Agora vão lá votar no Chega e, depois das próximas eleições, conseguirão
finalmente ver o SNS fechado de uma vez por todas.
À pala de uma população pejada de bacôcos, que sobre tudo opinam sem saber
fazer um «O» com um canudo, comem os portugueses mais uma sessão de esbulho — à
qual, aliás, parecem já estar habituados. Porque é isso que acontece cada vez
que a direita pisa o poleiro, apesar de o fazer com tão poucos votos.
Desde o estéril Botas, passando pelo espumado Cavaco, foram-se o olival, a
pesca, a agricultura, o SNS, a educação, a justiça que quase existiu, os
direitos laborais e sociais. Foi-se grande parte das liberdades conquistadas.
E, entretanto, a generalidade da bófia — republicana ou não — intimida a
população, enquanto cumpre, tantas vezes, o papel de sabujo do mandante,
aproveitando para descarregar sobre quem está abaixo a frustração de só ter
servido para aquilo mesmo.
Mas, seguramente, lá virá o bacôco:
«Ah, mas agora temos uma grande rede viária.»
Pois temos.
Autoestradas que a população, na sua grande maioria, não pode pagar; combustível
quase intocável; e uma ferrovia que até tem servido, sim — mas para aquecer
muita casinha, enquanto as travessas são levantadas em trajetos desativados.
Foram-se os comunistas. Foram-se os socialistas. E, se não abrem a pestana,
até a social-democracia desaparece.
Saiam das redes sociais e levantem a voz na rua. Saiam do sofá e vão para as
manifestações. Vão votar. Façam alguma coisa, além de lamentar, com a
serenidade de quem foi ensinado que não vale a pena.
Porque, de outra forma, quando derem por ela já não haverá SNS, direitos ou liberdades para
lamentar no aconchego — já não do sofá, mas das janelas fechadas.
Sem comentários:
Enviar um comentário