sexta-feira, outubro 30, 2026

… e a Buttuller fechou.

Todas as manhãs, o uniforme.

Ninguém lhe chama disfarce.
Chamam-lhe vestir-se,
chamam-lhe ser.

Poderia vesti-lo.

Caberia na submersão massiva,
deixaria de ser excepção.

Já durmo uma parte da vida,
a totalidade desapareceria se disfarçado.

Fazer disso ofício,
profissional circense: não resolve.
Já ninguém parece ser outra coisa,
muitas vezes sem dar por isso,
ou sem que ali signifique o mesmo.


São tantas as dimensões
quantos paridos.

Vale a pena esta forma
que se supõe aceite,
expor-se à crítica dual da plateia
ou do próprio elenco,
tantas vezes com um único papel,
o do manual de instruções?

Este despudorado capricho do universo
quase explicado pela física
deveria ser mais que a primária aflição
por não possuir o que se não tem,

deveria ser melhor que o que resulta
de tornar o olhar um tribunal.

Carece de sentido, mas
encontra-o o narciso,
encontra-o o inocente, até que cede.

Resistir a atribuir-lho
pode custar a vida.

Rejeito-o.

Mino, Madrid, 2026



Sem comentários: