segunda-feira, janeiro 24, 2011

A marisma

Tendo sido as eleições que históricamente menos participadas se revelaram, todo um sinal de confiança na acção dos anteriores governos; sem que aqueles que necessitavam pedir emprestados os olhos da criança que foram para tentar descobrir a vontade que de tantos ataques se vai mascarando parecendo abandoná-los; os acontecimentos relacionados com a corrupção inimputada; a imagem tendenciosamente manipulada e transmitida pelos meios de comunicação que nos coloca como meros elementos de figuração numa história na qual somos e sempre seremos, os protagonistas; o aproveitamento da burocracia por parte de quem legisla para dificultar o exercicio de um direito conquistado pela luta e morte de tantas Mulheres e Homens que nos antecederam e acompanham ou, a opção das diferentes forças políticas no relativo à eleição dos seus candidatos, Portugal continua na senda da decadência.

Observando o resultado das várias candidaturas, numa análise "grosso modo", podemos perceber o valor real do esclarecimento da população. Dos três candidatos apoiados por partidos políticos, encontramos que, Francisco Lopes, apesar de que a sua base de apoio também se encontre exposta aos factores anteriormente mencionados e a outros que aqui não se expõem e que possibilitaram uma abstenção superior a 53%, foi a aquela que menos sustento perdeu, bastando para tal atender a que este reduziu a sua votação em 10%, enquanto Cavaco perdeu quase 14% e que, no caso de Manuel Alegre, aproximadamente 20% do seu eleitorado lhe retirou a confiança.

Em última impressão, não sendo, nem pretendendo, um ignorante equivocado sabe-tudo da política, encontrei que foi maioritariamente a juventude quem reinvindicou o seu direito, quem quis mudar a marisma e transformá-la, a mesma juventude da qual prescindem todos os governos que desde 1975 têm vindo a atrofiar o país, a mesma juventude víctima primeira desta mentira na qual 23% do eleitorado nos obriga a acompanhar quem chafurda como no líquido materno.


A luta deve continuar.

2 comentários:

Gisela disse...

OUVINDO BEETHOVEN

Venham leis e homens de balanças,
mandamentos d'aquém e d'além mundo.
Venham ordens, decretos e vinganças,
desça em nós o juízo até ao fundo.

Nos cruzamentos todos da cidade
a luz vermelha brilhe inquisidora,
risquem no chão os dentes da vaidade
e mandem que os lavemos a vassoura.

A quantas mãos existam peçam dedos
para sujar nas fichas dos arquivos.
Não respeitem mistérios nem segredos
que é natural os homens serem esquivos.

Ponham livros de ponto em toda a parte,
relógios a marcar a hora exacta.
Não aceitem nem queiram outra arte
que a prosa de registo, o verso acta.

Mas quando nos julgarem bem seguros,
cercados de bastões e fortalezas,
hão-de ruir em estrondo os altos muros
e chegará o dia das surpresas.

José Saramago

CRN disse...

Gisela,

Se formos a ver, utilizando vocabulário familiar, incluindo o factor da abstenção, o partido com a "estratégia evolutivamente (mas) estable", sem dúvida, é aquele que tinha como candidato o nosso camarada Franscisco.

Belo poema.

Um beijo.