossibilidade de o experimentar, gera ou provoca emoções ambivalentes.
 Em Portugal, depois de aproximadamente cinquenta (50) anos de ditadura e justamente no seu terminus nasci - em 1970 -, cresci numa sociedade vítima durante mais de duas (2) gerações de um imposto e criminoso obscurantismo, esclavagismo; entre sobreviventes da clivagem económica ou do escamote cultural sofridos e infligidos pelos próprios vizinhos, todos amedrontados. Meio século de mordaça, demasiado tempo sem discutir, demasiado tempo sem dúvidas, e, demasiadas certezas hoje, de quem afirma impossível sequer uma subtil modificação do ADN, do ARN se quiserem, provocada pela repressão nacional salazarista.

 Porém, este meu quadro, é isso mesmo, o meu quadro. Assim, tenho observado como Portugal se publicita diariamente nos meios de comunicação internacionais, que toda ou quase toda dita propaganda, além do procurado impacto global, repercute na mente dos residentes portugueses em Portugal de forma aparentemente bastante positiva, sem deixar de mencionar os, tão inusitados quanto repetidos, êxitos nos mais diversos âmbitos, que desde o desporto à ciência, passando pelo turismo, pelo património, pela política ou, evitando estender-me, pela economia ou o emprego, resultam tão estimulantes quanto um recapturador de serotonina (tão sorridentes em suma quanto despreocupados), quem sabe pela inconsciente procura de identificação, característica própria desta condição de "exilado", encontro inúmeros elementos comuns entre qualquer campanha de marketing empresarial e a forma adoptada para, ao parecer, vender um país como "colónia" balnear low-cost.
 Senão vejamos:

 Excelentes praias, muito sol, circuito mundial de surf, bom vinho e melhor comida.

 Fado, Cante e outros patrimónios como a Xávega.

 Campeões de diferentes modalidades, em confronto directo com as primeiras potencias mundiais.

 Resultados económicos exemplares.

 Grande parte do território queimado.

 Ordenados vergonhosos.

 Custo de vida reduzido, atendendo apenas aos vizinhos europeus.

 Baixo grau de formação.

 Garantias sociais praticamente inexistentes.

 Conjuntamente com estes atractivos factos, mais parece agora que, resgatada qual Ferreira Leite da inacção da 3ª idade, temos como agente comercial uma consagrada artista como a Madonna, quem mexe desde a ministra às redes sociais para conseguir a sua residencia no nosso país (mesmo que uma alegre casinha), mostrando ao mundo o quão convencida está dos beneficios de viver em Portugal. Ainda assim, não quero deixar de considerar o tipo de público que esta senhora granjeou durante a sua carreira e o impacto cultural que pode trazer a sua eleição.
 Mais ao pormenor, vejo também como depois de um histórico de prevaricadores à frente de diferentes governos portugueses, uma esquerda trotskista "social democrata" que pretende substituir-se à natureza permitindo a mudança de sexo aos dezasseis (16) anos quando a essa idade não existe ainda qualquer decisão consciente tomada por Humano algum, que pretende que um paciente terminal e invariavelmente deprimido decida sobre a sua morte; com um partido comunista que obriga os trabalhadores dos museus a trabalhar ao domingo e simultaneamente impede a ampliação do horario ao sábado de uma das maiores fábricas no nosso tecido industrial; a perpétua  defesa do corrupto partido social demócrata, seguramente atendendo à composição de alguns telhados, torna-se quase impossivel olhar para o Portugal futuro sem que nesse quadro apareçam mulheres e homens formados, dobrados, calados, a sorrir, famélicos, todos sãos e impedidos de procriar por ser quase impossível pagar o aluguer de uma habitação com um (1) quarto ou alimentar adequadamente uma terceira boca.
 
 Será apenas a saudade que me leva a esta confabulação ou é esta fábula, transvestida de híper realidade, que me traz este azedume?

P.S. - Penso que aquí começou: http://sicnoticias.sapo.pt/economia/2014-11-27-Cavaco-Silva-desafia-arabes-a-visitarem-Portugal

                   

domingo, outubro 08, 2017

Era necessário.


Inusitada vontade, esta, a de escrever, de novo, utilizando um meio aparentemente tão impessoal, mas, claro, essa consideração dependerá sempre de cada um de nós, por isso aparente.

 Inesperada a vontade, contudo, sinal claro da pouca atenção aos alarmes que o inconsciente sempre nos envia, quem sabe devido à necessidade de priorizar a tomada de decisões estimulada pelo incontornável pragmatismo a que os dias me obrigam. Porém, é também parte da (ainda) bagagem outra das razões pelas quais surgiu esta necessidade, o carácter que, em permanente transformação, mais que impedir uma análise ajustada da realidade procura, atento aos perigos que ainda sem experimentar determinam os meus heurísticos como evitáveis, adaptar o casco a este imenso e convulso rio ao qual a sociedade chama vida, respeitando o azimute que ratifico a cada ano que passa.

Assim, acredito ser necessário deixar claro neste ponto que, concretamente devido à minha personalidade e à forma e grau em que a trabalhei para minimamente permanecer homeostáticamente estável, não se deve ao abandono de um determinado partido (que não princípios sociopolíticos) ou à mudança para uma nova área de interesse académico que deixei seguramente pelo caminho o membro “Mensa”, aquele que priorizava de forma tão pueril o enriquecimento intelectual.

Em 2013, interdito hoje de me arrepender, tomei em Madrid a estrada que estriba na Praia em que cresci, procurando com a assunção desse desafio desenvolver-me num âmbito em que pudesse recuperar o sorriso que tinha desaparecido como característica daquele que queria conservar. Curiosamente, deparei-me, na sua grande maioria, com homens e mulheres em fraldas, defensores do medo que evita riscos como consequência de qualquer tomada de posição, como toda a tentativa de ser. Ora a conclusão foi fácil e rápida, ou insistia e, mais que ajustar o casco, me deixava levar nessa corrente que a todos parecia resultar cómoda ou, pelo contrario, lutava contra essa percepção da realidade procurando provar as ferramentas que havia utilizado durante a vida e a sua utilidade real à época. Certo foi que, como a qualquer de nós acontece, descartei muito poucas das soluções que trazia experimentadas, adoptei algumas outras (muito poucas) que se exigiam formuladas pelas circunstâncias, mas, em realidade, reneguei ainda mais os factores premiados pela sociedade e que até então conhecia sem preocupação de os exaltar na conduta.

Em conclusão, depois de nestes cinco (5) anos caminhar trilhos jamais imaginados mas quase sempre identificados antes de os encetar, descartadas que estão as drogas prescritas pelos especialistas da mente, a preocupação que manejo agora é o arraigo, elemento que se tornou fundamental para voltar a partir, já não fisicamente; geograficamente, senão em busca do Mário capaz de criar nos seus filhos a memoria que considero lhe interesse quando já não estiver. Assumindo-me bastante menos intransigente (constatação que constitui só por si uma alegría) e menos jovem, sei que difícilmente obrigarei os meus filhos a lutar contra muitos dos meus fantasmas, hoje mantive a primeira conversa sobre a realidade com a minha filha.

quinta-feira, agosto 31, 2017

Arando

 Depois de voltar da aventura existencial mais egoísta e carente por vontade própria de prévia e profunda análise que alguma vez assumira, trato estes días de retomar a piolet o azimute que mais grato considera hoje este que aqui se estende.
 Nesse âmbito, no passado, um dos elementos centrais no Gestalt pessoal foi a aplicação de uma máxima leninista: "-Aprender, aprender sempre!", característica que, de impossibilitado usufruir chega a provocar certo desequilíbrio homeostático, nada extraordinário mas incómodo. Por outro lado, atendendo à realidade global, diria porém que, não seria nunca este mal que à civilização inquietara, com total legitimidade.
 Assim, situado que está o texto no contexto da plataforma e no tempo, quero deixar registo, hoje, que voltei a estudar aos quarenta e sete anos (47) e alguns meses. Por si, a decisão de voltar à faculdade, apesar de apenas reiterar o supracitado, merece que a assinale por levar em si o reflexo das transformações, assumidas (outras nem por isso), que a viagem preconizou na forma eleita para construir o caminho. Apaixonado pela psicologia, é também no pragmatismo que dita ciência defende que justifico o abandono desta área académica para enveredar pelo estudo do direito, das leis e, em essência, também do Homem.  
 Concluindo, espero não encontrar doravante muitos mais escolhos ou grandes adversidades capazes de criar um ser algo frustrado dentro de alguns anos. Contudo, o gozo que já proporciona assumir este tipo de risco, sem dúvida que o justifica.

quarta-feira, julho 05, 2017

Do tempo

Preocupante constatação, o resultado da análise de população por faixa etária entre 1911 e 2011. A juventude envelheceu; entre os 25 e os 64 anos concentra-se o grosso dos humanos na demarcação lusitana (mercadoria para locação dentro do período de caducidade), os idosos mostram agora figuras directamente inversas àquelas alvitradas pelos menores de 25 a principios do século passado.
Por outra parte, a erosão do tecido social em municipios litorais, com menos de 18.000 habitantes, revela claramente que a emigração é uma necessidade em que aqueles por tantos votados colocaram os portugueses. Porém, revela ainda outras muitas realidades em que não abundarei numa plataforma com estas características, apenas dois ou três apontamentos sobre alguma que outra que excepcionais: A eutanásia, crime infantil, exacto, crime infantilóide, e a reforma, aos 70, factores essenciais para que a prática totalidade da espécie exista somente enquanto produtor.
"As cheap as we can"


domingo, janeiro 08, 2017

12º Aniversário

Este ano foi curto, muito curto, o objectivo é imenso, maior que uma onda da Nazaré, quase do tamanho da vida. Porém, a paternidade é o acicate primário do empenho colocado na progressão constante mas da permanente preocupação na recolha de elementos úteis que o caminho nos ofereça, aceitando que a utilidade é sempre subjectiva, como o tempo.

sábado, janeiro 07, 2017

O mais representativo

É de facto mais uma referencia da minha realidade que desaparece, não apenas no aspecto político, mas, essencialmente. Não querendo constituir-me arauto da defesa de decisões de outros, devo porém assumir que o cenário governativo actual no meu país revela uma elasticidade democrática da população sufragista que coloca o raciocinio colectivo dos meus conterráneos na vanguarda da realidade da sua área de influencia. Quando criança, frente ao externato em que estudava existía um restaurante no primeiro andar no qual o meu pai almoçava com certa frequencia, tinha janelas para a Prior do Crato (Colégio) e outra varanda virada para o jardím onde brincavamos os putos da "Praça da Armada", do qual também usufruiam a casa em que nasci e o quartel da Armada onde finalmente assentei praça. Em referido restaurante, almoçava também um personagem que nos chamava a atenção pelo Citrôen "Boca de Sapo" negro que então nos parecía extraordinário, era o Mário Soares, que então assumia responsabilidades no Palácio das Necessidades, em cuja igreja foi baptizado o meu filho, anos depois da minha breve passagem pelos Escuteiros que ali se sediavam. Anos mais tarde, mesmo depois de assistir ao afastamento do meu pai da actividade política militante, pude entender o que aquilo era e soube então das suas reuniões em diferentes locais de Lisboa, de modo reiterativo no "Retiro do Quebra-Bilhas", socialistas todos, partilhando a vontade de um Portugal de outra dimensão. Assim, não tendo o meu Pai aludido a qualquer proximidade com o falecido Soares mais que a supra relatada, que não obstante comungavam na inquietação e solução sociais e políticas, poderia afirmar que faleceu o publicamente mais representativo constructor da actual democracia portuguesa. Ainda não tenho a certeza se é realmente "preferível um a mau acordo a nenhum acordo", sei que o nosso país não está tão mal quanto há quarenta e três (43) anos.

quinta-feira, abril 28, 2016

domingo, maio 17, 2015

Na Lisboa de onde venho.


Sem que as imagens sugeridas na música abaixo reproduzam qualquer experiência pessoal, antes a percepção de comportamentos interpretada de maneira similar, aquelas que colhí esta manhã no jardim onde crescí reiteram motivações dispersas pela necessidade ou equívoco.  
 
Vejo a fotografia do cenário da minha infância, na secular perspectiva transcendentalista e noutra, mais pessoal, que também lá está, com mais luz.

 
Vejo, estimulado, que a Árvore à qual subia em menino, apesar de amputada de alguns braços em que me apoiei, rebentou a moldura de pedra na que a tentaram enclausurar e cresce!

 
 Lamentável é a água do tanque estar tão suja.
 
 

--

 

domingo, janeiro 11, 2015

10º Aniversário

Foi há dez (10) anos, quando por tentar expor, defender-me, a e, da mentira na qual nos obrigam a esgotar a vida e a vontade que, algo mais maçarico que hoje, decidi utilizar este meio.
Intensíssimos anos, muito mesmo, e continuarão, tal como a mentira, cada vez maior, mais contagiante.

Um abraço a quem por cá passou e, claro, a quem por aí vier por bem.

   

domingo, dezembro 14, 2014

2014



A modo de retrospectiva dos trezentos (300) últimos dias, a decisão que tomei há aproximadamente dois (2) anos, que entendia vital prescindir de tantos cuidados com a exposição do pensamento quantos aqueles motivados pelo medo infindo que oxalá controlara-mos da mesma forma que nos acreditamos conscientes de tudo o que sentimos, mas, que me tolhiam, oprimiam ou escravizaram mesmo em sonhos, resultou mais ajustada às expectativas que a margem de erro previamente assumida. Aquilo a que muitos chamam “Destino”, depois desta “travessia no deserto”; este “trabalho de campo”, começa a aparecer cada vez mais distante no horizonte, quase como um direito exclusivo de quem reclama o direito à vida.    

Por agora, lamentavelmente já sem o meu Pai no debate sobre conclusões preliminares, depois de destruída a confiança no discurso e na ação do meu anterior partido, tendo podido conhecer (sem muita dificuldade) a ética das relações partidárias com os executivos eleitos nos diferentes patamares da governação do nosso país e a de todos estes com o capital, a ideia de começar a olhar para o pseudorradicalíssimo burguês demagogo multifacetado mas concretamente aquele de fachada marxista/leninista, tipo PCP, como se de uma manipuladora balaustrada do inconformismo português se tratara, é intransponível.

Por outra parte, além da vida política, assinalada anteriormente por ter sido dos motivos centrais no que ao regresso a Portugal concernia, justificação, também, foi o meu Pai. Curiosamente, é agora, sem telefones nem combustível que valham, que encontro na sua trajetória elementos que, somente, reforçam o seu Socialismo desde a génese do seu partido até ao seu próprio repouso. Nunca esboçou mais que uma expressão de alegria e outra de quem nos diz que também no pensamento, apenas se parte da realidade, encontramos respostas através de relações sinápticas apenas funcionais depois de certo amadurecimento do indivíduo, algo não obrigatoriamente relacionado com a quantidade de experiencias (positivas/negativas). Sendo que, o conceito “realidade”, mais que aquele convindo socialmente, traduz desde o comportamento singular de um autista ao de qualquer cientista, outra coisa seria a hiper-realidade dentro da qual nos tentam manipular.            

Apolítico não, essa seria uma conversa estéril, tão estéril quanto uma mente despolitizada. Claramente, trata-se agora de procurar coerência, não com sonhos de outros, mas, com as necessidades do indivíduo que almeja um equilíbrio que jamais conseguirá esperando um Deus; a capacidade de voar ou, uma revolução de presos de dogmas falhados, ultrapassados, sustento do imobilismo mais cobarde no qual já nem os próprios acreditam.

Concluindo, escrever, compor, executar, ainda não. Ainda não descansei de amar.

domingo, agosto 17, 2014

Bitcoin

Por não ser fiduciária é apenas uma unidade contabilística para os alemães, sem obrigações legais por parte dos usuários nos estados unidos da américa segundo o departamento do tesouro em comunicado do "financial crimes enforcement network", praticamente incólume com relação á inflação, usada para pagar salários ou adquirir um automóvel aqui mesmo em Portugal, a BITCOIN é um activo virtual que se gera sem a intervenção de qualquer autoridade e que, curiosamente, também se pode obter, além do processo manual, com uma "maquinita" que se compra por aprox. €300 (também com bitcoins) no escaparate da rede.
Assim, atendendo á inicial segmentação da população em "user" e "non user", que a harmonização dependerá do crescimento económico mundial para adernar ou não no sentido da substituição natural da ferramenta (e essencialmente dos mecanismos de acesso à mesma) de relação com a sociedade da qual hoje somos apenas subordinados, colocam-se algumas questões: Alicerçará o conflito entre a economia real e este cada vez mais tangível paradigma algum tipo de violência; estaremos ante um solução que possa contribuir, até mesmo protagonizar, o desaparecimento do Estado?

terça-feira, maio 27, 2014

Apontamento


Por decisão própria, há dois anos, prescindi priorizar o sustento económico que me tinha até então proporcionado certa comodidade. Então, por base dessa aventura tomei o desafio de encontrar uma forma de me relacionar com a sociedade que usasse como ferramentas outros aspectos da relação humana que não apenas o económico.

Provocado o colapso de toda uma estrutura construída com assento no trabalho, na reflexão, na ponderação, mas que, se caracterizava por atribuir ao “super-eu” freudiano o papel de juiz da minha forma de existir, deparei com inusitadas realidades que, agora em condições de o afirmar, não apenas usufruem do condicionamento social próprio do actual modo de interação humana senão que, ajudam a forjar nas brasas essencialmente do maniqueísmo o gradeamento que efectivamente nos limita o caminhar.

Nesse sentido, utilizando subterfúgios mais ou menos ardilosos e outras vezes nem isso, nem sequer o silêncio, enquanto atitude, se pode considerar alheio à evolução do pensamento ou à manutenção desta fogueira de aparentes vontades, defendidas sempre pelos seus preconizadores.

Chegado aqui, devo negar-me fora da sociedade. Porém, depois de atravessar momentos que nunca tinha tido a oportunidade de entender, ainda que já conhecidos com base na partilha de episódios e/ou vidas de diferentes pessoas e na literatura que procurei e me chegou, devo aceitar que não existe ou existiu feito que mereça ou tenha merecido a vida de ninguém. Esta afirmação não se legitima internamente por assunção de qualquer incapacidade, mas, trata de evitar que a permeabilidade da mente justifique uma atribuição causal exógena como a predisposição do indivíduo para competir.

Longo, ainda que relativamente nem por isso, o caminhar da espécie tem sido protagonizado por massas condicionadas que, sem capacidade para decidir sobre os frutos da síntese do seu acervo de experiências, conclusões e melhores practicas, se permite assumir usurpada pelo poder cristalizado através de modelos que, qual auto-flagelados, obrigam ao hermetismo, ou, de outra maneira, à variação contida, à diversidade capada, enfim, à sociedade amedrontada, insegura, pueril, manipulável.

Vou então continuar, espero não ter que aguardar tanto tempo pela necessidade de escrever, ainda assim, depois de mais de nove anos, continua sendo este o espaço onde vejo a forma das minhas dúvidas.      

quinta-feira, novembro 28, 2013

Morrendo


Morrer, ainda não sei

sabê-lo não será algo apelatívo

só por ser morte, mas é!
O que é?

 

A memória que ratifica a vida

é morrer, é viver

é herança

de mortos

vivos

poderia ser a vida dos historiadores

a morte dos ignorantes

é o Homem?

sem escolha
escravo das vontades
imortal...
Mas, e morrer?

                                                                        Mitchourine

quinta-feira, novembro 07, 2013

Nazaré só com limão

Diz a certa altura da reportagem, uma jovem, que pelo discurso podia ser, porque não marciana, comunista, que "antes do McNamara já cá havia gente". Curta a memória de quem esquece o dispêndio económico abrumador que a "Nazaré Qualifica" realizou para dar a conhecer.... o dito. Enquanto isto acontece, apagam-se as luzes à noite, "aperta-se a azeitona".
Ainda bem que, ainda, por estar no desemprego não se perde o direito ao voto, como no Reino do elefantes.

sábado, fevereiro 23, 2013

Trai


Por entre um abandono ao amor, por emocionar-me com o usufructo da vontade, condicionada, como sempre e por sempre, encontro que uma proposta com os contornos daquela que o próprio Lenine colocou como solução a uma determinada questão com todas as suas peculiaridades e assim também condicionada, não resulta hoje viável – opinião contra a qual não argumento. Inviável é hoje, também, o escamotear da opinião seja de quem fôr se esta se balizar dentro de determinada ideologia, coerênte, plausível, mas, de escassa acepção, mesmo que incorporando o sentido de traduções como por exemplo “O Rei Lear”, de Alvaro Cunhal, acessíveis à cognição mais oprimida.

 Na prática, fechar as portas que Abril abriu ou prescindir de ser livre na liberdade resulta não mais que uma mentira, feia, vilipendiadora, revoltante.

 

 

Mino

terça-feira, janeiro 08, 2013

Ao Rui

Um abraço camarada à familia.

Mário Pinto

"

Rui Paz, compositor e professor de música


Antes do dia 25 de Abril de 1974, os jovens eram obrigados a ir para a guerra onde muitos morriam ou ficavam estropiados para toda a vida, sem olhos, sem braços e sem pernas.

Rui Paz, que os nossos leitores conhecem pelo seu trabalho enquanto membro do Conselho das Comunidades Portuguesas, é músico, compositor e professor de harpa. É também um nome ligado a um movimento de protesto contra a guerra colonial que se manifestou através da ocupação de uma igreja em Lisboa.
Neste mês em que se comemora mais um aniversário do 25 de Abril, o PP entrevista Rui Paz por ter participado num dos meus simbólicos movimentos de protesto contra a guerra colonial e e ser autor, conjuntamente com a poetisa Sophia de Mello Breyner , de uma canção contra a guerra que ficará ligada à libertação de Portugal do regime ditatorial que vigorou até ao 25 de Abril de 1974.

PP: Quer partilhar com os leitores o seu percurso como músico, compositor e professor de um instrumento original como é a harpa?

Rui Paz: Desde muito cedo, tinha cinco anos, comecei a aprender música, a tocar a piano e a cantar em coros. Aos 12 anos já sabia que queria estudar música no Conservatório em Lisboa. Como era necessário tocar dois instrumentos comecei também a aprender harpa. Finalmente acabei por concluir o curso do Conservatório Nacional com 20 anos. Como bolseiro da Fundação Gulbenkian aperfeiçoei-me em harpa no Conservatório Nacional Superior de Música de Paris e estudei musicologia na Universidade de Vincennes, tendo posteriormente actuado na Orquestra da Fundação Gulbenkian e leccionado no Conservatório Nacional em Lisboa


PP: E como é que veio para Alemanha e ser hoje um professor deste instrumento neste país ?

R.P.: Vim para a Alemanha no início dos anos oitenta concluir o mestrado em Ciências Musicais na Universidade de Colónia e frequentar o curso de composição algorítmica (informática) no Conservatório Robert Schumann em Düsseldorf.


PP: Em que escola ensina e quem são os são alunos?

R.P.: Logo que cheguei fui imediatamente convidado para leccionar harpa na Folkwang Musikschule em Essen e dirigir o teatro acústico, um projecto interdisciplinar que envolvia instalações musicais, música electrónica e música ao vivo. Os meus alunos são jovens músicos que actuam não só na Alemanha mas também no estrangeiro, na Finlândia, Rússia, Polónia, Itália, Hong-Kong ou Singapura. Neste momento a classe de harpa da Folkwang Musikschule é a maior e a mais premiada da Alemanha.


PP: Fale-nos um pouco do instrumento. Que capacidades se deve ter para tocar esse instrumento?

R.P.: A primeira dificuldade é que se trata de um instrumento caro. Uma harpa de concerto custa hoje a partir de 15 mil euros. A técnica e o sistema da escala nas cordas são muito semelhantes às do piano. Podemos dizer que nas 47 cordas encontram-se as teclas brancas do piano e que as teclas pretas são feitas através de um sistema de 7 pedais, cada um com três posições (sons diatónicos, sustenidos e bemóis). De resto é apenas necessário ter-se alguma musicalidade e capacidade motora nas mãos, nos dedos e nos pés. Eu costumo dizer aos meus alunos que os harpistas a exemplo dos futebolistas também tocam (jogam) com os pés.


PP: Em Portugal, o seu nome está ligado a um movimento de vigília numa igreja em Lisboa contra a guerra que o antigo regime mantinha nas antigas colónias. Quer contar-nos como foi?

R.P.: Eu era um dos poucos alunos do Conservatório que na altura me interessava pela situação politica, pois frequentava simultaneamente a Faculdade de Direito de Lisboa. Nalguns concertos ou acções de protesto sobretudo contra a guerra colonial as pessoas vinham ter comigo para eu ajudar na parte musical.
Na preparação de uma vigília de protesto contra a guerra colonial na passagem do ano de 1968/69, um grupo de cristãos progressistas pediu-me para compor cânticos que as pessoas pudessem cantar imediatamente sem ensaios pois a vigília estava a ser preparada clandestinamente para evitar a repressão policial. Fizeram-se várias reuniões clandestinas em casa do arquitecto Nuno Teotónio Pereira e na noite de 31 de Dezembro os participantes na vigília começaram a chegar ao café Nicola no Rossio e a ocupar as mesas que iam ficando livres. A certa altura tinham ocupado já todo o café e antes da meia-noite começámos a sair em pequenos grupos para não dar nas vistas. Depois de atravessarmos o Rossio, entrámos na igreja de S. Domingos onde o cardeal patriarca de Lisboa, Manuel Cerejeira, que era amigo pessoal do ditador Salazar então já falecido e fervoroso adepto do fascismo e da guerra colonial estava a acabar de celebrar uma missa com meia dúzia de velhinhas. O mais intrigante para o cardeal era o facto de que quanto mais a missa se aproximava do fim mais a igreja se enchia de gente inclusive jovens.


PP: Também está ligado a uma composição musical com texto de Sofia de Mello Breyner que na altura se cantava como manifestação contra a guerra.

R.P.: Um dos cânticos entoados na vigília de S. Domingos foi a “Cantata da Paz”. A letra foi escrita pela poetiza Sophia de Mello Breyner que era minha vizinha no bairro da Graça em Lisboa. Durante várias semanas trabalhámos juntos. A Sophia recitava os versos que lhe iam surgido em voz alta e eu tentava descobrir os ritmos e as melodias mais adequadas de modo a que os participantes ouvindo-as uma vez pudessem cantar logo lendo só o texto. A “Cantata da Paz” acabou por se tornar numa espécie de hino de protesto dos cristãos que estavam contra o regime e a guerra colonial e apesar de proibida na rádio, passou a ser regularmente cantada nas celebrações da capela do Rato e posteriormente gravada pelo padre Fanhais que também a tinha cantado na Vigília de S. Domingos.


PP: O Rui Paz ficou ligado ao movimento de resistência contra o regime que foi derrubado a 25 de Abril de 1974. Hoje, para quem tem 30 ou menos anos não faz ideia de como era esse regime. Quer contar muito resumidamente como se processava essa resistência?

R.P.: Toda a actividade política tinha de ser organizada clandestinamente. Basta dizer que os partidos políticos estavam proibidos. A policia política, a PIDE-DGS tratava de organizar ficheiros, prender, torturar ou assassinar as pessoas que se opunham ao fascismo e à guerra colonial. Greves e protestos dos trabalhadores eram proibidos e violentamente reprimidos. A emigração era feita na maior parte dos casos “a salto”, isto é, atravessando a fronteira de Espanha clandestinamente por serras e montes para não se ser apanhado pela polícia. Os jovens eram obrigados a ir para a guerra em Angola, Moçambique e Guiné onde muitos morriam ou ficavam estropiados para toda a vida, sem olhos, sem braços e sem pernas. As prisões estavam cheias de presos políticos. Quando surgiu a Revolução do 25 de Abril, só os 26 membros do Comité Central do Partido Comunista Português em exercício na clandestinidade tinham passado no total 250 anos nas prisões do fascismo. É importante que a juventude conheça a nossa história para que Portugal não volte a passar por tanto sofrimento e para que a democracia instaurada com o 25 de Abril possa ser aprofundada no sentido de uma sociedade mais justa e mais fraterna ao serviço de todo o povo português e não de meia dúzia de banqueiros como acontecia no tempo do fascismo.


PP: O facto de estar empenhado aqui na Alemanha nas questões da comunidade lusa quer dizer que a sua luta iniciada antes do 25 de Abril de 1974 não está concluída?

R.P.: É evidente que a Revolução do 25 de Abril tem um valor universal ao ter instaurado as liberdades políticas, ao concretizar uma série de conquistas económicas, sociais e culturais e ao acabar com a guerra colonial em África, aspirações do povo português mas que hoje são comuns a todos os povos do mundo. Hoje, vivemos cada vez mais uma situação em que os valores e as conquistas democráticas, da justiça social e da paz se encontram em perigo. O mundo é cada vez mais governado pelo poder do dinheiro e não pelas legitimas aspirações dos povos. Enquanto portugueses com uma experiência tão rica de luta pela liberdade temos o dever de transmitir aos mais jovens os sentimentos democráticos e patrióticos que tornaram possível a Revolução de Abril de 1974. Mostrar-lhes que vale sempre a pena lutar por um ideal que seja justo e libertador.

domingo, dezembro 23, 2012

Até para o ano!

Vamos lá então fazer o ano mais novo que pudermos.