domingo, setembro 06, 2026

Tens médico?

  


Agora vão lá votar no Chega e, depois das próximas eleições, conseguirão finalmente ver o SNS fechado de uma vez por todas.

 À pala de uma população pejada de bacôcos, que sobre tudo opinam sem saber fazer um «O» com um canudo, comem os portugueses mais uma sessão de esbulho — à qual, aliás, parecem já estar habituados. Porque é isso que acontece cada vez que a direita pisa o poleiro, apesar de o fazer com tão poucos votos.

 Desde o estéril Botas, passando pelo espumado Cavaco, foram-se o olival, a pesca, a agricultura, o SNS, a educação, a justiça que quase existiu, os direitos laborais e sociais. Foi-se grande parte das liberdades conquistadas.

 E, entretanto, a generalidade da bófia — republicana ou não — intimida a população, enquanto cumpre, tantas vezes, o papel de sabujo do mandante, aproveitando para descarregar sobre quem está abaixo a frustração de só ter servido para aquilo mesmo.

 Mas, seguramente, lá virá o bacôco:

«Ah, mas agora temos uma grande rede viária.»

Pois temos.

 Autoestradas que a população, na sua grande maioria, não pode pagar; combustível quase intocável; e uma ferrovia que até tem servido, sim — mas para aquecer muita casinha, enquanto as travessas são levantadas em trajetos desativados.

 Foram-se os comunistas. Foram-se os socialistas. E, se não abrem a pestana, até a social-democracia desaparece.

 Saiam das redes sociais e levantem a voz na rua. Saiam do sofá e vão para as manifestações. Vão votar. Façam alguma coisa, além de lamentar, com a serenidade de quem foi ensinado que não vale a pena.

 Porque, de outra forma, quando derem por ela já não haverá SNS, direitos ou liberdades para lamentar no aconchego — já não do sofá, mas das janelas fechadas.



Semsol



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