quinta-feira, dezembro 22, 2011

Melhor ano!

Dedicando ao meu país estes poemas de fundo, espero que vivamos o novo ano acordados e acordando, dormindo tranquilos e, caminhando.

A revolução hoje!

quarta-feira, outubro 19, 2011

Com pouco para ler, ainda assim...

aproveitando este momento pouco visitado, estou a tentar utilizar esta folha para intercalar uma mensagem electrónica ao Mário e à Inês. Serão assim também os mais próximos aqueles que a compartam.

Aos 9 começou tudo.

Nasci em Portugal, Lisboa, Alcântara (ocantra), em Junho. Eram tempos de ditadura; no solstício de um tempo. Muito se fala dos 70, do século passado.

Aos 9 fui trabalhar.

Aos 41 levo mais tempo em España que em Portugal, Espanha tem mais de minha vida quanto mais eu mantenha alimentada a identidade. Então, sou português.
 Por diversas circunstâncias, que até agora se foram revelando patamares, tenho uma opção política clara, sendo, pelo menos, politizado. Comunista.
 Não obstante, devido a outros tantos factores, de entre os quais destaco o genético (esse que conhecem), a sociedade transformou-se/me em elemento nocívo para a sua e minha, adaptação/evolução, respectivamente. O facto de, dessas peculiaridades típicas da variação, me obrigarem hoje a manter-me anestesiado pelos técnicos do serviço nacional de saúde; drogado, para aceitar a vida tal como ela é, segundo o estabelecido, sem ataques de... "criatividade", leva implícito isso mesmo, íra. Íra, que nos ensina a transformá-la no que quisermos, basta continuar. Sem dissonância cognitíva, ou o que é o mesmo: objectivamente.

Ou somos bestas?

Até já

Genoma ou Conectoma?

Olaf Sporns, profesor de neurociencias en la Universidad de Indiana (EE.UU.), publicó un artículo en 2005 en el que atribuía los defectos a gran escala de la investigación en neurociencia general a la ausencia de una descripción anatómica de base, “fundacional”, del cerebro. Antes de ponerse a investigar, era necesario hacer un mapa.
Sporns propuso llamar a este mapa el “conectoma”. El nombre, obviamente, hace recordar a un proyecto importantísimo que había concluido dos años antes con éxito, el Proyecto Genoma Humano. El proyecto al que estaba dando nombre no era menos ambicioso: un atlas sistemático y completo de todas las conexiones del cerebro. Cuatro años después, Los Institutos Nacionales de la Salud (NIH, por sus siglas en inglés) de los Estados Unidos han anunciado en su Anteproyecto para la Investigación en Neurociencia el lanzamiento del Proyecto Conectoma Humano (HCP, por sus siglas en inglés), dotado inicialmente con 30 millones de dólares, con la esperanza de crear un mapa completo del cerebro adulto sano para 2015.
El cerebro humano se suele dividir en varios cientos de pequeñas áreas a las que se atribuyen funciones altamente especializadas. Vistas bajo el microscopio, muchas de estas áreas, que tienen un ancho de centímetros, presentan patrones de células claramente visibles. Cada una de estas áreas está conectada por millones de proyecciones neuronales con forma de hilo, los llamados axones, que corren en paralelo, enrollándose para formar lo que parece un cable grueso de fibra óptica. El cerebro funciona en base a procesos y estos procesos tienen lugar porque existen estas conexiones entre áreas especializadas.
La lógica tras el proyecto HCP está en que se cree que las diferentes áreas cerebrales adquieren sus características funcionales dependiendo de cómo se conectan unas con otras. Son las entradas y salidas de una neurona lo que determina qué función tiene. Por ello, como en otras ocasiones en biología, la estructura directamente define la función: las neuronas muy próximas procesarán la misma clase de información, y la conectividad entre estas regiones nos puede informar de cómo operan procesos más amplios.
Sin embargo, hay otros neurocientíficos para los que “conectoma” tiene un significado completamente diferente. Mientras que el proyecto de los NIH intenta trazar las conexiones a gran escala entre regiones cerebrales, algunos científicos, como los del Connectomeproject de Harvard, quieren escarbar más profundamente: aspiran a trazar en última instancia el cerebro humano neurona a neurona, construyendo un “diagrama de cableado” con todo detalle. De cierta forma el HCP es una respuesta a la perspectiva desalentadora de tener que determinar las miles de millones de conexiones neuronales del cerebro humano. Lo que han hecho estos puristas ha sido tomar otro camino: ciñéndose a la idea del mapa neurona a neurona, simplemente se han centrado en organismos más simples, para ir creciendo desde ahí. Hasta ahora, el único conectoma completo que ha sido determinado es el de nuestro viejo amigo el nemátodo Caenorhabditis elegans que, con sólo 302 neuronas, es uno de los organismos modelo más simples con un sistema nervioso.
En cualquier caso, ambos grupos están de acuerdo en que, al final, la microescala y la macroescala se encontrarán en un enorme conjunto de datos, idealmente con cada capa de complejidad informando a la siguiente. Por ahora, el NIH espera conseguir su objetivo a cinco años de tener completado un mapa región a región potenciando la colaboración entre científicos, muchos de los cuales han pasado años trabajando aisladamente, usando técnicas no verificadas y con pocas reproducciones de los datos obtenidos en laboratorios diferentes.
El impacto del HCP sobre la neurociencia será importantísimo, similar al Proyecto Genoma Humano. De hecho, habrá un antes y un después del HCP.

segunda-feira, outubro 17, 2011

quarta-feira, outubro 05, 2011

Um exemplo de difusão do medo


A processar sob a ciência (condicionamento aversivo), como o crime de oferecer aos portugueses a titularidade do "bad bank" que o anterior executivo decidiu criar para garantir a alternante sucessão.
Estará também ao abrigo, mas da constituição, a intimidação do povo; de um país, por um governo que menos de um-quarto desse, eleitor, apoiou?




Querem então acabar com a sanidade, educação, direitos laborais, etc, etc...


(A troika externa grega sugeriu a abolição do salário mínimo, €540, para aquele país.)

quinta-feira, julho 28, 2011

terça-feira, julho 19, 2011

?

"O presidente do Banco Central Europeu (BCE) pediu hoje aos líderes dos países da zona euro que não façam declarações contraditórias e para que apresentem uma posição única, dias antes da cimeira extraordinária dos países da moeda única.



"Há uma necessidade absoluta de melhorar a disciplina verbal", disse Jean-Claude Trichet e entrevista ao Financial Times alemão, cuja transcrição o BCE hoje divulgou.



Admitindo a complexidade de ter 17 países a tentar coordenar uma resposta à crise, Trichet destacou que "os governos precisam de falar a uma só voz em temas tão sensíveis e complexos como a crise" e reforçou que "falar a uma só voz neste período de crise é essencial".



O presidente do BCE defendeu também a atuação do governo alemão no atual período de crise, refutando acusações de que a Alemanha, a maior economia da zona euro, não agiu com a rapidez necessária para debelar a atual crise de dívida soberana e ajudou mesmo a piorar a situação.



"De maneira nenhuma, e acho mesmo que um discussão dessas está completamente fora de sítio na situação atual", considerou.



No domingo, a chanceler alemã Angela Merkel condicionou a sua participação na cimeira da zona euro à possibilidade de serem alcançados resultados concretos.



O presidente da União Europeia, Herman Van Rompuy, anunciou a cimeira para quinta-feira, para chegar a acordo quanto a um novo pacote de resgate à Grécia."

quinta-feira, julho 14, 2011

terça-feira, julho 12, 2011

segunda-feira, julho 04, 2011

sexta-feira, junho 17, 2011

Amanhã

A inteligência colectiva, quando mais inteligência simbiótica, pouco campo proporciona à prevalência do pensamento de grupo. Porém, estriba na dimensão do colectivo, e fundamentalmente nas características daqueles que o formam, a capacidade de evitar uma percepção deformada ou mesmo a dissonância cognitiva, deformação que extrema no estimular de dito pensamento.
No âmbito da cultura, na sua expressão mais ampla, aquele que prescindir da semântica (especialmente da cognitiva) como elemento central para a integrar e construir, definha e sucumbe. Não pelo conteúdo do seu pensamento senão pela incapacidade de utilizar elementos acessíveis àqueles aos quais a realidade constringe a percepção.

De outro modo:
Grande parte das patologias hoje padecidas pelo Homem deve-se a que o organismo não acompanha as permanentes mutações, transmutações, ou variações sociais, resultado do valor somado do próprio colectivo transcender o total do indivíduo. Não obstante, este "outro modo" não passa disso mesmo, de uma análise conjuntural, delimitando-se ao momento histórico e à sua correlação de forças.

Assim, é no colectivo que surge a vida, sendo um animal social somos um animal cultural, sem o colectivo a existência não será capaz de ir além da limitada divisão celular do próprio corpo e, essa limitação, como ao próprio Homem, torna a razão estéril... ou será infértil?

quarta-feira, junho 08, 2011

La poesia es un arma cargada de futuro

Cuando ya nada se espera personalmente exaltante,
mas se palpita y se sigue más acá de la conciencia,
fieramente existiendo, ciegamente afirmando,
como un pulso que golpea las tinieblas,

cuando se miran de frente
los vertiginosos ojos claros de la muerte,
se dicen las verdades:
las bárbaras, terribles, amorosas crueldades.

Se dicen los poemas
que ensanchan los pulmones de cuantos, asfixiados,
piden ser, piden ritmo,
piden ley para aquello que sienten excesivo.

Con la velocidad del instinto,
con el rayo del prodigio,
como mágica evidencia, lo real se nos convierte
en lo idéntico a sí mismo.

Poesía para el pobre, poesía necesaria
como el pan de cada día,
como el aire que exigimos trece veces por minuto,
para ser y en tanto somos dar un sí que glorifica.

Porque vivimos a golpes, porque apenas si nos dejan
decir que somos quien somos,
nuestros cantares no pueden ser sin pecado un adorno.
Estamos tocando el fondo.

Maldigo la poesía concebida como un lujo
cultural por los neutrales
que, lavándose las manos, se desentienden y evaden.
Maldigo la poesía de quien no toma partido hasta mancharse.

Hago mías las faltas. Siento en mí a cuantos sufren
y canto respirando.
Canto, y canto, y cantando más allá de mis penas
personales, me ensancho.

Quisiera daros vida, provocar nuevos actos,
y calculo por eso con técnica qué puedo.
Me siento un ingeniero del verso y un obrero
que trabaja con otros a España en sus aceros.

Tal es mi poesía: poesía-herramienta
a la vez que latido de lo unánime y ciego.
Tal es, arma cargada de futuro expansivo
con que te apunto al pecho.

No es una poesía gota a gota pensada.
No es un bello producto. No es un fruto perfecto.
Es algo como el aire que todos respiramos
y es el canto que espacia cuanto dentro llevamos.

Son palabras que todos repetimos sintiendo
como nuestras, y vuelan. Son más que lo mentado.
Son lo más necesario: lo que no tiene nombre.
Son gritos en el cielo, y en la tierra son actos.


Gabriel Celaya

segunda-feira, junho 06, 2011

- A comida aqui não vale nada!


- Ainda por cima servem pouco!!

domingo, junho 05, 2011

O nosso mundo é este

O nosso mundo é este
Vil suado
Dos dedos dos homens
Sujos de morte.

Um mundo forrado
De pele de mãos
Com pedras roídas
das nossas sombras.

Um mundo lodoso
Do suor dos outros
E sangue nos ecos
Colado aos passos…

Um mundo tocado
Dos nossos olhos
A chorarem musgo
De lágrimas podres…

Um mundo de cárceres
Com grades de súplica
E o vento a soprar
Nos muros de gritos.

Um mundo de látegos
E vielas negras
Com braços de fome
A saírem das pedras…

O nosso mundo é este
Suado de morte
E não o das árvores
Floridas de música
A ignorarem
Que vão morrer.

E se soubessem, dariam flor?

Pois os homens sabem
E cantam e cantam
Com morte e suor.

O nosso mundo é este….

( Mas há-de ser outro.)

José Gomes Ferreira

quarta-feira, maio 25, 2011

Ignorância e vontade

Pessoalmente, quem sabe por ignorância ou, seguramente, por vontade, considero qualquer sistema de representatividade uma real e grotesca falácia. Seja a fórmula de Hondt, a Imperiali, o duplo voto alemão, o norte-americano, o cociente Droop, o cociente Hare ou o método sainte-lague entre outros, com a agravante dos mínimos de três ou cinco por cento.
Ambos motivos, que levam à referida consideração, ignorância e vontade, partem, no primeiro caso, da impossibilidade de entender ou vislumbrar as razões pelas quais não resulta válida a representatividade directa. No segundo caso, a vontade, esta deriva da necessidade de conhecer os motivos pelos quais os partidos não estão representados de acordo com a vontade expressa nas urnas. Uma redundância que gera uma inquietação exponencial finita. Porém, entendo que surjam inúmeras questões que mereçam resposta ou argumentos a rebater na defesa desta dúvida.
Assim mesmo, no relativo a dúvidas, outras e muitas me assaltam, e, de entre essas, uma de enorme importância, relacionada também com o processo eleitoral: Qual o motivo pelo qual o o voto não é obrigatório?
Não é difícil perceber que, quem imponha uma nova obrigação à população será visto com maus olhos; que os diferentes níveis de esclarecimento (para alguns) podem desviar o resultado eleitoral; que a corrupção, as situações de carência, o medo, o preconceito, a indiferença ou mesmo a negação, a ânsia de poder, as relações próprias do capitalismo ou a “boa-fé”, entre outros e muitos factores (que me nego a menosprezar sobretudo se coerente com a dedicação que presto a determinadas matérias que resultam centrais na minha formação como indivíduo), poderiam resultar perniciosos, mas, mesmo com votos brancos e nulos, não será certo também que se chegaria sempre ao resultado mais ajustado à realidade do povo e do país?

Consciência.

Esclarecimento.

Mobilização.

Emancipação.

Liberdade.

Vida?

Casi todas las enfermedades, tienen solucion, los gobiernos lo ocultan para beneficiar a las Multinacionales

Premio Nobel de medicina Richard J. Roberts

El Premio Nobel de medicina Richard J.Roberts pone de manifiesto en una entrevista en La Vanguardia que muchas de las enfermedades que hoy son crónicas tienen cura, pero para los laboratorios farmacéuticos no es rentable curarlas del todo, los poderes políticos lo saben, pero los laboratorios compran su silencio financiando sus campañas electorales.

- ¿Qué modelo de investigación le parece más eficaz, el estadounidense o el europeo?

- Es obvio que el estadounidense, en el que toma parte activa el capital privado, es mucho más eficiente. Tómese por ejemplo el espectacular avance de la industria informática, donde es el dinero privado el que financia la investigación básica y aplicada, pero respecto a la industria de la salud… Tengo mis reservas.

- Le escucho.

- La investigación en la salud humana no puede depender tan sólo de su rentabilidad económica. Lo que es bueno para los dividendos de las empresas no siempre es bueno para las personas.

- Explíquese.

- La industria farmacéutica quiere servir a los mercados de capital…

- Como cualquier otra industria.

- Es que no es cualquier otra industria: estamos hablando de nuestra salud y nuestras vidas y las de nuestros hijos y millones de seres humanos.

- Pero si son rentables, investigarán mejor.

- Si sólo piensas en los beneficios, dejas de preocuparte por servir a los seres humanos.

- Por ejemplo…

- He comprobado como en algunos casos los investigadores dependientes de fondos privados hubieran descubierto medicinas muy eficaces que hubieran acabado por completo con una enfermedad…

- ¿Y por qué dejan de investigar?

- Porque las farmacéuticas a menudo no están tan interesadas en curarle a usted como en sacarle dinero, así que esa investigación, de repente, es desviada hacia el descubrimiento de medicinas que no curan del todo, sino que cronifican la enfermedad y le hacen experimentar una mejoría que desaparece cuando deja de tomar el medicamento.

- Es una grave acusación.

- Pues es habitual que las farmacéuticas estén interesadas en líneas de investigación no para curar sino sólo para cronificar dolencias con medicamentos cronificadores mucho más rentables que los que curan del todo y de una vez para siempre. Y no tiene más que seguir el análisis financiero de la industria farmacológica y comprobará lo que digo.

- Hay dividendos que matan.

- Por eso le decía que la salud no puede ser un mercado más ni puede entenderse tan sólo como un medio para ganar dinero. Y por eso creo que el modelo europeo mixto de capital público y privado es menos fácil que propicie ese tipo de abusos.

- ¿Un ejemplo de esos abusos?

- Se han dejado de investigar antibióticos porque son demasiado efectivos y curaban del todo. Como no se han desarrollado nuevos antibióticos, los microorganismos infecciosos se han vuelto resistentes y hoy la tuberculosis, que en mi niñez había sido derrotada, está resurgiendo y ha matado este año pasado a un millón de personas.

- ¿No me habla usted del Tercer Mundo?

- Ése es otro triste capítulo: apenas se investigan las enfermedades tercermundistas, porque los medicamentos que las combatirían no serían rentables. Pero yo le estoy hablando de nuestro Primer Mundo: la medicina que cura del todo no es rentable y por eso no investigan en ella.

- ¿Los políticos no intervienen?

- No se haga ilusiones: en nuestro sistema, los políticos son meros empleados de los grandes capitales, que invierten lo necesario para que salgan elegidos sus chicos, y si no salen, compran a los que son elegidos.

- De todo habrá.

- Al capital sólo le interesa multiplicarse. Casi todos los políticos - y sé de lo que hablo- dependen descaradamente de esas multinacionales farmacéuticas que financian sus campañas. Lo demás son palabras…

(Con información de La Vanguardia)

sexta-feira, maio 20, 2011

Por Espanha... (Directo)








Pensar, sequer, que esta janela para a "Puerta del sol" mostra o resultado da manipulação sionista das massas... só pode ser cansaço.

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Descansado:

Pois. Fascismo, sionismo, imperialismo.

sábado, maio 14, 2011

quinta-feira, maio 05, 2011

No te salves

No te quedes inmóvil
al borde del camino
no congeles el júbilo
no quieras con desgana
no te salves ahora
ni nunca
no te salves
no te llenes de calma
no reserves del mundo
sólo un rincón tranquilo
no dejes caer los párpados
pesados como juicios
no te quedes sin labios
no te duermas sin sueño
no te pienses sin sangre
no te juzgues sin tiempo

pero si
pese a todo
no puedes evitarlo
y congelas el júbilo
y quieres con desgana
y te salvas ahora
y te llenas de calma
y reservas del mundo
sólo un rincón tranquilo
y dejas caer los párpados
pesados como juicios
y te secas sin labios
y te duermes sin sueño
y te piensas sin sangre
y te juzgas sin tiempo
y te quedas inmóvil
al borde del camino
y te salvas
entonces
no te quedes conmigo.

Mario Benedetti

segunda-feira, maio 02, 2011

Consciência de classe

Nesse combate pela consciência, um papel decisivo cabe ao materialismo histórico. Quer no plano ideológico, quer no plano económico, proletariado e burguesia são classes necessariamente correlativas. O mesmo processo que, visto do lado da burguesia, aparece como um processo de desagregação, como uma crise permanente, é para o proletariado - e igualmente sob forma de crise - uma acumulação de forças, o trampolim para a vitória. No plano ideológico, isso significa que essa mesma compreensão crescente da essência da sociedade - onde se reflecte a lenta agonia da burguesia traz ao proletariado um contínuo crescimento de força. A verdade é, para o proletariado, uma arma condutora da vitória, e a conduz de maneira tanto mais segura se não recua diante de nada. A fúria desesperada com que a ciência burguesa combate o materialismo histórico é compreensível: ela está perdida desde que seja obrigada a colocar-se ideologicamente neste terreno. Isso permite, ao mesmo tempo, compreender por que, para o proletariado e somente para ele, uma justa compreensão da essência da sociedade é um factor de domínio de primeira ordem, porque, sem dúvida, é a arma pura e simplesmente decisiva.

György Lukács

quinta-feira, abril 28, 2011

Walking around

Acontece que me canso de meus pés e de minhas unhas,
do meu cabelo e até da minha sombra.
Acontece que me canso de ser homem.

Todavia, seria delicioso
assustar um notário com um lírio cortado
ou matar uma freira com um soco na orelha.
Seria belo
ir pelas ruas com uma faca verde
e aos gritos até morrer de frio.

Passeio calmamente, com olhos, com sapatos,
com fúria e esquecimento,
passo, atravesso escritórios e lojas ortopédicas,
e pátios onde há roupa pendurada num arame:
cuecas, toalhas e camisas que choram
lentas lágrimas sórdidas.

Pablo Neruda

quarta-feira, abril 27, 2011

Mais um dia

Quantas vidas se enlaçam no meu ADN?

Quantos se puseram à minha frente para que olhe o horizonte de braço hirto?

Quantos pensamentos se reprimiram enclausurados na vastidão das mentes até lhe faltarem à minha realidade?

Recordar quem fui não será desvirtuar o que sou, ou já não sou?

Não creio. Já não sou só tudo o que fui, sou uma projecção daquilo que quero ser, ancorado no limbo de quem era e do que serei. Uma espécie de caminhante.

Recordar Abril é necessário, mas não por mim, que também o sou. Recordar Abril é importante para que outros saibam que aconteceu, mas, não será menos interessante contar o nosso Abril a essa professora que exige meritocracia daquela que premeia “os que mais sabem” ou àqueles que vêm para a avenida gritar por Abril e expiar as frustrações que os carcomiam quando pensavam se votar sem agitar a marisma ou ficar em casa ao abrigo de olhares inquisidores.

Não sei se será pragmático ficar mal na fotografia e defender a participação popular recusando o acordo ortográfico (por exemplo), falar de política em público ou exibir vestes que denunciem explicitamente a ideologia segundo a qual pretendemos transformar a sociedade. Sei que queimar páginas do livro da história que nos vendem a preço da vida apenas pelo suplemento aparentemente gratuito de uma hiper-realidade tão descartável resulta conflituoso e, por vezes, fecundo, mas também os há conciliadores.

Aos amigos que nunca tentaram salvar-me de mim.

domingo, abril 24, 2011

"Nunca pensei viver"

Nunca pensei viver para ver isto:
a liberdade – (e as promessas de liberdade)
restauradas. Não, na verdade, eu não pensava
- no negro desespero sem esperança viva -
que isto acontecesse realmente. Aconteceu.
E agora, meu general?

Tantos morreram de opressão ou de amargura,
tantos se exilaram ou foram exilados,
tantos viveram um dia-a-dia cínico e magoado,
tantos se calaram, tantos deixaram de escrever,
tantos desaprenderam que a liberdade existe-
E agora, povo português?

Essas promessas – há que fazer depressa
que o povo as entenda, creia mais em si mesmo
do que nelas, porque elas só nele se realizam
e por ele. Há que, por todos os meios,
abrir as portas e as janelas cerradas quase cinquenta anos -
E agora, meu general?

E tu povo, em nome de quem sempre se falou,
ouvir-se-á a tua voz firme por sobre os clamores
com que saúdas as promessas de liberdade?
Tomarás nas tuas mãos, com serenidade e coragem,
aquilo que, numa hora única, te prometem?
E agora, povo português?

Jorge de Sena

terça-feira, abril 19, 2011

Sementes privatizadas?

Em Bruxelas as organizações, reunidas no movimento europeu "Campanha Europeia pelas Sementes Livres", entregaram mais de 60 mil assinaturas recolhidas no âmbito da petição europeia pelas sementes livres à Comissão de Direitos Humanos do Parlamento Europeu. Em Lisboa, pelas 16 horas, os dinamizadores locais da Campanha entregaram uma cópia da petição à representação portuguesa da Comissão Europeia, no Largo Jean Monnet. A animação incluiu uma pequena peça de teatro intitulada "se me mentes".

Ontem foi o último dia das Jornadas Internacionais de Acção, marcando o ponto alto da Campanha pelas Sementes Livres que denuncia a revisão em curso da legislação europeia em matéria de produção e comercialização de sementes (ver a Nova Lei das Sementes no site da Campanha). Esta revisão vai favorecer a crescente privatização das sementes agrícolas por uma dúzia de multinacionais, com graves consequências para horticultores e agricultores pequenos e para a segurança e autonomia alimentares, não só na Europa como em todo o mundo.

O mercado das sementes é hoje um oligopólio, com dez empresas a controlar 67% do mercado global de sementes comerciais (In Who Owns Nature? (2008), ETC Group Report). Através da manipulação genética, as patentes e a cobrança de direitos para a reprodução de sementes estas empresas estão a condicionar a diversidade genética do nosso planeta.

Os tratados internacionais e a legislação europeia já estão a favorecer fortemente as variedades de sementes industriais em detrimento das variedades tradicionais e da diversidade fitogenética conseguida com o trabalho de homens e mulheres agricultores ao longo de séculos. A nova legislação a ser proposta pela Comissão Europeia em 2011 vem restringir ainda mais a acção do agricultor, obrigando a burocracias que na prática vão inibir a reprodução de sementes tradicionais.

A Campanha Europeia pelas Sementes Livres reclama o livre acesso às sementes, o apoio à preservação da diversidade agrícola e a proibição das patentes sobre plantas. As sementes são um bem comum e vital e não devem ser entregues à exploração exclusiva da indústria agro-alimentar.

Esta campanha é dinamizada pelas organizações Campo Aberto, GAIA, MPI, Plataforma Transgénicos Fora e Quercus e conta com mais 35 organizações subscritoras. A "Petição pelas Sementes Livres - não à privatização das sementes!" continua a poder ser assinada online.

Aqui

"Nascem flores onde quiseres..."

O ser humano continua pensando. E o pensamento e a ideologia dos trabalhadores e dos povos oprimidos serão sempre inevitavelmente opostos à das potências e classes exploradoras e opressoras.
Álvaro Cunhal

O Mundo de Hoje - 2003

quinta-feira, abril 14, 2011

Trabalho Assalariado e Capital

O servo pertence à terra e rende frutos ao dono da terra. O operário livre, pelo contrário, vende-se a si mesmo, e além disso por partes. Vende em leilão oito, dez, doze, quinze horas da sua vida, dia após dia, a quem melhor pagar, ao proprietário das matérias-primas, dos instrumentos de trabalho e dos meios de vida, isto é, ao capitalista. O operário não pertence nem a um proprietário nem à terra, mas oito, dez, doze, quinze horas da sua vida diária pertencem a quem as compra. O operário, quando quer, deixa o capitalista ao qual se alugou, e o capitalista despede-o quando acha conveniente, quando já não tira dele proveito ou o proveito que esperava. Mas o operário, cuja única fonte de rendimentos é a venda da força de trabalho, não pode deixar toda a classe dos compradores, isto é, a classe dos capitalistas, sem renunciar à existência. Ele não pertence a este ou àquele capitalista, mas à classe dos capitalistas, e compete-lhe a ele encontrar quem o queira, isto é, encontrar um comprador dentro dessa classe dos capitalistas.
Karl Marx 5 de abril 1849

terça-feira, abril 12, 2011

Há meio século, com 27 anos, um operário metalurgico foi o primeiro homem a olhar todos os impérios entre os dedos de uma mão. Chamava-se Gagarin.

segunda-feira, abril 11, 2011

Analfabeto castrado, não!

A que horas se reunirão aqueles que na terça-feira irão à portela receber o FMI, à pedrada? Já pintei o cartaz...


"De regreso, medité en los destinos de nuestra colonia. Ante mí se erguía en toda su magnitud la visión de una crisis terrible, en la que corrían el peligro de hundirse en un abismo valores indudables para mí, valores vivos, vitales, creados, como un milagro, por cinco años de trabajo de la colectividad, cuyas cualidades excepcionales ni siquiera por modestia quería ocultar ante mí mismo. En una colectividad como la nuestra, la falta de claridad en las rutas personales no podía originar la crisis. Las rutas personales son siempre confusas. ¿Y qué es una ruta personal clara? Es la renuncia a la colectividad, es un espíritu pequeñoburgués concentrado: preocuparse, desde la más tierna edad, de algo tan fastidioso como el futuro pedazo de pan, como esa misma decantada calificación. ¿Calificación de qué? De carpinteros, de zapateros, de molineros. No, yo creo con firmeza que, para un muchacho de dieciséis años, la calificación más valiosa en nuestra vida soviética es la calificación de combatiente y de hombre. Me imaginé la fuerza de la colectividad de los colonos y repentinamente comprendí en qué consistía la cuestión: naturalmente, ¡cómo había podido tardar tanto en darme cuenta! Todo consistía en el estancamiento. No se podía tolerar ningún estancamiento en la vida de la colectividad. Me alegré como un niño: ¡qué encanto! ¡Qué magnífica, qué absorbente es la dialéctica! Una libre colectividad obrera no es capaz de estancarse. La ley universal del desarrollo general comenzaba únicamente ahora a poner de manifiesto su verdadera fuerza. La forma de existencia de una colectividad humana libre es el movimiento adelante; la forma de su muerte es el estancamiento."

Antón Makarenko

sexta-feira, abril 08, 2011

quarta-feira, abril 06, 2011

segunda-feira, abril 04, 2011

Constituição da República Portuguesa III

Artigo 2.º

(Estado de direito democrático)


A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência de poderes, visando a realização da democracia económica, social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa.

domingo, abril 03, 2011

Constituição da República Portuguesa II

A Assembleia Constituinte, reunida na sessão plenária de 2 de Abril de 1976, aprova e decreta a seguinte Constituição da República Portuguesa:


Princípios fundamentais


Artigo 1.º

(República Portuguesa)


Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.

Domingo musicado

"Governo demissionário faz 156 nomeações e promoções

O Governo demissionário não parou de contratar e promover funcionários após o chumbo do PEC 4 a 23 de Março. De acordo com as publicações em Diário da República contabilizadas pelo Diário de Notícias, o Executivo de José Sócrates assinou 85 nomeações e 71 promoções.
Com as eleições marcadas para 5 de Junho, algumas nomeações para, por exemplo, gabinetes ministeriais terão de sair num máximo de três meses. Caso disso é a nomeação para adjunto da ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas.

Em sete dias, este número de nomeações - 85 - traduz-se numa média recorde de 12 por dia.

O ministério que mais nomeações fez foi o da Administração Interna, com 19 novos membros. Seguiu-se a Presidência do Conselho de Ministro, com 13 nomeações e, depois o Ministério da Defesa, com nove. O jornal escreve que das 85 nomeações, 27 foram substituições."

Cautela

Jantávamos, todos camaradas, e lembrei-me da cisão, mas em espanhol: "escisión", imediatamente corrigido pela solidariedade que fervilhava na mesa. Sem filtro, recentemente, dei por mim a escrever "Escéptico" em lugar de céptico, desta sem censura, mas, prenúncio de mais um desafio; mais uma cautela para o heurístico.
Não faz parte do objectivo acabar a vender lotaria, velho.

sábado, abril 02, 2011

Constituição da república portuguesa I

PREÂMBULO
A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime fascista.
Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa.
A Revolução restituiu aos Portugueses os direitos e liberdades fundamentais. No exercício destes direitos e liberdades, os legítimos representantes do povo reúnem-se para elaborar uma Constituição que corresponde às aspirações do país.
A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno.

domingo, março 20, 2011

Avieiros (excerto)

Vida danada! Invernos inteiros a ver o mar empinar-se e varrer tudo da frente e não largar um naco de pão para a boca de um menino. Sempre à espera, mal o mar dava sota, lá ia com os camaradas oferecer-se à morte, metendo o barco à má cara na entrada até aguentá-lo depois à volta no contrabanco; no saco trazia um punhado de peixe que mal dava para o almoço da companha, quanto mais para pagar imposto e dar parte à rede. Acabara por se resolver depois de muito matutar: que ficassem por ali os velhos a fumar cachimbo e a contar patranhas; a ele não lhe faltavam braços, graças a Deus, para lutar com o mundo.
Alves Redol

sexta-feira, março 04, 2011

Ciudad Sin Sueño

No duerme nadie por el cielo. Nadie, nadie.
No duerme nadie.
Las criaturas de la luna huelen y rondan sus cabañas.
Vendrán las iguanas vivas a morder a los hombres que no sueñan
y el que huye con el corazón roto encontrará por las esquinas
al increíble cocodrilo quieto bajo la tierna protesta de los astros.
No duerme nadie por el mundo. Nadie, nadie.
No duerme nadie.
Hay un muerto en el cementerio más lejano
que se queja tres años
porque tiene un paisaje seco en la rodilla;
y el niño que enterraron esta mañana lloraba tanto
que hubo necesidad de llamar a los perros para que callase.
No es sueño la vida. ¡Alerta! ¡Alerta! ¡Alerta!
Nos caemos por las escaleras para comer la tierra húmeda
o subimos al filo de la nieve con el coro de las dalias muertas.
Pero no hay olvido, ni sueño:
carne viva. Los besos atan las bocas
en una maraña de venas recientes
y al que le duele su dolor le dolerá sin descanso
y al que teme la muerte la llevará sobre sus hombros.
Un día
los caballos vivirán en las tabernas
y las hormigas furiosas
atacarán los cielos amarillos que se refugian en los ojos de las vacas.
Otro día
veremos la resurrección de las mariposas disecadas
y aún andando por un paisaje de esponjas grises y barcos mudos
veremos brillar nuestro anillo y manar rosas de nuestra lengua.
¡Alerta! ¡Alerta! ¡Alerta!
A los que guardan todavía huellas de zarpa y aguacero,
a aquel muchacho que llora porque no sabe la invención del puente
o a aquel muerto que ya no tiene más que la cabeza y un zapato,
hay que llevarlos al muro donde iguanas y sierpes esperan,
donde espera la dentadura del oso,
donde espera la mano momificada del niño
y la piel del camello se eriza con un violento escalofrío azul.
No duerme nadie por el cielo. Nadie, nadie.
No duerme nadie.
Pero si alguien cierra los ojos,
¡azotadlo, hijos míos, azotadlo!
Haya un panorama de ojos abiertos
y amargas llagas encendidas.
No duerme nadie por el mundo. Nadie, nadie.
Ya lo he dicho.
No duerme nadie.
Pero si alguien tiene por la noche exceso de musgo en las sienes,
abrid los escotillones para que vea bajo la luna
las copas falsas, el veneno y la calavera de los teatros.

Federico García Lorca

domingo, fevereiro 27, 2011

O valor de ser

Mesmo não sendo particularmente Freudiano, sei ainda que, desde sempre, a psicologia tem encontrado dificuldades no que à sua consideração popular enquanto ciência respeita. Porém, se bem é certo que existe uma importante psicologia popular, é igualmente certo que existe uma psicologia cientifica. E, no concernente a esta última, duas áreas específicas e complementarias: A psicologia aplicada e a psicologia básica, âmbito do qual, atendendo à sua essência, retiraremos dados que nos permitirão aproximar a alguma conclusão rompendo o condicionamento da subjectividade ou do cepticismo.
Consciente da dificuldade de rebater em poucas linhas um estereótipo, sobretudo considerando o momento cultural que atravessamos, ainda que seres sociais (e culturais), quero reiterar a ideia de que riqueza não é sinónimo de bem-estar.


Como ponto de partida, podemos começar por averiguar se as sociedades mais ricas são aquelas em que o bem-estar é superlativo. A resposta é: Esta sincronia só acontece em parte. Mentir seria negar que os países mais prósperos (Dinamarca, etc.) usufruem de maior bem-estar que aqueles economicamente carenciados (Senegal, Botswana, etc.). Contudo, de facto, entre a riqueza de um país e o bem-estar da população, não existe uma elevada correlação. Aliás, podemos definir um tecto de dez mil euros de renda per capita. Acima deste tecto, o incremento da renda per capita deixa de correlacionar ou manter um crescimento paralelo com o bem-estar. Como tal, numa primeira impressão poderíamos afirmar que resulta mais favorável para a vida ser Alemão que Ganês. Não obstante, ainda que a renda per capita Luxemburgo seja bastante superior à do Canadá, no que ao bem-estar respeita não se constata grande diferença.

Por outra parte, torna-se importante saber se, num determinado país, a melhoria económica se traduz em aumento do bem-estar. Neste caso, para não nos reduzirmos ao Portugal de hoje versus Portugal de 1975, vamos mesmo ao berço do capitalismo e ampliaremos o período de análise. Começando com dados de 1957 e chegando à actualidade, no caso dos estados unidos da América do norte, sabemos que (medida em dólares de 1995), a renda per capita era de nove mil dólares. Actualmente é o dobro, de maneira que, nos lares norte americanos, desde 57 até hoje, a percentagem de lava-louças passou de sete para cinquenta por cento, os ares condicionados passaram de quinze a setenta e três por cento, ao mesmo tempo que o número de automóveis duplicou. Ainda assim, a percentagem de pessoas que afirmam ser muito felizes não aumentou; pelo contrário, desceu de trinta e cinco para trinta e quatro por cento. Além disso, os indicadores de mal-estar (divórcios, suicídio adolescente, depressão), esses sim aumentaram de maneira exponencial.
Existem ainda dados semelhantes para outros países como Inglaterra ou Japão.


Concluindo: mais que mais conclusões, que também, mas, sem deixar de lado motivos como a capacidade humana de adaptação (o processo motivacional é isso mesmo: uma inquietação adaptativa não obrigatoriamente no sentido de Anaximandro ou, ainda que de outra forma, de Heraclito) ou o desejo (quase necessidade Darwiniana) de comparação interna e externa, vital seria suprir o primeiro e segundo níveis da pirâmide de Maslow, que estimo a primeira e mais importante necessidade do Homem: Consciência, capacidade que surge, desperta, primordialmente na infância mas que, até ao pôr-do-sol, encontra na plasticidade neural sustento para se recuperar.


Escrevia o Aleixo:

"Se é que valor nenhum tem,
não crê que o mundo isso diz:
basta pensar que é alguém
para se sentir feliz."

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Ya no hay locos

Ya no hay locos, amigos, ya no hay locos. Se murió aquel manchego, aquel estrafalario fantasma del desierto y … ni en España hay locos. Todo el mundo está cuerdo, terrible, monstruosamente cuerdo.
Oíd … esto,
historiadores … filósofos … loqueros …
Franco … el sapo iscariote y ladrón en la silla del juez repartiendo castigos y premios,
en nombre de Cristo, con la efigie de Cristo prendida del pecho,
y el hombre aquí, de pie, firme, erguido, sereno,
con el pulso normal, con la lengua en silencio,
los ojos en sus cuencas y en su lugar los huesos …
El sapo iscariote y ladrón repartiendo castigos y premios …
y yo, callado, aquí, callado, impasible, cuerdo …
¡cuerdo!, sin que se me quiebre el mecanismo del cerebro.
¿Cuándo se pierde el juicio? (yo pregunto, loqueros).
¿Cuándo enloquece el hombre? ¿Cuándo, cuándo es cuando se enuncian los conceptos
absurdos y blasfemos
y se hacen unos gestos sin sentido, monstruosos y obscenos?
¿Cuándo es cuando se dice por ejemplo:
No es verdad. Dios no ha puesto
al hombre aquí, en la Tierra, bajo la luz y la ley del universo;
el hombre es un insecto
que vive en las partes pestilentes y rojas del mono y del camello?
¿Cuándo si no es ahora (yo pregunto, loqueros),
cuándo es cuando se paran los ojos y se quedan abiertos, inmensamente abiertos,
sin que puedan cerrarlos ni la llama ni el viento?
¿Cuándo es cuando se cambian las funciones del alma y los resortes del cuerpo
y en vez de llanto no hay más que risa y baba en nuestro gesto?
Si no es ahora, ahora que la justicia vale menos, infinitamente menos
que el orín de los perros;
si no es ahora, ahora que la justicia tiene menos, infinitamente menos
categoría que el estiércol;
si no es ahora … ¿cuándo se pierde el juicio?
Respondedme loqueros,
¿cuándo se quiebra y salta roto en mil pedazos el mecanismo del cerebro?
Ya no hay locos, amigos, ya no hay locos. Se murió aquel manchego,
aquel estrafalario fantasma del desierto
y … ¡Ni en España hay locos! ¡Todo el mundo está cuerdo,
terrible, monstruosamente cuerdo! …
¡Qué bien marcha el reloj! ¡Qué bien marcha el cerebro!
Este reloj …, este cerebro, tic-tac, tic-tac, tic-tac, es un reloj perfecto …,
perfecto, ¡perfecto!

León Felipe

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Defender a constituição

Roubam, matam deixando padecer, matam sem deixar nascer, matam-nos a vontade de viver, matam-nos o ser antes de morrer. Além da resistência é urgente usufruir do Art. 21º da constituição de Abril!

Num jornal

"O ministro das Finanças finlandês, Jyrki Katainen, convocou os primeiros-ministros conservadores da Europa para um encontro em Helsínquia a 4 de Março - antes da cimeira dos 17 do euro (a 11 de Março) - e deixou de fora os líderes socialistas de Grécia, Portugal e Espanha."

Dúvidas sobre matérias desconhecidas

Acabo de ler um artigo do DN, de dia 9, do qual parece possivel sacar base para um texto similar a algum que se tenha publicado neste blogue. Pois é, nem pensar nisso, ainda que não seria nada do outro mundo; nem pensar nisso apesar de inauditas coincidências.
A questão que surge é: Estará a produção nacional ajustada e ajustando-se, à capacidade de consumo daqueles dos quais o ordenado representa a acumulação do salário de muitos desempregados e que, multiplicado este pela dimensão deste emoldurado segmento, chegaria mesmo a setecentos mil?

domingo, fevereiro 13, 2011

Perspectiva de um jardineiro

Perspectiva e, perspectivo, um campo imenso, tão extenso que parece ter como objectivo aumentar o alcance da vista, mas, será o campo?
Ao nascer, existimos como um jardim, prometemos como um jardim. Sem portas, nem janelas, nem cercas, nem cercados, só mais um, jardim. Quantos jardins...
Putos todos, compartimos, jogamos, exploramos, conhecemos, experimentamos, amamos neles e desde esses jardins.
Crescemos. Avançamos como um jardim num campo que este não limita e, porque o homem precisa conhecer, deixamos de o cuidar abstraidos pela redondeza. Assim, cresce, expande-se, multiplica de tal forma o seu tamanho que, abandonado, deixa de ser um jardim para se tornar floresta, que já não é nossa e que desconhecemos. Floresceu só com o nosso cuidado por outros jardins, os quais, não pretendendo, foram todos.
Tarde nos percatamos, quando já os troncos e as ramas das árvores e plantas dessa floresta se embrenham com outras, de um machado em alça para as segar. Para onde não olhamos, como pelos passos da sombra avisados, outros bosques, lanças com brasão, ou só mesmo (os que mais) muros de arame farpado, avançam sobre os rebentos das flores que teriam sido, algumas, também o nosso jardim.
Reagir, eis a solução. Com palavras, correntes, frustrações ou desnorte, toca a desbravar o que afinal não entendemos, o que nada nos diz, do que nada dissémos nem escutámos, sempre alheios, ainda que apenas isso sejamos.

Súbitamente, aparecemos feras, vindos da selva que foi campo, outrora caminhos para passearmos de um campo pragado de jardins soalheiros, hoje trevas, hoje... onde está o meu jardim, onde estão os nosso jardins?
Definhamos na contenda, defendendo a cegueira, que mata, profunda.


Mitchourine

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

Denúncias do sol e, peneira.

(...) Cá fora, no jardim, o filho já tinha andado no triciclo e apreciado as prendas que o Arturinho recebera quando fizera doze anos. Mas não brincara, como das outras vezes, irrequieto e curioso, na ânsia de tudo ter nas mãos. Desde que o Arturinho lhe perguntou quando voltaria para a escola, sentiu que era ali um estranho. Andou no triciclo, por andar. E quando o amigo se gabou de que o papá lhe daria uma bicicleta, se ficasse bem no exame, sentou-se nas escadas e não falou mais.(...)

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Amostra sem valor

Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível:
com ele se entretém
e se julga intangível.

Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.

Eu sei que as dimensões impiedosos da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo.

António Gedeão

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Os paraisos artificiais

Na minha terra, não há terra, há ruas;
mesmo as colinas são de prédios altos
com renda muito mais alta.

Na minha terra, não há árvores nem flores.
As flores, tão escassas, dos jardins mudam ao mês,
e a Câmara tem máquinas especialíssimas para desenraizar as árvores.

Os cânticos das aves - não há cânticos,
mas só canários de 3º andar e papagaios de 5º.
E a música do vento é frio nos pardieiros.

Na minha terra, porém, não há pardieiros,
que são todos na Pérsia ou na China,
ou em países inefáveis.

A minha terra não é inefável.
A vida da minha terra é que é inefável.
Inefável é o que não pode ser dito.

Jorge de Sena

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Como de súbito

Como de súbito na vida tudo cansa!
e cansa-nos a vida e nos cansamos dela,
ou ela é quem se cansa de nós mesmos,
na teima de existir e desejar?
Porque, neste cansaço, não o que não tivemos,
ou que perdemos, ou nos foi negado,
o que de que se cansa, mas também
o quanto temos, nos ama, se nos dá
a até os simples gozos de estar vivo.
Um dia é como se uma corda se quebrara,
ou como se acabara de gastar-se,
que nos prendia a tudo e tudo a nós.
Não é que as coisas percam importância,
as pessoas se afastem, se recusem,
ou nós nos recusemos. Não. è mais
ou menos que isto- se deseja igual
ao como até há pouco desejávamos.
É talvez mais. Mas sem valor algum.
O dia é noite, a noite é dia, a luz
se apaga ou se derrama sobre as coisas
mas elas deixam de ter forma e cor,
ou se sumir no espaço como forma oculta.
E o que sentimos é pior que quanto
dantes sentíamos nas horas ásperas
da fúria de não ter ou de ter tido.
Porque se sente o não sentir. Um tédio
Não como o tédio antigo. Nem vazio.
O não sentir. Que cansa como nada.
Até dizê-lo cansa. É inútil. Cansa.

Jorge de Sena

A Portugal

Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece.
Nem minha amada, porque é só madrasta.
Nem pátria minha, porque eu não mereço
A pouca sorte de nascido nela.

Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela,
saudosamente nela, mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.

Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça, e de vileza,
de mesquinhez, de fatua ignorância;
terra de escravos, cu pró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre, castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol calada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros
que deixam moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;
terra de monumentos em que o povo
assina a merda o seu anonimato;
terra-museu em que se vive ainda,
com porcos pela rua, em casas celtiberas;
terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro de um sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;
ó terra de ninguém, ninguém, ninguém:
eu te pertenço.
És cabra, és badalhoca,
és mais que cachorra pelo cio,
és peste e fome e guerra e dor de coração.
Eu te pertenço mas seres minha, não


Jorge de Sena

segunda-feira, janeiro 24, 2011

A marisma

Tendo sido as eleições que históricamente menos participadas se revelaram, todo um sinal de confiança na acção dos anteriores governos; sem que aqueles que necessitavam pedir emprestados os olhos da criança que foram para tentar descobrir a vontade que de tantos ataques se vai mascarando parecendo abandoná-los; os acontecimentos relacionados com a corrupção inimputada; a imagem tendenciosamente manipulada e transmitida pelos meios de comunicação que nos coloca como meros elementos de figuração numa história na qual somos e sempre seremos, os protagonistas; o aproveitamento da burocracia por parte de quem legisla para dificultar o exercicio de um direito conquistado pela luta e morte de tantas Mulheres e Homens que nos antecederam e acompanham ou, a opção das diferentes forças políticas no relativo à eleição dos seus candidatos, Portugal continua na senda da decadência.

Observando o resultado das várias candidaturas, numa análise "grosso modo", podemos perceber o valor real do esclarecimento da população. Dos três candidatos apoiados por partidos políticos, encontramos que, Francisco Lopes, apesar de que a sua base de apoio também se encontre exposta aos factores anteriormente mencionados e a outros que aqui não se expõem e que possibilitaram uma abstenção superior a 53%, foi a aquela que menos sustento perdeu, bastando para tal atender a que este reduziu a sua votação em 10%, enquanto Cavaco perdeu quase 14% e que, no caso de Manuel Alegre, aproximadamente 20% do seu eleitorado lhe retirou a confiança.

Em última impressão, não sendo, nem pretendendo, um ignorante equivocado sabe-tudo da política, encontrei que foi maioritariamente a juventude quem reinvindicou o seu direito, quem quis mudar a marisma e transformá-la, a mesma juventude da qual prescindem todos os governos que desde 1975 têm vindo a atrofiar o país, a mesma juventude víctima primeira desta mentira na qual 23% do eleitorado nos obriga a acompanhar quem chafurda como no líquido materno.


A luta deve continuar.

terça-feira, janeiro 18, 2011

Dorme

Não sonhando nunca necessitaremos contrariar o estabelecido, mas, mais importante, sem sonhos estaremos seguros de nunca criar realidades que quem nos governe não possa controlar.

Para sonhar há que dormir, bastam 90 minutos, para adormecer é necessário estar acordado.

domingo, janeiro 16, 2011

Neandertal e paciência

Na imagem seguinte, à esquerda um exemplo do crânio evoluído da espécie, com uma frente proeminente, à direita, uma cabeça de Neandertal.
Dedicado estes dias a conhecer matérias que consideram certos aspectos morfológicos da evolução, sem deixar de atender a que certas deformações encontradas em esqueletos se ficaram a dever apenas a influências culturais, encontrei no Neandertal determinadas características que se revelaram assobrosamente comuns a pelo menos um exemplar de, até agora aceite como tal, homo sapiens. Possivelmente a prova de uma continuidade genética paralela que contrariaria Darwin no que à variabilidade respeita, que, ao mesmo tempo, poderia explicar a razão da escolha deste exemplar para capataz do imperialismo no nosso país, considerando a sua proximidade ao tempo da prática inexistência do cortéx frontal, ou, à etapa embrionária do seu desenvolvimento, que o tornaria obediente e pouco capaz de articular qualquer linha de pensamento, razão pela qual apenas domina a sentença: "-Sobre isso... Não me pronuncio", aqui ficam alguns exemplos dessa semelhança, que, reitero, não passa de uma curiosidade.
Resumindo: na foto abaixo poderemos encontrar, à esquerda (como já sabiamos), um exemplo do Homem actual e, no extremo direito, uma simulação de como seria o Neandertal. Como se poderá observar, as diferenças são claras, a área mais importante e que nos diferencia de outras espécies, que na imagem da esquerda se apresenta desenvolvida, extremamente relacionada com a cognição, no indivíduo da direita revela-se ainda atrofiada.
Claro que, a tendência evolutiva é a de promover uma capacidade adaptativa síncrona e generalizada. Assim, sendo a paciência uma característica da inteligência, resistir na vanguarda - como faremos no dia 23 - é já vencer.

sábado, janeiro 15, 2011

Senta-te aí

Está na hora de ouvires o teu pai
Puxa para ti essa cadeira
Cada qual é que escolhe aonde vai
Hora-a-hora e durante a vida inteira

Podes ter uma luta que é só tua
Ou então ir e vir com as marés
Se perderes a direcção da Lua
Olha a sombra que tens colada aos pés

Estou cansado. Aceita o testemunho
Não tenho o teu caminho pra escrever
Tens de ser tu, com o teu próprio punho
Era isto o que te queria dizer

Sou uma metade do que era
Com mais outro tanto de cidade
Vou-me embora que o coração não espera
À procura da mais velha metade

João Monge

sexta-feira, janeiro 14, 2011

La Cantera

Hoje, muitas Mulheres e Homens, que sendo puto foram a madurez do despertar, feliz, para um sonho que era já o caminho, vieram saudar-me sem que nada de especial o tenha suscitado.
É certo que estamos num momento eleitoral e que, como habitualmente, aparecem mais vozes que noutras ocasiões. Porém, devido seguramente a esse efeito, tipo magnético, de atracção e repulsa, com que a mente estrutura a nossa idiossincrasia, equilibrando-nos fisiologicamente, favorecendo a coerência com a vontade, não encontro motivo aparente para tão inusitada visita.
Divagando, pela razão, pelos estímulos que actuam nesse eu que pensará que me assustaria se se revelara despido de contemplação, só aparece a esperança, mas, que esperança? Pois é, a esperança de que saibamos algum dia, todos (porque muitos o fazemos), respeitar o futuro, que nos olha desde baixo, às vezes com olhos de fuzil no momento do adeus.
Obrigado!

Vejam bem...

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Mania das grandezas

Pois bem, confesso:
fui eu quem destruiu as Babilônias
e descobriu a pólvora...
Acredite,
a estrela Sírius, de primeira grandeza,
(única no mercado)
deixou-me meu tio-avô em testamento.
No meu bolso esconde-se o segredo
das alquimias
e a metafísica das religiões
— tudo por inspiração!

Que querem?
Sou poeta
e tenho a mania das grandezas...

Talvez ainda venha a ser Presidente da República...

Joaquim Namorado

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Justiça imparcial ou condicionada? Venha o meu!

Ainda como ministro das finanças de Sá Carneiro, já Cavaco era capaz de promover as condições necessárias para a entrada do FMI, como se verificou, e, terraplanando o terreno para a sua intervenção, contribuir para uma revisão contitucional que hoje se revela dos mais importantes golpes à constituição de Abril, às condições de vida dos trabalhadores, do Povo e do pequenos e médios empresários. Não obstante, àparte de apadrinhar tudo o que foi a practica continuada do enriquecimento ilícito, nepotismo, corrupção, fraude, crimes contra a soberania, destruição do aparelho productivo, retirada de direitos aos trabalhadores e desempregados, cortes na educação e sanidade, também na justiça o actual presidente permite com o seu mutismo situações como esta:

Segundo a imprensa, uma auditoria do Tribunal de Contas (TC) detectou que aquele Instituto gastou 326,1 milhões de euros (160 no ano passado e 166,1 neste ano) de “depósitos autónomos”, tais como rendas, cauções e outras importâncias afectas a processos judiciais, que, logicamente, não pertenciam ao Estado e foram gastas como receitas extraordinárias, sem que fossem garantidas as responsabilidades para com terceiros. Os membros do Conselho Directivo que aprovaram as contas incorrem em responsabilidade, podendo ser sancionados com multa por “infracções financeiras sancionatórias”.

Assim, como não é o governo de Sócrates quem neste processo se trata de avaliar: qual é o papel do presidente da república? Desconhecer a realidade nacional, pactuar com a gestão fraudulenta do governo ou, manter uma equidistância protectora do poleiro entre o governo, o povo e as suas próprias responsabilidades?

É fácil lamentar que vinte por cento da população sobreviva por debaixo do limiar da pobreza (báremo definido não sei por quem), permitir que a esses vinte por cento se lhe tenham acrescentado mais dez (2,200.000) e continuar, impávido e sereno, a pedir ao Povo que lhe siga dando a confiança suficiente para se continuar a encher com a boca fechada. Um arauto do combate à corrupção.

domingo, janeiro 09, 2011

A tónica

Clica sobre a imagem para conhecer mais uns dados sobre o comportamento do actual presidente.

sábado, janeiro 08, 2011

Espuma de magnanimidade

Será preciso que intervenha o presidente de um banco para que alguém possa vender acções?
E, já agora... quem é que vende acções abaixo do preço de mercado, ou, (considerando o perfil de um especulador) dá um porco para obter uma linguiça?
(e sim, é a Maria Emilia, provando que, por muito que queira fazer, enquanto não formos coerentes, estará sempre condicionada, basta ver a alegria no olhar)

P.D.- A Galilei, como não devemos esquecer, é apenas outro ente que forma parte da fraude do BPN, ainda que, responsabilidades governativas e especialização em matéria económica, em conjunto, só Cavaco.
Ouvi um comentador perguntar porque é que não se quebram os contratos. Desde a ignorância, pergunto eu: porque é que não se nacionaliza a SLN, afinal a Galilei é apenas o novo nome no qual se escudam os seus antigos accionistas, em lugar de, através de mais uma vigarice para permitir a apropriação do fruto do nosso trabalho, indemnizar pela nacionalização, que é o que se está a fazer realmente e ao contrário do anteriormente dito, os antigos accionistas pela porta do cavalo?
Aproveitando, seria interessante inquirir o telles de abreu para explicar o que se passou com a opi92, SLN Valor, etc., proprietários dos terrenos do aeroporto de Alcochete. Só aí vão mil e duzentos milhões.

Finalmente, só como lembrete, mesmo aproveitando a legislação que nestes anos se promulgou a favor do capital, os anteriores proprietários do BPN, como cavaco, não pagaram impostos pelos ganhos obtidos na venda das acções.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Juizo final (Malangatana)

Transtejo, a próxima a privatizar.

O grupo Transtejo, de acordo com a Câmara do Seixal, prepara-se para reduzir o número de carreiras nas ligações Seixal-Cais do Sodré e no triângulo Trafaria-Porto Brandão-Belém. No total serão menos oito as ligações diárias a efectuar com destino e partida do Seixal.
Responsável pelo pelouro da mobilidade, Joaquim Santos lamenta o facto de não ter havido qualquer diálogo com as autarquias. "É uma incoerência que não compreendemos, até porque o Plano Regional de Ordenamento do Território para a Área Metropolitana de Lisboa prevê um reforço das ligações."

Numa moção aprovada no passado dia 16, a assembleia municipal diz "repudiar qualquer tentativa de extinção de tal serviço público de transporte". Se isso vier a suceder, "o Governo vai condenar a Trafaria ao isolamento e ao desterro", lê-se no documento. A moção aprovada compara a actual situação à da década de 80, altura em que "idêntico cenário surgira no concelho do Seixal, e cuja pretensão era extinguir a respectiva carreira fluvial a pretexto da crise de então".

Para lá da eventual redução de carreiras e trabalhadores, o plano de contenção da empresa inclui a venda de sete das 34 embarcações de que dispõe. Isto depois de, em Maio, ter investido 14 milhões de euros para adquirir dois novos ferries com capacidade para 360 passageiros e 29 veículos.

Anunciados já para Janeiro estão os aumentos dos preços dos transporte públicos de Lisboa e do Porto. Os passes subirão 3,5 por cento, enquanto os restantes títulos de viagem custarão, em média, mais 4,5 por cento. Na opinião da porta-voz da Comissão de Utentes de Transportes da Margem Sul, Luísa Ramos, o executivo, com estas medidas, está a "fazer tudo para acabar com o serviço público de transportes".

terça-feira, janeiro 04, 2011

Memória

Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.

Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras

um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.

José Carlos Ary dos Santos

Portugueses privados de acesso a dados da governação

Como evoluiu o desemprego no primeiro trimestre de 2011?
A simples resposta a esta questão, que tem sido central no debate político, vai passar a ser mais complicada. A partir deste ano, o Instituto Nacional de Estatística vai alterar as perguntas do Inquérito ao Emprego, que passará a ser feito por telefone, ficando inviabilizadas comparações directas com os dados publicados nos últimos dez anos.

Será esta, que esgrime o Eugénio Rosa, uma das razões:

"O governo tem procurado esconder a verdadeira situação do desemprego em Portugal (Sócrates,na sua mensagem de Natal, não fala uma única vez do desemprego) tentando fazer passar a mensagem junto da opinião pública que se está mesmo a verificar uma tendência quebra. E isto apesar do INE ter divulgado, no 3º Trim.2010, que o desemprego oficial atingiu 609,4 mil, e o desemprego efectivo, calculado também com dados do INE, alcançou 761,5 mil portugueses. Para anular os efeitos destes números, o governo tem utilizado o desemprego registado divulgado mensalmente pelo IEFP. O Secretário Estado do Emprego manifestou mesmo “satisfação” com este em declarações à Lusa, em 17.12.2010. Por isso, interessa explicar quem é abrangido e como são construídos os dados que o governo utiliza depois na suas declarações.
Os dados do desemprego registado divulgados pelo IEFP não incluem a totalidade dos desempregados. Todos aqueles que não se inscreveram nos Centros de Emprego (e são muitos) não constam desses dados. E o IEFP para obter os dados que divulga elimina mensalmente dos ficheiros dos Centros de Emprego milhares de desempregados sem apresentar justificação.
Segundo o próprio IEFP, entre 1-Jan2010 e 30-Nov.2010 inscreveram-se nos Centros de Emprego 631.972 novos desempregados (em média de 57.452/mês). Durante o mesmo período de tempo, os Centros de Emprego arranjaram trabalho para apenas 65.828 desempregado (em média 5.984/mês). Assim, o número dos novos desempregados que se inscreveram de Jan./Nov.2010 foi superior ao numero daqueles que os Centros de Emprego arranjaram trabalho em 566.144. Apesar do numero de novos desempregados ser 9,6 vezes superior ao número de desempregados que estes Centros arranjaram trabalho, o desemprego registado no fim de Nov.2010 (546.926) era inferior ao existente no fim de Jan.2010 (560.312) em 13.386. Como é que os responsáveis do IEFP conseguiram este milagre? Eliminando um elevado numero de desempregados dos ficheiros dos Centros de Emprego. Para concluir basta fazer as seguintes contas: Segundo o IEFP, no dia 1 de Jan-2010 existiam inscritos nos Centros de Emprego 524.674 desempregados. Entre 1 de Jan.2010 e 30 de Nov-2010 inscreveram nos Centros de Emprego 631.972 novos desempregados e, durante o mesmo período, os Centros de Emprego arranjaram trabalho só para 65.828. Logo somando 524.674 (número existentes em 1.1.2010) a 631.972 (novos desempregados que se inscreveram) e subtraindo 65.828 (número de desempregados que os Centros arranjaram trabalho) obtém-se 1.090.818. Era este o número de desempregados inscritos que devia existir em 30.11.2010. No entanto, o IEFP divulgou que nessa data só existiam inscritos nos Centros de Emprego 546.926. Consequentemente desapareceram dos ficheiros dos Centros de Emprego, entre 1 Jan-2010 e 30 Nov-2010, 543.892 empregados.
O IEFP fez esta limpeza sem divulgar no boletim que publica mensalmente as razões dessa eliminação, o que levanta naturalmente sérias dúvidas sobre a credibilidade dos números do desemprego registado que divulga mensalmente utilizados depois pelo governo.
Mas apesar desta elevada eliminação de desempregados dos ficheiros dos Centros de Emprego, a percentagem de desempregados, calculada em relação ao desemprego registado, a receber o subsidio de desemprego é baixa e tem diminuído nos últimos meses de 2010. Em Janeiro de 2010, o número de desempregados a receber o subsidio de desemprego representava 63,8% do desemprego registado divulgado pelo IEFP nesse mês; em Fevereiro aumentou para 66%, mas em Novembro de 2010 correspondia apenas a 57,4% do desemprego registado deste mês divulgado pelo IEFP. É clara a diminuição do apoio aos desempregados em Portugal consequência da alteração à lei do subsídio de desemprego aprovada pelo governo de Sócrates no 1º semestre de 2010. E recorde-se que muitos desempregados não estão inscritos nos Centros. É evidente que, com esta diminuição da protecção aos desempregados, a miséria tem de aumentar, miséria que incomoda muito Sócrates quando se fala dela, apesar de ser uma consequência da politica que o governo está a seguir. O governo Sócrates até se gaba de reduzir o apoio aos desempregados. A provar isso está a conferencia de imprensa dada pelo Secretário de Estado da Segurança Social em plena quadra natalícia. Este “senhor”, revelando total insensibilidade social, veio dizer ufano que já tinha cortado o subsídio social de desemprego a 10.291 desempregados, que recebiam em média entre 312€ e 347€ por mês, e o RSI (88,86€ por mês) a 8.321 beneficiários (RTP, 12.2010). E isto a juntar à redução de 389.827 beneficiários no abono de família, o que significa uma redução anual de 250 milhões € de apoios às famílias com filhos (CM, 26/12/2010). É desta forma que o governo promove a natalidade."?

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Além do aumento das taxas...

"A directora clínica do Hospital Garcia de Orta, em Almada, defendeu hoje que o aumento do número de utentes a recorrer à urgência do hospital reflete "uma diminuição de recursos dos centros de saúde" e "uma maior carência social".

Ana França afirmou hoje, em declarações à agência Lusa, que a crescente pressão sentida sobre o serviço de urgências do Hospital Garcia de Orta (HGO) pode ser explicada, por um lado, olhando para "uma diminuição dos recursos dos centro de saúde", e, por outro, "para um agravamento dos problemas de resolução social, a par de crescentes dificuldades por parte das instituições em dar-lhes resposta".

No caso dos centros de saúde, explicou a médica, "deixou de haver as áreas específicas para operação de doentes com gripe, instaladas o ano passado de acordo com o plano de contingência da gripe A, e verificou-se um aumento significativo da taxa de aposentação de médicos".

Isto, acrescentou, "implica impossibilidade, por parte de alguns doentes, em recorrerem ao seu médico assistente" e cria a figura dos "utilizadores frequentes da urgência do hospital": "Identificámos 100 doentes com 3000 episódios de recurso à urgência por ano, o que equivale a ter doentes que recorrem à urgência em média uma a duas vezes por mês".

Este cenário, considera a directora clínica, "diz bem do conjunto de doentes que andam no sistema sem um recurso que acompanhe a sua situação". O hospital está, por isso, "a tentar perceber como pode arranjar forma de partilhar a responsabilidade sobre estes doentes entre o hospital e centros de Saúde".

Ana França lembrou ainda que os constrangimentos verificados no serviço de urgências do HGO nos últimos dias decorrem também de um "aumento anormal do número de internamentos" – que, por exemplo, na sexta feira foi de 19,5 por cento, o dobro do habitual – refletindo "situações de carência social".

"Estávamos numa situação de fim do mês, em que as pessoas vão deixando arrastar as situações para não gastarem dinheiro no médico ou em medicamentos, a condição dos doentes agrava-se e verifica-se uma necessidade acrescida de internamento", explicou.

A isto, acrescentou, junta-se "uma diminuição da capacidade de resposta da rede de cuidados continuados e da rede social, que receberam em 2010 menos utentes do que em 2009 e que levaram mais tempo a dar resposta aos pedidos".

Esta realidade, disse ainda a médica, "tem também um reflexo muito grande nos hospitais e aumenta a pressão sobre os serviços"."

Ionline


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Alegre não se opõe (debate com Cavaco) a mais um cheque de quinhentos milhões para salvar o BPN, sempre que, de uma vez por todas, se solucione a situação. A garantia deve vir do governo, o mesmo que cavaco critica por não conseguir rentabilizar a entidade da forma que os administradores privados o fizeram no passado, quando este, também dono da entidade, já em tempos de crise, lucrou mais de duzentos e cinquenta mil euros pela venda (ou compra) de acções da SLN.

domingo, janeiro 02, 2011

6 anos

Sem o priorizar, processando-a com um software em permanente actualização, para o qual também contribuiram os output de todos aqueles que por aqui passaram e que amiúde visito, acredito ter deixado perceber que, para este autor, a realidade não tem porque avançar para a decadência, sempre que nós o não façamos.Saudações àqueles que durante os seis últimos anos aqui trocaram diariamente uns minutos de vida.


Ah! Se acontecesse enfim qualquer coisa!

Ah! Se acontecesse enfim qualquer coisa!

Se de repente saísse da terra um braço
e atirasse uma rosa
para o espaço!

Mas não.

Lá está o sol do costume
com a exactidão
duma bola de lume
desenhada a compasso...

...sol que à noite continua
a andar em redor
nas entranhas da lua
- que é sol com bolor...

e desde que nasci,
haja paz ou guerra,
nunca vi outra coisa.

Ah! Como queres que acredite em ti
- braço que hás-de romper a terra
e atirar uma rosa?

José Gomes Ferreira
Os Estados Unidos (EUA) querem ter acesso a bases de dados biométricas e biográficas dos portugueses que constam no Arquivo de Identificação Civil e Criminal. O FBI, com a justificação da luta contra o terrorismo, quer também aceder à ainda limitada base de dados de ADN de Portugal. O acordo com o Governo português está feito e só falta ser ratificado na Assembleia da República. No entanto, este mês vai sair um parecer da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) que alerta para os problemas que constam no texto do acordo bilateral